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Se você é gestor, deveria ler a biografia de Jobs

Como não poderia deixar de ser, a biografia do Steve Jobs é a história de Apple. E se você não se atentou ainda, é simplesmente a empresa de maior sucesso da última década (talvez do século). Nenhuma empresa cresceu tanto e nenhuma teve seu crescimento tão ligado ao fruto de seu próprio trabalho (e não do monopólio, da reserva de mercado ou outras barreiras de entrada).

Fora isso, é talvez a empresa com altos e baixos mais bruscos na história recente. Em 1997, valia 2 bilhões e estava literalmente quebrando. Seu caixa não sustentaria a empresa por meros 3 meses. Chegou em 2011 como a empresa mais valiosa do mundo, valendo 341.5 bilhões de dólares e com um caixa de 75 bilhões, montante maior que o da reserva do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Tudo isso torna a história ao mesmo tempo interessante e rica para tirarmos lições.

Se você é gestor, deveria ler este livro.

E ainda leva de brinde uma parte da história da Pixar, que é igualmente interessante e rica em aprendizados.

Eu já li outros livros que contam a história da Apple e da Pixar. Alguns são inclusive mais completos em algumas passagens ou histórias. A diferença é que este tem as opiniões e sentimentos do cara que comandou tudo isso.

Opiniões e sentimentos que foram filtrados pelo autor através de dezenas de entrevistas com afetos e desafetos de Jobs. Parceiros e concorrentes. Gente que o amava, gente que o odiava e gente que tinha os dois sentimentos ao mesmo tempo. Com todos os riscos da visão filtrada pela ótica de uma única pessoa, é certamente o livro que contará a história com maior precisão e mais próxima da realidade.

Mas voltando ao ponto principal, não quer dizer que você deva ser igual ao Steve Jobs, mas que você deveria refletir e tentar tirar lições de seu legado e da história da Apple.

Não é uma tarefa fácil. Por não ser um livro de vendas, de gestão ou de marketing — que seria escrito por algum guru — ele não está mastigado para gestores. O livro não tem lição de moral, bullet points com aprendizados e muito menos os 10 passos sobre o que fazer e o que não fazer.

Mas não se engane, essa biografia é exatamente isso. Um livro de marketing, um livro de vendas, um livro de inovação, um livro de gestão.

Eu tirei minhas conclusões, ou diria até — como sempre acompanhei a Apple e Jobs e já tenho mais de 20 anos de carreira em corporações — apenas reconfirmei as minhas.

E recomendo fortemente a leitura para que você tire as suas ou que apenas as reconfirme.

Meu recado para os alunos de propaganda e marketing

Vídeo da palestra que fiz na Cásper, para a Semana de Propaganda.

Tento passar um pouco da minha visão sobre o que está mudando nas agências e o que isso significa para os estudantes de propaganda e marketing.

Talvez seja a palestra menos glamurosa que já fiz. Normalmente sou chamado para falar de novas tecnologias, inovações e tendências, mas é uma conversa franca e direta que acredito ser importante para o momento atual.

E para quem não quer ver minha cara linda, tem o áudio abaixo para escutar ou baixar.

download MP3

Thank you, Steve

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Fiquei muito triste quando Jobs saiu da Apple e mais ainda agora, com a notícia de sua morte. Wozniak e Catmul me fizeram aprender a amar tecnologia enquanto Jobs e Lasseter me fizeram ter gosto de misturá-la com artes e comunicação. Comecei minha carreira fazendo computação gráfica e grande parte da minha vida pessoal e profissional acabou sendo pautada por tudo o que esses caras criaram. Jobs nunca foi o único responsável mas foi quem tornou tudo isso viável e grandioso.

Sentia que não precisava falar mais sobre o assunto porque todos já estavam reconhecendo sua importância. Ele passou a ser chamado de CEO do século, foi comparado a Thomas Edison e Henry Ford e ganhou a merecida atenção de todos, virando capa em todos os veículos, inclusive no Brasil.

Mas depois de assistir alguns programas sobre o acontecimento, notei que a maioria dos “especialistas” convidados para falar sobre o assunto acabaram minimizando a importância de Jobs.

E como o blog é sobre comunicação, achei que valia a pena dar minha opinião sobre essa trapalhada.

Um dos programas pode resumir bem o que estou falando.

Mario Jorge, da revista Mac+, falou que o Jobs roubou a Xerox. Pedro Doria, do Jornal O Globo, disse que o Jobs humilhava as pessoas e as fazia chorar. E Luciano Kubrusly, que foi o primeiro um dos primeiros GM da Apple no Brasil (e não sei por qual motivo alguém desenterrou ele), disse que o Jobs tinha a capacidade de fazer as pessoas acreditarem nas ideias dele, mesmo que idiotas (citou o campo de distorção de realidade) e disse que ele tinha a capacidade de juntar o que já estava pronto e fazer parecer dele e melhor (disfarçando uma crítica de elogio).

Isso tudo sem contar a idiotice de alguns posts em blogs querendo chamar atenção, um deles, no blog que eu menos esperava ver isso: o Update or Die.

