Dei uma entrevista para a Patricia Buneker da HSM sobre a pesquisa #mobilize. Adorei o bate papo, abaixo tem o resumo do que conversamos, espero que vocês gostem também.
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Quem é o consumidor móvel 2011
10Aug11Dei uma entrevista para o blog do Silvio Meira sobre o estudo Mobilize Consumidor móvel. Vale a visita.
Estudo Consumidor Móvel 2011
29Jul11Estudo realizado pela WMcCann e Grupo.Mobi com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos MediaCT.
Empresas que não respeitam o consumidor e as redes sociais
12May11
Este mês, depois de ficar na mão com uma TV LCD da LG, refleti um pouco sobre a participação de algumas empresas nas redes sociais.
O produto que pifou estava fora da garantia e, procurando na web, descobri muita gente com o mesmo problema. A quantidade de pessoas cujo aparelho apresentava exatamente o mesmo defeito era enorme. Não podia ser coincidência.
Tanto não podia que o caso acabou na justiça e a mesma obrigou a LG a realizar um recall desta sua linha de aparelhos.
O recall acabou e a LG continuou vendendo aparelhos novos com o mesmo problema, mesmo sabendo do defeito de fabricação e mesmo tendo sido obrigada pela justiça a fazer um recall no passado.
Para piorar, a empresa ainda cobrava (e ainda cobra) de seus consumidores (no caso, suas vítimas) algumas centenas de reais para realizar o conserto.
Na época do recall, foram 66 mil consumidores que compraram um produto que poderia apresentar defeito. Ao continuar vendendo, acredito que este número deva ter passado dos 100 mil.
Mesmo modelo de aparelho, mesmo problema e mesma postura da empresa. A única diferença é os aparelhos novos não estão na lista do recall obrigado pela justiça.
E nesta parte que eu entro com a discussão das redes sociais. No caso da LG, eu só consegui atenção depois de reclamar no Twitter.
Meu ponto é que no Brasil, grande parte das empresas não respeitam os consumidores. E vemos uma avalanche destas mesmas empresas investindo em redes sociais antes mesmo de arrumar a própria cozinha.
Não me levem a mal, trabalho em uma agência que também vende este serviço e sempre fui a favor deste tipo de investimento. E obviamente que acho que as redes sociais podem servir para muitas outras coisas. Mas se o principal é ouvir e conversar, este investimento não perde o sentido para este tipo de empresa?
Vendem produtos ou serviços de baixa qualidade, tratam mal os consumidores em seus call centers, mas como redes sociais está na moda, investem em uma equipe 100% destinada para isso.
É uma distorção: consumidores que são ignorados no call center mas recebem atenção quando reclamam no Twitter.
Entendo que no Twitter falamos para muitos, mas é uma tática perigosa. O que estas empresas estão dizendo aos seus consumidores é “nós estamos cagando pra você até que você bote a boca no trambone”.
Nesta tentativa desesperada de tapar o Sol com a peneira, a marca expõe ainda mais seus problemas e pode gerar um vício desastroso no longo prazo, pois está ensinando seus consumidores a reclamar pro mundo ao invés de falar diretamente com a marca.
E nesta levada, o Reclame Aqui já é mais acessado que o Procon.
Tudo isso sem contar que, muitas vezes quando o consumidor chega na rede social, já é tarde demais e o estrago já foi feito, vide o caso da Brastemp.
Enfim, antes de pedir a opinião de vocês (nos comentários), resolvi começar a discussão com profissionais que trabalham com isso.
A pergunta é: se os atos da empresa demonstram que ela não se preocupa e não respeita o consumidor, adianta investir em redes sociais?
Em ordem alfabética dos nomes, respostas abaixo:
Bruno Mendonça, Diretor de Convergência da Fischer+Fala! (ver resposta)
A resposta politicamente correta deveria ser “sim, pois isso contribui para melhoria no atendimento a médio prazo”; ou ainda um sono “não, pois a empresa deve focar em desenvolver seu atendimento de forma integrada, para só depois focar em redes sociais”. E qual é a grande verdade? É que as empresas funcionam como as agências de propaganda, e na maior parte dos casos vai preferir focar em visibilidade e não em solução concreta. Para empresas no Brasil – e muitas também lá fora, sejamos sinceros -, investir em redes sociais ainda significa blindar suas marcas de comentários negativos que possam atrapalhar sua imagem ou vendas. Ou seja: depois que começam a trabalhar com redes sociais, viram refém das próprias. Boa parte da culpa por esse problema está nas agências, que instruem mal seus clientes e não conseguem mostrar para os gerentes e diretores de marketing que falar mal faz parte do negócio – isso sempre aconteceu, a diferença é que agora o conteúdo é publicável e compartilhável com milhões de outros consumidores. Torna-se mais importante resolver o problema de alguém que reclama no Twitter do que alguém que liga no SAC.
