O mago do 171.


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A história se repete ano após ano. Muitas séries chegam ao fim sem um final.

É um baita desrespeito.

Você pode argumentar que não é possível prever se a série será um sucesso ou não e que é impossível manter no ar o que não traz retorno.

Pode dizer que é mesmo que lançar um produto e tirá-lo de circulação caso ele não tenha vendido o esperado.

Mas a discussão não é tirar o produto de circulação, o problema é não dar garantia ou manutenção nos que já foram vendidos.

Consumidores investem nas séries (dinheiro e tempo) e esse relacionamento deveria ser respeitado.

Vai tirar a série do ar, pelo menos faça um capítulo final para encerrar o drama. Não é o ideal, mas é menos pior que terminar sem final. Se duas horas são suficiente para fazer um longa, uma hora seria suficiente para encerrar qualquer drama.

Mas a falta de respeito não necessariamente pode ser chamada de golpe. Parece muito mais ser um descaso do que algo armado, até porque, ninguém busca o fracasso.

O verdadeiro 171 é aquele que é planejado.

O mestre dos magos desta jogada é J. J. Abrams. Conseguiu enrolar milhões de pessoas com 6 temporadas de Lost, a série mais engana trouxa do universo.

Em 2007, Abrams foi ao TED e mostrou uma caixa fechada de mágicas que ele nunca abriu. Segundo ele, o mistério é mais importante que o conhecimento.

Para muitos isso pode ser genial, para mim é a maior picaretagem do universo.

Mas explica bem por que suas séries não tem nenhum compromisso com a regra mais básica de toda e qualquer história: ter começo, meio e fim.

E de quebra, explica também por que alguns acham ele tão genial. Sem compromisso com o fim, é fácil viajar muito no começo.

Vamos botar um urso polar numa ilha tropical? Claro, porque não. As pessoas vão adorar ficar imaginando os porquês depois que a gente encerrar a série.

Bullshit.

Alguém precisa explicar para Abrams que o mistério gera expectativa, e por isso é proporcional ao tamanho da frustração.

13 comentários

  1. @mpommella says:

    La vem mais enganacao – http://youtu.be/JwfCRAtkYEI – Tem aviao caindo… gordinho nerd e terminais antigos…meh.

  2. heinar says:

    Quando foi que a gente passou a esperar finais em seriados? Antigamente eles nao tinham comeco, nem meio nem fim e ninguem reclamava. Dai comecaram a surgir os tais arcos de historias que duravam uma temporada. Com o aumento da profundidade dramatica, aumenta o relacionamento com os personagens e o tal "investimento emocional" na serie. O problema é que o formato mudou, mas o modelo de negocio, baseado em ratings nao. Caiu a audiencia, a serie morre, sem perdão. Então o criador tem que ir se balançando, criando caminhos duplos pra dar um arremate caso a serie seja cortada. Não tem como fazer um final convincente num esquema desses.
    Ficar frustrado com final de seriado é infantil. Se a serie for boa, o final vai ser sempre frustrante. O que resta é a esperança que ela reencarne numa forma superior de vida, como o cinema.

    • cavallini says:

      Heinar, a gente sempre esperou final em tudo. O que acontece é que antigamente era muito mais comum seriados que não tinham uma historia central, eram apenas passagens do dia-a-dia dos personagens. Ninguem esperava por um final em CHIPS, mas Dallas sim.Alias, esse tipo de serie ainda é muito comum hoje (Friends, Seinfeld, Two and a Half Men, The Big Bang Theory, etc)

      Ninguem esperava por um final em CHIPS, mas Dallas sim.

      O ponto é que surgiram muitas series cujo final é necessario.
      Busquei na web uma lista das series canceladas este ano, das que eu conheco, identifiquei duas que ficaram sem pé nem cabeça porque nao tiveram final (Alcatraz, Terra Nova)

      Nao vejo infantilidade em esperar final (e cobrar por ele).

  3. heinar says:

    Vai ver serie dinamarquesa bancada pelo governo entao. Todas tem cømeçø, meiø e fim.
    JJ inventou uma formula pra enganar o sistema. Cria trama paralelas que podem ou não ser esticadas na próxima temporada. Em Alias, todo personagem em algum momento virava "do Mal". Fringe teve realidades paralelas, perpendiculares e um capitulo no futuro sem nenhuma explicacao. Teve um capitulo final, mas como foi renovado, botaram um gancho depois do final. Se terminasse agora, ia ser o segundo final mais babaca de todos os tempos, perdendo só para o de Lost.
    Pedir final de série é que nem voltar pra cama pra tentar terminar o sonho. Melhor deixar onde parou.

    • cavallini says:

      JJ é um genio? concordo. Só acho que precisa se ajudar um pouco.
      Se isso significa se limitar, talvez. Mas é meu ponto. Viajar sem limite é facil.

      Tramas paralelas? nao sou contra, sou a favor. A discussao nao sao tramas paralelas.
      Tb nao acho que precisa ser que nem novela brasileira, onde tudo tem um final muito bem explicado. Só acho que tem limite pra bagunça.
      Aquele capitulo do futuro de Fringe é uma maconha só. Desnecessario. Teve explicacao, a mais babaca de todas (foi um sonho). Mas esse capitulo nao me incomoda. Acho que fringe ele conseguiu terminar bem. Nao vejo nenhum problema o gancho no final.

      Acho alias que Fringe é um bom exemplo de ver que o JJ esta comecando a entender que as coisas precisam de um final.

  4. Miguel says:

    A galera tá ficando de saco cheio dessas séries de mistério, porque perceberam que é um monte de ideias jogadas no ar que depois eles correm atrás de responder ou não.

    Ok que a parte mais difícil de qualquer história pode ser escrever o final, mas não quer dizer que não seja possível. Os livros de Asimov são na maioria grandes histórias de mistério com finais bem resolvidos.

    Um exemplo da galera ficando puta é o final de Mass Effect 3. Neste caso como é um jogo conseguiram que a produtora criasse mais cenas para completar a história (isso ainda será lançado via patch).

  5. Alceu Baptistão says:

    Olha, Cava, em que pese a decepção no final, não posso negar que me diverti muito assistinhdo o Lost. Eu acho que o J. J. tem a sua razão. Não importa o quanto imaginativa seja a solução de um mistério, ela sempre ficará aquém da expectativa. Resumindo, a diversão está lá o tempo todo, menos no último capítulo. Fair enough.
    Abraço

  6. @olavao says:

    Gostei muito do ponto de vista do heinar :)

  7. tisrtergioti says:

    I like it; short of love.

  8. dowslihostu says:

    ha… almost perfect

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