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Exame de próstata

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A transição que as agências e anunciantes precisam fazer para se adaptar a nova realidade digital é sentida em muitas destas empresas como um exame de próstrata.

A comparação é tão perfeita que merece até começar com a piada óbvia, dizendo que ambos começam com uma inclusão digital. :-D

Mas a semelhança não para por aí, além de ser algo recomendado por todos os especialistas, quanto mais velha for sua empresa (ou você), maior o risco de não fazer (a transição, ou o exame de próstata).

Quanto mais você resiste, mais doloroso se torna o processo.

E por último, mas não menos importante, no final de tudo ainda é capaz que você goste.

Eu recomendo, mas pra mim é fácil dizer isso, afinal, eu sempre faço o papel do médico. Não é agradável, mas ainda assim, prefiro cumprir este papel do que o outro.

GRP na Web

clique para ampliarMichael Zimbalist, VP-research and development operations for The New York Times, sugeriu usarmos GRP na web. Resolvi escrever minha opinião sobre o assunto.

Começo apontando seu primeiro erro, que parte do entendimento de que internet resume-se a mídia gráfica (banners). Miopia até compreensível para quem trabalha em um jornal, cujo modelo publicitário se resume a isso. De qualquer forma, a discussão vale a pena.

Prosseguindo, ele tem razão quando diz que, no meio onde tudo é medido, não chegamos ainda em um padrão para mensuração. Não se trata de um paradoxo, nem é irônico como Zilmalist pensa. Temos mais acesso a informação. O monitoramento é mais preciso e mais rápido, bem mais que o ambiente tradicional, o analógico. Mas monitoramento não se traduz automaticamente em mensuração de resultados. E pular de um para o outro é mais difícil do que um mero jogo de palavras.

Métricas digitais são complexas e o mercado digital cometeu muitos erros no passado, como, por exemplo, usar parâmetros ineficientes e difíceis de serem compreendidos (como medir hits). É um mercado novo, de rápida mudança e evolução. Isso faz parte do amadurecimento do meio.

Quando ele diz que a métrica da internet não evoluiu, que o mercado olha apenas para unique views e mede apenas a taxa de cliques, ele ignora as iniciativas e os trabalhos das agências, veículos e anunciantes que já compreendem melhor o ambiente digital.

A compra da mídia gráfica continua sendo feita em grande parte baseada em impressões, ou seja, OTS (opportunities to see). Conceitualmente, apesar das diferenças técnicas, igual a maneira como compramos televisão.

Também já temos ferramentas para medir alcance e frequência na internet, na mesma linguagem e nos mesmos moldes que na televisão. E ainda assim, poderíamos discutir horas sobre as falhas e riscos do uso de amostragem para aferir audiência na internet e sobre as outras formas de comprar mídia gráfica.

Mas os meios são consumidos de forma diferente e apresentam oportunidades distintas. Usar GRP ou qualquer outra medida de audiência não resolve o problema posto por ele, de que não é simples medir um dos objetivo da propaganda, o de mudar comportamento ou a visão dos consumidores sobre uma marca ou produto.

Mas hoje já conseguimos olhar além do último clique, por entendermos que uma ação influencia em outra, e que o resultado de um meio influencia em outro. Hoje já temos maneiras novas para medir engajamento.

E com todas as similaridades, veicular na internet tem grandes diferenças da televisão. Apesar do banner servir também para fortalecer imagem da marca, na maioria das campanhas tem como objetivo levar o consumidor para outro lugar, onde a mensagem será melhor transmitida, como um hotsite promocional. Isso afeta diretamente a maneira como devemos olhar alcance e frequência.

Sua sugestão parece lógica. Facilitaria ter medidas únicas para todos os meios, mas ignora que precisamos evoluir nossas métricas para refletir um cenário muito mais complexo que vivemos hoje. Isso vale inclusive para a televisão.

Usar GRP poderia facilitar o entendimento, mas não resolve os problemas lançados pelo jornalista e criaria muitos outros.

E por fim, mas não menos importante, demonstra uma profunda falta de entendimento do universo digital e suas diferenças achar que isso aumentaria o investimento em internet. Simplifica demais os porquês da aparente falta ou baixo investimento, outro ponto que discordo.

O investimento no mundo digital tem crescido a cada ano, velozmente. E a velocidade desta transição depende de fatores muito mais complexos e profundos que a análise feita por ele.

Integração vem de cima

clique para ampliarQuando a gente levantava as pedras do jardim, tinha umas cobras, feias, branquelas, mas inofensivas, que espalhávamos nos bolsos, debaixo dos travesseiros, nos sapatos. Até o dia da bronca e da mesada suspensa.

Integração é uma palavra mais chata que sinergia, mas quer dizer a mesma coisa, e também trezentos e sessenta graus é mais monótono do que transmídia, mas é la même chose e tuti quanti, etc. e tal.

Da série “questões que não gostamos de levantar”, por que mesmo esse papo é irritante?