E sinceramente, enquanto as mídias sociais forem vistas como conteúdo para inglês ver (ou espaço para pescar elogios sobre a marca), nada disso vai mudar. Se quiser encarar as redes sociais como plataformas de SAC, tudo bem, mas faça isso de forma integrada com seus outros canais e respeite prioridades / urgências de atendimento. Minha sugestão? Encarem mídias sociais como um espaço de conversa, de feedback, de pesquisa quali/quanti não estimulada – e não apenas como um incêndio a ser apagado.
Bruno Tozzini, Head de social media da DM9DDB (ver resposta)
Se uma marca nao se preocupa e não respeita o consumidor, ela nao deveria nem existir.
caso contrário, adianta e deve sim investir e aprender .
nem que seja apenas para descobrir suas falhas e corrigir . e nos melhores casos, aprimorar com criatividade, criar novos serviços e novos canais de atendimento.
Coca, Diretor de Planejamento da AgênciaClick Isobar (ver resposta)
Não vou ficar em cima do muro. Eu também acho uma hipocrisia as empresas investirem em presença nas redes sociais e não focar na resolução de problemas de atendimento, na qualidade de serviços e produtos. Eu acho que existem muitos casos de desrespeito ao consumidor como foi o teu caso. Apesar disso, eu também tenho pensado ultimamente na capacidade e na facilidade que as pessoas tem para reclamar nas redes sociais, principalmente de marcas. Aliás, muito difícil ganhar um elogio, muito mais fácil ser fuzilado num post, exterminado num tweet fulminante. Na verdade, sempre foi assim, é muito difícil construir uma boa fama, um erro significa dez reclamações, um acerto eventualmente um elogio. Mas a diferença das redes sociais com uma mesa de bar é que as pessoas se transformaram em veículos de mídia, elas não tem mais amigos, tem uma audiência. Abraço, Coca
Cristiano Dias, Creative Technologist da JWT (ver resposta)
Adianta, mas a coisa não é tão simples assim. Acho que boa parte do problema passa pelo fato de que as áreas de “conseguir novos clientes” e “manter os atuais clientes felizes” são separadas demais nas empresas. No Brasil a impressão que dá é que todo o foco é no primeiro grupo. Depois que você vira cliente tudo parece ser um grande favor que a empresa está fazendo. Estão aí as empresas de telefonia, líderes de reclamação no Procon, que não me deixam mentir.
Daí que a área que monitora o que está sendo dito sobre a empresa é do time “novos clientes” e sabe que isso que você escreveu no texto é real: que alguém que já é cliente falando mal da empresa é péssimo para os novos negócios.
O crítico é que o pessoal que cuida dos clientes existentes não é medido pela satisfação dos clientes. Na verdade eles são medidos (e portanto recomendados) por coisas que muitas vezes parecem ser o contrário disso: tempo de resposta, custos de reparo, upgrades vendidos… Em várias empresas o SAC é terceirizado, criando um abismo entre os interesses da empresa e os interesses dos terceirizados. É completamente inimaginável terceirizar o departamento de marketing da empresa, mas com o SAC terceirizado (ou simplesmente visto como um mal necessário) é isso que acaba acontecendo na prática.
Todo mundo adora citar Apple, Starbucks… como exemplos de marketing de sucesso mas esquece que boa parte do esforço destas empresas é em manter os atuais clientes felizes.
Daniel Sollero, Coordenador Criativo de Redes Sociais da WMcCann (ver resposta)
Depende de como a empresa está encarando esse esforço em redes sociais. Se é algo que realmente se propõe a ser o início de um relacionamento, acho válido. Mas se for simplesmente um esforço de marketing para falar para o público que está nas redes sociais também, acho que não. A tendência é fazer nas redes sociais o que acabou sendo feito no telemarketing e isso nunca é bom. Se a empresa entende e respeita seus fãs e consumidores nas redes sociais, há uma possibilidade que notem que esse tipo de postura é melhor e que revejam os outros processos. Caso o contrário, não acho que vá funcionar.
