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Quantos tablets existem no Brasil?

O iPad foi lançado no começo de 2010 e mesmo não sendo o primeiro, iniciou um mercado que irá mudar algumas indústrias, assim como fez seu irmão mais velho, o iPhone.

E justamente por isso, apesar de seu pouco tempo de vida, já tem muita gente investindo nisso. Produtoras de jogos, produtoras de software, veículos de comunicação, etc.

Por este motivo, conhecer um pouco melhor este público e saber o tamanho do mercado em potencial é fundamental para que estas empresas possam traçar suas estratégias e adequar expectativas.

O problema é que, comparado ao volume 190 milhões de brasileiros, o número de tablets ainda é bem baixo. Dificilmente uma pesquisa qualitativa conseguirá mostrar um número de tablets com precisão, pelo menos não até eles atingirem uma massa considerável.

Para ter uma ideia, uso de exemplo o que foi publicado na matéria “O Fim da Era das Lan Houses”, na revista Veja (dez de 2011). De acordo com a pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Editora Abril, 10% da classe A, 4% da classe B e 1% da classe C já possuem tablets.

Apesar da matéria ser enorme, não fala nada sobre a amostragem ou metodologia da pesquisa. Ato falho (para dizer o mínimo) para um veículo do porte da Veja. Por isso, não é possível saber a partir de qual idade eles entrevistaram e nem mesmo o que eles consideram classe A, B ou C. Fazendo uma projeção usando estimativa de classes do Mídia Dados, significaria que 2.49% da população usam tablets, o que daria em uma nova projeção que a população acima de 16 anos somariam 3.5 milhões de tablets.

Três ponto cinco milhões de tablets no Brasil. Será?

Falei com vários profissionais que atuam na área. Gente que vende mídia e aplicativos e cujo conhecimento de mercado ganho na prática, com ferramentas de mensuração melhores que pesquisas realizadas com baixa amostragem. Nenhum deles acredita que o número chegue perto deste montante.

A Veja teve o cuidado de não fazer a projeção, o que minimiza o seu erro.

Foi por isso que quando realizamos a primeira grande pesquisa de mobile (Grupo.Mobi e WMcCann) decidimos não publicar os números de posse de tablet. A pesquisa era séria, feita com mil pessoas e realizada pelo IPSOS. A amostra era grande, instituto sério, mas era a primeira vez que alguém levantava este número e a margem de erro muito grande comparado ao número em si.

Eis que surge a décima edição da pesquisa F/Radar, realizada pela F/Nazca e Datafolha. Com mais de 2.200 entrevistas em 159 municípios. Uma amostra gigante, feita por todo o Brasil e elaborada com base no Censo.

Pela seriedade da pesquisa, os números não foram divulgados. Assim como as outras, a amostra de posse é muito pequena frente a margem de erro.

Ainda assim, é de longe a melhor amostra que temos até agora.

E por isso resolvi divulgar o número em primeira mão: temos cerca de 1.5 milhão de tablets no Brasil.

Por isso, mesmo que o número ainda seja pequeno para alguns investimentos, seu rápido crescimento é um alerta importante para quem pensa na possibilidade de explorar este segmento.

E nisso, a matéria da Veja faz com maestria. É um alerta para quem ainda não está de olho nesse mercado.

Repito o que venho falado há alguns anos e que já virou até cliché: o mundo móvel é o futuro da internet.

E novamente, apesar de não ser tecnicamente correto, achei importante dividir com vocês o que a pesquisa F/Radar levantou sobre estes consumidores, ainda que muitas das informações sejam óbvias e que não seja tecnicamente correto utilizá-las.

Os proprietários de tablet costumam acessar mais vídeos e ler notícias em grandes sites e portais do que os outros, fora isso, seu perfil é muito parecido com o internauta brasileiro mais heavy user.

Eles têm uma afinidade muito maior com alguns serviços (como o Skype), mas isso pode ser pelo perfil de early adopter.