Falar em integração para terceiros é como escorregar uma serpente no cangote: quer dizer que não temos ou que está mal resolvido. Não é discurso que se venda, porque ninguém precisa saber a receita pra gostar de um prato. Integração deveria ser uma palavra para se xingar só na intimidade e geralmente usada na negativa: desintegração.

Integração da mídia com a criação com o planejamento e com o atendimento não se promove em reunião. Como é cultural, é também na hora do café e do mictório coletivo. É afinação de visões mesmo que as opiniões sejam diversas. É todo mundo empurrando o fardo na mesma direção, mas concentrado na sua tarefa.

Integração é uma função direta dos perfis de profissionais e principalmente da liderança, cuja única atribuição deveria ser essa: dizer para onde vamos. E como é a liderança que escolhe os perfis, integração, contrariamente ao que se pensa, vem de cima, e não o contrário.

A gente pode até promover encontros alegres, abraços coletivos, cursos de autoajuda e outras manifestações folclóricas que tais, mas, se os caciques não sabem ou não dizem para onde temos que remar, a integração não passará nunca daqueles morvets horríveis com os quais aprontávamos quando criança.

Daí, vem a outra integração que está mais na moda. Essa vadia dessa Internet causando, como sempre.

Tenta-se de tudo: apartar os nerds dos maconheiros, misturar os virtuais com os reais, grudar os mídia-mortas com um escravo mídia-viva ou o contrário. E tem até quem pense que tem que ter uma constelação de empresas coligadas trabalhando “em nível de integração”.

Funciona por soluços: muda a estrutura e dá um salto. Daí, engasga e tem que mudar de novo pra avançar mais um pouco. É um método. Cansativo.

O outro é decidir, tiranicamente, top-down, e punir severamente quem ousar pronunciar a palavra on-line e off-line, demitir sumariamente quem perguntar “E pra Internet, o que vai ser?”. É outro método. Doloroso.

Melhor tirar esparadrapo de uma vez ou aos pouquinhos?

CONAR

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CONAR significa Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Ele envolve agências, anunciantes e veículos em geral.

Perceba bem, em seu nome, missão, rito, regimento ou estatuto, fica claro que não é focado em meios, mas em publicidade.

Obviamente, fala sobre veiculação e veículos de comunicação, o que poderia gerar uma certa discussão semântica. Certamente, poderíamos ficar horas discutindo se o Youtube é veículo ou não.

Mas isso seria buscar uma brecha na legislação, o que seria meio besta, justamente por se tratar de autorregulamentação.

Já disse no blog e repito aqui, sempre fui a favor da autorregulamentação. Com todas as regras e exageros, ela é muito melhor que uma legislação criada por políticos cujo interesse e conhecimento é bastante dúbio.

O CONAR não existe e não deveria existir apenas pela imposição dos veículos.

Quer botar um filme brincando com a proibição, ok, mas dizer “veja nosso filme na Internet” é o mesmo que mandar o CONAR às favas.

Não quero tratar aqui se o comercial da Schin deveria ou não deveria ser barrado pelo CONAR. Deixo isso para outros blogs.

Concordando ou não com a atitude do CONAR, não acredito que agir assim mudará a atitude do Conselho. Agora, se alguém acredita que a autorregulamentação se tornou pior que a legislação, acredito ser esta é a melhor maneira de agir.

A autorregulamentação só existe se for respeitada, caso contrário, a mensagem que estaremos passando para a sociedade é que ela não existe, e que não somos capazes de nos autorregulamentar. Que precisamos de leis e punições para o nosso mercado.

Eu acho um tiro no pé.

Não acho inteligente no caso deste anunciante, que vende bebida alcoólica, tema bastante delicado e há tempos na mira da canetada.

E especialmente burro para alguém que não é lider de mercado, muito menos a marca melhor estabelecida, ou seja, quem mais perderia com a proibição total de propaganda na categoria.

E viva o pensamento de curto prazo.

Da simbiose ao parasitismo

clique para ampliarNa época de ouro da publicidade brasileira tudo era lindo e maravilhoso.
Campanhas milionárias, glamour, festas para todo lado, salários estratosféricos e produtores gráficos ficando ricos graças aos seus talentos.

Isso valia para agências, produtoras e fornecedores em geral.

A lucratividade era muito alta e dinheiro nunca era problema. Na verdade, nada era problema.

Faz pra amanhã!
Claro, sem problemas.

Nosso cliente não gostou depois de ver tudo pronto. Faz de novo, mas agora sem prazo e sem cobrar a mais!
Tudo bem, considere feito.

Faz de graça que esse é pra Cannes!
Será um prazer.

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Eu tenho alguma chance de conseguir um emprego numa agência?

Depois de responder mais de mil e quinhentas perguntas no formspring, percebi que existe uma questão recorrente feita por aqueles que estão começando a carreira ou saindo da faculdade. Uma questão que poderia ser resumida assim:

“Eu tenho alguma chance de conseguir um emprego numa agência?”.