Eu li o seu post e lembrei na hora da época que o Collor abriu as importações e comparou os nossos carros a carroças. Essa mesma mentalidade continua em diversos segmentos/produtos até hoje. Só comparar o caso de produtos descontinuados no mundo e que no Brasil continuam firme e forte. “>
empresas que usam o “mercado do futuro” (Brasil e outros países) como ralo para escoar produtos descontinuados não mostram nenhum respeito desde antes. E quando o vento vira e o mercado vira potência, eles falam que estavam investindo no país desde sei lá quando.
Temos um histórico de ser ralo desse tipo de produto desde sempre e acho que isso faz com que sejamos mais tolerantes com esse tipo de comportamento por parte das marcas.
Mas vale lembrar que a Apple também tem esse tipo de postura com vários produtos (time capsule, macbook branco. etc.) mas pelo menos eles não tem nenhuma presença em redes sociais.
Tem empresa que só faz recall de produto depois que umas pessoas se machucam, outras nem assim. Até marca de carrinho de bebê fez recall depois de machucar pessoas.
O comportamento talvez seja de empresas com mentalidade de revolução industrial e não com a premissa de respeito aos outros.
Gabriel Jacob, Planejamento da F.biz (ver resposta)
As redes sociais são as meninas dos olhos da grande maioria das empresas, atualmente, principalmente aquelas que trabalham com foco no consumidor final. Mas não é só porque o consumidor está lá, conectado. É que concorrência também está, e ignorar este ponto de contato, então, seria frustrante. Porém, ao mesmo tempo que muitas dessas empresas sabem que precisam estar nessas redes, também não compreendem muito bem porque e nem como estar nelas.
O mundo ideal, na minha opinião e na da grande maioria, é de empresas que transferem sua postura, positiva de preferência, para todos os seus pontos de contato de forma coesa, sendo que é desse jeito que se constrói boas percepções de marca. Sou sempre favorável a soluções que ajudam a “catequizar” as empresas sobre a importância das redes sociais, quando necessário. Mas acho que este pode ser um trabalho jogado no lixo se nem a própria casa onde está o relacionamento nativo (call center, SAC e outros pontos de contato com o consumidor), estiver organizada. Isso soa “fake” e, mais do que isso, faz perder o ativo mais importante presente no DNA de uma empresa, que é a autenticidade.
Enquanto agência e parceiro de negócio dos meus clientes, entendo que pode haver urgência na necessidade de estar presente em redes sociais e outras “plataformas da moda”, mas busco sempre defender o ponto chave: relacionamento e fidelização não se constroem do dia pra noite, muito menos sem uma marca sólida. E uma marca só pode ser considerada sólida se houver com ela uma postura e dedicação real pronta para estabelecer envolvimento com os consumidores, independente do ponto de contato.
Guilherme Jotapê Rodrigues, Buzz Manager da Leo Burnett Tailor Made (ver resposta)
O assunto sempre é delicado e entra naquele papo de boteco de publicitário onde “pô, meu… O cliente tem um produto de merda e quer que eu resolva com comunicação…”
Aí vem as tais das hipervalorizadas redes sociais e seus formadores de opinião cuja somatória de “amigos” e “seguidores” ultrapassam o número de vendas do último álbum do Roberto Leal e, obviamente, vão expor seu desgosto à marca ou produto.
O cliente berra e pede aos responsáveis pela sua comunicação “fazerem alguma coisa nas redes”.
Aí virou Brasil! Monta perfil no twitter, fan peije, comuna no orcuti… E todos os profissionais envolvidos esquecem o primordial de uma relação: troca. Eles aprenderam isso na faculdade, mas (como há contas pra pagar) acabam esquecendo da aula.
Acredito que o “investir em redes sociais” hoje pode ser feito de várias maneiras. O movimento e tendências captados nos diálogos podem servir de insights para novas ações de comunicação e até mesmo direcionar a marca em sua relação com o consumidor. Não necessariamente “estar lá”.
Tá melhorando, Cava… Devagar, mas melhorando.
E da próxima vez compra Samsung que é meu cliente.
Gustavo Giglio, Sócio / Diretor de Marketing do Update or Die (ver resposta)
Acredito que ao mesmo tempo em que exista sim a preocupação em investir e estar presente nas redes sociais, as grandes empresas não dão a devida atenção para essa nova dinâmica e troca. Deixam sempre na mão de qualquer um por achar que precisam fazer e ponto final. Como o investimento tende a ser mais baixo que em outras áreas, provavelmente o cuidado não deve ser tão grande, o que já é um pensamento equivocado. Mas, aos poucos essas áreas ganham mais espaço.
