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A luz do sol me incomoda então deixa a cortina fechada.

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Sabe aquela história de indagar se as tais redes sociais emburrecem as pessoas?

Pois bem, sendo curto e grosso, as pessoas não ficaram mais idiotas com o Orkut, Twitter, Facebook e afins. As pessoas são idiotas.

As redes apenas afloram isso, tornam evidente.

Aquele seu amigo que já era chato agora pode te encher o saco todo dia pelo MSN. Aquele idiota que fazia um comentário idiota na roda dos amigos dele, agora entra no Twitter e faz a mesma coisa. Finalmente você descobre que aquele seu colega não entendeu o que você escreveu porque que nunca tirou nota maior que 3 na prova de português. E aquele moleque que não leu o que você escreveu mas saiu criticando, é apenas um adolescente que só sabe olhar para o próprio umbigo e tem uma enorme necessidade de dar opinião em tudo.

Achar que, em poucos anos, as redes sociais se tornaram uma influência mais forte que hormônios, ausência de educação em casa, alimentação de baixa qualidade na infância ou uma genética pouco generosa é inocente demais, para dizer o mínimo.

Então somos tão imbecis assim? Sim e não.

Não porque a falsa sensação de anonimato, a enorme fragmentação e ausência do “face to face” enchem as pessoas de coragem para falar verdades ou inverdades.

A facilidade para escrever e passar uma mensagem pra frente faz com que nem sempre pensemos antes de dizer uma bobagem.

Nem todo mundo consegue verbalizar por escrito exatamente o que pensa; além disso, a linguagem escrita nunca vai superar a corporal, facilitando o erro no tom ou na força do que postamos virtualmente.

E, por fim, mas não menos importante, as redes servem para socializar. E nem toda socialização precisa ser útil ou inteligente.

Isso amplifica o ruído, as agressões, as imbecilidades e tudo mais.

Não faz das redes algo menos importante. Não faz das redes algo inútil. Não faz das redes algo necessariamente ruim.

A rede permite que a inteligência e a cultura, que também ficavam distantes, proliferem. Traz poder para o indivíduo e um monte de outras coisas boas.

E serve de lupa, para enxergarmos o óbvio. Para percebermos que ainda precisamos evoluir muito. Como sociedade e como seres humanos.

Redes Sociais, chegamos ao nosso limite?

Final de 2008. Todos os institutos de pesquisa são unânimes: o Brasil é o país das redes sociais.

Em penetração, em horas navegadas e em quase todas as medidas que sejam possíveis tirar. Os que editam seu perfil em comunidades, os que escrevem blogs, leem blogs, quantidade de amigos nos mensageiros instantâneos, nas redes sociais, etc.

Só dava o Brasil, não importa quem fazia a pesquisa. Accenture, Universal McCann, Microsoft, comScore e até mesmo o Nielsen nos botavam no ponto mais alto do pódio.

Em média, por mês, o Brasileiro passava incríveis 4:31 e 18 segundos no Orkut, Blogger, WordPress, UOL comunidades e outros sites e serviços considerados da categoria.

Tirando o Reino Unido, com 2:38, os outros países não chegavam nem mesmo a 2 horas de navegação.

O brasileiro passava cerca de 23,1% do seu tempo na web para redes sociais, contra 10,9% dos Australianos.

De lá para cá, acompanho as pesquisas sobre o assunto e nenhuma novidade. Eis que em janeiro deste ano, pouco mais de um ano depois, passamos para o sexto lugar.

Continuamos sendo o país que mais passa tempo na Internet. Continuamos com a mesma penetração em redes sociais e com as mesmas quatro horas e meia (4:33) navegadas em comunidades.

Mas incrivelmente, os outros países tiveram um crescimento absurdo. A Austrália pulou de 1:44 para 6:52. Até mesmo os EUA, que já eram aparentemente bem engajados em redes sociais, passaram de 1:50 para 6:09, passando inclusive o Reino Unido, agora com 6:07

Não acho tão estranho a explosão em outros países, afinal, redes sociais estão ganhando força e o Brasil sempre esteve na frente.

Mas a diferença de crescimento é brutal, será que chegamos ao nosso limite?

Ou será que se trata — mais uma vez — de um desvio da metodologia do Ibope, que eu já critiquei aqui no blog algumas vezes?

Perguntaria ao próprio Ibope, que representa a ferramenta do Nielsen no Brasil, mas talvez por ser crítico as suas metodologias, seus representantes sempre foram bem escrotos comigo no trato pessoal.

