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O mago do 171.

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A história se repete ano após ano. Muitas séries chegam ao fim sem um final.

É um baita desrespeito.

Você pode argumentar que não é possível prever se a série será um sucesso ou não e que é impossível manter no ar o que não traz retorno.

Pode dizer que é mesmo que lançar um produto e tirá-lo de circulação caso ele não tenha vendido o esperado.

Mas a discussão não é tirar o produto de circulação, o problema é não dar garantia ou manutenção nos que já foram vendidos.

Consumidores investem nas séries (dinheiro e tempo) e esse relacionamento deveria ser respeitado.

Vai tirar a série do ar, pelo menos faça um capítulo final para encerrar o drama. Não é o ideal, mas é menos pior que terminar sem final. Se duas horas são suficiente para fazer um longa, uma hora seria suficiente para encerrar qualquer drama.

Mas a falta de respeito não necessariamente pode ser chamada de golpe. Parece muito mais ser um descaso do que algo armado, até porque, ninguém busca o fracasso.

O verdadeiro 171 é aquele que é planejado.

O mestre dos magos desta jogada é J. J. Abrams. Conseguiu enrolar milhões de pessoas com 6 temporadas de Lost, a série mais engana trouxa do universo.

Em 2007, Abrams foi ao TED e mostrou uma caixa fechada de mágicas que ele nunca abriu. Segundo ele, o mistério é mais importante que o conhecimento.

Para muitos isso pode ser genial, para mim é a maior picaretagem do universo.

Mas explica bem por que suas séries não tem nenhum compromisso com a regra mais básica de toda e qualquer história: ter começo, meio e fim.

E de quebra, explica também por que alguns acham ele tão genial. Sem compromisso com o fim, é fácil viajar muito no começo.

Vamos botar um urso polar numa ilha tropical? Claro, porque não. As pessoas vão adorar ficar imaginando os porquês depois que a gente encerrar a série.

Bullshit.

Alguém precisa explicar para Abrams que o mistério gera expectativa, e por isso é proporcional ao tamanho da frustração.

Livro Ludificador, free

Tive o prazer de escrever o prefácio do livro Ludificador, do Prof. Vicente Mastrocola. O livro é um guia de referências para o game designer brasileiro.

Sou da época em que jogar era coisa de meninos e videogame estava longe de ser considerado uma indústria. Ainda assim, sempre fui fascinado por jogos. Por também gostar de tecnologia, meu foco sempre foram os jogos eletrônicos.

Começou no início da década de 80 com o Telejogo, um produto banal para as crianças de hoje, mas que era mágico em sua época. Já meu primeiro portátil foi um Game & Watch, uma espécie de tataravô do Nintendo DS. Era revolucionário e vendeu dezenas de milhões de unidades.

Acompanhei a indústria de jogos eletrônicos desde o seu começo, pesquisando sobre sua história e estudando seus variados modelos de negócio.

Há cerca de seis anos, dediquei um capítulo de um de meus livros para o tema. Tudo ainda era uma grande promessa.

De lá para cá, finalmente a indústria começou a ganhar espaço e importância no Brasil. Os novos modelos de negócio e de receita, aliados às plataformas de distribuição móvel como a App Store da Apple e a Play Store do Google, tornaram factível que desenvolvedores brasileiros tenham acesso a centenas de milhões de jogadores pelo mundo.

Entrar para este mercado fascina as pessoas não por acharem que o trabalho é pura diversão, mas por terem a chance de criar algo que elas e outras pessoas admirem e que traga um benefício real e importante: entretenimento.

Porém, para entender este universo, não basta ser um jogador assíduo. Vivemos uma época na qual todos se julgam especialistas em alguma coisa. Alguém que fumou maconha a vida inteira acaba achando que é especialista em química, e jogadores heavy users, especialistas em games.

O termo “especialista” acabou perdendo a importância, e é por isso que eu sempre me refiro ao Vince como um estudioso do universo dos games.

Vince é aquele cara que viaja para o leste europeu para visitar lojas de jogos. Em seu apartamento, os variados jogos ocupam o espaço de uma família inteira.

Suficiente para ser qualificado como um cara estranho, mas perfeito para ajudar você a compreender seu amor e dedicação e aprender mais sobre o universo dos jogos.

Como game designer, Vince acabou participando de uma variedade incrível de jogos. Eletrônicos, de tabuleiro, de cartas e até sociais. Jogos com variadas metáforas, mecânicas e objetivos distintos, mas sempre com o intuito principal focado no entretenimento. Os jogos acabaram virando parte de sua vida profissional, mas eu sempre verei Vince como um estudioso amador.

Amador no uso correto da palavra: de quem faz por amor. Vince conhece profundamente os jogos porque sempre os amou. Ele está para os jogos assim como o roqueiro Serguei está para o sexo: sem distinção, sem preferências e de forma incondicional. E esta paixão transparece em suas aulas, cursos e, agora, no seu livro.

