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Meu recado para os alunos de propaganda e marketing

Vídeo da palestra que fiz na Cásper, para a Semana de Propaganda.

Tento passar um pouco da minha visão sobre o que está mudando nas agências e o que isso significa para os estudantes de propaganda e marketing.

Talvez seja a palestra menos glamurosa que já fiz. Normalmente sou chamado para falar de novas tecnologias, inovações e tendências, mas é uma conversa franca e direta que acredito ser importante para o momento atual.

E para quem não quer ver minha cara linda, tem o áudio abaixo para escutar ou baixar.

download MP3

Curso de marketing direto da ABEMD

Estão abertas as inscrições para a 20º curso livre de especialização em marketing direto da ABEMD, ano em que o curso completa 10 anos.

O curso, que eu tenho prazer de lecionar algumas das aulas, tem como objetivo formar gestores em Marketing Direto. Pessoas que dentro de uma operação saibam para que servem todas as ferramentas e como utilizá-las da melhor forma para empresa.

Durante as aulas os alunos aprendem temas fundamentais para ações de Marketing Direto, como canais que podem ser utilizados, life time value, fulfillment, estatística, entre outros.

Início: 09 de agosto de 2011
Carga Horária: 80hs/aula
Aulas: 3ªs e 5ªs, das 20hs às 22hs30
Local: Centro Brasileiro Britânico
Endereço: Rua Ferreira de Araújo, 741 – 1º andar – Pinheiros – SP

Para maiores informações e inscrições, clique aqui.

Palestra FGV

A convite do Prof. Luis Sá, vou palestrar na FGV Berrini dia 4 de julho às 21:30.

Não fechei o tema ainda, mas estou pensando em tratar de algo mais denso do que normalmente trato em palestras abertas.

Pensei em falar sobre:

  • o que mudou no ambiente digital dentro das agências tradicionais nos últimos 5 anos
  • quais as principais dificuldades para estas agências
  • como a WMcCann está investindo no digital e enfrentando estas mudanças
  • onde já conseguimos chegar, quais serão nossos próximos passos
  • e por último, mas não menos importante, o que os alunos deveriam aprender com isso.

Se você é aluno, espero você por lá. Pode levar um monte de pergunta cabeluda para a discussão ficar mais rica.

Eduardo e Mônica

Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

Quem tem kübler, tem medo

clique para ampliarPor uma série de coincidências, nos últimos meses acabei tendo muito contato com meus colegas jornalistas. E obviamente que conversamos sobre o momento que vivemos. Para quem trabalha com comunicação, falar sobre a transição que vivemos é tão padrão quanto falar sobre política, futebol ou o sobre o clima com taxistas.

Tirando a aula na master de jornalismo, cuja discussão foi muito boa e cujos alunos me pareciam bastante conscientes da realidade atual, as conversas que eu tive com donos e gestores de veículos em geral foi bem diferente.

Uma das frases que escutei com certa frequência nestas conversas foi “aqui é diferente”. E como escuto esta frase há 15 anos no mercado publicitário, resolvi escrever sobre isso.

Um destes contatos talvez ilustre bem. Foi para um pedido de palestra vindo de uma associação ligada ao jornalismo. O briefing era bem claro:

  • No Brasil, o jornalismo vive uma situação bem diferente dos países desenvolvidos, que estão em crise.
  • Aqui o mercado continua crescendo, com vários títulos aparecendo nos últimos anos.
  • A circulação cresce fortemente e temos um enorme campo a explorar das classes emergentes. (aliás, este trecho me lembra este post)

Ou seja, tudo são flores na terra brasilis.

Ou eu estou muito errado na minha análise, ou esta e as outras pessoas com que conversei estão passando pelos estágios de um grande trauma.

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross escreveu sobre os 5 estágios do luto. Em outras palavras, os estágios que passamos quando lidamos com a perda ou tragédia.

Os estágios, devidamente copiados da Wikipedia, são:

  1. Negação e Isolamento: “Isso não pode estar acontecendo.”
  2. Cólera (Raiva): “Por que eu? Não é justo.”
  3. Negociação: “Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem.”
  4. Depressão: “Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?”
  5. Aceitação: “Tudo vai acabar bem.”

