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Conversa fiada

clique para ampliarRolou um tempo onde algumas publicações se sustentavam, não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela escassez de concorrentes.

A fragmentação aumentou e ficou mais difícil, mesmo assim, o investimento das grandes editoras e jornais era suficiente para garantir o diferencial.

O jornalismo investigativo, a busca pelo furo ou a preocupação com a qualidade foi se perdendo, sendo substituída por alguns nomes importantes como articulistas.

Com a web, até este diferencial acabou, mas ainda assim, escutava muita gente dizer que assinava determinada revista ou jornal porque era importante “ler o que todo mundo estava lendo”, afinal, ninguém pode ficar por fora dos assuntos que rolavam na salinha do café.

Me parece que agora a fragmentação cresceu tanto, que até isso está acabando. A publicação pode continuar com a mesma quantidade de leitores, mas a informação disponível e consumida pelas pessoas é tamanha, que ninguém mais tem a exclusividade da pauta da salinha do café.

Principalmente porque as grandes publicações, que pararam no tempo e sofreram com cortes de custos. O resultado for perder relevância. As mesmas notícias que todo mundo mostra, com a mesma abordagem superficial e ainda atrasadas em relação a web.

Hoje em dia, parece ser mais interessante a notícia que ninguém leu do que a que todo mundo leu. E ainda, melhor ler a opinião de alguém que gostamos na web do que a versão de alguma revista que, sucesso ou não, é entendida por muitos como desacreditada ou até mesmo mal-intencionada.

Com quantos toques se faz uma revista?

clique para ampliarMês passado, uma publicação tradicional pediu um texto do coxa para publicar em sua versão papel.

Nem precisariam ter pedido(meus textos são CC), fizeram por educação. E por educação respondi que seria um prazer. E seria mesmo.

O texto entraria em uma certa coluna, e para isso, deveria ter um número específico de toques.

Quem escreve pra revista conhece bem isso, normal. Normal? Pode ser, mas não deveria ser.

Me foi pedido para aumentar a quantidade de toques. Traduzindo para o velho e bom português, me pediram para encher linguiça. Ou novo portugues, á que agora “linguiça” não tem trema.

Depois tem nego que reclama que essa tal de Internet está matando todo mundo.

O tamanho do texto deveria respeitar apenas uma regra, o leitor.

Se está incompleto, devia desenvolver mais o texto. Se está longo, chato ou se repetindo, devia resumir.

O intuito deveria ser tranformar o conteúdo em algo melhor para quem lê a revista, não buscar uma vida mais fácil para editores, diagramadores e outros profissionais envolvidos na produção.

É complicado pra caramba? Claro que é, mas editor que quiser vida fácil que abra um blog no wordpress. Ademais, quando a revista enche de anúncios, o esforço sempre compensa, certo?

Retenção do Twitter

No blog do Nielsen uma discussão agitou o Twitter esta semana. Se você é um dos nossos leitores anti-Twitter, não desista ainda porque a discussão vai além da ferramenta e na verdade é relevante para todos que se interessam por social network.

O texto é assinado por David Martin, Vice Presidente do Nielsen Online.

No texto, Martin afirma que 60% dos usuários que entram no Twitter (EUA) não voltam no mês seguinte, ou seja, uma taxa de retenção mensal de 40%.

O ponto de Martin é importante e fica claro no gráfico que ilustra este post: existe uma relação clara entre cobertura e retenção. Com uma taxa de retenção de 40%, o Twitter vai ter sempre uma cobertura muito baixa, cerca de 10% da audiência da internet. Retenção, como afirma Martin, não é garantia de audiência massiva, mas é pré-requisito.

A situação fica mais grave ainda quando comparamos os números Twitter com Facebook e MySpace na época em que esses estavam começando (figura 2). As outras duas redes possuíam uma retenção que é quase o dobro do Twitter e hoje estão em 70% de cobertura (EUA, vale lembrar).

Martin termina sua análise com o veredicto de que se o Twitter não alcançar maior lealdade de seus usuários, não vai se sustentar por muito tempo.

Pois bem. Esse é o texto do especialista do Nielsen e quem sou eu para discordar? Meu ponto é apenas que essa discussão de “se o Twitter vai sobreviver ou não” é relevante apenas para o Sr. Twitter e seus acionistas.

Cobertura é mesmo tão fundamental hoje, como era no passado?

Ou as redes sociais se tornaram ferramentas de word-of-mouth e por isso, qualificação é mais importante que abrangência? Afinal, social networks vem e vão o tempo todo. Quem é que não entendeu isso ainda? Second Life, Orkut, Last.FM, Blip, Facebook, MySpace, Twitter, pouco importa o nome. Twitter só serve para indicar como tudo isso é volátil.

Para nós, que trabalhamos com Comunicação, o importante é saber qual é o fenômeno da semana e como melhor utilizá-lo. Onde é que as marcas que atendemos devem estar para despertar [e reverberar] a atenção hoje. Amanhã só deus sabe.

Via Blog do Nielsen

sentimento de posse

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Saiu mais uma pesquisa que indica a adoção das rádios online, mostrando que os jovens estão preferindo escutar via streaming ao invés de baixar os mp3.

Eu já havia comentado que estes jovens não estão comprando música, mas facilidade.

