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Enfeite de garrafa PET

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Na inglória e exagerada busca contínua pelo corte de custos, cada vez mais, fico sabendo de empresas querendo fazer projetos de graça.

Nego quer fazer o projeto mas não tem grana. Faz puxadinho daqui, puxadinho dali, vem com papo de parceria, que no futuro isso, no futuro aquilo.

Não investe nada e ainda tem esperança de ter retorno. Acredita na própria mentira.

Como não existe free lunch, o parceiro também faz qualquer merda e está tudo certo.

E tudo certo nada, esses projetos são que nem enfeite de Natal feitos com garrafa PET.

Na teoria parece lindo. Na prática, vira uma coisa medonha. Um lixo mais bonito, mas continua sendo um lixo. E pouco sustentável. Ou alguém tem dúvida que o enfeite irá para o lixo no Dia de Reis?

As agências serão abandonadas por seus parceiros

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É famoso no mercado publicitário a ojeriza que todos têm pela palavra PARCERIA.

A velha “parceria onde um entra com a bunda e outro com o pau” é muito mais próxima de uma verdade inconveniente do que uma frase bem humorada.

Tratar mal fornecedores até fez sentido antigamente quando todo mundo tinha margens altas (compensando os problemas), mas hoje não faz mais.

De uma década para cá, as coisas só pioraram. As margens caíram, as mesas de compras que tratam todos como commodity se tornaram padrão, concorrências desleais nem são mais questionadas, etc.

Como consultor tenho acesso aos números e aos sentimentos de empreendedores e percebo que muitas empresas parceiras estão cada vez mais se afastando das agências

Estão atendendo anunciantes diretamente e buscando novos modelos de negócio e de receita.

Até ai, nada de novo, eu mesmo já falei sobre isso alguns anos atrás.

O que mudou de lá para cá é que algumas produtoras passaram a ter boa parte de sua receita — e uma parte ainda maior da lucratividade — vindas de atividades que não passam pela agência.

E como no mundo capitalista o que impera é o pensamento a curto prazo, dificilmente esta situação irá mudar.

Se o faturamento via agência cair ainda mais, pode acontecer de muitas destas empresas pararem de aceitar esse tipo de parceria.

Por isso, arrisco a fazer nova previsão, dizendo que nos próximos anos muitos “parceiros” irão abandonar as agências.

Meu recado para os alunos de propaganda e marketing

Vídeo da palestra que fiz na Cásper, para a Semana de Propaganda.

Tento passar um pouco da minha visão sobre o que está mudando nas agências e o que isso significa para os estudantes de propaganda e marketing.

Talvez seja a palestra menos glamurosa que já fiz. Normalmente sou chamado para falar de novas tecnologias, inovações e tendências, mas é uma conversa franca e direta que acredito ser importante para o momento atual.

E para quem não quer ver minha cara linda, tem o áudio abaixo para escutar ou baixar.

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Da simbiose ao parasitismo

clique para ampliarNa época de ouro da publicidade brasileira tudo era lindo e maravilhoso.
Campanhas milionárias, glamour, festas para todo lado, salários estratosféricos e produtores gráficos ficando ricos graças aos seus talentos.

Isso valia para agências, produtoras e fornecedores em geral.

A lucratividade era muito alta e dinheiro nunca era problema. Na verdade, nada era problema.

Faz pra amanhã!
Claro, sem problemas.

Nosso cliente não gostou depois de ver tudo pronto. Faz de novo, mas agora sem prazo e sem cobrar a mais!
Tudo bem, considere feito.

Faz de graça que esse é pra Cannes!
Será um prazer.

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Em alta

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O e-paper tem algumas qualidades que permitem que ele seja chamado de “papel” eletrônico. Entre elas, está sua resolução, que pode ser igual ou superior aos impressos das melhores revistas.

Pois bem, imaginem daqui uns anos (ou décadas, não importa), quando os devices de e-paper estiverem bem difundidos. Certamente todos terão conexão a web, a maioria sem fio. Já imaginou, começar a fazer site em alta resolução?

Seria viável uma anomaly no Brasil?

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Nos anos que antecederam a bolha de Internet, começou a virar coisa de gente grande brincar de Internet. Era difícil manter a equipe, tudo estava super inflacionado e apesar de todo mundo estar envolvido com alguma operação na web, poucos profissionais tinham conhecimento e experiência na área, e mesmo assim, experiência de pouco tempo.

Já próximo da explosão da bolha, estar na web passou a ser questão de vida ou morte e – pelas dificuldades citadas acima — muitas empresas acabaram se associando com produtoras ou agências para montar suas divisões digitais.