Acho que a grande maioria não fez por maldade, mas por descuido. Na tentativa de mostrar o quanto conheciam sobre o assunto, acabaram prestando um desserviço.

Não por achar que quem morre vira santo, que o Jobs era perfeito e nem tampouco por achar que, quando uma pessoa morre, não é a hora certa para bater (apesar de achar uma grosseria fazer isso).

Nem estou julgando se o que falaram é verdadeiro ou falso. O ponto é que eu acho que a maioria das pessoas que assiste a estes programas (estamos falando de mídia de massa e não é pouca gente) conhece o Jobs apenas como o cara que criou brinquedos legais ou produtos de sucesso.

Não é totalmente errado. Aliás, este foi o jeito que eu expliquei pra minha filha de 5 anos. Disse que ele foi o cara que inventou um monte de coisa que faz parte da vida dela, como o media center, o iPhone, o iPad, o iPod, os computadores do papai e da mamãe. Enfim, o cara que criou tudo aquilo que tem a maçazinha, não vai mais trabalhar e por isso eu estava triste.

Mas para os adultos, acho que era importante dizer o que ele representou de verdade.

O impacto de Jobs vai muito além do lançamento de produtos de sucesso. Ele criou e transformou várias indústrias. A do cinema, computadores, software, música, telecom, publishing, etc. Algumas destas mudanças nem podem ser mensuradas por estarem apenas começando.

Provou que é possível inovar, crescer e ter lucro tendo o consumidor como centro, excelência como mantra e amor ao que faz como combustível.

E por último mas não menos importante, seu trabalho mudou o comportamento das pessoas e inspirou muitas outras a também mudar o mundo, cada um do seu jeito.

E para pessoas como eu, que a vida inteira estudaram e trabalharam com tecnologia, foi confortador perceber que a tecnologia e inovação que muda o mundo para melhor, também pode vir do entretenimento e de qualquer empresa, e não apenas da indústria bélica.

Apple school of business

Sim, este é mais um texto sobre o Steve Jobs. Mas não vou falar do quanto ele mudou o mundo e todas as outras coisas que estão falando por ai. Também não vou falar o que ele representa pra mim.

Para mim, a frase que resume tudo é esta aqui:

Jobs’ resignation may not hurt the future of Apple. But it will certainly hurt the future. (@chaas)

Este é um texto sobre outro legado que o Jobs deixou que não vi ninguém comentar, pelo menos nas matérias e textos que eu li até agora.

Nos dias atuais, vivemos uma realidade onde o mundo corporativo investe na mediocridade. Um universo onde os grandes gurus vendem o corte de custos como solução de todos os problemas.

A cultura do curto prazo, dos produtos e serviços medíocres, do foco no próprio umbigo, e não o consumidor, de profissionais adestrados para não pensar, não ousar e não sair da curva.

E mais importante, uma cultura que menospreza o investimento em pesquisa e desenvolvimento e evita o risco a todo custo. Que não consegue rever o modelo de negócio e se reinventar, algo tão necessário atualmente.

Como é sabido, 80% da receita da Apple vem de iniciativas novas, com produtos e serviços que nem mesmo eram considerados da mesma indústria há 10 anos. A Apple se tornou uma empresa valiosa (a mais), lucrativa (e muito). Steve Jobs mostrou ao mundo que investir na inovação, no risco e no consumidor valem a pena, financeiramente falando.

É inegável que o Jobs mudou o mundo várias vezes para melhor e deixou um legado, a Apple que conhecemos hoje.

Mas se outras empresas compreenderem e aprenderem com o seu exemplo, o impacto no futuro não seria de uma empresa, mas de várias delas.

Vídeo Seminário Internacional de Comunicação

Para quem não teve oportunidade de ir no evento, segue abaixo o vídeo do Seminário Internacional de Comunicação.

Desenvolvedor virou gente

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Depois de décadas sendo tratado como cachorro, finalmente parece que chegou a vez do desenvolvedor.

Antes, com poucas opções, e todas controladas com uma mentalidade de mercado baseado em blockbusters, a relação entre donos de plataformas e desenvolvedores sempre foi difícil.

No mundo dos jogos, gigantes como a Sony, Nintendo e Microsoft tratavam (e ainda tratam) com mão de ferro um grupo restrito de empresas, cujos jogos precisavam vender milhões de unidades para obter algum lucro. Como eu disse uma vez, “os jogos são digitais mas seu modelo de negócio é analógico“.

Operadoras de celular também nunca valorizaram este mercado. Publicar em suas plataformas era um exercício de paciência e aceitação de um modelo pouco transparente.

É difícil de programar? Muitas regras e tudo mais? Problema seu, se quiser vender tem poucas opções de plataforma onde é possível obter algum lucro.

Na verdade tinha, o cenário mudou bastante.

Graças a Apple que abriu as porteiras, hoje todo fabricante de celular tem uma plataforma de aplicativos e uma loja para vendê-los. Tablets? Só na última CES vi quase 100 marcas diferentes. Mesmo que só uma parte seja lançada, já é muita coisa.