Mas tem outro comentário que não lembro de ter feito aqui, mas que já discuti várias vezes com amigos. Eu acho que a primeira mudança cultural que o MP3 ajudou a trazer foi parar com a necessidade de posse de algo físico, ou seja, parar de colecionar plástico com capas bregas para ter uma coletânea de arquivos no computador.

Até aí, nada de novo. Meu ponto é que a segunda mudança seria acabar inclusive com a necessidade de posse. Pra que ter se está disponível a todos e de maneira que eu possa organizar meu consumo?

Claro que o assunto é relacionado à música, mas pode ser expandido para qualquer outro segmento onde a proporção custo benefício mude brutalmente com a chegada de novas tecnologias.

A maioria dos meus amigos nunca concordou comigo neste assunto, e você?

A Internet é um convento cheio de putas

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

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O Nosso Caos Particular

clique para ampliarSomos uma geração de Profissionais de Comunicação privilegiada. Praticamente inventamos o que se convencionou chamar de colaboratividade. Entregamos “empowerment” ao consumidor. Transformamos o que era uma alameda de mão única, numa ampla estrada de duas mãos, com muitas faixas e bla, bla, bla, bla, bla.

Só não aprendemos…hmmm… a ganhar dinheiro com isso. Isso já é pedir demais.

E apesar deste texto estar em um blog, não estou falando apenas da mídia online, não.

Somos os netos da geração que inventou o Negócio da Comunicação e – como no ditado que diz que os netos levam o negócio dos avós à falência – estamos a ponto de quebrar tudo, instaurando o caos.

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A elite blogosférica brazuca não gosta de compartilhar seu conteúdo

Esta semana, depois de ter escutado algumas reclamações de posts copiados, resolvi fazer um levantamento informal sobre a blogosfera brazuca. O resultado me surpreendeu, fazendo coro com as reclamações. A maioria dos blogueiros opta pelo uso do Copyright, licença conhecida pela rigidez com que protege o conteúdo e, justamente por isso, amada pela indústria de entretenimento.

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Claro que cada um faz o que quer com sua própria obra. De certa forma, muitos já estão contribuindo colocando sua criação de graça na web. Por isso, este post não é uma crítica a estes blogs, mas uma defesa para qualquer modelo de licença que facilite o compartilhamento.

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Quando a água bate na bunda

clique para ampliarHá três anos atrás, portanto em 2006, uma das muitas palestras que fiz para divulgar meu segundo livro foi em uma faculdade de comunicação no interior de São Paulo.

O Marketing Depois de Amanhã, como vocês sabem, fala sobre tecnologias que iriam (e vão, já que estamos dentro do prazo) influenciar o nosso mercado nos próximos 10 ou 15 anos.

No final da palestra, depois de algumas perguntas, um professor afirmou achar difícil acreditar em alguns dos temas expostos, e perguntou por que deveriam me dar ouvidos.

Foi quando o diretor da faculdade, que me convidou para a palestra, interrompeu e avisou a todos que esta pergunta já havia sido feita.

Quando os alunos alertaram que ele estava enganado, ele contou algo que nem mesmo eu lembrava. Por coincidência ou não, eu havia palestrado na mesma faculdade 10 anos antes. Era 1996, e o tema muito similar: uma tecnologia que iria influenciar o nosso mercado nos próximos 15 anos, a tal Internet.

O diretor lembrou que esta pergunta já havia sido feita na época, por ele mesmo.

Depois disso, fiquei com uma baita pinta de Al Gore falando sobre o Aquecimento Global. Pusta vergonha, parecia um metido prevendo o futuro. Sorte minha ter cara de pau. E sorte do professor eu mudar de assunto rapidinho, tirando o foco sobre ele, que ficou parecendo o George Bush se negando a assinar o Protocolo de Kyoto.

O ponto é que a pergunta está errada no princípio. Nem ele nem ninguém deveria acreditar em mim ou qualquer outra pessoa. Não sem pensar, sem pesquisar, sem ponderar. O que não pode é olhar tantas provas pipocando a nossa volta, como fotos das geleiras desaparecendo e, ainda assim, negar tudo.

Gente que só se mexe quando a água bate na bunda. Dito popular bem aderente quando usado em conjunto a analogia do Aquecimento Global e o derretimento das geleiras.

Em alta

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O e-paper tem algumas qualidades que permitem que ele seja chamado de “papel” eletrônico. Entre elas, está sua resolução, que pode ser igual ou superior aos impressos das melhores revistas.

Pois bem, imaginem daqui uns anos (ou décadas, não importa), quando os devices de e-paper estiverem bem difundidos. Certamente todos terão conexão a web, a maioria sem fio. Já imaginou, começar a fazer site em alta resolução?

Obama e seu BlackBerry.

clique para ampliarCom a novela do Obama brigando para usar seu BlackBerry chegando ao fim, muito se falou sobre a ótima propaganda que está sendo para a RIM, fabricante do aparelho.

Mesmo sendo algo impossível de ser comprado (por se tratar do presidente americano) e não ter preço (por ser espontâneo, tem muito mais impacto), especialistas acreditam que o suporte valeria em torno de 45 ou 50 milhões de dólares.

Acho duas coisas. Primeiro que seria mais interessante citar quanto custa um patrocínio parecido com alguma grande celebridade. Assim, cada mortal poderia dar seu chute de quanto o Obama valeria. Melhor do que alguém chutar um valor estúpido qualquer. Eu acho que o Obama valeria 35 Madonnas ou 85 Britney Spears.

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