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Redes Sociais, chegamos ao nosso limite?

Final de 2008. Todos os institutos de pesquisa são unânimes: o Brasil é o país das redes sociais.

Em penetração, em horas navegadas e em quase todas as medidas que sejam possíveis tirar. Os que editam seu perfil em comunidades, os que escrevem blogs, leem blogs, quantidade de amigos nos mensageiros instantâneos, nas redes sociais, etc.

Só dava o Brasil, não importa quem fazia a pesquisa. Accenture, Universal McCann, Microsoft, comScore e até mesmo o Nielsen nos botavam no ponto mais alto do pódio.

Em média, por mês, o Brasileiro passava incríveis 4:31 e 18 segundos no Orkut, Blogger, WordPress, UOL comunidades e outros sites e serviços considerados da categoria.

Tirando o Reino Unido, com 2:38, os outros países não chegavam nem mesmo a 2 horas de navegação.

O brasileiro passava cerca de 23,1% do seu tempo na web para redes sociais, contra 10,9% dos Australianos.

De lá para cá, acompanho as pesquisas sobre o assunto e nenhuma novidade. Eis que em janeiro deste ano, pouco mais de um ano depois, passamos para o sexto lugar.

Continuamos sendo o país que mais passa tempo na Internet. Continuamos com a mesma penetração em redes sociais e com as mesmas quatro horas e meia (4:33) navegadas em comunidades.

Mas incrivelmente, os outros países tiveram um crescimento absurdo. A Austrália pulou de 1:44 para 6:52. Até mesmo os EUA, que já eram aparentemente bem engajados em redes sociais, passaram de 1:50 para 6:09, passando inclusive o Reino Unido, agora com 6:07

Não acho tão estranho a explosão em outros países, afinal, redes sociais estão ganhando força e o Brasil sempre esteve na frente.

Mas a diferença de crescimento é brutal, será que chegamos ao nosso limite?

Ou será que se trata — mais uma vez — de um desvio da metodologia do Ibope, que eu já critiquei aqui no blog algumas vezes?

Perguntaria ao próprio Ibope, que representa a ferramenta do Nielsen no Brasil, mas talvez por ser crítico as suas metodologias, seus representantes sempre foram bem escrotos comigo no trato pessoal.

Então prefiro perguntar a vocês. Alguém saberia explicar a mudança? Se não for um problema de metodologia, é certamente muito importante.

CONAR

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CONAR significa Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Ele envolve agências, anunciantes e veículos em geral.

Perceba bem, em seu nome, missão, rito, regimento ou estatuto, fica claro que não é focado em meios, mas em publicidade.

Obviamente, fala sobre veiculação e veículos de comunicação, o que poderia gerar uma certa discussão semântica. Certamente, poderíamos ficar horas discutindo se o Youtube é veículo ou não.

Mas isso seria buscar uma brecha na legislação, o que seria meio besta, justamente por se tratar de autorregulamentação.

Já disse no blog e repito aqui, sempre fui a favor da autorregulamentação. Com todas as regras e exageros, ela é muito melhor que uma legislação criada por políticos cujo interesse e conhecimento é bastante dúbio.

O CONAR não existe e não deveria existir apenas pela imposição dos veículos.

Quer botar um filme brincando com a proibição, ok, mas dizer “veja nosso filme na Internet” é o mesmo que mandar o CONAR às favas.

Não quero tratar aqui se o comercial da Schin deveria ou não deveria ser barrado pelo CONAR. Deixo isso para outros blogs.

Concordando ou não com a atitude do CONAR, não acredito que agir assim mudará a atitude do Conselho. Agora, se alguém acredita que a autorregulamentação se tornou pior que a legislação, acredito ser esta é a melhor maneira de agir.

A autorregulamentação só existe se for respeitada, caso contrário, a mensagem que estaremos passando para a sociedade é que ela não existe, e que não somos capazes de nos autorregulamentar. Que precisamos de leis e punições para o nosso mercado.

Eu acho um tiro no pé.

Não acho inteligente no caso deste anunciante, que vende bebida alcoólica, tema bastante delicado e há tempos na mira da canetada.