Como a web não é apenas mais uma loja, significa que muita empresa pequena virou sócia de empresa grande por muito pouco dinheiro. Apenas produzindo um site com e-commerce era possível ganhar comissão de todas as vendas geradas na web no futuro. Se a bolha não tivesse explodido levando esses contratos e parcerias água a baixo, hoje teria muito CEO sendo motivo de piada ou sendo apedrejado pelo board.

Mas o interessante desta história é que talvez o modelo da Anomaly não seja tão impossível assim na terra Brasilis.

A agência tem um modelo de negócio baseado em variações de sociedade ou divisão de lucros. Criando soluções e produtos, eles dividem o resultado com o anunciante. Se este tipo de acordo ocorreu em diversas escalas na época da bolha, talvez o modelo não seja tão inviável como alguns pensam.

Engraçado é que, quando parei para pensar em quem estaria mais preparado para este modelo de negócio por aqui, não consegui pensar em agências de propaganda ou marketing, mas sim em agências de design como a ?EC, a Rex e a Tátil. Empresas que agregam inteligências de comunicação, são muito próximas da criação de produtos e serviços e ainda teriam liberdade para investir neste modelo, aos poucos, sem risco ou conflito com o modelo atual.

Muito malandro para pouco otário

Quando a cadeia de valor muda, não adianta mudar apenas o discurso, é preciso mudar também a prática.

Quer dizer que não adianta mudar marketing e não mudar o call center. Que não adianta mudar o discurso do CEO e não mudar a prática do Mesa de Compras.

E não me refiro apenas a relação com consumidores, mas também a relação entre empresas. No nosso mercado, seria o caso de apontar a relação de anunciantes e agências com produtoras e fornecedores.

A relação de poder era tamanha, que é muito comum ver até hoje agências sem contrato com fornecedores. A relação de dependência (eles dizem confiança) era tanta que a formalidade era menos válida que o poder da contratante.

Mas isso fez surgir um tipo de malandro que quer levar vantagem em cima de todo mundo, até dos chamados “parceiros”.

Mas a parceria “você entra com a bunda e eu com o pau” deixa de funcionar quando o dono da bunda não depende mais (ou nunca dependeu, no caso de novos formatos) do dono do pau para sobreviver.

Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional,
malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato,
com gravata e capital,
que nunca se dá mal.

Produção de conteúdo

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Fui assistir o teatro da Turma do Cocoricó com a minha família e fiquei muito feliz com a qualidade do espetáculo. Já éramos fãs da série. Das músicas, das histórias, dos personagens, das vozes. Conteúdo brasileiro de primeira? Não. Conteúdo de primeira, e bem brasileiro. Perfeito.

Mas calma, este não é um post estilo diário, e sim para falar sobre produção de conteúdo. Não que o show seja perfeito. Apesar de muito bom, seria possível apontar alguns problemas. O interessante é que, apesar de fã do trabalho, não fui assistir com muita expectativa.

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Steve Jobs continua incomodando

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A quantidade de empresas que fez burrada no mundo dos jogos é enorme. Apesar da arrogância de subestimar a complexidade desta indústria ser um denominador comum, até as gigantes Sony, Nintendo e Microsoft (as 3 grandes) já deram bola fora.

A Apple, uma das empresas que faz parte desta lista, parece pisar novamente neste mercado com o iPhone. A diferença é que agora, ela entra usando outro modelo de negócio.

O modelo em voga na indústria de jogos é matriarcal, castrador, ditatorial e rodeado por um histórico de ódios e conflitos. Normal em um mercado comandado por poucas empresas. O relacionamento entre fabricante de console e produtoras prioriza poucos e grandes. Não é à toa que este mercado dependeu da esperteza de advogados para se tornar o que é hoje.

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Profundidade na prática

Uma das coisas que me impressionou na viagem que fiz a Europa em dezembro foi a profundidade. Profundidade de discurso, de diálogo, de abordagem. Nos papos que tive (e não foram poucos), desconsiderando (tá, é difícil…) a diferença sócio-cultural que afasta nosso mercado do primeiro mundo, me chamou a atenção o quanto que tive de ser “profundo” ao me apresentar e apresentar a colmeia. O cara não tá interessado no seu portfolio – ele estava quando você marcou a reunião, e já não está mais obviamente porque afinal você está lá na frente dele, ela já viu o que você fez / faz. O que ele quer saber é como você construiu aquilo. Qual foi o ponto de partida. Que profissionais se envolveram no processo. Se existe algum “pulo do gato” ainda desconhecido que você pode mostrar pra ele.

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