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Enfeite de garrafa PET

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Na inglória e exagerada busca contínua pelo corte de custos, cada vez mais, fico sabendo de empresas querendo fazer projetos de graça.

Nego quer fazer o projeto mas não tem grana. Faz puxadinho daqui, puxadinho dali, vem com papo de parceria, que no futuro isso, no futuro aquilo.

Não investe nada e ainda tem esperança de ter retorno. Acredita na própria mentira.

Como não existe free lunch, o parceiro também faz qualquer merda e está tudo certo.

E tudo certo nada, esses projetos são que nem enfeite de Natal feitos com garrafa PET.

Na teoria parece lindo. Na prática, vira uma coisa medonha. Um lixo mais bonito, mas continua sendo um lixo. E pouco sustentável. Ou alguém tem dúvida que o enfeite irá para o lixo no Dia de Reis?

E voltamos a nossa programação normal

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E voltamos a nossa programação normal. A dos blogueiros é de fazer post pago. A nossa é falar mal disso. O assunto tinha perdido a força, mas com o Conar investigando blogueiras de moda, voltou a força total em agosto. Como costumo fazer, deixei passar um pouco a atenção porque o interesse é discutir algo maior que o caso em si.

Acho que o post pago é responsabilidade das marcas, é ruim para elas no longo prazo e concluo que deveria ser autoregulamentado.

Ponto 1: A declaração não é responsabilidade do blogueiro

Não vou discutir com quem acredite que o consumidor é burro. Acho perda de tempo. Mas sustento que independente de ser burro ou não, o consumidor não é inocente.

Porém, o fato do consumidor não ser inocente não pode ser usado como argumento para posts pagos não serem declarados como tal.

Post pago não é igual merchandising de TV, que fica nas entrelinhas ser uma ação comercial. O fato é simples, apareceu na TV é merchan. São absolutamente raros casos de marcas que aparecem sem ter alguma mecânica comercial envolvida. E mesmo na TV, onde o povo não é enganado, existe um limite. Basta ver a reação contra o merchandising em programas infantis (exemplo SBT e Carrossel). Crianças não são burras, mas são inocentes.

O ponto é que isso não é responsabilidade do blogueiro, é da marca.

Ah, e antes que me perguntem sobre o blogueiro vendido perder credibilidade, isso é problema do blogueiro, não nosso.

Ponto 2: Para as marcas, é péssimo no longo prazo

Justamente por não ser inocente, o consumidor vai acabar achando que, sempre que alguém fala bem, é porque está sendo pago por isso.

E acredite, ele já tem razão para pensar assim. Praticamente tudo que é falado bem hoje é pago. Tem blog que de cada 10 posts, 8 são pagos e não declarados. O mesmo acontece com twitteiros e facebookeiros. O próprio Facebook começou a dar um basta nisso de tão exagerado que estava.

E essa tática esta sendo usada pela maioria absoluta dos anunciantes. Esta semana recebi email de uma montadora de automóveis pedindo post em troca da barganha de usar o carro por uma semana. O que me surpreende é que esta montadora é um dos anunciantes que mais e melhor investe nos meios digitais.

E como sabemos, as redes sociais são muito mais usadas para falar mal do que bem. Se o pouco que se fala bem se tornar irrelevante e não crível, isso será péssimo para as empresas.

E pior, mesmo que sua empresa não faça isso, será prejudicada também. A confiança das pessoas em empresas é cada vez menor e isso irá jogar no lixo toda e qualquer confiança em toda e qualquer empresa.

Tudo isso sem contar que o abuso pode fazer surgir uma “canetada” radical do legislativo que prejudique todo mundo.

Conclusão: é preciso auto-regulamentar

O Conar está sendo ineficaz para tratar desse assunto. Não por falta de eficiência, mas porque ele atua no passivo, o que torna uma questão ampla como essa ser tratada de forma superficial e muito pontual. Nosso problema não são as blogueiras de moda. Nosso problema são os post pagos não declarados.

Quem deveria olhar para isso é a ABA, que acredito ser séria e tem representatividade. Eu até adicionaria o IAB, mas a entidade nunca conseguiu convencer a que veio.

Já passou da hora. Blogs, Twitter, Facebook etc. atingiram audiência de veículos de massa e abocanharam grande parte da atenção do consumidor no ambiente online.

É mais importante coibir os abusos nesse ambiente do que discutir formato de banners.