Fica claro que profissionais, talvez não bem preparados para o ofício, ou sobrecarregados com outras tarefas do dia-a-dia, não tem a capacidade, autonomia e informações o suficiente para lidar com determinadas situações (algumas situações que nem devem receber a atenção necessária).
Esses investimentos e esforços devem ser feitos de uma maneira que fique claro que a equipe é também um dos braços responsáveis pela reputação da marca. Existe a necessidade de voltarem a falar internamente sobre a premissa básica que é a importância da satisfação e o cuidado com seus principais propagadores, os clientes. Entregar o produto ou o serviço prometido virou um diferencial de poucos.
A marca, o produto, os consumidores, suas campanhas, lançamentos, acertos, erros e a maneira de falar com o público estão nas redes sociais. A marca posicionando-se oficialmente ou não. Logo, em um país que culturalmente a preocupação com o próximo e respeito mútuo não são lá grandes princípios básicos da educação de uma parcela da população, casos como esse são reflexo da falta de respeito com os consumidores e junioridade no cuidado com o legado de uma marca. O que muitas vezes leva-se anos para alcançar, em alguns minutos pode ser destruído.
Jean Boechat, Diretor de Criação Executivo da AGE Isobar (ver resposta)
Só vejo uma resposta para essa pergunta: um sonoro e convicto “não!”. Qualquer movimento nesse sentido pra mim soa como ‘maquiagem do cocô”.
Lalai Luna, Planejamento da Remix Social Ideas (ver resposta)
Não, pois nesse caso elas vão estar nas redes sociais com qual objetivo? E quando não respeita o consumidor e ainda assim ela decide que o objetivo é ter sua presença lá, ela precisa entrar preparada para enfrentar a bomba que não vai demorar pra estourar. Não acho que as redes sociais tem que virar um SAC, a não ser que se crie uma estratégia para esse fim. Porém atualmente recorrer às redes sociais para reclamar sobre serviços, produtos, etc., é mais eficaz (tanto no retorno quanto no tempo que se gasta para fazer uma reclamação) do que encarar um call center. Eu sempre recorro às redes sociais quando tenho problemas como consumidora. O retorno geralmente é imediato, mas nem sempre a solução vem junta. E vem mais rápido, porque ao contrário de um call center, o analista (mais esperto) já sinaliza que se não houver resposta, a marca vai ter muita dor de cabeça porque ela estará se expondo. Muitas marcas ainda praticam o monólogo nas redes sociais, a tal da “conversa” fica pra outra hora.
Michel Lent, Vice-Presidente de Estratégia da .mobi (ver resposta)
Não há boa conversa que conserte um produto ou serviço ruim. investir em rede social para mediar problemas de nada adianta se temos um produto ruim. o caminho é: arrumar o produto. isso significa que se deve ignorar as redes até termos um produto bom? não. use as redes pra ouvir e entender o que os seus consumidores estão apontando com problemas do seu produto / serviço. está tudo lá, de graça pra quem quiser ouvir.
Neto, VP Criação da Bullet Promo (ver resposta)
Você tem razão quando diz que as redes sociais estão ocupando espaço de outros meios de atendimento ao consumidor.
Mas acho que isso se deve menos à vocação de reverberação das redes e mais à uma antiga incompetência das marcas em prover atendimento ao consumidor de qualidade.
E este, acho, é o erro fundamental: na maioria dos casos, a marca torna-se refém voluntária de uma relação com o consumidor via redes sociais, apenas porque foi incompetente nos canais onde deveria ter evitado que o problema escalasse.
Tive várias vezes experiências parecidas com a que você relatou.
Todas as vezes, me senti extorquindo as marcas.
Era evidente que só estavam me respondendo porque não queriam que eu continuasse a falar mal delas publicamente.
Por isso, acho que a conta que deve ser feita é:
Redes sociais são potentes e têm efeito rápido e devastador. Investir em redes sociais deve ser uma atitude apenas de empresas cujos canais de comunicação tradicionais com o consumidor estejam bem implementados.
Rafael Ziggy, Digital Planning Supervisor da Africa Propaganda (ver resposta)
As empresas que não se preocupam e não respeitam o consumidor são as que mais estão propícias a casos de insatisfação dentro e fora das redes sociais. Está claro que nesse caso o foco não é o meio, mas o descaso com o consumidor. É uma bola de neve: quanto maior o descaso, maior o número de pessoas descontentes e maior a quantidade de reclamações.
