Esqueça o discurso. Afinal, todo mundo diz entregar alguma coisa atraente como idéias, criatividade, resultados, interatividade, relacionamento, experiência, etc.
A pergunta é um exercício conceitual.
O que sua agência entrega? Detalhe ou Volume?
Acho que em pouco tempo poderemos dizer que esta fase passou. Me refiro a esta falsa esperança de achar que contratar uma única pessoa sem fazer mais nada seria suficiente mudar toda uma cultura empresarial.
Sozinho ninguém resolve nada. Quem quiser acredita, mas na prática é um mero conto de fadas ou quem sabe, uma fábula.
E como o meu Twitter aceita qualquer merda abaixo de 140 caracteres, ontem fiquei de piadinha enquanto quase desmaiava de sono. Por isso dêem um certo desconto na hora de criticar
Este texto começou como um comentário em outro post. Resolvi “oficializar” porque uma opinião que dei em março de 2007 acabou ficando datada.
Na época, falei sobre o principal motivo da resistência ao meio Internet dentro das agências tradicionais:
Não é por medo, nem ignorância como bradam alguns. É porque evoluir significa dar um tiro no joelho (lucratividade).
Antes de continuar vou fazer duas observações. Primeira: evolução não significa tirar grana de um meio e botar no outro, mas ter inteligência e neutralidade na escolha.
Tive um bom almoço com o Juliano Spyer e ele acabou comentando parte do papo em um de seus textos:
….Cavallini explicou que a agência de publicidade é a parte conservadora do negócio e tende a manter o processo da maneira como ele sempre foi feito.
A mudança, ele disse, vem do cliente, que acompanha as tendências do mercado e também os resultados de suas promoções, e então pressiona a agência para que ela busque soluções novas e alternativas. E o que ele chamou a atenção em relação a esse processo é que nos últimos anos, os clientes têm sido mais insistentes nas cobranças por campanhas diferenciadas.
E aí? Os anunciantes nunca aprovam nada que não seja papai-mamãe ou seriam eles os agentes mobilizadores da mudança?
Enquanto a maré costuma reclamar que são as agências tradicionais que não são media neutral, parece que o Pedro está certo. Ainda no finalzinho deste ano, tem agência digital que continua levando seus clientes para o Second Life, mesmo com a plataforma agonizando.
Como todos vocês já sabem, a Guinness lançou o comercial mais caro do mundo. Foram £10 milhões na velha fórmula do dominó. Eu gostei do filme mas achei a ação uma loucura. Nada justificaria 10 milhas em um filme.
Até que deu um estalo, lembrei do post onde comento que a correlação entre conteúdo e veiculação não existe mais na web. E se a Guinness está levando esta realidade também para a TV? Se a expectativa deles era usar a força da mídia espontânea e viralização na web, eles podem ter tirado uma boa parte verba de veiculação. Fiquei com muita curiosidade de conhecer o plano de mídia deles.
Na real, não seria exatamente novo, aconteceu em 1984. Ridley Scott produziu o filme de lançamento do Macintosh, veiculado uma única vez, mas repetido várias (inclusive na TV) a pedido dos consumidores. Dúvido que em 94 isso tenha sido uma estratégia pensada no boca-a-boca, mas a fórmula vem sendo repetida por alguns anunciantes do Super Bowl (vide Doritos).
A diferença é que no caso do Super Bowl, a força do buzz é usada pra fazer valer o alto custo da veiculação, no caso da Guinness (se for isso mesmo), é usado pra fazer valer o alto custo de produção.