Update: Não importa se é alterando a auto-regulamentação ou criando algum mecanismo para reforçá-la. (leia discussão nos comments sobre isso)

Enfim, auto-regulamentar é bom para o consumidor e para as empresas. O único pilar que corre algum risco são os blogueiros que abusam. Eles (os que fazem isso) podem ser menos interessantes para as marcas sendo honestos (fazendo propaganda) do que desonestos (fazendo post pago escondido). Mas como eu disse anteriormente nesse texto, isso é problema deles, não nosso.

O que acontece no mercado digital brasileiro?

Não é novidade para alguns de vocês, mas talvez seja uma surpresa para outros. Uma boa parte (para não dizer a maioria) das agências digitais estão quebradas, ou perto disso.

Muitas que foram vendidas com pompa e estilo — quem vende e quem compra sempre quer botar banca — na verdade abriram mão da empresa em troca de alguém para assumir suas dívidas e passivo trabalhista.

Das que ficaram, não é incomum saber que estão atrasando pagamentos. Tudo isso sem contar aquelas cujo trabalho escravo e turn over consegue botar as agências tradicionais no chinelo, e para quem é do mercado sabe que isso não é pouca coisa.

A pergunta que fica é: por que isso acontece?

Tentar explicar isso apontando apenas um problema seria leviano, preconceituoso e superficial, mas acho que é possível apontar algumas das causas.

Visão de curto prazo
Muitas não conseguiram conquistar espaço no mercado, acabando virando produtoras com preço de agências. Eu alertei sobre essa oportunidade (de virar algo mais do que digital) e sobre esse risco aqui no blog. O mesmo risco que acontece agora com as especializadas em mobile.

Má gestão
Muitos que estão na frente das agências (on e off) são ótimos profissionais, mas péssimos gestores. Ao longo do tempo, muitos se tornaram ótimos gestores, mas isso foi feito a custa de muitos sacrifício (inclusive do negócio).

Muita concorrência
Não somente a concorrência com as grandes agências, mas também com os velhos e conhecidos sobrinhos. Diferente do mercado de compra de mídia tradicional, não existe uma “barreira de entrada” para as agências digitais. Para comprar mídia tradicional é preciso cumprir algumas exigências do CENP.

Aumento nos custos
Eu não gosto de chamar de inflação (termo normalmente usado pelos gestores), pois acho que o que existiu foi uma equalização, mas a entrada das grandes agências (e crescimento da importância do digital), fez os salários do povo de online subir rapidamente nos últimos anos.

Margens menores
Uma parte considerável do trabalho é realizado em frentes cuja margem é menor, compra de links patrocinados, por exemplo.

Baixo fluxo de caixa
Muitas começaram pequenas e foram crescendo rapidamente, acompanhando o rápido ritmo do mercado digital. Mas crescer rápido com baixa lucratividade significa não ter tempo para fazer caixa.
Muito complicado em um mercado que tem anunciantes tratando parceiros como fornecedores de commodity, espremendo margens na mesa de compras, pagando 2 meses depois que o trabalho foi entregue e ainda atrasando pagamentos (um assunto que merece um post próprio). Para sobreviver em um mercado que não respeita compromissos é preciso ter caixa.

Muito investimento em treinamento e tecnologia
Muda tudo todo ano, é preciso estar sempre treinando ou recrutando novas inteligências (redes sociais, links patrocinados, mobile, etc.). Reflete em custos, na qualidade da entrega e no poder de diferenciação (para ganhar clientes e manter lucratividade).

Existe luz no fim do túnel?
Existe, mas não existe uma solução única ou uma fórmula mágica. Cada empresa deverá achar o seu caminho. E preciso ter estratégia e para isso, identificar problemas, definir objetivos, etc.

Mediocridade como objetivo

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Olhe para os produtos a sua volta.

Pense em como melhorá-los.

Não falo de funções super avançadas, pense no básico. Pense em como você usa, o que te incomoda, o que poderia ser facilitado.

O exercício é interessante.

Por exemplo, quem aqui tem aparelho eletrônico no quarto? Uma TV, um media center, um box da TV a cabo, etc. Não fica irritado com aqueles LEDs fortíssimos que deixam o quarto parecendo uma discoteca enquanto você tenta dormir?

Pois bem, é tão óbvio, simples e barato implementar uma solução para isso que dá até raiva. Não precisaria nem ter um sensor de luz para adequar automaticamente a intensidade do LED, bastaria uma configuração no menu do aparelho para desligar ou mudar para 10% da luminosidade padrão.

