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F/Radar décima edição

Tenho orgulho de ter participado e colaborado com algumas edições da pesquisa F/Radar, realizada semestralmente pela F/Nazca em parceria com o Datafolha.

Sempre acreditei que a pesquisa tem 2 méritos enormes.

O primeiro e mais óbvio, é mostrar com clareza o cenário do consumidor digital.

O segundo, foi ter ajudado a derrubar alguns preconceitos, infelizmente algo muito comum no mercado publicitário. Mostrou que internet não era coisa de rico, que o Calypso era mais escutado que a Ivete Sangalo e o Roberto Carlos, que jogos não são coisa de criança, etc. Por este motivo, sempre achei que o valor educativo da pesquisa extrapola o ambiente digital.

Mas percebo que a 10ª edição tem um benefício adicional, apontar a revolução que iremos presenciar nos próximos 5 anos.

Olhar para o passado para tentar ver o futuro não é novidade. Entender de onde viemos é uma das maneiras mais seguras para prever para onde estamos indo.

Mesmo que a frase já esteja virando clichê, ainda julgo importante falar sobre isso: o acesso móvel é o futuro da internet.

Aproveito para apontar cinco conclusões que a pesquisa ajudou a fortalecer.

Quem quiser saber, é só baixar o resumo da pesquisa no site da F/Nazca.

Desenvolvedor virou gente

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Depois de décadas sendo tratado como cachorro, finalmente parece que chegou a vez do desenvolvedor.

Antes, com poucas opções, e todas controladas com uma mentalidade de mercado baseado em blockbusters, a relação entre donos de plataformas e desenvolvedores sempre foi difícil.

No mundo dos jogos, gigantes como a Sony, Nintendo e Microsoft tratavam (e ainda tratam) com mão de ferro um grupo restrito de empresas, cujos jogos precisavam vender milhões de unidades para obter algum lucro. Como eu disse uma vez, “os jogos são digitais mas seu modelo de negócio é analógico“.

Operadoras de celular também nunca valorizaram este mercado. Publicar em suas plataformas era um exercício de paciência e aceitação de um modelo pouco transparente.

É difícil de programar? Muitas regras e tudo mais? Problema seu, se quiser vender tem poucas opções de plataforma onde é possível obter algum lucro.

Na verdade tinha, o cenário mudou bastante.

Graças a Apple que abriu as porteiras, hoje todo fabricante de celular tem uma plataforma de aplicativos e uma loja para vendê-los. Tablets? Só na última CES vi quase 100 marcas diferentes. Mesmo que só uma parte seja lançada, já é muita coisa.

Media centers então, tem um monte e todo fabricante de TV vai precisar de desenvolvedores para produzir aplicativos para suas TVs conectadas. Já precisam. Sony, LG, Samsung e outros já estão nesta corrida, inclusive no Brasil.

Do outro lado, o desenvolvedor não tem tempo para investir no conhecimento de uma nova plataforma quando apenas uma ou duas delas já consomem sua capacidade de produção.

Principalmente se levarmos em conta que a grande maioria destes desenvolvedores são semi profissionais ou pequenas empresas (eu diria minúsculas).

Para piorar o cenário (para quem precisa deles), agora os desenvolvedores não precisam de ninguém. Com regras iguais para todos e um modelo onde se pode ganhar no long tail, ganharam poder para escolher e lançar o que quiser, quando quiser e onde quiser.

Ainda existem regras? Claro que sim, mas desenvolvedores que reclamam da Apple não têm ideia de como era se relacionar com Nintendo ou Sony.

Agora é assim, todo mundo perguntando para desenvolvedor o que faria ele desenvolver para sua plataforma. Tem treinamento de graça, developer kit de graça, festas e outros mimos para convencer alguém a olhar pra sua plataforma.

E alguma dúvida que teremos cada vez mais lugares para aplicações? Rádios, GPS’s, sistemas para a indústria automotiva e toda miríade de aparelhos que irão continuar surgindo nos próximos anos.