Aliás, esta é uma das discussões mais complexas a ser realizada. Nos próximos anos, deveremos considerar os usuários de tablet como early adopters ou não?

Por ser uma tecnologia muito amigável (inclusive se compararmos aos computadores tradicionais), sabemos que o tablet está sendo usado por perfis que não são comuns aos early adopters. O ambiente móvel é uma porta de entrada ao ambiente digital.

Mas o principal é podermos traçar o perfil da amostra. Independente de serem early adopters ou não, esta amostra é importante para o planejamento.

Abaixo o perfil levantado pela pesquisa.





Ainda existem outras informações e é possível cruzar alguns destes dados. Se você é cliente da F/Nazca poderá ter acesso a elas. Ainda é muito pouco perto da necessidade que eu sinto no mercado, mas ainda assim, finalmente começamos a entender melhor esse público no ponto de vista quantitativo.

F/Radar décima edição

Tenho orgulho de ter participado e colaborado com algumas edições da pesquisa F/Radar, realizada semestralmente pela F/Nazca em parceria com o Datafolha.

Sempre acreditei que a pesquisa tem 2 méritos enormes.

O primeiro e mais óbvio, é mostrar com clareza o cenário do consumidor digital.

O segundo, foi ter ajudado a derrubar alguns preconceitos, infelizmente algo muito comum no mercado publicitário. Mostrou que internet não era coisa de rico, que o Calypso era mais escutado que a Ivete Sangalo e o Roberto Carlos, que jogos não são coisa de criança, etc. Por este motivo, sempre achei que o valor educativo da pesquisa extrapola o ambiente digital.

Mas percebo que a 10ª edição tem um benefício adicional, apontar a revolução que iremos presenciar nos próximos 5 anos.

Olhar para o passado para tentar ver o futuro não é novidade. Entender de onde viemos é uma das maneiras mais seguras para prever para onde estamos indo.

Mesmo que a frase já esteja virando clichê, ainda julgo importante falar sobre isso: o acesso móvel é o futuro da internet.

Aproveito para apontar cinco conclusões que a pesquisa ajudou a fortalecer.

Quem quiser saber, é só baixar o resumo da pesquisa no site da F/Nazca.

Internet é o segundo meio na fatia do bolo publicitário brasileiro

É uma informação extremamente relevante para o mercado brasileiro, acho até que merecia destaque no título.

Saiu pesquisa do Grupo Consultores com 100 profissionais dos maiores anunciantes mostrando que a fatia digital nas verbas de comunicação bateu 13,4%.

Não é correto misturar pesquisas e metodologias diferentes, principalmente porque a do Grupo Consultores parece ter focado apenas no digital. Então não é possível comparar com precisão o investimento de um meio com outro, mas tanto grupo quanto pesquisa são sérios e o valor merece atenção.

Aproveito e faço nova provocação, similar a que fiz em 2009: este ano o investimento em digital já ultrapassou o investimento em jornais.

De qualquer forma, mais importante do que discutir vírgulas, centavos ou posição no ranking é perceber duas coisas.

Primeiro o que eu já critico há anos, que o investimento não pode mais ser medido pela veiculação (ainda mais usando poucos veículos como parâmetro)

Segundo que a verba continua migrando rapidamente para o digital. De acordo com o Grupo Consultores, quase dobrou nos últimos 2 anos.

Agora que internet já passou a ser o segundo meio, vale apontar que a importância não deve mais ser medida pela porcentagem da verba, e sim por diversos outros fatores. Quem quiser entender os porquês na minha opinião, pode assistir meu recado para os alunos de propaganda e marketing.

Entrevista HSM

Dei uma entrevista para a Patricia Buneker da HSM sobre a pesquisa #mobilize. Adorei o bate papo, abaixo tem o resumo do que conversamos, espero que vocês gostem também.