E o controle remoto, será que seria complicado criar um sistema para nunca mais ficar perdido? Bastaria apertar um botão na TV — que nunca sai do lugar — e o controle começaria a apitar, assim como fazem os telefones sem fio há anos.

A pergunta correta é, por que diabos nunca ninguém fez isso? Será que ninguém nunca pensou nisso? Duvido! Engenheiros e cientistas também usam aparelhos de TVs em casa.

Sir Jonathan Ive, Senior Vice President Industrial Design da Apple, disse em entrevista que seus concorrentes tem objetivos errados. Segundo ele, enquanto a Apple procura fazer produtos melhores, os outros tem foco em coisas diferentes, como um cronograma, um preço ou até um plano de marketing.

Mesmo se o objetivo fosse apenas lançar algo novo ou diferente, ainda assim o foco estaria errado. No final das contas, ser novo ou diferente sem ser melhor continua sendo uma jogada de marketing.

Eu sou mais direto e digo que o objetivo da maioria das empresas é a mediocridade.

Veja bem, ser medíocre é ser mediano. Se Sir Ive está correto — e eu acho que está —, para estas empresas, o produto é secundário. Se é secundário, não precisa ser o melhor, precisa ser entregue. O foco então é entregar com o mínimo possível.

Algumas indústrias fazem isso com “excelência”, lançando versões novas de produtos cuja mudança parece piada do programa Saturday Night Live. Algo tão comum como um modelo novo de carro com a mudança do desenho de sua lanterna como diferencial.

Existe um padrão que é colocado como patamar aceitável. Como um leilão da mediocridade, ganha quem der o menor lance, o menor incremento, a menor melhoria.

Por isso, quando a Apple lança um produto revolucionário, o mercado apenas muda sua régua, passando a lançar cópias desse produto.

O objetivo não é fazer melhor, e sim ter alguma desculpa para o pessoal de marketing tentar vender o produto. Usando o exemplo dos celulares, o invés de fazer algo melhor que o iPhone, os concorrentes lançam uma cópia barata com uma tela maior ou uma câmera com mais megapixels.

Nada diferente das melhorias incrementais e ordinárias que já eram feitas antes do patamar aceitável mudar de nível.

E por que isso acontece? Acredito na mesma explicação: também é uma questão de foco.

Antigamente as empresas iam até o mercado financeiro pegar dinheiro para financiar seus produtos e serviços. Com o sucesso, o lucro viria como consequência.

Em algum momento, algo deu errado e as empresas tiveram uma inversão de valores.

Agradar a necessidade de curto prazo do mercado financeiro passou a ser o objetivo e, como consequência, chegamos o cenário título deste post.

Pense nisso quando for dormir, enquanto o maldito LED fica olhando pra você.

As agências serão abandonadas por seus parceiros

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É famoso no mercado publicitário a ojeriza que todos têm pela palavra PARCERIA.

A velha “parceria onde um entra com a bunda e outro com o pau” é muito mais próxima de uma verdade inconveniente do que uma frase bem humorada.

Tratar mal fornecedores até fez sentido antigamente quando todo mundo tinha margens altas (compensando os problemas), mas hoje não faz mais.

De uma década para cá, as coisas só pioraram. As margens caíram, as mesas de compras que tratam todos como commodity se tornaram padrão, concorrências desleais nem são mais questionadas, etc.

Como consultor tenho acesso aos números e aos sentimentos de empreendedores e percebo que muitas empresas parceiras estão cada vez mais se afastando das agências

Estão atendendo anunciantes diretamente e buscando novos modelos de negócio e de receita.

Até ai, nada de novo, eu mesmo já falei sobre isso alguns anos atrás.

O que mudou de lá para cá é que algumas produtoras passaram a ter boa parte de sua receita — e uma parte ainda maior da lucratividade — vindas de atividades que não passam pela agência.

E como no mundo capitalista o que impera é o pensamento a curto prazo, dificilmente esta situação irá mudar.

Se o faturamento via agência cair ainda mais, pode acontecer de muitas destas empresas pararem de aceitar esse tipo de parceria.

Por isso, arrisco a fazer nova previsão, dizendo que nos próximos anos muitos “parceiros” irão abandonar as agências.

