Não costumo recomendar coisas no blog, mas esta entrevista com Vijay Govindarajan no canal da HSM no YouTube vale a pena.
Quando se trata de riscos ou inovação, ele explica de maneira bastante interessante sobre este tema, que já tratei aqui no blog e no meu terceiro livro.
É bom, principalmente ajudar a entender que a mudança é inevitável e que deve ser perseguida pelas empresas, mesmo que isso afete seu equilíbrio.
Gestão por decreto = Números torturados = Estímulo ao não ético
Muito já foi escrito e comentado que a crise financeira pela qual o mundo vem passando é na verdade uma crise de ética. Eu gostaria de ampliar um pouco mais essa questão, indo além do lado financeiro, e refletir se os modelos de gestão e a postura dos administradores não acabam por estimular um comportamento não ético nos colaboradores da empresa.
Estão abertas as inscrições para a 16º curso livre de especialização em marketing direto da ABEMD.
O curso, que eu tenho prazer de lecionar algumas das aulas, é único no Brasil e tem atraído alunos de todo o país tendo formado mais de 350 profissionais.
A idéia do Curso Livre é formar gestores em Marketing Direto. Pessoas que dentro de uma operação saibam para que servem todas as ferramentas e como utilizá-las da melhor forma para empresa.
Durante as aulas os alunos aprendem na teoria e na prática temas fundamentais para ações de Marketing Direto, como canais que podem ser utilizados, life time value, fulfillment, estatística, entre outros.
Início: 04 de agosto de 2009
Aulas: 3ªs e 5ªs, das 20hs às 22hs
Local: Centro Brasileiro Britânico – Rua Ferreira de Araújo, 741 – 1º andar Pinheiros
Somos uma geração de Profissionais de Comunicação privilegiada. Praticamente inventamos o que se convencionou chamar de colaboratividade. Entregamos “empowerment” ao consumidor. Transformamos o que era uma alameda de mão única, numa ampla estrada de duas mãos, com muitas faixas e bla, bla, bla, bla, bla.
Só não aprendemos…hmmm… a ganhar dinheiro com isso. Isso já é pedir demais.
E apesar deste texto estar em um blog, não estou falando apenas da mídia online, não.
Somos os netos da geração que inventou o Negócio da Comunicação e – como no ditado que diz que os netos levam o negócio dos avós à falência – estamos a ponto de quebrar tudo, instaurando o caos.
Quem acredita em comunicação não deveria ajudar a transformar este mercado em commodity, por mais que isso economize custos no curto prazo.
A lógica é bem simples, o que se compra na agência é criatividade e estratégia (vulgo planejamento de marca, planejamento de mídia e criação), mas paga-se por outra coisa, a mídia.
É relativamente fácil cobrar da agência para ela diminuir sua margem, basta pagar menos e cobrar a mesma entrega de mídia. Fácil de cobrar pois 30 segundos na emissora tal continuam sendo 30 segundos na mesma emissora.
O problema é que esta margem subsidia as equipes de inteligência da agência, inclusive a inteligência de mídia. Equipes que são punidas com este estrangulamento de margem, afinal, agência não é ONG e também corre atrás do lucro.
É ruim para o anunciante, que continua levando um monte de mídia, mas fazendo o pior uso dela. Justamente o que ele queria evitar ao contratar uma agência.
E pior para o diretor de marketing, que se deseja fazer diferença ou alavancar sua carreira, certamente não será nesta redução de custos.
Só andando pela cidade de São Paulo — e depois fora dela — para entender o tamanho da diferença que a ausência dos outdoors nos trouxe. Não é segredo nem estranho que o projeto Cidade Limpa tenha tirado o Prefeito Gilberto Kassab do aparente anonimato.
Por ser partidário da auto-regulamentação, sou contra a maioria das leis voltadas para o nosso mercado. Mas não somente aprovei esta lei, como também apoio a nova lei do telemarketing, que nasceu para acabar com vários tipos de abuso e ignorância.
Passeando no Shopping Iguatemi descobri um bonito espaço chamado Lounge American Express. Logo na porta, um cartaz ostentava o benefício de pagar por quatro horas o estacionamento para quem gastasse mais de R$ 70 em compras com o cartão.
Quando a cadeia de valor muda, não adianta mudar apenas o discurso, é preciso mudar também a prática.
Quer dizer que não adianta mudar marketing e não mudar o call center. Que não adianta mudar o discurso do CEO e não mudar a prática do Mesa de Compras.
E não me refiro apenas a relação com consumidores, mas também a relação entre empresas. No nosso mercado, seria o caso de apontar a relação de anunciantes e agências com produtoras e fornecedores.
A relação de poder era tamanha, que é muito comum ver até hoje agências sem contrato com fornecedores. A relação de dependência (eles dizem confiança) era tanta que a formalidade era menos válida que o poder da contratante.
Mas isso fez surgir um tipo de malandro que quer levar vantagem em cima de todo mundo, até dos chamados “parceiros”.
Mas a parceria “você entra com a bunda e eu com o pau” deixa de funcionar quando o dono da bunda não depende mais (ou nunca dependeu, no caso de novos formatos) do dono do pau para sobreviver.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional,
malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato,
com gravata e capital,
que nunca se dá mal.
Antigamente o normal era alguém esperar ansioso para a Globo reprisar o filme preferido. Hoje, ninguém estranha quando jovens reclamam que a edição do 24Horas da Globo está ruim, por ter cortado pedaços importantes da versão original.
Com mais opção, ficamos mais exigentes. Com tantos meios, veículos, canais, tecnologias, produtos e serviços, o jovem tem acesso a informação e todo tipo de ferramenta. Ele descobriu que pode produzir, qualificar, organizar e distribuir conteúdo.
Ele fala mais e é mais ouvido. E assim ele ganhou força. Nas comunidades online esta força fica evidente. Quando lançou seu software Coleta RS, o próprio Ibope resumiu este poder em uma única frase:
Caso os membros das comunidades relacionadas às marcas de veículos decidissem fazer uma campanha a favor ou contra o consumo de veículos, atingiriam 1 bilhão de pessoas duplicadas.
O número é tão absurdo que sua precisão deixa de ser importante, afinal, não faria a menor diferença se fossem 800 milhões ou 2 bilhões. No final das contas, apontar este número é o mesmo que dizer “cuidado, você pode ser picado por 486 mil abelhas”. Caceta, se depois de 500 picadas um ser humano normal morre, qualquer número muito acima disso perde o sentido.
Já escutei alguns profissionais falando que precisamos é de uma volta ao passado. Por mais retrógrado que possa parecer, a afirmação tem certa lógica.
Voltar ao passado seria uma maneira de fugir do uso abusivo de fórmulas prontas e verdades absolutas que assola o mercado hoje. Um abuso que fez muito anunciante achar — erroneamente — que boa parte do que fazemos é commodity.