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A barriga no balcão virtual

clique para ampliarEu sou do tempo em que o professor de marketing na faculdade, depois de recitar o Kotler de cabo a rabo, dizia para gente que toda aquela teoria era muito boa mas, se não encostássemos a barriga no balcão, nunca conseguiríamos entender a respeito do que o guru dos marketeiros estava falando. Pior, nos tornaríamos apenas um bando de burocratas redigindo briefings imaginários para falar com um mercado que não existia.

Como eu sempre fui um bom aluno, segui as recomendações do professor. Toda vez que preciso entender melhor um produto ou mercado vou atrás de uma experiência pessoal com eles.

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Com quantos toques se faz uma revista?

clique para ampliarMês passado, uma publicação tradicional pediu um texto do coxa para publicar em sua versão papel.

Nem precisariam ter pedido(meus textos são CC), fizeram por educação. E por educação respondi que seria um prazer. E seria mesmo.

O texto entraria em uma certa coluna, e para isso, deveria ter um número específico de toques.

Quem escreve pra revista conhece bem isso, normal. Normal? Pode ser, mas não deveria ser.

Me foi pedido para aumentar a quantidade de toques. Traduzindo para o velho e bom português, me pediram para encher linguiça. Ou novo portugues, á que agora “linguiça” não tem trema.

Depois tem nego que reclama que essa tal de Internet está matando todo mundo.

O tamanho do texto deveria respeitar apenas uma regra, o leitor.

Se está incompleto, devia desenvolver mais o texto. Se está longo, chato ou se repetindo, devia resumir.

O intuito deveria ser tranformar o conteúdo em algo melhor para quem lê a revista, não buscar uma vida mais fácil para editores, diagramadores e outros profissionais envolvidos na produção.

É complicado pra caramba? Claro que é, mas editor que quiser vida fácil que abra um blog no wordpress. Ademais, quando a revista enche de anúncios, o esforço sempre compensa, certo?

Elefante, se eu fosse como tu.

clique para ampliarHoje assisti Dumbo com minha filha, fiquei curioso para saber se elefantes tem mesmo medo de ratos.

Já escutei diversas teorias sobre o assunto. A melhor delas, é a que faz referência ao instinto herdado por seus antepassados. Diz a teoria que os grandes dinossauros eram dotados de sistema nervoso incompleto e, por esta imperfeição, não sentiam quanto pequenos roedores comiam suas patas. O estrago só era percebido quando o pé estava perdido, fazendo o grande paquiderme cair e agonizar até a morte.

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A Internet é um convento cheio de putas

No início, ninguém dava muita bola para o que saia na Internet, para o que se falava nos seus inescrutáveis meandros. Era uma molecada que brincava de ser jornalista, publicitário, comediante, cineasta.

A confusão está apenas começando.

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A elite blogosférica brazuca não gosta de compartilhar seu conteúdo

Esta semana, depois de ter escutado algumas reclamações de posts copiados, resolvi fazer um levantamento informal sobre a blogosfera brazuca. O resultado me surpreendeu, fazendo coro com as reclamações. A maioria dos blogueiros opta pelo uso do Copyright, licença conhecida pela rigidez com que protege o conteúdo e, justamente por isso, amada pela indústria de entretenimento.

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Claro que cada um faz o que quer com sua própria obra. De certa forma, muitos já estão contribuindo colocando sua criação de graça na web. Por isso, este post não é uma crítica a estes blogs, mas uma defesa para qualquer modelo de licença que facilite o compartilhamento.

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Voa, voa abelhinha, mas não viaja

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Antigamente o normal era alguém esperar ansioso para a Globo reprisar o filme preferido. Hoje, ninguém estranha quando jovens reclamam que a edição do 24Horas da Globo está ruim, por ter cortado pedaços importantes da versão original.

Com mais opção, ficamos mais exigentes. Com tantos meios, veículos, canais, tecnologias, produtos e serviços, o jovem tem acesso a informação e todo tipo de ferramenta. Ele descobriu que pode produzir, qualificar, organizar e distribuir conteúdo.