Internet é o segundo meio na fatia do bolo publicitário brasileiro

É uma informação extremamente relevante para o mercado brasileiro, acho até que merecia destaque no título.

Saiu pesquisa do Grupo Consultores com 100 profissionais dos maiores anunciantes mostrando que a fatia digital nas verbas de comunicação bateu 13,4%.

Não é correto misturar pesquisas e metodologias diferentes, principalmente porque a do Grupo Consultores parece ter focado apenas no digital. Então não é possível comparar com precisão o investimento de um meio com outro, mas tanto grupo quanto pesquisa são sérios e o valor merece atenção.

Aproveito e faço nova provocação, similar a que fiz em 2009: este ano o investimento em digital já ultrapassou o investimento em jornais.

De qualquer forma, mais importante do que discutir vírgulas, centavos ou posição no ranking é perceber duas coisas.

Primeiro o que eu já critico há anos, que o investimento não pode mais ser medido pela veiculação (ainda mais usando poucos veículos como parâmetro)

Segundo que a verba continua migrando rapidamente para o digital. De acordo com o Grupo Consultores, quase dobrou nos últimos 2 anos.

Agora que internet já passou a ser o segundo meio, vale apontar que a importância não deve mais ser medida pela porcentagem da verba, e sim por diversos outros fatores. Quem quiser entender os porquês na minha opinião, pode assistir meu recado para os alunos de propaganda e marketing.

Meu recado para os alunos de propaganda e marketing

Vídeo da palestra que fiz na Cásper, para a Semana de Propaganda.

Tento passar um pouco da minha visão sobre o que está mudando nas agências e o que isso significa para os estudantes de propaganda e marketing.

Talvez seja a palestra menos glamurosa que já fiz. Normalmente sou chamado para falar de novas tecnologias, inovações e tendências, mas é uma conversa franca e direta que acredito ser importante para o momento atual.

E para quem não quer ver minha cara linda, tem o áudio abaixo para escutar ou baixar.

download MP3

Curso de marketing direto da ABEMD

Estão abertas as inscrições para a 20º curso livre de especialização em marketing direto da ABEMD, ano em que o curso completa 10 anos.

O curso, que eu tenho prazer de lecionar algumas das aulas, tem como objetivo formar gestores em Marketing Direto. Pessoas que dentro de uma operação saibam para que servem todas as ferramentas e como utilizá-las da melhor forma para empresa.

Durante as aulas os alunos aprendem temas fundamentais para ações de Marketing Direto, como canais que podem ser utilizados, life time value, fulfillment, estatística, entre outros.

Início: 09 de agosto de 2011
Carga Horária: 80hs/aula
Aulas: 3ªs e 5ªs, das 20hs às 22hs30
Local: Centro Brasileiro Britânico
Endereço: Rua Ferreira de Araújo, 741 – 1º andar – Pinheiros – SP

Para maiores informações e inscrições, clique aqui.

Eduardo e Mônica

Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

Empresas que não respeitam o consumidor e as redes sociais

clique para ampliarEste mês, depois de ficar na mão com uma TV LCD da LG, refleti um pouco sobre a participação de algumas empresas nas redes sociais.

O produto que pifou estava fora da garantia e, procurando na web, descobri muita gente com o mesmo problema. A quantidade de pessoas cujo aparelho apresentava exatamente o mesmo defeito era enorme. Não podia ser coincidência.

Tanto não podia que o caso acabou na justiça e a mesma obrigou a LG a realizar um recall desta sua linha de aparelhos.

O recall acabou e a LG continuou vendendo aparelhos novos com o mesmo problema, mesmo sabendo do defeito de fabricação e mesmo tendo sido obrigada pela justiça a fazer um recall no passado.

Para piorar, a empresa ainda cobrava (e ainda cobra) de seus consumidores (no caso, suas vítimas) algumas centenas de reais para realizar o conserto.

Na época do recall, foram 66 mil consumidores que compraram um produto que poderia apresentar defeito. Ao continuar vendendo, acredito que este número deva ter passado dos 100 mil.

Mesmo modelo de aparelho, mesmo problema e mesma postura da empresa. A única diferença é os aparelhos novos não estão na lista do recall obrigado pela justiça.

E nesta parte que eu entro com a discussão das redes sociais. No caso da LG, eu só consegui atenção depois de reclamar no Twitter.

Meu ponto é que no Brasil, grande parte das empresas não respeitam os consumidores. E vemos uma avalanche destas mesmas empresas investindo em redes sociais antes mesmo de arrumar a própria cozinha.