Então prefiro perguntar a vocês. Alguém saberia explicar a mudança? Se não for um problema de metodologia, é certamente muito importante.

Como eu aprendo mídias sociais?

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Aprender mídias sociais é como eu emagrecer. É isso!

E tenha paciência pois vou abusar desta metáfora.

A resposta para emagrecer todo mundo conhece. É fazendo exercício e fechando a boca. Em outras palavras, não tem milagre, é preciso fazer esforço, se auto-disciplinar e se reeducar.

Remédio? Não sou contra não. Se você tem pressa ou um problema grave, pode recorrer ao médico e pedir uma medicaçãozinha para agilizar o emagrecimento.

Enfim, é preciso meter a cara.

Voltando as redes sociais, diria que os consultores (eu, por exemplo) seriam, nesta metáfora, o médico. É uma maneira para agilizar o processo. Importante em muitos casos. Mas como sabemos, viver de remédio não resolve.

Acha o Orkut um saco? Acordar cedo pra ir na academia também. Acha o twitter ridículo? Ficar andando na esteira sem sair do lugar também é. Acha o Facebook inútil? Tomar refri diet e encher o briocolé de pudim na sobremesa também.

E qual a melhor maneira de fazer exercícios? Não existe uma resposta única. Cada um tem gosto e facilidade para uma coisa diferente. Alguns preferem correr no parque, outros, bicicleta na academia.

É preciso ter uma presença digital, meter as caras. Começar usando para entender como funciona, o que pode, o que não pode, o que é legal e o que nem tanto.

Não é preciso virar esportista profissional, se bem que, abusando da metáfora, a endorfina das redes sociais pode viciar.

Endeavor – mídias sociais

Separei cinco trechos da palestra sobre mídias sociais que aconteceu na Endeavor, quando tive o prazer de moderar meu amigo Marcelo Tas.

O vídeo completo está disponível, apesar de pedir cadastro, do player ser ruim e não funcionar em alguns browsers/sistemas.

Nosso primeiro milhão

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Sabe aquela história da Internet dar voz ao consumidor? Então, apesar de ser uma velha ladainha, é disso que se trata o Twitter.

E apenas isso, apesar de não ser pouco. Quer dizer, apesar de importante para caramba, é apenas a evolução do que começou com as Home Pages do Geocities em 95. E que hoje conta com a ajuda não somente da internet, mas toda a evolução tecnológica a nossa volta. De câmeras fotográficas digitais, MP3 players e telefones celulares.

Se não fosse o Twitter, seria outra ferramenta qualquer. E em breve será, aparecendo alguma nova para potencializar o que já vivemos hoje.

E por isso que não vejo a menor graça nas celebridades com centenas de milhares de seguidores no Twitter.

Claro que o número impressiona. O global Luciano Huck tem mais seguidores que os três jornais de maior veiculação do Brasil juntos.

Olhando mais de perto, percebemos que uma boa parte destes seguidores são de mentira. No caso de Luciano Huck, 46%. No caso de Mano Menezes, incríveis 61%.

Mas tudo bem, apesar do corte, os números ainda não são desprezíveis. Huck ou Menezes continuariam tendo mais audiência que o jornal de maior veiculação do Brasil.

Não digo que dou pouca importância para menosprezar o poder destas pessoas, pelo contrário, trata-se de mostrar que o espaço conquistado por eles está apenas se refletindo em outro meio. É mais do mesmo.

E são personalidades que têm acesso a um número muito maior de pessoas em seus programas de TV. Dos gigantes do Twitter, os que não trabalham na TV, sempre que estão trabalhando, aparecem na telinha. É o caso do técnico Mano Menezes e de Rubens Barrichello.

Huck disse que entende o Twitter como “forma autêntica de confirmar ou desmentir um fato”. É um dos exemplos da validade desta ferramenta.

A importância está em dar voz para qualquer um, já que não temos controle sobre a comunicação dos veículos tradicionais que decidem onde, como e o quanto de informação passa por seus filtros. Vale para famosos e não famosos, pois permite uma abertura que não seria viável antigamente.

E por isso que eu digo que é apenas uma evolução, não revolução como bradam alguns. Esta comunicação já era viável em seus sites, blogs e comunidades. Estes sim, junto com o Twitter podem significar uma revolução.

Por isso, os 172 mil “seguidores reais” de Rubens Barrichello me parecem mais interessantes que os 547 mil de Luciano Huck. Acho mais interessante um não famoso que alcance 10 mil seguidores do que um famoso que alcance 100 mil.

