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O fim da TV por assinatura.

Repito aqui o que tenho falado com frequência para amigos. Não será o Google TV ou o xBox ou qualquer outra coisa que irá matar a TV paga.

Será a própria TV paga que irá matar a TV paga.

E acredito piamente que não preciso explicar isso para a maior parte do público aqui. Boa parte dos meus leitores são assinantes da TV paga e sabem muito bem quais são os problemas do meio.

E para piorar, a TV paga tem no Brasil um enorme mercado em potencial para explorar, das pessoas que pela primeira vez na vida tem grana sobrando para tal luxo.

Isso vai inebriar os gestores preocupados com o lucro do curto prazo para continuar cometendo os mesmos erros que cometeram até agora. A velha e boa acelerada na ladeira cujo final se encontra um muro.

É o impacto causado por um mundo suportado por barreiras comerciais, técnicas e legais que o universo digital destruiu.

O fim da TV paga não será este ano, nem no próximo, nem no posterior. Mas ele já começou, faz tempo.

update: quem achar que precisa explicar mais, continuei o post em um dos comments abaixo.

Carta aberta à TV aberta

Na época da Copa do Mundo, fica evidente uma grave falha do sistema digital: seu delay em relação ao analógico.

O problema é simples de explicar, o atacante entra na área e vc escuta seu vizinho gritar gol. Se não fosse frustrante, seria hilário, pois o melhor sistema — digital, alta definição — é justamente o que entrega a pior experiência.

Parece bobo, mas é extremamente relevante. Experiência de uso tem muita importância no sucesso de produtos e serviços. Não preciso defender isso. Wii, iPhone, Nespresso e outros tantos exemplos de sucesso (e vários outros, de fracasso) recentes seriam ótimos exemplos disso.

E podem argumentar que a TV reina absoluta, mas se pensarmos no futuro, acredito que a televisão aberta ainda precisa melhorar muito.

Mas voltando ao problema. Segundo todos os especialistas e técnicos consultados sobre o assunto em entrevistas e discussões recentes, a solução é impossível.

O conteúdo digital precisa ser comprimido, transmitido e descomprimido. Este processo demora alguns segundos. E alguns segundos a mais no caso do conteúdo gerado em alta definição.

A minha sugestão? Atrasem o conteúdo analógico. Quando todos tem delay, ninguém tem. E o sincronismo nem precisa ser exato.

Faria alguma diferença receber o conteúdo “ao vivo” com mais 15 segundos de atraso? Não, até porque, alguns milhões de pessoas que assistem TV por assinatura ou via satélite já com delay. E em 10 anos, nossa televisão será 100% digital e o delay entre transmitido e “ao vivo” continuará existindo. O problema não é o delay da vida real com o que assistimos em casa, o problema é o delay da nossa TV com a do vizinho.

Interações como entrevistas ao vivo continuariam usando um retorno a parte, como funciona hoje, para não dar microfonia. E na virada do ano, bastaria adiantar em alguns segundos o relógio do apresentador que faz a contagem regressiva.

Empurra empurra

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Eu já achava a constante presença do logo das emissoras no canto da tela um absurdo.

Você fica assistindo TV e precisa ignorar aquele treco horroroso. Uma marca d’água, mais pra marca do que pra água.

Ai resolveram enfiar propaganda também durante a apresentação do conteúdo. A TV por assinatura virou mestre em fazer isso. Você esta assistindo um filme e aparece um treco no meio da tela avisando sobre algum programa que vai passar em outro horário.

Você tenta ignorar, mas o treco começa a se mover e dar piruetas no meio da tela chegando a ocupar 1/4 dela.

Algumas animações até imitam explosões e outros subterfúgios para se confundir com o filme e chamar ainda mais atenção.

É interromper no pior sentido da palavra.

Como não falta espaço na TV por assinatura – basta ver intervalos de 5 minutos que repetem calhau a dar com pau para perceber isso – só me resta imaginar que é cultural.

Quanto menos a gente presta atenção, mais eles empurram.

Outro bom exemplo desta lógica de empurra empurra são os DVDs, que contém mensagens obrigatórias e trechos que não permitem ser pulados.

A Disney, percebendo isso, inventou o Fast Play. Mas apesar do nome, a opção serve apenas para não passarmos pelos menus, pois nos brinda com pelo menos 3 longos trailers de seus produtos.