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Homem Referência

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No árduo trabalho de criação, referências sempre foram importantes. Referências de todo tipo. As saudáveis, como estilos, tendências, novos fornecedores e novas tecnologias; e as não tão admiráveis, como as tais “referências de ideias”.

Shots (na época entregue em DVD) e a revista Archive foram referências obrigatórias por décadas.

Não podemos esquecer também, um tipo bem ordinário de referência, a mais braçal de todas. Achar imagens e fotos para compor o layout de diretores de arte.

Para este fim, acreditem ou não, no começo da década de 90 algumas agências criaram um cargo um tanto inusitado. Era chamado de homem referência (HR).

Na cadeia alimentar, o HR vinha logo abaixo do assistente de arte. Uma maneira bonita de dizer que ele ficava abaixo de cu de cachorro.

Se o diretor de arte precisava de um carro velho para seu layout, lá iria o HR folhear milhares de revistas atrás da imagem perfeita.

Tinha até certa lógica na época, pois era um trabalho mecânico e trabalhoso que comia preciosas horas dos diretores de arte e assistentes na época.

O HR sabia tudo, conhecia todas as revistas de cabo a rabo, sabia exatamente o estilo de cada diretor e onde buscar as imagens para agradá-los.

Mas o tempo passou e, gradativamente, Shots e Archive foram substituídos pelo YouTube, Flickr, FWA, FFFFound e outros repositórios pela Internet.

O HR parecia ter desaparecido, quando de repente, o ambiente digital trouxe ele de volta. Voltou na forma de blogueiro, destes que fazem coletânea de tudo que tem de interessante em outros blogs de comunicação. Alguns deles até foram contratados por agências.

Muda o cenário, mas não a cena. O criativo quer fazer um viralzinho, uma promoçãozinha, alguma graça e o HR do século 21 está para levantar o que foi feito pelo mundo.

Assim como no passado, o HR continua sendo apenas um intermediário entre o cara que criou de verdade e o cara que criou de mentira.

A diferença está apenas no glamour do nome do cargo, que agora tem nomes pomposos que falam de tendências ou inovações.

O preço que se paga

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Tem uma frase que vem sendo dita com frequência e me incomoda:

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Decadence avec elegance

clique para ampliarPor que não falamos sobre a crise? Por que nenhum veículo especializado no mercado de comunicação, seja ele online ou offline, falou mais profundamente sobre isso? Pensei muito sobre isso e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Não sei se é medo, cultural, fuga ou alguma estratégia para proteger o mercado.

Só no começo do ano, foram centenas de profissionais de comunicação para a rua, isso se contarmos apenas as maiores agências.

Não existe crise? Falar sobre isso aumentaria o problema? E não falar sobre isso, garante que passaremos por ela de forma mais suave? Garante pelo menos manter uma imagem de que está tudo bem na terra do rei?

Há muito tempo que eu já dizia, toda essa chinfra não te garante.

Seria fácil sustentar que os seniores que perderam o emprego refletem apenas uma adaptação do mercado à nova realidade, mas como ignorar todos os fatos, vendo que todos os níveis hierárquicos sofreram cortes duros.

Pelas minhas contas burras e informais, em meio semestre, as maiores agências deixaram sem emprego no mínimo 20% de seus profissionais.

Talvez seja um misto das duas coisas. A tal crise com a adaptação a uma nova realidade, mas por que este assunto não vem a tona. Nem sei se deveríamos discutir isso a exaustão, mas este silêncio me incomoda um pouco.

Costumo dizer que alguns veículos de comunicação não são irrelevantes mas já perderam a relevância. Isso vale para alguns veículos do nosso trade. Um jogo de palavras para mostrar que muitos sobrevivem apenas do passado, suportados pela marca.

E nos dias de hoje, com a concorrência da Internet, perder a relevância é o primeiro passo para perder a importância.

Afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo.
E se for… Descanse em paz.

Curso livre de especialização em marketing direto da ABEMD

Estão abertas as inscrições para a 16º curso livre de especialização em marketing direto da ABEMD.

O curso, que eu tenho prazer de lecionar algumas das aulas, é único no Brasil e tem atraído alunos de todo o país tendo formado mais de 350 profissionais.

A idéia do Curso Livre é formar gestores em Marketing Direto. Pessoas que dentro de uma operação saibam para que servem todas as ferramentas e como utilizá-las da melhor forma para empresa.

Durante as aulas os alunos aprendem na teoria e na prática temas fundamentais para ações de Marketing Direto, como canais que podem ser utilizados, life time value, fulfillment, estatística, entre outros.

Início: 04 de agosto de 2009
Aulas: 3ªs e 5ªs, das 20hs às 22hs
Local: Centro Brasileiro Britânico – Rua Ferreira de Araújo, 741 – 1º andar Pinheiros

Maiores informações e inscrições : clique aqui