Interessantes, não necessariamente mais importantes ou mais relevantes. Para tentar dizer qual o número mais expressivo, precisaríamos entender que o número de seguidores diretos é apenas parte da fórmula, levando em conta também a extensão da conversa e a reverberação de suas mensagens. Olhar seguidores verdadeiros, replys, retuitadas, cliques e tudo mais.

Não basta ter meia dúzia de seguidores, como não basta ser seguido por um bando de antas cegas, mudas ou pouco relevantes.

A importância viria da equalização das duas coisas: audiência e impacto. Por isso o Twitter de Huck pode ser pouco relevante, ou talvez, muito mais importante do que imaginamos a princípio.

Então, como a extração de métricas indiretas é complicada e sempre adoramos os números do Ibope, três vivas para Luciano Huck, nosso primeiro milhão.

Mídias sociais é coisa de gringo?

TEIA MG entrevista

Para quem não acompanhou a entrevista ao vivo, postei abaixo (após o jump) o vídeo gravado pelo pessoal da TEIA. O som está com um chiado bem chato mas é possível assistir e entender tudo.

Aproveito para agradecer o Guilherme, do Papo de Homem, que fez a entrevista e — ainda bem—, também deu seus pitacos.

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A barriga no balcão virtual

clique para ampliarEu sou do tempo em que o professor de marketing na faculdade, depois de recitar o Kotler de cabo a rabo, dizia para gente que toda aquela teoria era muito boa mas, se não encostássemos a barriga no balcão, nunca conseguiríamos entender a respeito do que o guru dos marketeiros estava falando. Pior, nos tornaríamos apenas um bando de burocratas redigindo briefings imaginários para falar com um mercado que não existia.

Como eu sempre fui um bom aluno, segui as recomendações do professor. Toda vez que preciso entender melhor um produto ou mercado vou atrás de uma experiência pessoal com eles.

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IBMEC

Dia 17 de junho (próxima quarta) às 8:00 no IBMEC SP, falando sobre Mídias Sociais e sendo moderador do meu amigo Marcelo Tas, no evento Bota Pra Fazer Debates, organizado pelo Instituto Endeavor. Inscrições aqui.

Retenção do Twitter

No blog do Nielsen uma discussão agitou o Twitter esta semana. Se você é um dos nossos leitores anti-Twitter, não desista ainda porque a discussão vai além da ferramenta e na verdade é relevante para todos que se interessam por social network.

O texto é assinado por David Martin, Vice Presidente do Nielsen Online.

No texto, Martin afirma que 60% dos usuários que entram no Twitter (EUA) não voltam no mês seguinte, ou seja, uma taxa de retenção mensal de 40%.

O ponto de Martin é importante e fica claro no gráfico que ilustra este post: existe uma relação clara entre cobertura e retenção. Com uma taxa de retenção de 40%, o Twitter vai ter sempre uma cobertura muito baixa, cerca de 10% da audiência da internet. Retenção, como afirma Martin, não é garantia de audiência massiva, mas é pré-requisito.

A situação fica mais grave ainda quando comparamos os números Twitter com Facebook e MySpace na época em que esses estavam começando (figura 2). As outras duas redes possuíam uma retenção que é quase o dobro do Twitter e hoje estão em 70% de cobertura (EUA, vale lembrar).

Martin termina sua análise com o veredicto de que se o Twitter não alcançar maior lealdade de seus usuários, não vai se sustentar por muito tempo.

Pois bem. Esse é o texto do especialista do Nielsen e quem sou eu para discordar? Meu ponto é apenas que essa discussão de “se o Twitter vai sobreviver ou não” é relevante apenas para o Sr. Twitter e seus acionistas.

Cobertura é mesmo tão fundamental hoje, como era no passado?

Ou as redes sociais se tornaram ferramentas de word-of-mouth e por isso, qualificação é mais importante que abrangência? Afinal, social networks vem e vão o tempo todo. Quem é que não entendeu isso ainda? Second Life, Orkut, Last.FM, Blip, Facebook, MySpace, Twitter, pouco importa o nome. Twitter só serve para indicar como tudo isso é volátil.

Para nós, que trabalhamos com Comunicação, o importante é saber qual é o fenômeno da semana e como melhor utilizá-lo. Onde é que as marcas que atendemos devem estar para despertar [e reverberar] a atenção hoje. Amanhã só deus sabe.

Via Blog do Nielsen