Não me levem a mal, trabalho em uma agência que também vende este serviço e sempre fui a favor deste tipo de investimento. E obviamente que acho que as redes sociais podem servir para muitas outras coisas. Mas se o principal é ouvir e conversar, este investimento não perde o sentido para este tipo de empresa?

Vendem produtos ou serviços de baixa qualidade, tratam mal os consumidores em seus call centers, mas como redes sociais está na moda, investem em uma equipe 100% destinada para isso.

É uma distorção: consumidores que são ignorados no call center mas recebem atenção quando reclamam no Twitter.

clique para ampliarEntendo que no Twitter falamos para muitos, mas é uma tática perigosa. O que estas empresas estão dizendo aos seus consumidores é “nós estamos cagando pra você até que você bote a boca no trambone”.

Nesta tentativa desesperada de tapar o Sol com a peneira, a marca expõe ainda mais seus problemas e pode gerar um vício desastroso no longo prazo, pois está ensinando seus consumidores a reclamar pro mundo ao invés de falar diretamente com a marca.

E nesta levada, o Reclame Aqui já é mais acessado que o Procon.

Tudo isso sem contar que, muitas vezes quando o consumidor chega na rede social, já é tarde demais e o estrago já foi feito, vide o caso da Brastemp.

Enfim, antes de pedir a opinião de vocês (nos comentários), resolvi começar a discussão com profissionais que trabalham com isso.

A pergunta é: se os atos da empresa demonstram que ela não se preocupa e não respeita o consumidor, adianta investir em redes sociais?

Em ordem alfabética dos nomes, respostas abaixo:

Bruno Mendonça, Diretor de Convergência da Fischer+Fala! (ver resposta)

A resposta politicamente correta deveria ser “sim, pois isso contribui para melhoria no atendimento a médio prazo”; ou ainda um sono “não, pois a empresa deve focar em desenvolver seu atendimento de forma integrada, para só depois focar em redes sociais”. E qual é a grande verdade? É que as empresas funcionam como as agências de propaganda, e na maior parte dos casos vai preferir focar em visibilidade e não em solução concreta. Para empresas no Brasil – e muitas também lá fora, sejamos sinceros -, investir em redes sociais ainda significa blindar suas marcas de comentários negativos que possam atrapalhar sua imagem ou vendas. Ou seja: depois que começam a trabalhar com redes sociais, viram refém das próprias. Boa parte da culpa por esse problema está nas agências, que instruem mal seus clientes e não conseguem mostrar para os gerentes e diretores de marketing que falar mal faz parte do negócio – isso sempre aconteceu, a diferença é que agora o conteúdo é publicável e compartilhável com milhões de outros consumidores. Torna-se mais importante resolver o problema de alguém que reclama no Twitter do que alguém que liga no SAC.
E sinceramente, enquanto as mídias sociais forem vistas como conteúdo para inglês ver (ou espaço para pescar elogios sobre a marca), nada disso vai mudar. Se quiser encarar as redes sociais como plataformas de SAC, tudo bem, mas faça isso de forma integrada com seus outros canais e respeite prioridades / urgências de atendimento. Minha sugestão? Encarem mídias sociais como um espaço de conversa, de feedback, de pesquisa quali/quanti não estimulada – e não apenas como um incêndio a ser apagado.

Bruno Tozzini, Head de social media da DM9DDB (ver resposta)

Se uma marca nao se preocupa e não respeita o consumidor, ela nao deveria nem existir.
caso contrário, adianta e deve sim investir e aprender .
nem que seja apenas para descobrir suas falhas e corrigir . e nos melhores casos, aprimorar com criatividade, criar novos serviços e novos canais de atendimento.