O ideal seria resolver antes essa indiferença com o consumidor. Caso contrário a empresa corre o risco de ficar investindo esporadicamente no controle dessas crises. Preocupação e respeito com o consumidor é pré-requisito para qualquer empresa, seja dentro ou fora das redes sociais.
Wagner Martins, Diretor de Planejamento da Espalhe (ver resposta)
Sou contra privilegiar as reclamações em redes sociais e a síndrome de pequeno poder que o “xingar muito no twitter” representa. Mostrar que o canal para a resolução de problemas é “lavar roupa suja em público” só vai criar um ciclo vicioso que vai minar completamente a credibilidade do uso dos canais de SAC apropriados. Também acho que a reclamação nas redes sociais são superestimadas. Isoladas, elas pouco influenciam na imagem da marca. Pra causar algum efeito, tem que ser algo que faça sentido para todos, não um episódio individual de mal atendimento. Uma TV sua que não funcionou… Ok, vc é um cara que considero e é ruim saber que você não endossa a LG. Mas o resto do mundo se preocupar com isso a ponto e fazer diferença na percepção de uma marca, o problema tem que ser “coletivo” (Usar pele de golfinho em um sapato, por exemplo. Ou ter comprado um cadeado que se dizia seguro e qualquer caneta BIC abre).
Por fim, SAC em redes sociais pode ser algo fabuloso. Mas não é uma competência da maioria das agências que cuidam da comunicação de marcas nas redes sociais. O uso destas ferramentas tem que partir de dentro da empresa, a partir de operadores que de fato possam se iterar do que está acontecendo e responder prontamente.
Abs e da próxima vez compra uma Panasonic.
Mídia social não vive sem mídia paga?
08Apr11Luane Kohnke, Senior VP, Managing Director, Analytics and Accountability da RGA (é um cargo quatrocentão isso?) falou em um evento da IAB em NY que:
essa coisa de social media não existe sem mídia paga
A frase é de efeito justamente por ser radical, bem direta e por ser dita por alguém com um cargo tão imponente.
A frase foi aplaudida e aposto que será citada em muitas apresentações. Então acho que vale perder meu tempo (e o seu) falando sobre isso aqui.
Duvido que ela esteja se referindo ao Orkut, Twitter, Facebook e afins. Afirmar que esses caras dependem de mídia paga seria tão bobo que acredito que ela se referiu aos esforços de comunicação das marcas em mídias sociais.
E imagino também que ela tenha ignorado os vários outros usos de redes sociais como escutar o consumidor, achar pessoas chave para a corporação e tudo mais, coisas que não demandam nenhum investimento em mídia paga. Acho que essa “abstração” já é um erro grave, mas tudo bem, vamos analisar o resto.
Então, estamos falando de campanhas, correto? Campanhas na mídia social dependem da mídia paga para acontecer! Será?
Antes, uma pequena explicação da nomenclatura, para quem não conhece. Dividir a mídia entre ganha, paga e proprietária é um conceito que existe há pelo menos 4 anos.
Mídia paga se refere a mídia que compramos, não importa se estamos falando de um comercial de TV, links patrocinados no Google ou um banner na home do portal.
Proprietária se refere aos canais próprios, seja o site institucional da marca, sua conta no Twitter ou sua FanPage no Facebook.
E por último, mas não menos importante, a mídia ganha é a realizada pelos consumidores, falando sobre a marca e seus produtos.
A paga “vem” sob demanda, as outras duas precisam ser conquistadas. Lembra? O tal push vs. pull?
A paga é, como eu disse, comprada ao gosto do freguês. Você encosta a barriga no balcão do veículo e compra um monte de Xzinho pra ser preenchido com a sua mensagem.
Já as outras duas demandam conquista e manutenção. Com confiança, com consistência e relevância. Repito só para ser redundante: isso não se compra, se conquista. E não acontece da dia pra noite. O boa notícia é que a conquista vira um asset da marca, ajudando nos esforços de comunicação.
A mídia paga pode ajudar e muito uma ação de mídia social? Sem dúvida. Ações que demandam resultado rápido precisam ser divulgadas? Claro que sim, mas afirmar isso é bem diferente de afirmação da moça, com a certeza e o radicalismo que ela fez.
Bom, agora mudo de assunto mas fico no mesmo.
Para confirmar a afirmação da moça, tem muita gente usando de exemplo o fracasso da Pepsi, que tirou dezenas de milhões da mídia de massa para investir em mídias sociais e teve resultados de vendas medíocres no ano.
