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Carta aberta à TV aberta

Na época da Copa do Mundo, fica evidente uma grave falha do sistema digital: seu delay em relação ao analógico.

O problema é simples de explicar, o atacante entra na área e vc escuta seu vizinho gritar gol. Se não fosse frustrante, seria hilário, pois o melhor sistema — digital, alta definição — é justamente o que entrega a pior experiência.

Parece bobo, mas é extremamente relevante. Experiência de uso tem muita importância no sucesso de produtos e serviços. Não preciso defender isso. Wii, iPhone, Nespresso e outros tantos exemplos de sucesso (e vários outros, de fracasso) recentes seriam ótimos exemplos disso.

E podem argumentar que a TV reina absoluta, mas se pensarmos no futuro, acredito que a televisão aberta ainda precisa melhorar muito.

Mas voltando ao problema. Segundo todos os especialistas e técnicos consultados sobre o assunto em entrevistas e discussões recentes, a solução é impossível.

O conteúdo digital precisa ser comprimido, transmitido e descomprimido. Este processo demora alguns segundos. E alguns segundos a mais no caso do conteúdo gerado em alta definição.

A minha sugestão? Atrasem o conteúdo analógico. Quando todos tem delay, ninguém tem. E o sincronismo nem precisa ser exato.

Faria alguma diferença receber o conteúdo “ao vivo” com mais 15 segundos de atraso? Não, até porque, alguns milhões de pessoas que assistem TV por assinatura ou via satélite já com delay. E em 10 anos, nossa televisão será 100% digital e o delay entre transmitido e “ao vivo” continuará existindo. O problema não é o delay da vida real com o que assistimos em casa, o problema é o delay da nossa TV com a do vizinho.

Interações como entrevistas ao vivo continuariam usando um retorno a parte, como funciona hoje, para não dar microfonia. E na virada do ano, bastaria adiantar em alguns segundos o relógio do apresentador que faz a contagem regressiva.

A massificação acabou?

Bom artigo do Nelson Hoineff, que parece conhecer bastante sobre televisão.

O artigo é anterior a dois textos meus que tratam de assunto parecido e tem a mesma opinião (aqui e aqui).

Hoje em dia, parece ser mais interessante a notícia que ninguém leu do que a que todo mundo leu.

Empurra empurra

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Eu já achava a constante presença do logo das emissoras no canto da tela um absurdo.

Você fica assistindo TV e precisa ignorar aquele treco horroroso. Uma marca d’água, mais pra marca do que pra água.

Ai resolveram enfiar propaganda também durante a apresentação do conteúdo. A TV por assinatura virou mestre em fazer isso. Você esta assistindo um filme e aparece um treco no meio da tela avisando sobre algum programa que vai passar em outro horário.

Você tenta ignorar, mas o treco começa a se mover e dar piruetas no meio da tela chegando a ocupar 1/4 dela.

Algumas animações até imitam explosões e outros subterfúgios para se confundir com o filme e chamar ainda mais atenção.

É interromper no pior sentido da palavra.

Como não falta espaço na TV por assinatura – basta ver intervalos de 5 minutos que repetem calhau a dar com pau para perceber isso – só me resta imaginar que é cultural.

Quanto menos a gente presta atenção, mais eles empurram.

Outro bom exemplo desta lógica de empurra empurra são os DVDs, que contém mensagens obrigatórias e trechos que não permitem ser pulados.

A Disney, percebendo isso, inventou o Fast Play. Mas apesar do nome, a opção serve apenas para não passarmos pelos menus, pois nos brinda com pelo menos 3 longos trailers de seus produtos.

Por isso que, quando esse povo usa algum ferramental moderno ou tecnológico, costumam fazer feio. Porque antes de usar a ferramenta, precisam mudar sua maneira de pensar. Senão acabam fazendo o velho com uma roupagem nova.

Anúncio é conteudo?

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Há algum tempo atrás, o Google modificou seu sistema de leilão, passando a levar em conta a qualidade do anúncio.

Como o Google ganha por anúncios clicados, para leigos pode parecer como uma prática comercial para priorizar os anúncios mais clicados, mas a lógica é outra. Para não perder relevância, o Google precisa continuar tendo qualidade em sua resposta, mesmo em seus anúncios.

O pensamento não está de olho no lucro do curto prazo. Não se trata de ganhar mais grana com um anúncio picareta que conquiste muitos cliques, mas em manter a taxa de cliques alta por entregar comerciais que tenham relação real com a pesquisa realizada.

Afinal, pago ou não, os anúncios fazem parte da recomendação de busca do sistema. Usando a mesma lógica, acredito que todos os veículos, digitais ou não, deveriam selecionar seus comerciais.

Você pode até argumentar que não seria viável comercialmente ou que ninguém teria coragem para tomar esta atitude, mas a lógica é a mesma. Comercial ruim atrapalha a experiência do consumidor no veículo.