Coca, Diretor de Planejamento da AgênciaClick Isobar (ver resposta)

Não vou ficar em cima do muro. Eu também acho uma hipocrisia as empresas investirem em presença nas redes sociais e não focar na resolução de problemas de atendimento, na qualidade de serviços e produtos. Eu acho que existem muitos casos de desrespeito ao consumidor como foi o teu caso. Apesar disso, eu também tenho pensado ultimamente na capacidade e na facilidade que as pessoas tem para reclamar nas redes sociais, principalmente de marcas. Aliás, muito difícil ganhar um elogio, muito mais fácil ser fuzilado num post, exterminado num tweet fulminante. Na verdade, sempre foi assim, é muito difícil construir uma boa fama, um erro significa dez reclamações, um acerto eventualmente um elogio. Mas a diferença das redes sociais com uma mesa de bar é que as pessoas se transformaram em veículos de mídia, elas não tem mais amigos, tem uma audiência. Abraço, Coca

Cristiano Dias, Creative Technologist da JWT (ver resposta)

Adianta, mas a coisa não é tão simples assim. Acho que boa parte do problema passa pelo fato de que as áreas de “conseguir novos clientes” e “manter os atuais clientes felizes” são separadas demais nas empresas. No Brasil a impressão que dá é que todo o foco é no primeiro grupo. Depois que você vira cliente tudo parece ser um grande favor que a empresa está fazendo. Estão aí as empresas de telefonia, líderes de reclamação no Procon, que não me deixam mentir.

Daí que a área que monitora o que está sendo dito sobre a empresa é do time “novos clientes” e sabe que isso que você escreveu no texto é real: que alguém que já é cliente falando mal da empresa é péssimo para os novos negócios.

O crítico é que o pessoal que cuida dos clientes existentes não é medido pela satisfação dos clientes. Na verdade eles são medidos (e portanto recomendados) por coisas que muitas vezes parecem ser o contrário disso: tempo de resposta, custos de reparo, upgrades vendidos… Em várias empresas o SAC é terceirizado, criando um abismo entre os interesses da empresa e os interesses dos terceirizados. É completamente inimaginável terceirizar o departamento de marketing da empresa, mas com o SAC terceirizado (ou simplesmente visto como um mal necessário) é isso que acaba acontecendo na prática.

Todo mundo adora citar Apple, Starbucks… como exemplos de marketing de sucesso mas esquece que boa parte do esforço destas empresas é em manter os atuais clientes felizes.

Daniel Sollero, Coordenador Criativo de Redes Sociais da WMcCann (ver resposta)

Depende de como a empresa está encarando esse esforço em redes sociais. Se é algo que realmente se propõe a ser o início de um relacionamento, acho válido. Mas se for simplesmente um esforço de marketing para falar para o público que está nas redes sociais também, acho que não. A tendência é fazer nas redes sociais o que acabou sendo feito no telemarketing e isso nunca é bom. Se a empresa entende e respeita seus fãs e consumidores nas redes sociais, há uma possibilidade que notem que esse tipo de postura é melhor e que revejam os outros processos. Caso o contrário, não acho que vá funcionar.
Eu li o seu post e lembrei na hora da época que o Collor abriu as importações e comparou os nossos carros a carroças. Essa mesma mentalidade continua em diversos segmentos/produtos até hoje. Só comparar o caso de produtos descontinuados no mundo e que no Brasil continuam firme e forte. “>
empresas que usam o “mercado do futuro” (Brasil e outros países) como ralo para escoar produtos descontinuados não mostram nenhum respeito desde antes. E quando o vento vira e o mercado vira potência, eles falam que estavam investindo no país desde sei lá quando.

Temos um histórico de ser ralo desse tipo de produto desde sempre e acho que isso faz com que sejamos mais tolerantes com esse tipo de comportamento por parte das marcas.

Mas vale lembrar que a Apple também tem esse tipo de postura com vários produtos (time capsule, macbook branco. etc.) mas pelo menos eles não tem nenhuma presença em redes sociais.

Tem empresa que só faz recall de produto depois que umas pessoas se machucam, outras nem assim. Até marca de carrinho de bebê fez recall depois de machucar pessoas.

O comportamento talvez seja de empresas com mentalidade de revolução industrial e não com a premissa de respeito aos outros.

Gabriel Jacob, Planejamento da F.biz (ver resposta)

As redes sociais são as meninas dos olhos da grande maioria das empresas, atualmente, principalmente aquelas que trabalham com foco no consumidor final. Mas não é só porque o consumidor está lá, conectado. É que concorrência também está, e ignorar este ponto de contato, então, seria frustrante. Porém, ao mesmo tempo que muitas dessas empresas sabem que precisam estar nessas redes, também não compreendem muito bem porque e nem como estar nelas.