E aqui, a ignorância e o medo imperam. Pessoas que só conseguem enxergar um meio contra o outro, como se marketeiros ou publicitários precisassem escolher um lado. Os aplausos que ela tirou da platéia quando proferiu a frase mostram bem isso. Bando de reprimidos pela atenção que as redes sociais ganharam nos últimos anos.
Com tantas iniciativas que dão certo e errado em todos os meios, ver o fracasso da Pepsi como prova de fracasso de um meio ou da dependência do outro é, no mínimo, inocente. Seria o mesmo que usar o fracasso de campanhas feitas na TV como prova da ineficiência do meio.
Antes do fracasso, o movimento da Pepsi chamou atenção de todos pela ruptura, pela abrupta mudança. E a análise correta deveria ser focada nisso.
Se a mídia paga e proprietária precisa ser conquistada e cativada. Se estamos falando de atrair ao invés de empurrar. Será que jogar todo o seu dinheiro em mídias sociais e esperar resultado em um ano é a coisa mais inteligente a se fazer?
Ou discutir sobre a ação. Colocar dezenas de milhões de dólares para patrocinar ideias “refrescantes” que vão mudar o mundo é apropriado para esta marca?
De qualquer forma, botar dinheiro não é garantia de sucesso em um ambiente onde não empurramos nossa mensagem goela abaixo do consumidor.
Dinheiro possibilita o monólogo, postura gera diálogo.
Muito dinheiro sempre vai chamar atenção, mas se o objetivo é apenas chamar atenção, a TV pode ser o meio mais indicado, garantido e eu diria até, mais barato.
Escolher um meio em detrimento do outro é complicado. O correto é botar mais dinheiro. Sendo o dinheiro finito, trabalhar corretamente o mix de meios se torna uma das questões mais importantes e cruciais nos dias de hoje. Investir abruptamente e massivamente em um meio novo (e quase toda a grana em uma única ação) é arriscar alto. Baixar consideravelmente o investimento em um meio importante e consolidado como a TV é arriscar mais alto ainda.
Criar frase de efeito é desejo de muitos publicitários, mas nem sempre a mensagem passada é a correta.
Entrevista Jovem Pan
02Feb11Tive o prazer de ser entrevistado hoje por Décio Clemente na Jovem Pan, os vídeos estão abaixo.
Orkut é coisa de pobre?
16Nov10Apesar do Orkut reinar absoluto, o crescimento de 524% do Facebook em 12 meses apresentado pela ComScore trouxe a comunidade pra moda.
E a leitura que muitos fazem hoje é: Facebook é “dazelite” e o Orkut “coisadipobre”.
Independente da expressão, classificar as comunidades desta forma pode até não ser preconceito, mas é, no mínimo, uma análise superficial das coisas.
Primeiro porque várias outras pesquisas demonstram que não existem diferenças significativas entre as classes quando se trata do consumo de conteúdo, entretenimento e redes sociais. Então, esta diferença pode ser apenas passageira. Segundo, é preciso colocar as comunidades em um contexto histórico.
O sucesso do orkut
Quando lembramos da invasão brazuca ao Orkut, parece que somos como nuvens de gafanhotos. Entramos, dominamos tudo e irritamos os antigos moradores.
Seria possível criar várias teorias sobre os porquês de tamanha sede do brasileiro com as redes sociais, mas isso deixo para os publicitários metidos a sociólogos. O ponto é que a entrada da Classe C na internet e, posteriormente, no Orkut causou surpresa para muitos. Achavam que o acesso ao computador e a ausência do inglês seriam barreiras intransponíveis. O preconceito não está em entender estes pontos como barreiras (porque são), mas achar que são intrasponíveis.
Em outras palavras, o brasileiro era entendido como burro e pobre, o que era incompatível com a internet na visão de muitos. Ironicamente, foi justamente o brasileiro, burro e pobre, o primeiro povo a acolher as redes sociais com tamanha força.
Socializar na web virou realidade para o brasileiro, e o Orkut foi apenas a primeira comunidade a “ser invadida”.
Por quê o Facebook só começou a crescer agora?
Como muita gente enxerga o Facebook como uma ferramenta mais completa que o Orkut, cansei de escutar que o povo era burro e não percebia esta vantagem, que tinha preguiça de mudar ou qualquer outra explicação cheia de pré-conceitos ou preconceitos.