Quem é o consumidor móvel 2011

Dei uma entrevista para o blog do Silvio Meira sobre o estudo Mobilize Consumidor móvel. Vale a visita.

Estudo Consumidor Móvel 2011

Estudo realizado pela WMcCann e Grupo.Mobi com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos MediaCT.

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Estudo Consumidor Móvel 2011

Saiu matéria na Revista Proxxima sobre o Estudo Consumidor Movel 2011, da WMcCann e Pontomobi com pesquisa do Instituto Ipsos.

Você pode ver na edição impressa ou aqui, na versão digital (a partir da página 29)

10º Mobile Marketing Breakfast São Paulo.

Convidado pelo Leo Xavier da Pontomobi, estarei no 10º Mobile Marketing Breakfast São Paulo apresentando o estudo sobre o consumidor móvel, realizado pela WMcCann e Pontomobi, com pesquisa do Instituto Ipsos.

Não fiquem bravos, mas atropelado pela correria, esqueci de avisar vocês e o encontro será amanhã cedo.

Ainda assim, vale o post para dizer que o Twitter da WMcCann divulgará alguns dados em primeira mão fazendo a cobertura do evento.

E quem perder, poderá ver o estudo publicado na edição de Julho da Revista PROXXIMA

Aliás, aproveito para parabenizar o Pyr Marcondes pelo excelente trabalho que tem feito na revista.

Orkut é coisa de pobre?

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Apesar do Orkut reinar absoluto, o crescimento de 524% do Facebook em 12 meses apresentado pela ComScore trouxe a comunidade pra moda.

E a leitura que muitos fazem hoje é: Facebook é “dazelite” e o Orkut “coisadipobre”.

Independente da expressão, classificar as comunidades desta forma pode até não ser preconceito, mas é, no mínimo, uma análise superficial das coisas.

Primeiro porque várias outras pesquisas demonstram que não existem diferenças significativas entre as classes quando se trata do consumo de conteúdo, entretenimento e redes sociais. Então, esta diferença pode ser apenas passageira. Segundo, é preciso colocar as comunidades em um contexto histórico.

O sucesso do orkut

Quando lembramos da invasão brazuca ao Orkut, parece que somos como nuvens de gafanhotos. Entramos, dominamos tudo e irritamos os antigos moradores.

Seria possível criar várias teorias sobre os porquês de tamanha sede do brasileiro com as redes sociais, mas isso deixo para os publicitários metidos a sociólogos. O ponto é que a entrada da Classe C na internet e, posteriormente, no Orkut causou surpresa para muitos. Achavam que o acesso ao computador e a ausência do inglês seriam barreiras intransponíveis. O preconceito não está em entender estes pontos como barreiras (porque são), mas achar que são intrasponíveis.

Em outras palavras, o brasileiro era entendido como burro e pobre, o que era incompatível com a internet na visão de muitos. Ironicamente, foi justamente o brasileiro, burro e pobre, o primeiro povo a acolher as redes sociais com tamanha força.

Socializar na web virou realidade para o brasileiro, e o Orkut foi apenas a primeira comunidade a “ser invadida”.

Por quê o Facebook só começou a crescer agora?

Como muita gente enxerga o Facebook como uma ferramenta mais completa que o Orkut, cansei de escutar que o povo era burro e não percebia esta vantagem, que tinha preguiça de mudar ou qualquer outra explicação cheia de pré-conceitos ou preconceitos.

O ponto é que não adianta ser melhor. Achar que ser melhor é suficiente para causar uma migração imediata é tão estúpido quanto estimar o sucesso de um panetone olhando apenas suas informações sobre quantidade de carboidrato, proteína e gordura saturada.

Quem pensa assim, está centralizando seu raciocínio na ferramenta, e não no consumidor.