O mundo ideal, na minha opinião e na da grande maioria, é de empresas que transferem sua postura, positiva de preferência, para todos os seus pontos de contato de forma coesa, sendo que é desse jeito que se constrói boas percepções de marca. Sou sempre favorável a soluções que ajudam a “catequizar” as empresas sobre a importância das redes sociais, quando necessário. Mas acho que este pode ser um trabalho jogado no lixo se nem a própria casa onde está o relacionamento nativo (call center, SAC e outros pontos de contato com o consumidor), estiver organizada. Isso soa “fake” e, mais do que isso, faz perder o ativo mais importante presente no DNA de uma empresa, que é a autenticidade.

Enquanto agência e parceiro de negócio dos meus clientes, entendo que pode haver urgência na necessidade de estar presente em redes sociais e outras “plataformas da moda”, mas busco sempre defender o ponto chave: relacionamento e fidelização não se constroem do dia pra noite, muito menos sem uma marca sólida. E uma marca só pode ser considerada sólida se houver com ela uma postura e dedicação real pronta para estabelecer envolvimento com os consumidores, independente do ponto de contato.

Guilherme Jotapê Rodrigues, Buzz Manager da Leo Burnett Tailor Made (ver resposta)

O assunto sempre é delicado e entra naquele papo de boteco de publicitário onde “pô, meu… O cliente tem um produto de merda e quer que eu resolva com comunicação…”

Aí vem as tais das hipervalorizadas redes sociais e seus formadores de opinião cuja somatória de “amigos” e “seguidores” ultrapassam o número de vendas do último álbum do Roberto Leal e, obviamente, vão expor seu desgosto à marca ou produto.

O cliente berra e pede aos responsáveis pela sua comunicação “fazerem alguma coisa nas redes”.

Aí virou Brasil! Monta perfil no twitter, fan peije, comuna no orcuti… E todos os profissionais envolvidos esquecem o primordial de uma relação: troca. Eles aprenderam isso na faculdade, mas (como há contas pra pagar) acabam esquecendo da aula.

Acredito que o “investir em redes sociais” hoje pode ser feito de várias maneiras. O movimento e tendências captados nos diálogos podem servir de insights para novas ações de comunicação e até mesmo direcionar a marca em sua relação com o consumidor. Não necessariamente “estar lá”.

Tá melhorando, Cava… Devagar, mas melhorando.

E da próxima vez compra Samsung que é meu cliente.

Gustavo Giglio, Sócio / Diretor de Marketing do Update or Die (ver resposta)

Acredito que ao mesmo tempo em que exista sim a preocupação em investir e estar presente nas redes sociais, as grandes empresas não dão a devida atenção para essa nova dinâmica e troca. Deixam sempre na mão de qualquer um por achar que precisam fazer e ponto final. Como o investimento tende a ser mais baixo que em outras áreas, provavelmente o cuidado não deve ser tão grande, o que já é um pensamento equivocado. Mas, aos poucos essas áreas ganham mais espaço.

Fica claro que profissionais, talvez não bem preparados para o ofício, ou sobrecarregados com outras tarefas do dia-a-dia, não tem a capacidade, autonomia e informações o suficiente para lidar com determinadas situações (algumas situações que nem devem receber a atenção necessária).

Esses investimentos e esforços devem ser feitos de uma maneira que fique claro que a equipe é também um dos braços responsáveis pela reputação da marca. Existe a necessidade de voltarem a falar internamente sobre a premissa básica que é a importância da satisfação e o cuidado com seus principais propagadores, os clientes. Entregar o produto ou o serviço prometido virou um diferencial de poucos.

A marca, o produto, os consumidores, suas campanhas, lançamentos, acertos, erros e a maneira de falar com o público estão nas redes sociais. A marca posicionando-se oficialmente ou não. Logo, em um país que culturalmente a preocupação com o próximo e respeito mútuo não são lá grandes princípios básicos da educação de uma parcela da população, casos como esse são reflexo da falta de respeito com os consumidores e junioridade no cuidado com o legado de uma marca. O que muitas vezes leva-se anos para alcançar, em alguns minutos pode ser destruído.

Jean Boechat, Diretor de Criação Executivo da AGE Isobar (ver resposta)

Só vejo uma resposta para essa pergunta: um sonoro e convicto “não!”. Qualquer movimento nesse sentido pra mim soa como ‘maquiagem do cocô”.

