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Apple school of business

Sim, este é mais um texto sobre o Steve Jobs. Mas não vou falar do quanto ele mudou o mundo e todas as outras coisas que estão falando por ai. Também não vou falar o que ele representa pra mim.

Para mim, a frase que resume tudo é esta aqui:

Jobs’ resignation may not hurt the future of Apple. But it will certainly hurt the future. (@chaas)

Este é um texto sobre outro legado que o Jobs deixou que não vi ninguém comentar, pelo menos nas matérias e textos que eu li até agora.

Nos dias atuais, vivemos uma realidade onde o mundo corporativo investe na mediocridade. Um universo onde os grandes gurus vendem o corte de custos como solução de todos os problemas.

A cultura do curto prazo, dos produtos e serviços medíocres, do foco no próprio umbigo, e não o consumidor, de profissionais adestrados para não pensar, não ousar e não sair da curva.

E mais importante, uma cultura que menospreza o investimento em pesquisa e desenvolvimento e evita o risco a todo custo. Que não consegue rever o modelo de negócio e se reinventar, algo tão necessário atualmente.

Como é sabido, 80% da receita da Apple vem de iniciativas novas, com produtos e serviços que nem mesmo eram considerados da mesma indústria há 10 anos. A Apple se tornou uma empresa valiosa (a mais), lucrativa (e muito). Steve Jobs mostrou ao mundo que investir na inovação, no risco e no consumidor valem a pena, financeiramente falando.

É inegável que o Jobs mudou o mundo várias vezes para melhor e deixou um legado, a Apple que conhecemos hoje.

Mas se outras empresas compreenderem e aprenderem com o seu exemplo, o impacto no futuro não seria de uma empresa, mas de várias delas.

Quem tem kübler, tem medo

clique para ampliarPor uma série de coincidências, nos últimos meses acabei tendo muito contato com meus colegas jornalistas. E obviamente que conversamos sobre o momento que vivemos. Para quem trabalha com comunicação, falar sobre a transição que vivemos é tão padrão quanto falar sobre política, futebol ou o sobre o clima com taxistas.

Tirando a aula na master de jornalismo, cuja discussão foi muito boa e cujos alunos me pareciam bastante conscientes da realidade atual, as conversas que eu tive com donos e gestores de veículos em geral foi bem diferente.

Uma das frases que escutei com certa frequência nestas conversas foi “aqui é diferente”. E como escuto esta frase há 15 anos no mercado publicitário, resolvi escrever sobre isso.

Um destes contatos talvez ilustre bem. Foi para um pedido de palestra vindo de uma associação ligada ao jornalismo. O briefing era bem claro:

  • No Brasil, o jornalismo vive uma situação bem diferente dos países desenvolvidos, que estão em crise.
  • Aqui o mercado continua crescendo, com vários títulos aparecendo nos últimos anos.
  • A circulação cresce fortemente e temos um enorme campo a explorar das classes emergentes. (aliás, este trecho me lembra este post)

Ou seja, tudo são flores na terra brasilis.

Ou eu estou muito errado na minha análise, ou esta e as outras pessoas com que conversei estão passando pelos estágios de um grande trauma.

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross escreveu sobre os 5 estágios do luto. Em outras palavras, os estágios que passamos quando lidamos com a perda ou tragédia.

Os estágios, devidamente copiados da Wikipedia, são:

  1. Negação e Isolamento: “Isso não pode estar acontecendo.”
  2. Cólera (Raiva): “Por que eu? Não é justo.”
  3. Negociação: “Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem.”
  4. Depressão: “Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?”
  5. Aceitação: “Tudo vai acabar bem.”

A tragédia, neste caso, é a revolução que estamos vivendo. Uma transição que derruba barreiras de entrada em uma série de modelos de negócios baseados na revolução industrial.

Uma transição que deixa os líderes mais tradicionais sem chão e sem saber para onde correr para manter faturamento, lucratividade e poder.

Pelas minhas experiências, eu diria que os publicitários estão no estágio 3, 4 ou 5. Nem todo mundo está no mesmo patamar, mas eu diria que a negação e a raiva já passaram para a maioria deles.

Agora, em relação ao jornalismo, visto minhas últimas conversas, diria que ainda estão no primeiro estágio: a negação.

Para estes, #ficaadica que os publicitários já aprenderam: não, o Brasil não é diferente.

E, por favor, fiquem logo com raiva.

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