O ponto é que não adianta ser melhor. Achar que ser melhor é suficiente para causar uma migração imediata é tão estúpido quanto estimar o sucesso de um panetone olhando apenas suas informações sobre quantidade de carboidrato, proteína e gordura saturada.
Quem pensa assim, está centralizando seu raciocínio na ferramenta, e não no consumidor.
O custo de uma nova curva de aprendizado existe, mas não é o maior impeditivo para a mudança. Por qual motivo alguém iria mudar do Orkut para o Facebook quando todos os seus contatos já estão ligados, suas fotos devidamente uploadadas e organizadas e suas discussões e comunidades formadas?
Parafraseando Bob Metcalfe, inventor da Ethernet:
o valor sistêmico da comunicação é proporcional ao quadrado do número de membros conectados
O que ele quer dizer com isso? Simples: mesmo que o Facebook seja mais legal, mais completo, mais isso ou mais aquilo, o valor do Orkut (por enquanto) é muito maior, graças a quantidade de brasileiros que fazem parte e interagem dentro dele.
Orkut é coisa de pobre e Facebook de rico?
Tenho alguns números do TGI, infelizmente não tenho autorização do Ibope para mostrá-los, então darei apenas valores aproximados para explicar meus pontos.
O facebook é formado principalmente por pessoas das classe AB (mais de 70%), enquanto a maior parte do Orkut é formada por pessoas das classes C/D/E.
Tendo o preconceito como filtro, é óbvio que o Orkut é coisa pobre e Facebook de rico.
Mas este é apenas um lado da moeda. Apesar da maior parte do Orkut ser formada pelas classes mais baixas, quase metade dele são de pessoas das classes AB (mais de 45%). Além disso, enquanto apenas uma pequena minoria das Classes AB está no Facebook (menos de 2%), metade está presente no Orkut. Olhando desta forma, seria possível defender que os ricos ainda preferem o Orkut.
Olhando todos os fatos, a conclusão mais lógica é que esta diferença acontece principalmente pela lerdeza da adoção do Facebook no Brasil, que pegou ritmo apenas nos últimos meses.
O que parece acontecer é que a migracao começa com as pessoas da classe AB.
Teria lógica se pensarmos que as pessoas mais abastadas tem mais tempo livre para experimentar, tem maior facilidade pelo domínio do inglês e, até mesmo por preconceito, buscar uma certa exclusividade em uma comunidade nova.
Preconceito é a melhor maneira para não ver a verdade. Pesquisas são a melhor forma para comprar ideias, tortas ou não. Junte as duas coisas e estará feita a merda.
EBP 2010 – Cavallini responde – vídeo
19Oct10Quando contei minha proposta para ser sabatinado do EBP 2010, alguns conhecidos tiraram sarro da minha cara. Disseram que eu virei celebridade.
Mas a verdade é que minha sugestão de fazer assim era por acreditar que seria o melhor formato. Melhor que escutar alguém falando sem parar com um script fixo e melhor que mesas redondas cheias de gente onde não sobra tempo para ninguém falar nada direito.
O formato não é novo, eu mesmo ja participei do outro lado, “sabatinando” o Marcelo Tas.
No final, eu gostei bastante do resultado, aproveito para agradecer o Gabriel Jacob pelo convite e ao Prof. Eric Messa por coordenar e elaborar as perguntas. Espero que vocês gostem também.
Algumas perguntas que foram abordadas no vídeo:
Qual o buraco que as agências ainda não ocuparam?
Existe alguma demanda latente no mercado publicitário?
O mercado é moderno e ágil ou conservador?
O mercado está evoluindo?
O que faz um vp de convergência?
Uma agência precisa de um vp de convergência?
As faculdades estão prontas para ensinar esse novo modelo?
O que é preciso para evoluir?
É preciso conhecer o sistema a fundo para poder subvertê-lo?
Eu preciso ter uma conta no twitter, no facebook, etc.?
Qual o conselho para alguém que está procurando um estágio hoje?
Você precisa ser seu próprio professor para aprender?
Como idenficar tendências?
Facebook é moda ou vale a pena usar?
Branded Content é o caminho natural, e Transmidia?
QR-Code, realidade aumentada e outros formatos tecnológicos morrem ou tem futuro?
Ah, adorei na edição, quando falo da minha mãe, mostram uma senhora na platéia, dando a impressão de ser minha mãe.
A luz do sol me incomoda então deixa a cortina fechada.
28Jun10
Sabe aquela história de indagar se as tais redes sociais emburrecem as pessoas?