Lalai Luna, Planejamento da Remix Social Ideas (ver resposta)

Não, pois nesse caso elas vão estar nas redes sociais com qual objetivo? E quando não respeita o consumidor e ainda assim ela decide que o objetivo é ter sua presença lá, ela precisa entrar preparada para enfrentar a bomba que não vai demorar pra estourar. Não acho que as redes sociais tem que virar um SAC, a não ser que se crie uma estratégia para esse fim. Porém atualmente recorrer às redes sociais para reclamar sobre serviços, produtos, etc., é mais eficaz (tanto no retorno quanto no tempo que se gasta para fazer uma reclamação) do que encarar um call center. Eu sempre recorro às redes sociais quando tenho problemas como consumidora. O retorno geralmente é imediato, mas nem sempre a solução vem junta. E vem mais rápido, porque ao contrário de um call center, o analista (mais esperto) já sinaliza que se não houver resposta, a marca vai ter muita dor de cabeça porque ela estará se expondo. Muitas marcas ainda praticam o monólogo nas redes sociais, a tal da “conversa” fica pra outra hora.

Michel Lent, Vice-Presidente de Estratégia da .mobi (ver resposta)

Não há boa conversa que conserte um produto ou serviço ruim. investir em rede social para mediar problemas de nada adianta se temos um produto ruim. o caminho é: arrumar o produto. isso significa que se deve ignorar as redes até termos um produto bom? não. use as redes pra ouvir e entender o que os seus consumidores estão apontando com problemas do seu produto / serviço. está tudo lá, de graça pra quem quiser ouvir.

Neto, VP Criação da Bullet Promo (ver resposta)

Você tem razão quando diz que as redes sociais estão ocupando espaço de outros meios de atendimento ao consumidor.

Mas acho que isso se deve menos à vocação de reverberação das redes e mais à uma antiga incompetência das marcas em prover atendimento ao consumidor de qualidade.

E este, acho, é o erro fundamental: na maioria dos casos, a marca torna-se refém voluntária de uma relação com o consumidor via redes sociais, apenas porque foi incompetente nos canais onde deveria ter evitado que o problema escalasse.

Tive várias vezes experiências parecidas com a que você relatou.

Todas as vezes, me senti extorquindo as marcas.

Era evidente que só estavam me respondendo porque não queriam que eu continuasse a falar mal delas publicamente.

Por isso, acho que a conta que deve ser feita é:

Redes sociais são potentes e têm efeito rápido e devastador. Investir em redes sociais deve ser uma atitude apenas de empresas cujos canais de comunicação tradicionais com o consumidor estejam bem implementados.

Rafael Ziggy, Digital Planning Supervisor da Africa Propaganda (ver resposta)

As empresas que não se preocupam e não respeitam o consumidor são as que mais estão propícias a casos de insatisfação dentro e fora das redes sociais. Está claro que nesse caso o foco não é o meio, mas o descaso com o consumidor. É uma bola de neve: quanto maior o descaso, maior o número de pessoas descontentes e maior a quantidade de reclamações.

O ideal seria resolver antes essa indiferença com o consumidor. Caso contrário a empresa corre o risco de ficar investindo esporadicamente no controle dessas crises. Preocupação e respeito com o consumidor é pré-requisito para qualquer empresa, seja dentro ou fora das redes sociais.

Wagner Martins, Diretor de Planejamento da Espalhe (ver resposta)

Sou contra privilegiar as reclamações em redes sociais e a síndrome de pequeno poder que o “xingar muito no twitter” representa. Mostrar que o canal para a resolução de problemas é “lavar roupa suja em público” só vai criar um ciclo vicioso que vai minar completamente a credibilidade do uso dos canais de SAC apropriados. Também acho que a reclamação nas redes sociais são superestimadas. Isoladas, elas pouco influenciam na imagem da marca. Pra causar algum efeito, tem que ser algo que faça sentido para todos, não um episódio individual de mal atendimento. Uma TV sua que não funcionou… Ok, vc é um cara que considero e é ruim saber que você não endossa a LG. Mas o resto do mundo se preocupar com isso a ponto e fazer diferença na percepção de uma marca, o problema tem que ser “coletivo” (Usar pele de golfinho em um sapato, por exemplo. Ou ter comprado um cadeado que se dizia seguro e qualquer caneta BIC abre).
Por fim, SAC em redes sociais pode ser algo fabuloso. Mas não é uma competência da maioria das agências que cuidam da comunicação de marcas nas redes sociais. O uso destas ferramentas tem que partir de dentro da empresa, a partir de operadores que de fato possam se iterar do que está acontecendo e responder prontamente.

Abs e da próxima vez compra uma Panasonic.

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