O livro pode ser baixado de graça no site. Boa leitura!

Eduardo e Mônica

Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

EBP 2010 – Cavallini responde – vídeo

Quando contei minha proposta para ser sabatinado do EBP 2010, alguns conhecidos tiraram sarro da minha cara. Disseram que eu virei celebridade.

Mas a verdade é que minha sugestão de fazer assim era por acreditar que seria o melhor formato. Melhor que escutar alguém falando sem parar com um script fixo e melhor que mesas redondas cheias de gente onde não sobra tempo para ninguém falar nada direito.

O formato não é novo, eu mesmo ja participei do outro lado, “sabatinando” o Marcelo Tas.

No final, eu gostei bastante do resultado, aproveito para agradecer o Gabriel Jacob pelo convite e ao Prof. Eric Messa por coordenar e elaborar as perguntas. Espero que vocês gostem também.

Algumas perguntas que foram abordadas no vídeo:

Qual o buraco que as agências ainda não ocuparam?
Existe alguma demanda latente no mercado publicitário?
O mercado é moderno e ágil ou conservador?
O mercado está evoluindo?
O que faz um vp de convergência?
Uma agência precisa de um vp de convergência?
As faculdades estão prontas para ensinar esse novo modelo?
O que é preciso para evoluir?
É preciso conhecer o sistema a fundo para poder subvertê-lo?
Eu preciso ter uma conta no twitter, no facebook, etc.?
Qual o conselho para alguém que está procurando um estágio hoje?
Você precisa ser seu próprio professor para aprender?
Como idenficar tendências?
Facebook é moda ou vale a pena usar?
Branded Content é o caminho natural, e Transmidia?
QR-Code, realidade aumentada e outros formatos tecnológicos morrem ou tem futuro?

Ah, adorei na edição, quando falo da minha mãe, mostram uma senhora na platéia, dando a impressão de ser minha mãe. :-D

Integração vem de cima

clique para ampliarQuando a gente levantava as pedras do jardim, tinha umas cobras, feias, branquelas, mas inofensivas, que espalhávamos nos bolsos, debaixo dos travesseiros, nos sapatos. Até o dia da bronca e da mesada suspensa.

Integração é uma palavra mais chata que sinergia, mas quer dizer a mesma coisa, e também trezentos e sessenta graus é mais monótono do que transmídia, mas é la même chose e tuti quanti, etc. e tal.

Da série “questões que não gostamos de levantar”, por que mesmo esse papo é irritante?

Falar em integração para terceiros é como escorregar uma serpente no cangote: quer dizer que não temos ou que está mal resolvido. Não é discurso que se venda, porque ninguém precisa saber a receita pra gostar de um prato. Integração deveria ser uma palavra para se xingar só na intimidade e geralmente usada na negativa: desintegração.

Integração da mídia com a criação com o planejamento e com o atendimento não se promove em reunião. Como é cultural, é também na hora do café e do mictório coletivo. É afinação de visões mesmo que as opiniões sejam diversas. É todo mundo empurrando o fardo na mesma direção, mas concentrado na sua tarefa.

Integração é uma função direta dos perfis de profissionais e principalmente da liderança, cuja única atribuição deveria ser essa: dizer para onde vamos. E como é a liderança que escolhe os perfis, integração, contrariamente ao que se pensa, vem de cima, e não o contrário.

A gente pode até promover encontros alegres, abraços coletivos, cursos de autoajuda e outras manifestações folclóricas que tais, mas, se os caciques não sabem ou não dizem para onde temos que remar, a integração não passará nunca daqueles morvets horríveis com os quais aprontávamos quando criança.

Daí, vem a outra integração que está mais na moda. Essa vadia dessa Internet causando, como sempre.

Tenta-se de tudo: apartar os nerds dos maconheiros, misturar os virtuais com os reais, grudar os mídia-mortas com um escravo mídia-viva ou o contrário. E tem até quem pense que tem que ter uma constelação de empresas coligadas trabalhando “em nível de integração”.

Funciona por soluços: muda a estrutura e dá um salto. Daí, engasga e tem que mudar de novo pra avançar mais um pouco. É um método. Cansativo.

O outro é decidir, tiranicamente, top-down, e punir severamente quem ousar pronunciar a palavra on-line e off-line, demitir sumariamente quem perguntar “E pra Internet, o que vai ser?”. É outro método. Doloroso.

Melhor tirar esparadrapo de uma vez ou aos pouquinhos?

Eu tenho alguma chance de conseguir um emprego numa agência?

Depois de responder mais de mil e quinhentas perguntas no formspring, percebi que existe uma questão recorrente feita por aqueles que estão começando a carreira ou saindo da faculdade. Uma questão que poderia ser resumida assim:

“Eu tenho alguma chance de conseguir um emprego numa agência?”.

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Homem Referência

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No árduo trabalho de criação, referências sempre foram importantes. Referências de todo tipo. As saudáveis, como estilos, tendências, novos fornecedores e novas tecnologias; e as não tão admiráveis, como as tais “referências de ideias”.