Como diria Silvio Meira, “tudo é software”. E nesse mundo novo, ser desenvolvedor tem sua graça.

Palestra FGV

A convite do Prof. Luis Sá, vou palestrar na FGV Berrini dia 4 de julho às 21:30.

Não fechei o tema ainda, mas estou pensando em tratar de algo mais denso do que normalmente trato em palestras abertas.

Pensei em falar sobre:

  • o que mudou no ambiente digital dentro das agências tradicionais nos últimos 5 anos
  • quais as principais dificuldades para estas agências
  • como a WMcCann está investindo no digital e enfrentando estas mudanças
  • onde já conseguimos chegar, quais serão nossos próximos passos
  • e por último, mas não menos importante, o que os alunos deveriam aprender com isso.

Se você é aluno, espero você por lá. Pode levar um monte de pergunta cabeluda para a discussão ficar mais rica.

O assédio dos grandes grupos

Por que os grandes grupos de comunicação tradicional estão comprando como loucos as agências digitais no Brasil nos últimos anos?

A resposta foi dada neste post de 2008.

É quase óbvio, digital é o melhor (e talvez o único) caminho para o crescimento. E como no hemisfério norte, quase todo mundo já foi comprado, restava olhar para os emergentes.

Agora, sobrou pouca gente pra ser comprada.

O fim da TV por assinatura.

Repito aqui o que tenho falado com frequência para amigos. Não será o Google TV ou o xBox ou qualquer outra coisa que irá matar a TV paga.

Será a própria TV paga que irá matar a TV paga.

E acredito piamente que não preciso explicar isso para a maior parte do público aqui. Boa parte dos meus leitores são assinantes da TV paga e sabem muito bem quais são os problemas do meio.

E para piorar, a TV paga tem no Brasil um enorme mercado em potencial para explorar, das pessoas que pela primeira vez na vida tem grana sobrando para tal luxo.

Isso vai inebriar os gestores preocupados com o lucro do curto prazo para continuar cometendo os mesmos erros que cometeram até agora. A velha e boa acelerada na ladeira cujo final se encontra um muro.

É o impacto causado por um mundo suportado por barreiras comerciais, técnicas e legais que o universo digital destruiu.

O fim da TV paga não será este ano, nem no próximo, nem no posterior. Mas ele já começou, faz tempo.

update: quem achar que precisa explicar mais, continuei o post em um dos comments abaixo.

EBP 2010 – Cavallini responde – vídeo

Quando contei minha proposta para ser sabatinado do EBP 2010, alguns conhecidos tiraram sarro da minha cara. Disseram que eu virei celebridade.

Mas a verdade é que minha sugestão de fazer assim era por acreditar que seria o melhor formato. Melhor que escutar alguém falando sem parar com um script fixo e melhor que mesas redondas cheias de gente onde não sobra tempo para ninguém falar nada direito.

O formato não é novo, eu mesmo ja participei do outro lado, “sabatinando” o Marcelo Tas.

No final, eu gostei bastante do resultado, aproveito para agradecer o Gabriel Jacob pelo convite e ao Prof. Eric Messa por coordenar e elaborar as perguntas. Espero que vocês gostem também.

Algumas perguntas que foram abordadas no vídeo:

Qual o buraco que as agências ainda não ocuparam?
Existe alguma demanda latente no mercado publicitário?
O mercado é moderno e ágil ou conservador?
O mercado está evoluindo?
O que faz um vp de convergência?
Uma agência precisa de um vp de convergência?
As faculdades estão prontas para ensinar esse novo modelo?
O que é preciso para evoluir?
É preciso conhecer o sistema a fundo para poder subvertê-lo?
Eu preciso ter uma conta no twitter, no facebook, etc.?
Qual o conselho para alguém que está procurando um estágio hoje?
Você precisa ser seu próprio professor para aprender?
Como idenficar tendências?
Facebook é moda ou vale a pena usar?
Branded Content é o caminho natural, e Transmidia?
QR-Code, realidade aumentada e outros formatos tecnológicos morrem ou tem futuro?

