A história se repete ano após ano. Muitas séries chegam ao fim sem um final.
É um baita desrespeito.
Você pode argumentar que não é possível prever se a série será um sucesso ou não e que é impossível manter no ar o que não traz retorno.
Pode dizer que é mesmo que lançar um produto e tirá-lo de circulação caso ele não tenha vendido o esperado.
Mas a discussão não é tirar o produto de circulação, o problema é não dar garantia ou manutenção nos que já foram vendidos.
Consumidores investem nas séries (dinheiro e tempo) e esse relacionamento deveria ser respeitado.
Vai tirar a série do ar, pelo menos faça um capítulo final para encerrar o drama. Não é o ideal, mas é menos pior que terminar sem final. Se duas horas são suficiente para fazer um longa, uma hora seria suficiente para encerrar qualquer drama.
Mas a falta de respeito não necessariamente pode ser chamada de golpe. Parece muito mais ser um descaso do que algo armado, até porque, ninguém busca o fracasso.
O verdadeiro 171 é aquele que é planejado.
O mestre dos magos desta jogada é J. J. Abrams. Conseguiu enrolar milhões de pessoas com 6 temporadas de Lost, a série mais engana trouxa do universo.
Em 2007, Abrams foi ao TED e mostrou uma caixa fechada de mágicas que ele nunca abriu. Segundo ele, o mistério é mais importante que o conhecimento.
Para muitos isso pode ser genial, para mim é a maior picaretagem do universo.
Mas explica bem por que suas séries não tem nenhum compromisso com a regra mais básica de toda e qualquer história: ter começo, meio e fim.
E de quebra, explica também por que alguns acham ele tão genial. Sem compromisso com o fim, é fácil viajar muito no começo.
Vamos botar um urso polar numa ilha tropical? Claro, porque não. As pessoas vão adorar ficar imaginando os porquês depois que a gente encerrar a série.
Bullshit.
Alguém precisa explicar para Abrams que o mistério gera expectativa, e por isso é proporcional ao tamanho da frustração.







