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Entrevista HSM

Dei uma entrevista para a Patricia Buneker da HSM sobre a pesquisa #mobilize. Adorei o bate papo, abaixo tem o resumo do que conversamos, espero que vocês gostem também.

Quem é o consumidor móvel 2011

Dei uma entrevista para o blog do Silvio Meira sobre o estudo Mobilize Consumidor móvel. Vale a visita.

Estudo Consumidor Móvel 2011

Estudo realizado pela WMcCann e Grupo.Mobi com pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos MediaCT.

View more presentations from WMcCannBR.

Vídeo Seminário Internacional de Comunicação

Para quem não teve oportunidade de ir no evento, segue abaixo o vídeo do Seminário Internacional de Comunicação.

Eduardo e Mônica

Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

Seminário Internacional de Comunicação

Convidado pela Mônica Paula, coordenadora de Comunicação do Master em Jornalismo, vou participar do Seminário Internacional de Comunicação 2011, promovido pelo IICS e Universidad de Navarra.

Vou falar sobre o dilema do modelo de negócio sustentável: conteúdo gratuito x conteúdo pago.

O programa está aqui, espero ver vocês lá.

Precisamos parar de pensar em telas

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Nossa visão sempre foi centralizada no aparelho. Para produzir, para medir, para tudo.

Tinha lógica, quando existiam poucos meios e a forma de consumo de cada um deles raramente mudava.

Lendo na calçada, no escritório ou na mesa do café da manhã, ninguém precisava reaprender a usar o jornal, a ver TV, a ler a revista. Agora, com interatividade, sempre que entramos pela primeira vez em um hotsite, em um aplicativo de celular, em qualquer coisa interativa, precisamos reaprender tudo de novo.

Tinha lógica quando a fragmentação não era gigante e quando as pessoas não consumiam vários meios ao mesmo tempo.

Com o apogeu da interatividade e proliferação de telas em tudo que é canto, precisamos parar de pensar nelas e nos focar no consumidor.

O Tablet não é apenas um papel eletrônico, não é um celular com tela grande e muito menos um computador mais leve. A TV no celular não é apenas uma TV pequena.

O momento de consumo é diferente.

O que consumimos é diferente.

É outra situação, outra expectativa e — principalmente — outra experiência.

Por isso faz mais sentido pensar em contexto do que em telas.

Vale lembrar a frase do Steve Jobs que todo mundo usa em palestra de usabilidade: “design não é somente como as coisas se parecem. Design é como as coisas funcionam”.

É ir além da arquitetura de informação ou do look and feel que estamos acostumados, passando até pela própria definição de conteúdo.

Um site produzido para ser acessado via celular tem (ou pelo menos deveria ter) conteúdos e destaques diferentes de um site tradicional.

Se já é óbvio nos sites móveis, deveria ser óbvio para toda e qualquer tela.

Curadoria

Há algum tempo atrás, escutei uma teoria daquelas boas para se espalhar e contar em mesa de bar. A teoria é a seguinte:

Antigamente, quando existiam poucas opções, éramos obrigados a consumir o que nos era imposto. Portanto, acabávamos ouvindo outras opiniões e experimentando novos gostos.

Por exemplo, com apenas uma TV em casa e como único centro de entretenimento, a família toda era obrigada a ver uma única programação, que nem sempre era do gosto de todos. Se você não gostava de novela mas sua mãe sim, voilà, você seria “obrigado” a ver novela.

Hoje, com tantas opções, consumimos apenas aquilo que gostamos e que nosso pequeno círculo de amigos nos indica, sendo assim, dificilmente somos expostos a novas opiniões e novas experiências.

É um paradoxo. Temos opções mas ficamos sempre presos no nosso mundinho. A teoria tem impacto e, talvez por isso, já foi golfada por alguns “pensadores” brasileiros do mercado de comunicação.

Eu acho um absurdo tremendo. É falaciosa e enganosa. Para alguém escroto e direto como eu, é muito difícil ficar nos eufemismos e não chamar esta teoria de estupidez tremenda.

Engraçado que as pessoas que escutei falando da tal teoria são justamente as mesmas que gostam de citar a teoria do Long Tail em palestras.

O pior que eu vejo nisso tudo, é que a teoria coloca a transição que vivemos (de ter mais opções) como algo ruim.

Então, só como exercício lúdico, vamos imaginar que a teoria esteja correta. Qual seria a consequência?

Existiria o risco de virarmos pouco aberto as opiniões dos outros?

Então é muito melhor do jeito que estava né? Quando só a opinião do big brother importava e não tinha risco disso acontecer.

Pufffz. Quanta bobagem. Por isso que eu sempre digo: guru é pra jacu.

Orkut é coisa de pobre?

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Apesar do Orkut reinar absoluto, o crescimento de 524% do Facebook em 12 meses apresentado pela ComScore trouxe a comunidade pra moda.

E a leitura que muitos fazem hoje é: Facebook é “dazelite” e o Orkut “coisadipobre”.

Independente da expressão, classificar as comunidades desta forma pode até não ser preconceito, mas é, no mínimo, uma análise superficial das coisas.

Primeiro porque várias outras pesquisas demonstram que não existem diferenças significativas entre as classes quando se trata do consumo de conteúdo, entretenimento e redes sociais. Então, esta diferença pode ser apenas passageira. Segundo, é preciso colocar as comunidades em um contexto histórico.