E especialmente burro para alguém que não é lider de mercado, muito menos a marca melhor estabelecida, ou seja, quem mais perderia com a proibição total de propaganda na categoria.

E viva o pensamento de curto prazo.

Homem Referência

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No árduo trabalho de criação, referências sempre foram importantes. Referências de todo tipo. As saudáveis, como estilos, tendências, novos fornecedores e novas tecnologias; e as não tão admiráveis, como as tais “referências de ideias”.

Shots (na época entregue em DVD) e a revista Archive foram referências obrigatórias por décadas.

Não podemos esquecer também, um tipo bem ordinário de referência, a mais braçal de todas. Achar imagens e fotos para compor o layout de diretores de arte.

Para este fim, acreditem ou não, no começo da década de 90 algumas agências criaram um cargo um tanto inusitado. Era chamado de homem referência (HR).

Na cadeia alimentar, o HR vinha logo abaixo do assistente de arte. Uma maneira bonita de dizer que ele ficava abaixo de cu de cachorro.

Se o diretor de arte precisava de um carro velho para seu layout, lá iria o HR folhear milhares de revistas atrás da imagem perfeita.

Tinha até certa lógica na época, pois era um trabalho mecânico e trabalhoso que comia preciosas horas dos diretores de arte e assistentes na época.

O HR sabia tudo, conhecia todas as revistas de cabo a rabo, sabia exatamente o estilo de cada diretor e onde buscar as imagens para agradá-los.

Mas o tempo passou e, gradativamente, Shots e Archive foram substituídos pelo YouTube, Flickr, FWA, FFFFound e outros repositórios pela Internet.

O HR parecia ter desaparecido, quando de repente, o ambiente digital trouxe ele de volta. Voltou na forma de blogueiro, destes que fazem coletânea de tudo que tem de interessante em outros blogs de comunicação. Alguns deles até foram contratados por agências.

Muda o cenário, mas não a cena. O criativo quer fazer um viralzinho, uma promoçãozinha, alguma graça e o HR do século 21 está para levantar o que foi feito pelo mundo.

Assim como no passado, o HR continua sendo apenas um intermediário entre o cara que criou de verdade e o cara que criou de mentira.

A diferença está apenas no glamour do nome do cargo, que agora tem nomes pomposos que falam de tendências ou inovações.

Nosso primeiro milhão

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Sabe aquela história da Internet dar voz ao consumidor? Então, apesar de ser uma velha ladainha, é disso que se trata o Twitter.

E apenas isso, apesar de não ser pouco. Quer dizer, apesar de importante para caramba, é apenas a evolução do que começou com as Home Pages do Geocities em 95. E que hoje conta com a ajuda não somente da internet, mas toda a evolução tecnológica a nossa volta. De câmeras fotográficas digitais, MP3 players e telefones celulares.

Se não fosse o Twitter, seria outra ferramenta qualquer. E em breve será, aparecendo alguma nova para potencializar o que já vivemos hoje.

E por isso que não vejo a menor graça nas celebridades com centenas de milhares de seguidores no Twitter.

Claro que o número impressiona. O global Luciano Huck tem mais seguidores que os três jornais de maior veiculação do Brasil juntos.

Olhando mais de perto, percebemos que uma boa parte destes seguidores são de mentira. No caso de Luciano Huck, 46%. No caso de Mano Menezes, incríveis 61%.

Mas tudo bem, apesar do corte, os números ainda não são desprezíveis. Huck ou Menezes continuariam tendo mais audiência que o jornal de maior veiculação do Brasil.

Não digo que dou pouca importância para menosprezar o poder destas pessoas, pelo contrário, trata-se de mostrar que o espaço conquistado por eles está apenas se refletindo em outro meio. É mais do mesmo.

E são personalidades que têm acesso a um número muito maior de pessoas em seus programas de TV. Dos gigantes do Twitter, os que não trabalham na TV, sempre que estão trabalhando, aparecem na telinha. É o caso do técnico Mano Menezes e de Rubens Barrichello.

Huck disse que entende o Twitter como “forma autêntica de confirmar ou desmentir um fato”. É um dos exemplos da validade desta ferramenta.

