Já percebeu que, quando um mídia é contratado, não se pede para ver sua pasta? Não para mostrar peças, mas mostrar planos, seus cases. Seu portfólio. O que ele fez, por que, qual resultado, etc.
Mas pasta para que, se perguntas operacionais e técnicas são mais práticas e lógicas? Descobrir se o profissional consegue calcular o GRP, se já trabalhou com algum ad server, se lida bem com o A&F, Marplan, Tom Micro, etc.
Imagine que toda uma geração de criativos tenha sido contratada priorizando seus conhecimentos em Photoshop, Trapping e QuarkXpres. Historicamente, foi assim que o perfil de mídia desejado, procurado e contratado pelo nosso mercado, foi de “piloto” da tradicional fórmula de mídia.
A quantidade de empresas que fez burrada no mundo dos jogos é enorme. Apesar da arrogância de subestimar a complexidade desta indústria ser um denominador comum, até as gigantes Sony, Nintendo e Microsoft (as 3 grandes) já deram bola fora.
A Apple, uma das empresas que faz parte desta lista, parece pisar novamente neste mercado com o iPhone. A diferença é que agora, ela entra usando outro modelo de negócio.
O modelo em voga na indústria de jogos é matriarcal, castrador, ditatorial e rodeado por um histórico de ódios e conflitos. Normal em um mercado comandado por poucas empresas. O relacionamento entre fabricante de console e produtoras prioriza poucos e grandes. Não é à toa que este mercado dependeu da esperteza de advogados para se tornar o que é hoje.
Uma das boas crônicas do Luís Fernando Veríssimo é uma em que conta sobre um personagem, já não muito novo, que tem duas turmas. A turma “em pé” e a turma “sentada”. A primeira é a dos colegas da mesma idade que, nos últimos tempos só se encontram em velórios e enterros (em pé). A outra é a de jovens com quem ele vai a bares, beber e papear (sentado).
Cada dia que passa tenho ficado mais impressionado com o distanciamento dos profissionais de marketing dos meios digitais. Sei que essa afirmação pode lhe soar estranha uma vez que esses mesmos profissionais geralmente são extremamente antenados com as novidades do mundo.
Não é verdade. Com exceção dos meus colegas que foram gerados profissionalmente dentro de computadores, quase todos os demais parecem estar cada vez mais longe do mundo dos bits e dos bytes, ainda que seus discursos sejam “muderninhos” e seus smartphones tenham tecnologia 3G.
Lembra quando eu falei que ia faltar nego? Então, sabe qual será o caminho natural? Velhas figuras – antes expurgadas – voltando para o mercado. Algumas até já conseguiram, outras ainda estão tentando.
A primeira dica que eu dou para quem está no comando é: converse, pesquise e escute antes de fazer qualquer grande movimento. A arrogância pode custar caro. Custou para muitas empresas alguns anos atrás.
Pronto, eu chamo isso de consultoria gratuita, vocês podem chamar de falta de educação ou falta de modéstia.
Prática comum do mercado, agências tradicionais sempre pediram apoio para agências online em concorrências. Para a campanha não ficar perneta, a online colaborava resolvendo parte do briefing e dando um certo brilho na apresentação.
A novidade do momento é ver o movimento inverso. Já tem agência tradicional ajudando agência online a ganhar concorrência.
Na sua visão, o que diferencia uma agência de uma produtora? Não estou falando sobre o que a empresa vende, estou falando sobre o que você percebe na prática.