Não precisa ir longe, quem nunca trocou de canal ou estação de rádio quando percebeu novamente aquele comercial chato? Esta sensação se torna evidente em canais de TV por assinatura, cujos intervalos chegam a levar 5 minutos e muitas vezes recheados com comerciais de resposta direta e os produtos mais vagabundos do mundo.

Ou quem nunca ficou puto quando percebeu que a TV por assinatura passou a mostrar vários intervalos de 5 minutos durante o mesmo filme?

A única dificuldade que eu vejo seria a nota de corte. O Google tem maneiras para medir a relevância do comercial, comparando seu conteúdo com a palavra de busca e a página que ele remete, assim como também tem a resposta imediata dos usuários. Seu sistema é melhor do que qualquer pesquisa de amostragem, mas com toda a tecnologia de hoje, seria viável implementar algum sistema de qualidade em outros veículos, mesmo os tradicionais. Como eu disse, a barreira não é tecnológica, e sim político-econômico-burocrática.

A Internet é um convento cheio de putas

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

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A audiência garantida como muleta

Parece que o Benedito Ruy Barbosa andou reclamando que um dos culpados pela baixa audiência de sua novela (Paraíso), é o programa anterior. Como todo mundo sabe, a audiência do programa anterior garante pontos para o programa seguinte.

Engraçado como a muleta que funciona para publicitários, também funciona para os produtores de conteúdo.

A garantia de audiência entregue por alguém faz alguns se importarem menos com a qualidade de seu material. O couch potato do lado de quem fica sentado no sofá, gera o mesmo efeito do lado de quem por trás das câmeras.

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O Nosso Caos Particular

clique para ampliarSomos uma geração de Profissionais de Comunicação privilegiada. Praticamente inventamos o que se convencionou chamar de colaboratividade. Entregamos “empowerment” ao consumidor. Transformamos o que era uma alameda de mão única, numa ampla estrada de duas mãos, com muitas faixas e bla, bla, bla, bla, bla.

Só não aprendemos…hmmm… a ganhar dinheiro com isso. Isso já é pedir demais.

E apesar deste texto estar em um blog, não estou falando apenas da mídia online, não.

Somos os netos da geração que inventou o Negócio da Comunicação e – como no ditado que diz que os netos levam o negócio dos avós à falência – estamos a ponto de quebrar tudo, instaurando o caos.

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Marimoon está velha.

Os velhos não entendem o que esta acontecendo. Como algo que era controlado por poucos agora está na mão de todos? Produzir, divulgar e consumir o conteúdo como, quando e onde quisermos.

Não é apenas um discurso bonito de palestra de guru, basta usar o Youtube como exemplo. Com dez horas de vídeo sendo enviada a cada minuto, o site tem mais conteúdo do que a soma do histórico de qualquer emissora nacional. Basta isso, não precisamos recorrer ao Flickr, blogs ou qualquer outro representante da categoria.

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Igual, mas diferente.

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Já escutei alguns profissionais falando que precisamos é de uma volta ao passado. Por mais retrógrado que possa parecer, a afirmação tem certa lógica.

Voltar ao passado seria uma maneira de fugir do uso abusivo de fórmulas prontas e verdades absolutas que assola o mercado hoje. Um abuso que fez muito anunciante achar — erroneamente — que boa parte do que fazemos é commodity.

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O Marketing depois de amanhã, agora free.

Acabo de publicar a segunda edição do livro O Marketing Depois de Amanhã. Escrevi este livro porque gostei do resultado de uma aula que ministrei sobre o tema. No Curso de Especialização da Associação Brasileira de Marketing Direto, a pedido do Fábio Adiron, amigo, coordenador do curso, usuário fiel de coxinhas de padaria e do blog coxa creme.

O tempo passou e – usando um velho clichê – eu não poderia estar mais feliz com o resultado. Feliz pelas vendas, pelas críticas que recebi de profissionais que admiro e por ter cumprido uma promessa feita à editora.

Escrever sobre o futuro é uma tarefa repleta de riscos. Risco para o leitor, de acreditar em um exercício de futurologia. Risco para o autor, de virar piada quando o futuro chegar, e risco comercial para a editora, por imprimir milhares de exemplares sobre algo tão volátil.

A editora não faz mais parte do projeto, mas a promessa foi cumprida. Três anos depois de escrito o livro continua atual. E foi revisado. Atualizei cases e números que, em última análise, foram inseridos apenas para ilustrar meus pontos. Revisar o livro também tem caráter simbólico, pois demonstra que os conceitos sobreviveram ao tempo.

Torná-lo disponível para download não é, como alguns podem pensar, menosprezar o carinho que tenho por ele. Ao contrário. Apesar do ótimo resultado, ganhar dinheiro vendendo papel nunca foi meu objetivo. Entre vantagens de desvantagens do formato digital, oferecer este livro na web era não apenas óbvio, mas uma obrigação.

Estão todos convidados para fazer o download e ler o livro.

Para Terminar, deixo aqui uma das capa sugeridas para o lançamento da primeira edição. Tenho certeza que ela seria a primeira opção de muitos de vocês.

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