A importância está em dar voz para qualquer um, já que não temos controle sobre a comunicação dos veículos tradicionais que decidem onde, como e o quanto de informação passa por seus filtros. Vale para famosos e não famosos, pois permite uma abertura que não seria viável antigamente.

E por isso que eu digo que é apenas uma evolução, não revolução como bradam alguns. Esta comunicação já era viável em seus sites, blogs e comunidades. Estes sim, junto com o Twitter podem significar uma revolução.

Por isso, os 172 mil “seguidores reais” de Rubens Barrichello me parecem mais interessantes que os 547 mil de Luciano Huck. Acho mais interessante um não famoso que alcance 10 mil seguidores do que um famoso que alcance 100 mil.

Interessantes, não necessariamente mais importantes ou mais relevantes. Para tentar dizer qual o número mais expressivo, precisaríamos entender que o número de seguidores diretos é apenas parte da fórmula, levando em conta também a extensão da conversa e a reverberação de suas mensagens. Olhar seguidores verdadeiros, replys, retuitadas, cliques e tudo mais.

Não basta ter meia dúzia de seguidores, como não basta ser seguido por um bando de antas cegas, mudas ou pouco relevantes.

A importância viria da equalização das duas coisas: audiência e impacto. Por isso o Twitter de Huck pode ser pouco relevante, ou talvez, muito mais importante do que imaginamos a princípio.

Então, como a extração de métricas indiretas é complicada e sempre adoramos os números do Ibope, três vivas para Luciano Huck, nosso primeiro milhão.

Este ano, Internet bate Revista

clique para ampliarApenas entre amigos, para não arrumar mais confusão do que o costume, dizia que o investimento em Internet iria passar revista este ano, mas que esta passagem não seria anunciada pelo mercado.

Há mais de dois anos eu venho defendendo aqui no blog que o investimento em internet é bem maior do que o divulgado.

Os tais 4% da Internet brazuca só levam em conta alguns veículos. Poucos eu diria, pois a fragmentação hoje já é bem grande. Também ignora investimento em conteúdo, em palavras chave e até a venda casada/conjunta com meios tradicionais. Aqueles pacotes que leva TV ou revista + site, que são sempre contabilizados na conta do meio tradicional.

Lá fora, esta migração não contabilizada também já foi prevista. Ano passado, a empresa de pesquisa Outsell Inc. disse que 62% do investimento digital americano era feito em projetos próprios.

Mês passado, a pesquisa da agência iThink disse que o investimento online atinge 7%, se levarmos em contas links patrocinados, construção de sites, etc.

Também bate com a argumentação do Sant’lago, da MídiaClick, que mostrou que o faturamento do Google Brasil sozinho poderia dobrar o tamanho do mercado.

Como sempre, tem estimativas e tem margem de erro, mas são indícios fortes para comprovar o que venho falando por aqui desde 2007.

Além disso, talvez agora já possa dizer, de forma menos polêmica, o que antes eu só falava para os amigos mais próximos. Internet bate revista este ano no Brasil e, em poucos anos, passará também o Jornal.

Escória

Graças a democratização que a tecnologia proporcionou, o volume de informações que temos acesso hoje é muito grande. Somos bombardeados por muitas informações de muitas fontes diferentes.

Este volume e a fragmentação das fontes nos obriga a fazer algo que antes delegávamos a poucos terceiros. Agora precisamos fazer nossa própria curadoria. Selecionar melhor nossas fontes é achar vários novos curadores.

Apesar de penoso, só vejo vantagens nesta transição. Nos deixa mais críticos e menos suscetíveis a uma única visão.

A tecnologia deu voz à todos. Blá blá bla, essa parte todo mundo já está cansado de falar.

Mas, como sempre, existe um outro lado. A tecnologia que deu voz a muitos que a mereciam, fez o mesmo com os não mereciam, que não tem nada de interessante para falar. Gente que não tem ética, não tem moral, não tem respeito.

E são tantos, que o desafio passa a ser aprender a abstrair todo este lixo. E neste processo, não vejo nenhum benefício, só frustração por saber que eles existem aos montes.

Anúncio é conteudo?