Media centers então, tem um monte e todo fabricante de TV vai precisar de desenvolvedores para produzir aplicativos para suas TVs conectadas. Já precisam. Sony, LG, Samsung e outros já estão nesta corrida, inclusive no Brasil.

Do outro lado, o desenvolvedor não tem tempo para investir no conhecimento de uma nova plataforma quando apenas uma ou duas delas já consomem sua capacidade de produção.

Principalmente se levarmos em conta que a grande maioria destes desenvolvedores são semi profissionais ou pequenas empresas (eu diria minúsculas).

Para piorar o cenário (para quem precisa deles), agora os desenvolvedores não precisam de ninguém. Com regras iguais para todos e um modelo onde se pode ganhar no long tail, ganharam poder para escolher e lançar o que quiser, quando quiser e onde quiser.

Ainda existem regras? Claro que sim, mas desenvolvedores que reclamam da Apple não têm ideia de como era se relacionar com Nintendo ou Sony.

Agora é assim, todo mundo perguntando para desenvolvedor o que faria ele desenvolver para sua plataforma. Tem treinamento de graça, developer kit de graça, festas e outros mimos para convencer alguém a olhar pra sua plataforma.

E alguma dúvida que teremos cada vez mais lugares para aplicações? Rádios, GPS’s, sistemas para a indústria automotiva e toda miríade de aparelhos que irão continuar surgindo nos próximos anos.

Como diria Silvio Meira, “tudo é software”. E nesse mundo novo, ser desenvolvedor tem sua graça.

Palestra FGV

A convite do Prof. Luis Sá, vou palestrar na FGV Berrini dia 4 de julho às 21:30.

Não fechei o tema ainda, mas estou pensando em tratar de algo mais denso do que normalmente trato em palestras abertas.

Pensei em falar sobre:

  • o que mudou no ambiente digital dentro das agências tradicionais nos últimos 5 anos
  • quais as principais dificuldades para estas agências
  • como a WMcCann está investindo no digital e enfrentando estas mudanças
  • onde já conseguimos chegar, quais serão nossos próximos passos
  • e por último, mas não menos importante, o que os alunos deveriam aprender com isso.

Se você é aluno, espero você por lá. Pode levar um monte de pergunta cabeluda para a discussão ficar mais rica.

O assédio dos grandes grupos

Por que os grandes grupos de comunicação tradicional estão comprando como loucos as agências digitais no Brasil nos últimos anos?

A resposta foi dada neste post de 2008.

É quase óbvio, digital é o melhor (e talvez o único) caminho para o crescimento. E como no hemisfério norte, quase todo mundo já foi comprado, restava olhar para os emergentes.

Agora, sobrou pouca gente pra ser comprada.

Seminário Internacional de Comunicação

Convidado pela Mônica Paula, coordenadora de Comunicação do Master em Jornalismo, vou participar do Seminário Internacional de Comunicação 2011, promovido pelo IICS e Universidad de Navarra.

Vou falar sobre o dilema do modelo de negócio sustentável: conteúdo gratuito x conteúdo pago.

O programa está aqui, espero ver vocês lá.

Master de Jornalismo

Convidado por Anderson Hartmann, Coordenador do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) e da Universidad de Navarra, tive o prazer de lecionar duas aulas para a Master em Jornalismo Digital.

Passei três horas e meia discutindo com os alunos sobre modelo de negócios. Antes de dar respostas, inseri várias perguntas no meio da aula para incentivar a discussão. A figura abaixo é uma delas.

o ipad vai salvar a lavoura ou acelerar nossa morte?

Fiz isso não somente por acreditar que não existem respostas prontas ou fórmulas mágicas, mas também por ter certeza que a discussão nunca foi tão fundamental como agora.

O cenário atual que publicidade e jornalismo enfrentam têm semelhanças não apenas na mudança de comportamento do consumidor (e tudo aquilo que a gente já sabe), mas também pelo fato dos dois grupos sempre terem ignorado a importância de aprender a pescar, ou seja, de discutir modelo de negócio ao invés de ficar discutindo modelo de receita.

Tenho minhas teorias dos porquês, mas isso é assunto para outro texto.

Com problemas e despreparo similares, vejo também semelhanças na maneira como a maioria das empresas (de jornalismo ou de publicidade) têm lidado com o assunto, gerando um ciclo vicioso que considero mortal.

  1. Quanto mais dificuldade, mais difícil fica para manter a margem
  2. Para manter margens, a solução padrão tem sido cortar custos
  3. Para cortar custos, a solução padrão tem sido cortar folha
  4. Cortar folha significa matar o talento
  5. O talento é o que nos diferencia
  6. Sem diferencial, a concorrência fica ainda mais cruel
  7. Concorrência mais cruel, mais difícil ainda manter a margem.

Está criado um ciclo vicioso.

E esse ciclo, me levou a inserir outra pergunta na discussão:

nós viramos commodity?