E voltamos a nossa programação normal. A dos blogueiros é de fazer post pago. A nossa é falar mal disso. O assunto tinha perdido a força, mas com o Conar investigando blogueiras de moda, voltou a força total em agosto. Como costumo fazer, deixei passar um pouco a atenção porque o interesse é discutir algo maior que o caso em si.
Acho que o post pago é responsabilidade das marcas, é ruim para elas no longo prazo e concluo que deveria ser autoregulamentado.
Ponto 1: A declaração não é responsabilidade do blogueiro
Não vou discutir com quem acredite que o consumidor é burro. Acho perda de tempo. Mas sustento que independente de ser burro ou não, o consumidor não é inocente.
Porém, o fato do consumidor não ser inocente não pode ser usado como argumento para posts pagos não serem declarados como tal.
Post pago não é igual merchandising de TV, que fica nas entrelinhas ser uma ação comercial. O fato é simples, apareceu na TV é merchan. São absolutamente raros casos de marcas que aparecem sem ter alguma mecânica comercial envolvida. E mesmo na TV, onde o povo não é enganado, existe um limite. Basta ver a reação contra o merchandising em programas infantis (exemplo SBT e Carrossel). Crianças não são burras, mas são inocentes.
O ponto é que isso não é responsabilidade do blogueiro, é da marca.
Ah, e antes que me perguntem sobre o blogueiro vendido perder credibilidade, isso é problema do blogueiro, não nosso.
Ponto 2: Para as marcas, é péssimo no longo prazo
Justamente por não ser inocente, o consumidor vai acabar achando que, sempre que alguém fala bem, é porque está sendo pago por isso.
E acredite, ele já tem razão para pensar assim. Praticamente tudo que é falado bem hoje é pago. Tem blog que de cada 10 posts, 8 são pagos e não declarados. O mesmo acontece com twitteiros e facebookeiros. O próprio Facebook começou a dar um basta nisso de tão exagerado que estava.
E essa tática esta sendo usada pela maioria absoluta dos anunciantes. Esta semana recebi email de uma montadora de automóveis pedindo post em troca da barganha de usar o carro por uma semana. O que me surpreende é que esta montadora é um dos anunciantes que mais e melhor investe nos meios digitais.
E como sabemos, as redes sociais são muito mais usadas para falar mal do que bem. Se o pouco que se fala bem se tornar irrelevante e não crível, isso será péssimo para as empresas.
E pior, mesmo que sua empresa não faça isso, será prejudicada também. A confiança das pessoas em empresas é cada vez menor e isso irá jogar no lixo toda e qualquer confiança em toda e qualquer empresa.
Tudo isso sem contar que o abuso pode fazer surgir uma “canetada” radical do legislativo que prejudique todo mundo.
Conclusão: é preciso auto-regulamentar
O Conar está sendo ineficaz para tratar desse assunto. Não por falta de eficiência, mas porque ele atua no passivo, o que torna uma questão ampla como essa ser tratada de forma superficial e muito pontual. Nosso problema não são as blogueiras de moda. Nosso problema são os post pagos não declarados.
Quem deveria olhar para isso é a ABA, que acredito ser séria e tem representatividade. Eu até adicionaria o IAB, mas a entidade nunca conseguiu convencer a que veio.
Já passou da hora. Blogs, Twitter, Facebook etc. atingiram audiência de veículos de massa e abocanharam grande parte da atenção do consumidor no ambiente online.
É mais importante coibir os abusos nesse ambiente do que discutir formato de banners.
Update: Não importa se é alterando a auto-regulamentação ou criando algum mecanismo para reforçá-la. (leia discussão nos comments sobre isso)
Enfim, auto-regulamentar é bom para o consumidor e para as empresas. O único pilar que corre algum risco são os blogueiros que abusam. Eles (os que fazem isso) podem ser menos interessantes para as marcas sendo honestos (fazendo propaganda) do que desonestos (fazendo post pago escondido). Mas como eu disse anteriormente nesse texto, isso é problema deles, não nosso.