Ele fala mais e é mais ouvido. E assim ele ganhou força. Nas comunidades online esta força fica evidente. Quando lançou seu software Coleta RS, o próprio Ibope resumiu este poder em uma única frase:

Caso os membros das comunidades relacionadas às marcas de veículos decidissem fazer uma campanha a favor ou contra o consumo de veículos, atingiriam 1 bilhão de pessoas duplicadas.

O número é tão absurdo que sua precisão deixa de ser importante, afinal, não faria a menor diferença se fossem 800 milhões ou 2 bilhões. No final das contas, apontar este número é o mesmo que dizer “cuidado, você pode ser picado por 486 mil abelhas”. Caceta, se depois de 500 picadas um ser humano normal morre, qualquer número muito acima disso perde o sentido.

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Marimoon está velha.

Os velhos não entendem o que esta acontecendo. Como algo que era controlado por poucos agora está na mão de todos? Produzir, divulgar e consumir o conteúdo como, quando e onde quisermos.

Não é apenas um discurso bonito de palestra de guru, basta usar o Youtube como exemplo. Com dez horas de vídeo sendo enviada a cada minuto, o site tem mais conteúdo do que a soma do histórico de qualquer emissora nacional. Basta isso, não precisamos recorrer ao Flickr, blogs ou qualquer outro representante da categoria.

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Ei, você aí, me dá um dinheiro aí?*

Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o
problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar a fome de quem já estava de barriga cheia.

*Uma pequena constatação interessante dos blogs telescÓpica, CoxaCreme, Update or Die e Não Conte para a Mamãe.

update 05/02/09: versão Sean Penn

blogueiros ou putinhas?

Dando seqüência no post anterior, só para ficar claro que eu não desdenho a tal “força da blogosfera”. Eu acredito na força da comunicação que é potencializada nas comunidades, comunicadores instantâneos, ferramentas como blogs e várias outras que estão surgindo, como o Twitter.

Mas a força da blogosfera está no seu volume. Volume composto por um grupo tão disforme de pessoas que seria inocente acreditar que é controlado por poucos.

O problema está em categorizar a blogosfera sempre naquela mesma thurminha. Alguns chamam de panelinha, eu prefiro chamar de gangue. Gangue é um grupinho que fica criando escândalo mas ainda não tomou Nescau o suficiente pra ser chamado de máfia.

clique para ampliarSe o assunto for realmente quente, ele irá bem além dos limites da thurminha. Além disso, não será necessário a thurminha para disseminá-lo.

A idéia de olhar a blogosfera como um organismo único e centralizado interessa a poucos.

Interessa para alguns blogueiros carentes, que podem se sentir parte de uma gangue.

Interessa para alguns jornalistas da imprensa tradicional, que têm assunto ou motivo para levantar polêmicas ou alguém para botar a culpa de sua decadência.

Interessa para alguns anunciantes, que realizam medíocres ações de post pago como falsa mostra de mídia social, quando na verdade não passam da forma mais ordinária de propaganda.

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Blogueiros

clique para ampliarEu insisto. Blogueiro não é raça, nem credo, nem espécime. Blog é ferramenta. Até brinquei citando perfis bem diferentes. Disse que tem o blog do presidente da GM americana e o blog do adolescente do interior de SP. Tem o blog do Paulo Coelho que faz chover e da Bruna surfistinha que faz gemer.

Dada esta introdução, quero defender que parte da polêmica gerada em casos envolvendo “blogueiros” vem da dificuldade para aceitar a mudança cultural que esta e outras ferramentas estão provocando.

Já vimos isso antes, várias vezes, inclusive fora da web. A tecnologia muda o comportamento, desde o tempo da descoberta do fogo.

As câmeras fotográficas digitais são um bom exemplo. Há uma década atrás, quem andasse com uma no bolso seria jornalista, fotógrafo amador ou turista.

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