Por isso que, quando esse povo usa algum ferramental moderno ou tecnológico, costumam fazer feio. Porque antes de usar a ferramenta, precisam mudar sua maneira de pensar. Senão acabam fazendo o velho com uma roupagem nova.

Anúncio é conteudo?

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Há algum tempo atrás, o Google modificou seu sistema de leilão, passando a levar em conta a qualidade do anúncio.

Como o Google ganha por anúncios clicados, para leigos pode parecer como uma prática comercial para priorizar os anúncios mais clicados, mas a lógica é outra. Para não perder relevância, o Google precisa continuar tendo qualidade em sua resposta, mesmo em seus anúncios.

O pensamento não está de olho no lucro do curto prazo. Não se trata de ganhar mais grana com um anúncio picareta que conquiste muitos cliques, mas em manter a taxa de cliques alta por entregar comerciais que tenham relação real com a pesquisa realizada.

Afinal, pago ou não, os anúncios fazem parte da recomendação de busca do sistema. Usando a mesma lógica, acredito que todos os veículos, digitais ou não, deveriam selecionar seus comerciais.

Você pode até argumentar que não seria viável comercialmente ou que ninguém teria coragem para tomar esta atitude, mas a lógica é a mesma. Comercial ruim atrapalha a experiência do consumidor no veículo.

Não precisa ir longe, quem nunca trocou de canal ou estação de rádio quando percebeu novamente aquele comercial chato? Esta sensação se torna evidente em canais de TV por assinatura, cujos intervalos chegam a levar 5 minutos e muitas vezes recheados com comerciais de resposta direta e os produtos mais vagabundos do mundo.

Ou quem nunca ficou puto quando percebeu que a TV por assinatura passou a mostrar vários intervalos de 5 minutos durante o mesmo filme?

A única dificuldade que eu vejo seria a nota de corte. O Google tem maneiras para medir a relevância do comercial, comparando seu conteúdo com a palavra de busca e a página que ele remete, assim como também tem a resposta imediata dos usuários. Seu sistema é melhor do que qualquer pesquisa de amostragem, mas com toda a tecnologia de hoje, seria viável implementar algum sistema de qualidade em outros veículos, mesmo os tradicionais. Como eu disse, a barreira não é tecnológica, e sim político-econômico-burocrática.

O Marketing depois de amanhã, agora free.

Acabo de publicar a segunda edição do livro O Marketing Depois de Amanhã. Escrevi este livro porque gostei do resultado de uma aula que ministrei sobre o tema. No Curso de Especialização da Associação Brasileira de Marketing Direto, a pedido do Fábio Adiron, amigo, coordenador do curso, usuário fiel de coxinhas de padaria e do blog coxa creme.

O tempo passou e – usando um velho clichê – eu não poderia estar mais feliz com o resultado. Feliz pelas vendas, pelas críticas que recebi de profissionais que admiro e por ter cumprido uma promessa feita à editora.

Escrever sobre o futuro é uma tarefa repleta de riscos. Risco para o leitor, de acreditar em um exercício de futurologia. Risco para o autor, de virar piada quando o futuro chegar, e risco comercial para a editora, por imprimir milhares de exemplares sobre algo tão volátil.

A editora não faz mais parte do projeto, mas a promessa foi cumprida. Três anos depois de escrito o livro continua atual. E foi revisado. Atualizei cases e números que, em última análise, foram inseridos apenas para ilustrar meus pontos. Revisar o livro também tem caráter simbólico, pois demonstra que os conceitos sobreviveram ao tempo.

Torná-lo disponível para download não é, como alguns podem pensar, menosprezar o carinho que tenho por ele. Ao contrário. Apesar do ótimo resultado, ganhar dinheiro vendendo papel nunca foi meu objetivo. Entre vantagens de desvantagens do formato digital, oferecer este livro na web era não apenas óbvio, mas uma obrigação.

Estão todos convidados para fazer o download e ler o livro.

Para Terminar, deixo aqui uma das capa sugeridas para o lançamento da primeira edição. Tenho certeza que ela seria a primeira opção de muitos de vocês.

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Na língua do P, o Brasil só sabe contar até 1

Preço é relevante? Sim, muito. Principalmente em um país pobre como o nosso. Mas ignorar o resto é, além de ignorância, burrice.