Shots (na época entregue em DVD) e a revista Archive foram referências obrigatórias por décadas.

Não podemos esquecer também, um tipo bem ordinário de referência, a mais braçal de todas. Achar imagens e fotos para compor o layout de diretores de arte.

Para este fim, acreditem ou não, no começo da década de 90 algumas agências criaram um cargo um tanto inusitado. Era chamado de homem referência (HR).

Na cadeia alimentar, o HR vinha logo abaixo do assistente de arte. Uma maneira bonita de dizer que ele ficava abaixo de cu de cachorro.

Se o diretor de arte precisava de um carro velho para seu layout, lá iria o HR folhear milhares de revistas atrás da imagem perfeita.

Tinha até certa lógica na época, pois era um trabalho mecânico e trabalhoso que comia preciosas horas dos diretores de arte e assistentes na época.

O HR sabia tudo, conhecia todas as revistas de cabo a rabo, sabia exatamente o estilo de cada diretor e onde buscar as imagens para agradá-los.

Mas o tempo passou e, gradativamente, Shots e Archive foram substituídos pelo YouTube, Flickr, FWA, FFFFound e outros repositórios pela Internet.

O HR parecia ter desaparecido, quando de repente, o ambiente digital trouxe ele de volta. Voltou na forma de blogueiro, destes que fazem coletânea de tudo que tem de interessante em outros blogs de comunicação. Alguns deles até foram contratados por agências.

Muda o cenário, mas não a cena. O criativo quer fazer um viralzinho, uma promoçãozinha, alguma graça e o HR do século 21 está para levantar o que foi feito pelo mundo.

Assim como no passado, o HR continua sendo apenas um intermediário entre o cara que criou de verdade e o cara que criou de mentira.

A diferença está apenas no glamour do nome do cargo, que agora tem nomes pomposos que falam de tendências ou inovações.

A Internet é um convento cheio de putas

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

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Quem compra parafuso é Diretor de Almoxarifado

clique para ampliarQuem acredita em comunicação não deveria ajudar a transformar este mercado em commodity, por mais que isso economize custos no curto prazo.

A lógica é bem simples, o que se compra na agência é criatividade e estratégia (vulgo planejamento de marca, planejamento de mídia e criação), mas paga-se por outra coisa, a mídia.

É relativamente fácil cobrar da agência para ela diminuir sua margem, basta pagar menos e cobrar a mesma entrega de mídia. Fácil de cobrar pois 30 segundos na emissora tal continuam sendo 30 segundos na mesma emissora.

O problema é que esta margem subsidia as equipes de inteligência da agência, inclusive a inteligência de mídia. Equipes que são punidas com este estrangulamento de margem, afinal, agência não é ONG e também corre atrás do lucro.

É ruim para o anunciante, que continua levando um monte de mídia, mas fazendo o pior uso dela. Justamente o que ele queria evitar ao contratar uma agência.

E pior para o diretor de marketing, que se deseja fazer diferença ou alavancar sua carreira, certamente não será nesta redução de custos.

Seria viável uma anomaly no Brasil?

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Nos anos que antecederam a bolha de Internet, começou a virar coisa de gente grande brincar de Internet. Era difícil manter a equipe, tudo estava super inflacionado e apesar de todo mundo estar envolvido com alguma operação na web, poucos profissionais tinham conhecimento e experiência na área, e mesmo assim, experiência de pouco tempo.

Já próximo da explosão da bolha, estar na web passou a ser questão de vida ou morte e – pelas dificuldades citadas acima — muitas empresas acabaram se associando com produtoras ou agências para montar suas divisões digitais.

Como a web não é apenas mais uma loja, significa que muita empresa pequena virou sócia de empresa grande por muito pouco dinheiro. Apenas produzindo um site com e-commerce era possível ganhar comissão de todas as vendas geradas na web no futuro. Se a bolha não tivesse explodido levando esses contratos e parcerias água a baixo, hoje teria muito CEO sendo motivo de piada ou sendo apedrejado pelo board.

Mas o interessante desta história é que talvez o modelo da Anomaly não seja tão impossível assim na terra Brasilis.

A agência tem um modelo de negócio baseado em variações de sociedade ou divisão de lucros. Criando soluções e produtos, eles dividem o resultado com o anunciante. Se este tipo de acordo ocorreu em diversas escalas na época da bolha, talvez o modelo não seja tão inviável como alguns pensam.

Engraçado é que, quando parei para pensar em quem estaria mais preparado para este modelo de negócio por aqui, não consegui pensar em agências de propaganda ou marketing, mas sim em agências de design como a ?EC, a Rex e a Tátil. Empresas que agregam inteligências de comunicação, são muito próximas da criação de produtos e serviços e ainda teriam liberdade para investir neste modelo, aos poucos, sem risco ou conflito com o modelo atual.