A tragédia, neste caso, é a revolução que estamos vivendo. Uma transição que derruba barreiras de entrada em uma série de modelos de negócios baseados na revolução industrial.

Uma transição que deixa os líderes mais tradicionais sem chão e sem saber para onde correr para manter faturamento, lucratividade e poder.

Pelas minhas experiências, eu diria que os publicitários estão no estágio 3, 4 ou 5. Nem todo mundo está no mesmo patamar, mas eu diria que a negação e a raiva já passaram para a maioria deles.

Agora, em relação ao jornalismo, visto minhas últimas conversas, diria que ainda estão no primeiro estágio: a negação.

Para estes, #ficaadica que os publicitários já aprenderam: não, o Brasil não é diferente.

E, por favor, fiquem logo com raiva.

Dê sua opinião nas enquetes abaixo:

Em qual estágio estão os jornalistas?

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Em qual estágio estão os publicitários?

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Entrevista Jovem Pan

Tive o prazer de ser entrevistado hoje por Décio Clemente na Jovem Pan, os vídeos estão abaixo.

EBP 2010 – Cavallini responde – vídeo

Quando contei minha proposta para ser sabatinado do EBP 2010, alguns conhecidos tiraram sarro da minha cara. Disseram que eu virei celebridade.

Mas a verdade é que minha sugestão de fazer assim era por acreditar que seria o melhor formato. Melhor que escutar alguém falando sem parar com um script fixo e melhor que mesas redondas cheias de gente onde não sobra tempo para ninguém falar nada direito.

O formato não é novo, eu mesmo ja participei do outro lado, “sabatinando” o Marcelo Tas.

No final, eu gostei bastante do resultado, aproveito para agradecer o Gabriel Jacob pelo convite e ao Prof. Eric Messa por coordenar e elaborar as perguntas. Espero que vocês gostem também.

Algumas perguntas que foram abordadas no vídeo:

Qual o buraco que as agências ainda não ocuparam?
Existe alguma demanda latente no mercado publicitário?
O mercado é moderno e ágil ou conservador?
O mercado está evoluindo?
O que faz um vp de convergência?
Uma agência precisa de um vp de convergência?
As faculdades estão prontas para ensinar esse novo modelo?
O que é preciso para evoluir?
É preciso conhecer o sistema a fundo para poder subvertê-lo?
Eu preciso ter uma conta no twitter, no facebook, etc.?
Qual o conselho para alguém que está procurando um estágio hoje?
Você precisa ser seu próprio professor para aprender?
Como idenficar tendências?
Facebook é moda ou vale a pena usar?
Branded Content é o caminho natural, e Transmidia?
QR-Code, realidade aumentada e outros formatos tecnológicos morrem ou tem futuro?

Ah, adorei na edição, quando falo da minha mãe, mostram uma senhora na platéia, dando a impressão de ser minha mãe. :-D

Vamos digitalizar nossa agência?

Com certeza você já ouviu a frase “estamos digitalizando a agência”. Mas alguma vez você já parou para pensar o que precisa ser feito para realmente digitalizar uma agência com um DNA “offline”?

- Acima de tudo, você precisa parar de falar que está digitalizando a agência. Prove que está fazendo isso. Coloque trabalhos na rua, entregue algo na mesma qualidade dos trabalhos que você vê por aí em blogs de propaganda ou em Cannes e tanto admira. Ou seja: não é comprando um plano de mídia com formatos digitais e fazendo banners que você irá se digitalizar.

- Contrate quem entende de digital, mas não necessariamente apenas pessoais digitais. Não adianta criar um departamento de internet – você só jogou pra dentro de casa o que teria feito contratando um fornecedor externo, e agora com custos fixos. Ou seja: contrate criativos, planejadores, mídias, atendimentos que tenham experiência de online mas capacidade de fazer tudo e mescle com quem não possui experiência digital mas tem vontade de aprender.

- Pare de criar pensando apenas em execuções. Isso é uma prática muito comum das agências tradicionais – ao invés de focar na criação do conceito, da idéia, a coisa sempre cai na execução de um filme de 30” e um anúncio página dupla. Daí o que acontece? Tudo que será criado depois será um desdobramento de uma execução, e não de uma idéia. Quando o foco é um conceito, fica mais fácil (e natural) pensar em como levar a campanha para outros meios.