Ao ler um texto do Marinho que me enviaram hoje, soube que:

A pesquisa da Pay-TV Survey (PTS) mostrou que apenas 30% dos domicílios de brasileiros das classes A e B têm TV por assinatura. E o principal motivo para esse índice ser baixo é justamente o desinteresse dessa gente pela programação da maioria dos canais.

Novidade? Não, olha o que eu escrevi ano passado:

Eu costumo bradar que não existe um único serviço que preste no Brasil. E acredito que o principal gargalo para o aumento de vendas destes serviços não é preço, nem praça e – muito menos – promoção. É produto.

Não é novidade hoje, mas era na época? Claro que não.

A discussão é interessante e pertinente até mesmo para o post sobre pirataria. Será que o preço do CD e das músicas é tão relevante?

Acredito que boa parte dos assinantes daquelas serviços com assinatura flat (pague x por mês e escute o que quiser, quanto quiser) não estão comprando música, mas sim a facilidade de não precisar procurar, baixar, catalogar e fazer backup da pirataria.

connecting the dots

Eu morava em Nova York, terminando meu curso de mestrado, mas já trabalhando como frila em uma agência de propaganda no departamento de internet. Com a proximidade do fim do curso, me propuseram contratação. Ponderei os prós e contras de ficar nos Estados Unidos por tempo indeterminado, contratado por uma grande agência, mas pensei na seguinte estratégia: “Isso é o futuro. Todo mundo vai usar internet. Volto para o Brasil agora com um conhecimento que praticamente ninguém tem e quando este mercado estiver forte, estarei muito bem posicionado”. Não posso dizer que a estratégia deu errado, mas a questão foi o quanto tempo ela levou. O ano era 1996 e estava certo de que em um par de anos tudo já teria acontecido. 12 anos depois, temos um mercado totalmente diferente, mas acho que em termos de grana não estamos nem engatinhando ainda. Ou seja, ainda não aconteceu.

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Por que migrar para a TV digital?

Em uma apresentação sobre TV digital que eu fiz surgiu uma pergunta: Se o investimento é alto e os breaks não serão cobrados a parte, por que as emissoras estão migrando pra TV digital?

Em tempos onde a visão de investimento é sempre de curto prazo, a pergunta não é nenhum pouco boba.

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Leis

Talvez o fato mais marcante de 2007 para o nosso mercado tenha sido a Lei da Cidade Limpa, que para espanto de alguns e tristeza de outros, pegou. Pegou em um país que não costuma ligar muito para essa coisa de lei. Pegou e – para enfraquecer o discurso de alguns – foi acolhida e aceita pelos cidadãos. Pode até ser que o brasileiro goste de propaganda, mas o problema foi o exagero. É só viajar pra fora de São Paulo agora pra perceber o quanto a coisa estava feia, exagerada.

A lei mostrou para o mercado o quanto uma canetada pode fazer diferença. Em 2008, novamente corremos o risco do fato mais marcante ser uma nova lei.

Só para citar três exemplos, temos a isenção de impostos para produtos ligados a TV digital, a imposição das cotas de conteúdo nacional nas emissoras de canais pagos e a decisão do governo sobre utilização de DRM na TV digital.

Segundo a ABERT, existem mais de 500 propostas no Congresso Nacional tratando de programação, restrições à publicidade e controle da propriedade dos meios, de lei de imprensa e outros assuntos. Boas para uns, ruim para outros, elas mudam o rumo do nosso mercado. A Cidade Limpa, apesar do seu radicalismo, foi benéfica para os cidadãos. Outras como a utilização do DRM podem ser um verdadeiro retrocesso.

É esperar pra ver, sem fazer nada, como todo bom brasileiro.

O Poder da Segmentação

Al RiesFui assistir Al Ries no evento “O Poder da Segmentação – Atingindo Quem Importa” hoje cedo.

Ries é um tiozinho simpático, carismático e com voz agradável. Três qualidades que eu não terei nunca. Apesar disso, não consigo simpatizar com ele por um único motivo, ele é um destes gurus que pregam o guruzismo.

Com guruzismo quero dizer lançar livros que pregam a morte de algo ou receitas práticas para ter sucesso como “A Queda da Propaganda” e “As 22 consagradas Leis do Marketing”.

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