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Há algum tempo atrás, o Google modificou seu sistema de leilão, passando a levar em conta a qualidade do anúncio.

Como o Google ganha por anúncios clicados, para leigos pode parecer como uma prática comercial para priorizar os anúncios mais clicados, mas a lógica é outra. Para não perder relevância, o Google precisa continuar tendo qualidade em sua resposta, mesmo em seus anúncios.

O pensamento não está de olho no lucro do curto prazo. Não se trata de ganhar mais grana com um anúncio picareta que conquiste muitos cliques, mas em manter a taxa de cliques alta por entregar comerciais que tenham relação real com a pesquisa realizada.

Afinal, pago ou não, os anúncios fazem parte da recomendação de busca do sistema. Usando a mesma lógica, acredito que todos os veículos, digitais ou não, deveriam selecionar seus comerciais.

Você pode até argumentar que não seria viável comercialmente ou que ninguém teria coragem para tomar esta atitude, mas a lógica é a mesma. Comercial ruim atrapalha a experiência do consumidor no veículo.

Não precisa ir longe, quem nunca trocou de canal ou estação de rádio quando percebeu novamente aquele comercial chato? Esta sensação se torna evidente em canais de TV por assinatura, cujos intervalos chegam a levar 5 minutos e muitas vezes recheados com comerciais de resposta direta e os produtos mais vagabundos do mundo.

Ou quem nunca ficou puto quando percebeu que a TV por assinatura passou a mostrar vários intervalos de 5 minutos durante o mesmo filme?

A única dificuldade que eu vejo seria a nota de corte. O Google tem maneiras para medir a relevância do comercial, comparando seu conteúdo com a palavra de busca e a página que ele remete, assim como também tem a resposta imediata dos usuários. Seu sistema é melhor do que qualquer pesquisa de amostragem, mas com toda a tecnologia de hoje, seria viável implementar algum sistema de qualidade em outros veículos, mesmo os tradicionais. Como eu disse, a barreira não é tecnológica, e sim político-econômico-burocrática.

Mídias sociais é coisa de gringo?

A barriga no balcão virtual

clique para ampliarEu sou do tempo em que o professor de marketing na faculdade, depois de recitar o Kotler de cabo a rabo, dizia para gente que toda aquela teoria era muito boa mas, se não encostássemos a barriga no balcão, nunca conseguiríamos entender a respeito do que o guru dos marketeiros estava falando. Pior, nos tornaríamos apenas um bando de burocratas redigindo briefings imaginários para falar com um mercado que não existia.

Como eu sempre fui um bom aluno, segui as recomendações do professor. Toda vez que preciso entender melhor um produto ou mercado vou atrás de uma experiência pessoal com eles.

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Conversa fiada

clique para ampliarRolou um tempo onde algumas publicações se sustentavam, não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela escassez de concorrentes.

A fragmentação aumentou e ficou mais difícil, mesmo assim, o investimento das grandes editoras e jornais era suficiente para garantir o diferencial.

O jornalismo investigativo, a busca pelo furo ou a preocupação com a qualidade foi se perdendo, sendo substituída por alguns nomes importantes como articulistas.

Com a web, até este diferencial acabou, mas ainda assim, escutava muita gente dizer que assinava determinada revista ou jornal porque era importante “ler o que todo mundo estava lendo”, afinal, ninguém pode ficar por fora dos assuntos que rolavam na salinha do café.

Me parece que agora a fragmentação cresceu tanto, que até isso está acabando. A publicação pode continuar com a mesma quantidade de leitores, mas a informação disponível e consumida pelas pessoas é tamanha, que ninguém mais tem a exclusividade da pauta da salinha do café.

Principalmente porque as grandes publicações, que pararam no tempo e sofreram com cortes de custos. O resultado for perder relevância. As mesmas notícias que todo mundo mostra, com a mesma abordagem superficial e ainda atrasadas em relação a web.

Hoje em dia, parece ser mais interessante a notícia que ninguém leu do que a que todo mundo leu. E ainda, melhor ler a opinião de alguém que gostamos na web do que a versão de alguma revista que, sucesso ou não, é entendida por muitos como desacreditada ou até mesmo mal-intencionada.