O sucesso do orkut

Quando lembramos da invasão brazuca ao Orkut, parece que somos como nuvens de gafanhotos. Entramos, dominamos tudo e irritamos os antigos moradores.

Seria possível criar várias teorias sobre os porquês de tamanha sede do brasileiro com as redes sociais, mas isso deixo para os publicitários metidos a sociólogos. O ponto é que a entrada da Classe C na internet e, posteriormente, no Orkut causou surpresa para muitos. Achavam que o acesso ao computador e a ausência do inglês seriam barreiras intransponíveis. O preconceito não está em entender estes pontos como barreiras (porque são), mas achar que são intrasponíveis.

Em outras palavras, o brasileiro era entendido como burro e pobre, o que era incompatível com a internet na visão de muitos. Ironicamente, foi justamente o brasileiro, burro e pobre, o primeiro povo a acolher as redes sociais com tamanha força.

Socializar na web virou realidade para o brasileiro, e o Orkut foi apenas a primeira comunidade a “ser invadida”.

Por quê o Facebook só começou a crescer agora?

Como muita gente enxerga o Facebook como uma ferramenta mais completa que o Orkut, cansei de escutar que o povo era burro e não percebia esta vantagem, que tinha preguiça de mudar ou qualquer outra explicação cheia de pré-conceitos ou preconceitos.

O ponto é que não adianta ser melhor. Achar que ser melhor é suficiente para causar uma migração imediata é tão estúpido quanto estimar o sucesso de um panetone olhando apenas suas informações sobre quantidade de carboidrato, proteína e gordura saturada.

Quem pensa assim, está centralizando seu raciocínio na ferramenta, e não no consumidor.

O custo de uma nova curva de aprendizado existe, mas não é o maior impeditivo para a mudança. Por qual motivo alguém iria mudar do Orkut para o Facebook quando todos os seus contatos já estão ligados, suas fotos devidamente uploadadas e organizadas e suas discussões e comunidades formadas?

Parafraseando Bob Metcalfe, inventor da Ethernet:

o valor sistêmico da comunicação é proporcional ao quadrado do número de membros conectados

O que ele quer dizer com isso? Simples: mesmo que o Facebook seja mais legal, mais completo, mais isso ou mais aquilo, o valor do Orkut (por enquanto) é muito maior, graças a quantidade de brasileiros que fazem parte e interagem dentro dele.

Orkut é coisa de pobre e Facebook de rico?

Tenho alguns números do TGI, infelizmente não tenho autorização do Ibope para mostrá-los, então darei apenas valores aproximados para explicar meus pontos.

O facebook é formado principalmente por pessoas das classe AB (mais de 70%), enquanto a maior parte do Orkut é formada por pessoas das classes C/D/E.

Tendo o preconceito como filtro, é óbvio que o Orkut é coisa pobre e Facebook de rico.

Mas este é apenas um lado da moeda. Apesar da maior parte do Orkut ser formada pelas classes mais baixas, quase metade dele são de pessoas das classes AB (mais de 45%). Além disso, enquanto apenas uma pequena minoria das Classes AB está no Facebook (menos de 2%), metade está presente no Orkut. Olhando desta forma, seria possível defender que os ricos ainda preferem o Orkut.

Olhando todos os fatos, a conclusão mais lógica é que esta diferença acontece principalmente pela lerdeza da adoção do Facebook no Brasil, que pegou ritmo apenas nos últimos meses.

O que parece acontecer é que a migracao começa com as pessoas da classe AB.

Teria lógica se pensarmos que as pessoas mais abastadas tem mais tempo livre para experimentar, tem maior facilidade pelo domínio do inglês e, até mesmo por preconceito, buscar uma certa exclusividade em uma comunidade nova.

Preconceito é a melhor maneira para não ver a verdade. Pesquisas são a melhor forma para comprar ideias, tortas ou não. Junte as duas coisas e estará feita a merda.

Quanto vale a audiência?

clique para ampliarUm amigo perguntou se existia diferença entre um vídeo no Youtube com 5 milhões de visualizações e um na TV com a mesma audiência.

Para responder, contei uma pequena historinha.

Imagine que você more em uma cidade.

Nesta cidade, tem uma estátua sua bem no meio da praça principal, onde todo mundo poderá vê-la antes de ir trabalhar.

Agora imagine dois cenários:

No primeiro, você pagou pra construir sua estátua e todo mundo sabe disso. Este é o cenário da veiculação paga, quando você compra a audiência.

No segundo cenário, sua estátua foi erguida pelas pessoas que moram nesta cidade.

Enfim, alguém que só olhe para os números, diria que os dois cenários são iguais, afinal, são as mesmas pessoas e a mesma quantidade de eyeballs.

Mas se a metáfora da estátua for boa, não preciso explicar a enorme diferença que existe entre os dois cenários.

Dito isso, vale lembrar que muitos vídeos no Youtube também tem sua audiência comprada, com banners e call to action em mídia de massa tradicional. Neste caso, a comparação que eu faço não tem relação com o veículo ou com o meio, mas sim entre push e pull.

Em outras palavras, a mensagem que você empurra pro consumidor, suportado pela muleta de uma audiência já existente, e a outra maneira, cuja audiência é formada pelo mérito e qualidade do conteúdo.