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Precisamos parar de pensar em telas

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Nossa visão sempre foi centralizada no aparelho. Para produzir, para medir, para tudo.

Tinha lógica, quando existiam poucos meios e a forma de consumo de cada um deles raramente mudava.

Lendo na calçada, no escritório ou na mesa do café da manhã, ninguém precisava reaprender a usar o jornal, a ver TV, a ler a revista. Agora, com interatividade, sempre que entramos pela primeira vez em um hotsite, em um aplicativo de celular, em qualquer coisa interativa, precisamos reaprender tudo de novo.

Tinha lógica quando a fragmentação não era gigante e quando as pessoas não consumiam vários meios ao mesmo tempo.

Com o apogeu da interatividade e proliferação de telas em tudo que é canto, precisamos parar de pensar nelas e nos focar no consumidor.

O Tablet não é apenas um papel eletrônico, não é um celular com tela grande e muito menos um computador mais leve. A TV no celular não é apenas uma TV pequena.

O momento de consumo é diferente.

O que consumimos é diferente.

É outra situação, outra expectativa e — principalmente — outra experiência.

Por isso faz mais sentido pensar em contexto do que em telas.

Vale lembrar a frase do Steve Jobs que todo mundo usa em palestra de usabilidade: “design não é somente como as coisas se parecem. Design é como as coisas funcionam”.

É ir além da arquitetura de informação ou do look and feel que estamos acostumados, passando até pela própria definição de conteúdo.

Um site produzido para ser acessado via celular tem (ou pelo menos deveria ter) conteúdos e destaques diferentes de um site tradicional.

Se já é óbvio nos sites móveis, deveria ser óbvio para toda e qualquer tela.

Este lavabo será melhor visto em 800×600.

Vai contratar arquiteto de informação ou profissional de usabilidade? Peça para o candidato enviar uma foto de seu lavabo antes.

Alguém já conheceu lavabo com um mínimo de praticidade? Eu não.

Nada funciona no lavabo. Não se pode ficar a vontade porque é grudado na sala. O sabonete nunca limpa nada. Se limpa, depois não sai da mão. Ainda mais naquela piazinha com jatinho d’água que mais parece velho com próstata inchada. E o gran finale é aquela ridícula toalha, menor que guardanapo de pano. E geralmente a toalha nunca foi usada e por isso ainda é dura e quase não absorve nada.

Resumindo, tudo é feito para ser visto e cheirado, não pra ser usado.

Pior que isso, só site inteiro em flash, pop-ups, landing page, carta do presidente e menus com nomes que não querem dizer nada. Coisa de redator poeta ou maconheiro.

iPhone

Ano passado, antes do lançamento do iPhone (mas já conhecendo suas características), escrevi para a minha coluna da Revista Marketing sobre a sua principal vantagem: a usabilidade.

O resultado vocês já conhecem. Sucesso de vendas abocanhando uma fatia considerável do mercado de smartphones, mesmo em um mercado competitivo como o americano.

Parte do texto publicado abaixo, volto para comentar no final.

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Usabilidade na TV digital

Espero que as emissoras e agências aproveitem a larga experiência que adquirimos na web e contratem profissionais especializados para não transformar a oportunidade em problema.

Me refiro a direção de arte e usabilidade para o canal de dados e interatividade da TV digital.

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Em terra de cego, quem tem um olho tá perdido

Se você é o único (ou um dos únicos) que faz o que você faz, tem duas maneiras de enxergar isso.

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Evil Knievel

No Brasil, testar significa perder tempo e dinheiro. É cultural e vai além do nosso mercado. Percebi isso quando comprei um sofá e depois de 3 meses discutindo com a loja, um técnico veio em casa e disse: “ahh, é esse modelo? já sei qual é o problema. Ele é protótipo e a fábrica já descobriu como arrumar. O que está vendendo na loja hoje já está com o problema corrigido.”

Somos todos cobaias. O pior é que fazemos o mesmo com nossos clientes.

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a saga da arquitetura de informação no Brasil

O que faz um arquiteto de informação (AI)? Define o fluxo de navegação, o peso dos elementos em uma página, a ordem de leitura, etc. E antes disso, define as personas. E toma decisões baseadas em pesquisas, não um dedo molhado ao vento. É o profissional que dá luz a expressão “Form Follow Function”. É a voz do end-user. AI é uma ciência.

Esta profissão teve seu momento de glória no Brasil. Diferente de outros que foram supervalorizados durante a febre ponto com, o AI teve sua época de ouro depois da explosão da bolha.

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