Pois bem, sendo curto e grosso, as pessoas não ficaram mais idiotas com o Orkut, Twitter, Facebook e afins. As pessoas são idiotas.
As redes apenas afloram isso, tornam evidente.
Aquele seu amigo que já era chato agora pode te encher o saco todo dia pelo MSN. Aquele idiota que fazia um comentário idiota na roda dos amigos dele, agora entra no Twitter e faz a mesma coisa. Finalmente você descobre que aquele seu colega não entendeu o que você escreveu porque que nunca tirou nota maior que 3 na prova de português. E aquele moleque que não leu o que você escreveu mas saiu criticando, é apenas um adolescente que só sabe olhar para o próprio umbigo e tem uma enorme necessidade de dar opinião em tudo.
Achar que, em poucos anos, as redes sociais se tornaram uma influência mais forte que hormônios, ausência de educação em casa, alimentação de baixa qualidade na infância ou uma genética pouco generosa é inocente demais, para dizer o mínimo.
Então somos tão imbecis assim? Sim e não.
Não porque a falsa sensação de anonimato, a enorme fragmentação e ausência do “face to face” enchem as pessoas de coragem para falar verdades ou inverdades.
A facilidade para escrever e passar uma mensagem pra frente faz com que nem sempre pensemos antes de dizer uma bobagem.
Nem todo mundo consegue verbalizar por escrito exatamente o que pensa; além disso, a linguagem escrita nunca vai superar a corporal, facilitando o erro no tom ou na força do que postamos virtualmente.
E, por fim, mas não menos importante, as redes servem para socializar. E nem toda socialização precisa ser útil ou inteligente.
Isso amplifica o ruído, as agressões, as imbecilidades e tudo mais.
Não faz das redes algo menos importante. Não faz das redes algo inútil. Não faz das redes algo necessariamente ruim.
A rede permite que a inteligência e a cultura, que também ficavam distantes, proliferem. Traz poder para o indivíduo e um monte de outras coisas boas.
E serve de lupa, para enxergarmos o óbvio. Para percebermos que ainda precisamos evoluir muito. Como sociedade e como seres humanos.
Redes Sociais, chegamos ao nosso limite?
10Mar10Final de 2008. Todos os institutos de pesquisa são unânimes: o Brasil é o país das redes sociais.
Em penetração, em horas navegadas e em quase todas as medidas que sejam possíveis tirar. Os que editam seu perfil em comunidades, os que escrevem blogs, leem blogs, quantidade de amigos nos mensageiros instantâneos, nas redes sociais, etc.
Só dava o Brasil, não importa quem fazia a pesquisa. Accenture, Universal McCann, Microsoft, comScore e até mesmo o Nielsen nos botavam no ponto mais alto do pódio.
Em média, por mês, o Brasileiro passava incríveis 4:31 e 18 segundos no Orkut, Blogger, WordPress, UOL comunidades e outros sites e serviços considerados da categoria.
Tirando o Reino Unido, com 2:38, os outros países não chegavam nem mesmo a 2 horas de navegação.
O brasileiro passava cerca de 23,1% do seu tempo na web para redes sociais, contra 10,9% dos Australianos.
De lá para cá, acompanho as pesquisas sobre o assunto e nenhuma novidade. Eis que em janeiro deste ano, pouco mais de um ano depois, passamos para o sexto lugar.
Continuamos sendo o país que mais passa tempo na Internet. Continuamos com a mesma penetração em redes sociais e com as mesmas quatro horas e meia (4:33) navegadas em comunidades.
Mas incrivelmente, os outros países tiveram um crescimento absurdo. A Austrália pulou de 1:44 para 6:52. Até mesmo os EUA, que já eram aparentemente bem engajados em redes sociais, passaram de 1:50 para 6:09, passando inclusive o Reino Unido, agora com 6:07
Não acho tão estranho a explosão em outros países, afinal, redes sociais estão ganhando força e o Brasil sempre esteve na frente.
Mas a diferença de crescimento é brutal, será que chegamos ao nosso limite?
Ou será que se trata — mais uma vez — de um desvio da metodologia do Ibope, que eu já critiquei aqui no blog algumas vezes?
Perguntaria ao próprio Ibope, que representa a ferramenta do Nielsen no Brasil, mas talvez por ser crítico as suas metodologias, seus representantes sempre foram bem escrotos comigo no trato pessoal.
Então prefiro perguntar a vocês. Alguém saberia explicar a mudança? Se não for um problema de metodologia, é certamente muito importante.



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