Ah, adorei na edição, quando falo da minha mãe, mostram uma senhora na platéia, dando a impressão de ser minha mãe. :-D

Um mercado que vive de ideias, não valoriza quem as tem

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Não deve ser diferente em muitos outros mercados, mas falo pelo meu: a maioria das agências não se preocupa com qualidade de vida.

Não existe plano de carreira, não se investe em treinamento, o estagiário é sinônimo de mão de obra barata e o RH funciona apenas como assistente administrativo pra receber nota e entregar o tico refeição.

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O que você acha?

Por estar há tempos no mercado, muita gente me pede indicações ou referência de candidatos que estão sendo entrevistados.

Mas de tempos em tempos, escuto uma velha pergunta:

Contratei fulano(a), o que você acha?

Eu, com a minha eterna elegância e delicadeza, respondo:

Se minha opinião fosse importante, você teria me perguntando antes de contratá-lo(a).

É lógica simples, mas também prova de minha tosquice. Por isso pergunto, vocês acham que eu deveria ter postado este texto? :-D

CONAR

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CONAR significa Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Ele envolve agências, anunciantes e veículos em geral.

Perceba bem, em seu nome, missão, rito, regimento ou estatuto, fica claro que não é focado em meios, mas em publicidade.

Obviamente, fala sobre veiculação e veículos de comunicação, o que poderia gerar uma certa discussão semântica. Certamente, poderíamos ficar horas discutindo se o Youtube é veículo ou não.

Mas isso seria buscar uma brecha na legislação, o que seria meio besta, justamente por se tratar de autorregulamentação.

Já disse no blog e repito aqui, sempre fui a favor da autorregulamentação. Com todas as regras e exageros, ela é muito melhor que uma legislação criada por políticos cujo interesse e conhecimento é bastante dúbio.

O CONAR não existe e não deveria existir apenas pela imposição dos veículos.

Quer botar um filme brincando com a proibição, ok, mas dizer “veja nosso filme na Internet” é o mesmo que mandar o CONAR às favas.

Não quero tratar aqui se o comercial da Schin deveria ou não deveria ser barrado pelo CONAR. Deixo isso para outros blogs.

Concordando ou não com a atitude do CONAR, não acredito que agir assim mudará a atitude do Conselho. Agora, se alguém acredita que a autorregulamentação se tornou pior que a legislação, acredito ser esta é a melhor maneira de agir.

A autorregulamentação só existe se for respeitada, caso contrário, a mensagem que estaremos passando para a sociedade é que ela não existe, e que não somos capazes de nos autorregulamentar. Que precisamos de leis e punições para o nosso mercado.

Eu acho um tiro no pé.

Não acho inteligente no caso deste anunciante, que vende bebida alcoólica, tema bastante delicado e há tempos na mira da canetada.

E especialmente burro para alguém que não é lider de mercado, muito menos a marca melhor estabelecida, ou seja, quem mais perderia com a proibição total de propaganda na categoria.

E viva o pensamento de curto prazo.

Da simbiose ao parasitismo

clique para ampliarNa época de ouro da publicidade brasileira tudo era lindo e maravilhoso.
Campanhas milionárias, glamour, festas para todo lado, salários estratosféricos e produtores gráficos ficando ricos graças aos seus talentos.

Isso valia para agências, produtoras e fornecedores em geral.

A lucratividade era muito alta e dinheiro nunca era problema. Na verdade, nada era problema.

Faz pra amanhã!
Claro, sem problemas.

Nosso cliente não gostou depois de ver tudo pronto. Faz de novo, mas agora sem prazo e sem cobrar a mais!
Tudo bem, considere feito.

Faz de graça que esse é pra Cannes!
Será um prazer.

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