- Pense integrado. Se você vai criar algo bacana que envolve 4, 5, 10 pontos de contato com o consumidor, por que não comunicar algo que faça sentido entre eles? Não é porque você colocou um endereço web no final do seu filme de 30” que eles estão interligados. Pense em como eles funcionam juntos, qual a função de cada um. Alguns meios podem fazer mais do que simplesmente dar exposição para a marca.

- Crie histórias. A internet tem um poder muito grande de ser usada como uma plataforma, e não apenas para fazer hotsites que entram e saem do ar toda semana. E para isso, sua comunicação (e suas campanhas) precisam fazer sentido, possuir uma sequência lógica. Não é difícil, vai – todo mundo sabe contar uma história. Então conte a da sua marca para o seu consumidor. Aliás, reflita isso na hora que for apresentar para o seu cliente uma campanha: ao invés de jogar execuções impressas na mesa para ele escolher, que tal conduzí-lo através de uma jornada? (sim, faça ele se sentir em um cinema, brinque de Hollywood)

- Não chame a “galera de digital” no final do processo de criação, chame no começo. De novo: se a estratégia digital não veio junto com o resto, de que adianta se digitalizar? Uma campanha pode mudar inteiramente por causa de uma idéia ou aplicação na web, em mobile. Pense nas últimas coisas bacanas que você viu em Cannes (as realmente bacanas e aclamadas, pára de pensar no impresso supercool que você viu mas o consumidor não entendeu). Agora tira do projeto o PR, o digital, a repercussão na web. O que sobrou? Praticamente nada. Então por que você acha que vai criar algo incrível fazendo diferente?

- Tecnologia e mídia precisam estar na mesma mesa. Não adianta pensar em algo “muito louco” se depois ninguém viabiliza. Deixemos os egos de lado e vamos criar juntos. Vai ser melhor pra todos. Tenha um cara de tecnologia na sua equipe para dizer “dá; não dá”- nem que isso signifique contratar uma máquina que só existe na Rússia para viabilizar as idéias. Você pode saber muito de comunicação, mas no processo digital tem gente que sabe tanto quanto você de áreas muito importantes.

E por fim, pare de achar que isso é um processo longo. Não é. No máximo, algo de médio prazo. É simples: as pessoas mudam porque querem, ou porque são forçadas. Se não é brusco, não vão mudar. Em 6 meses você consegue mudar a cultura de um lugar se todos no comando quiserem, mas você pode levar anos para mudar o jeito de uma pessoa. Mas essa mudança é um exercício diário, e não um discurso mensal. Cada vez que você abre uma exceção no processo, regride meses na mudança. Ou seja: mude agora para aproveitar o quanto antes.

Que tal pararmos com o papinho e realmente mudarmos?

Texto de Bruno Mendonça, publicado originalmente no beta-carotenium.

Um mercado que vive de ideias, não valoriza quem as tem

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Não deve ser diferente em muitos outros mercados, mas falo pelo meu: a maioria das agências não se preocupa com qualidade de vida.

Não existe plano de carreira, não se investe em treinamento, o estagiário é sinônimo de mão de obra barata e o RH funciona apenas como assistente administrativo pra receber nota e entregar o tico refeição.

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Exame de próstata

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A transição que as agências e anunciantes precisam fazer para se adaptar a nova realidade digital é sentida em muitas destas empresas como um exame de próstrata.

A comparação é tão perfeita que merece até começar com a piada óbvia, dizendo que ambos começam com uma inclusão digital. :-D

Mas a semelhança não para por aí, além de ser algo recomendado por todos os especialistas, quanto mais velha for sua empresa (ou você), maior o risco de não fazer (a transição, ou o exame de próstata).

Quanto mais você resiste, mais doloroso se torna o processo.

E por último, mas não menos importante, no final de tudo ainda é capaz que você goste.

Eu recomendo, mas pra mim é fácil dizer isso, afinal, eu sempre faço o papel do médico. Não é agradável, mas ainda assim, prefiro cumprir este papel do que o outro.