Há três anos atrás, portanto em 2006, uma das muitas palestras que fiz para divulgar meu segundo livro foi em uma faculdade de comunicação no interior de São Paulo.
O Marketing Depois de Amanhã, como vocês sabem, fala sobre tecnologias que iriam (e vão, já que estamos dentro do prazo) influenciar o nosso mercado nos próximos 10 ou 15 anos.
No final da palestra, depois de algumas perguntas, um professor afirmou achar difícil acreditar em alguns dos temas expostos, e perguntou por que deveriam me dar ouvidos.
Foi quando o diretor da faculdade, que me convidou para a palestra, interrompeu e avisou a todos que esta pergunta já havia sido feita.
Quando os alunos alertaram que ele estava enganado, ele contou algo que nem mesmo eu lembrava. Por coincidência ou não, eu havia palestrado na mesma faculdade 10 anos antes. Era 1996, e o tema muito similar: uma tecnologia que iria influenciar o nosso mercado nos próximos 15 anos, a tal Internet.
O diretor lembrou que esta pergunta já havia sido feita na época, por ele mesmo.
Depois disso, fiquei com uma baita pinta de Al Gore falando sobre o Aquecimento Global. Pusta vergonha, parecia um metido prevendo o futuro. Sorte minha ter cara de pau. E sorte do professor eu mudar de assunto rapidinho, tirando o foco sobre ele, que ficou parecendo o George Bush se negando a assinar o Protocolo de Kyoto.
O ponto é que a pergunta está errada no princípio. Nem ele nem ninguém deveria acreditar em mim ou qualquer outra pessoa. Não sem pensar, sem pesquisar, sem ponderar. O que não pode é olhar tantas provas pipocando a nossa volta, como fotos das geleiras desaparecendo e, ainda assim, negar tudo.
Gente que só se mexe quando a água bate na bunda. Dito popular bem aderente quando usado em conjunto a analogia do Aquecimento Global e o derretimento das geleiras.

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