O custo de uma nova curva de aprendizado existe, mas não é o maior impeditivo para a mudança. Por qual motivo alguém iria mudar do Orkut para o Facebook quando todos os seus contatos já estão ligados, suas fotos devidamente uploadadas e organizadas e suas discussões e comunidades formadas?

Parafraseando Bob Metcalfe, inventor da Ethernet:

o valor sistêmico da comunicação é proporcional ao quadrado do número de membros conectados

O que ele quer dizer com isso? Simples: mesmo que o Facebook seja mais legal, mais completo, mais isso ou mais aquilo, o valor do Orkut (por enquanto) é muito maior, graças a quantidade de brasileiros que fazem parte e interagem dentro dele.

Orkut é coisa de pobre e Facebook de rico?

Tenho alguns números do TGI, infelizmente não tenho autorização do Ibope para mostrá-los, então darei apenas valores aproximados para explicar meus pontos.

O facebook é formado principalmente por pessoas das classe AB (mais de 70%), enquanto a maior parte do Orkut é formada por pessoas das classes C/D/E.

Tendo o preconceito como filtro, é óbvio que o Orkut é coisa pobre e Facebook de rico.

Mas este é apenas um lado da moeda. Apesar da maior parte do Orkut ser formada pelas classes mais baixas, quase metade dele são de pessoas das classes AB (mais de 45%). Além disso, enquanto apenas uma pequena minoria das Classes AB está no Facebook (menos de 2%), metade está presente no Orkut. Olhando desta forma, seria possível defender que os ricos ainda preferem o Orkut.

Olhando todos os fatos, a conclusão mais lógica é que esta diferença acontece principalmente pela lerdeza da adoção do Facebook no Brasil, que pegou ritmo apenas nos últimos meses.

O que parece acontecer é que a migracao começa com as pessoas da classe AB.

Teria lógica se pensarmos que as pessoas mais abastadas tem mais tempo livre para experimentar, tem maior facilidade pelo domínio do inglês e, até mesmo por preconceito, buscar uma certa exclusividade em uma comunidade nova.

Preconceito é a melhor maneira para não ver a verdade. Pesquisas são a melhor forma para comprar ideias, tortas ou não. Junte as duas coisas e estará feita a merda.

EBP 2010 – Cavallini responde – vídeo

Quando contei minha proposta para ser sabatinado do EBP 2010, alguns conhecidos tiraram sarro da minha cara. Disseram que eu virei celebridade.

Mas a verdade é que minha sugestão de fazer assim era por acreditar que seria o melhor formato. Melhor que escutar alguém falando sem parar com um script fixo e melhor que mesas redondas cheias de gente onde não sobra tempo para ninguém falar nada direito.

O formato não é novo, eu mesmo ja participei do outro lado, “sabatinando” o Marcelo Tas.

No final, eu gostei bastante do resultado, aproveito para agradecer o Gabriel Jacob pelo convite e ao Prof. Eric Messa por coordenar e elaborar as perguntas. Espero que vocês gostem também.

Algumas perguntas que foram abordadas no vídeo:

Qual o buraco que as agências ainda não ocuparam?
Existe alguma demanda latente no mercado publicitário?
O mercado é moderno e ágil ou conservador?
O mercado está evoluindo?
O que faz um vp de convergência?
Uma agência precisa de um vp de convergência?
As faculdades estão prontas para ensinar esse novo modelo?
O que é preciso para evoluir?
É preciso conhecer o sistema a fundo para poder subvertê-lo?
Eu preciso ter uma conta no twitter, no facebook, etc.?
Qual o conselho para alguém que está procurando um estágio hoje?
Você precisa ser seu próprio professor para aprender?
Como idenficar tendências?
Facebook é moda ou vale a pena usar?
Branded Content é o caminho natural, e Transmidia?
QR-Code, realidade aumentada e outros formatos tecnológicos morrem ou tem futuro?

Ah, adorei na edição, quando falo da minha mãe, mostram uma senhora na platéia, dando a impressão de ser minha mãe. :-D