Monthly archives: November 2011

Carta aberta à Anatel

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São Paulo é a cidade dos eventos, tem cerca de 100 mil deles por ano.

A cidade também famosa por sua concentração. Seus mais de 10 milhões de habitantes adoram se juntar em alguma área da cidade para causar trânsito, poluição e barulho.

Qualquer pessoa que tenha participado de algum evento sabe do que eu estou falando. Basta juntar algumas centenas de pessoas no mesmo local e o 3G da região vai pro saco.

Tem culpa das operadoras? Claro que tem. Mas apesar de estarem melhorando, as regras da Anatel para a qualidade da banda larga móvel ainda tem um buraco que me parece que não foi resolvido: como garantir o funcionamento da rede durante eventos, show e outras grandes concentrações de pessoas.

Não consegui achar nada no site da Anatel nem no resto da internet que falasse a respeito, mas acho que é algo que deveria ser estudado e proposto.

Veja, não estou apenas preocupado com o serviço para quem está no evento, mas principalmente para quem está fora dele. Um evento atrapalha toda a região a sua volta que é coberta pelas mesmas antenas.

Rola um evento e os comerciantes locais não conseguem aceitar pagamento de cartão de crédito, que usam a rede celular. Dependendo do tamanho do evento, nem ligar pra ambulância alguém consegue. Não é só uma questão de garantir nível de serviço, mas uma situação de necessidade pública. Comunicação é hoje tão importante quanto outros serviços básicos.

Minha sugestão seria apenas melhorar a portaria que trata de eventos. Um evento pode trazer riscos a população. Coisas como incêndio, pânico, etc. Organizadores precisam cumprir uma série de exigências e providências relativas a sanitários, estacionamentos, etc. Por isso, é preciso ter alvará de funcionamento na prefeitura para eventos geradores de público.

Assim como o evento precisa se organizar com a CET, também deveria pagar uma taxa para as operadoras para elas providenciarem infraestrutura para suportar o evento.

Se isso seria feito via femtocell, botando antenas extras ou seja lá qual for a tecnologia não importa, mas deveria ser resolvido.

Não é simples, além do governo municipal ou estadual, a própria Anatel precisaria ajudar a regulamentar e impor limites. Mas não tenho dúvida que é necessário.

Além de tudo, fica bem feio para SP. A cidade dos eventos é também a cidade dos negócios. Não ter um 3G que preste fica bem feio. Como diria a velha piadinha do twitter: se está assim agora, imagina na Copa.

Se você é gestor, deveria ler a biografia de Jobs

Como não poderia deixar de ser, a biografia do Steve Jobs é a história de Apple. E se você não se atentou ainda, é simplesmente a empresa de maior sucesso da última década (talvez do século). Nenhuma empresa cresceu tanto e nenhuma teve seu crescimento tão ligado ao fruto de seu próprio trabalho (e não do monopólio, da reserva de mercado ou outras barreiras de entrada).

Fora isso, é talvez a empresa com altos e baixos mais bruscos na história recente. Em 1997, valia 2 bilhões e estava literalmente quebrando. Seu caixa não sustentaria a empresa por meros 3 meses. Chegou em 2011 como a empresa mais valiosa do mundo, valendo 341.5 bilhões de dólares e com um caixa de 75 bilhões, montante maior que o da reserva do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Tudo isso torna a história ao mesmo tempo interessante e rica para tirarmos lições.

Se você é gestor, deveria ler este livro.

E ainda leva de brinde uma parte da história da Pixar, que é igualmente interessante e rica em aprendizados.

Eu já li outros livros que contam a história da Apple e da Pixar. Alguns são inclusive mais completos em algumas passagens ou histórias. A diferença é que este tem as opiniões e sentimentos do cara que comandou tudo isso.

Opiniões e sentimentos que foram filtrados pelo autor através de dezenas de entrevistas com afetos e desafetos de Jobs. Parceiros e concorrentes. Gente que o amava, gente que o odiava e gente que tinha os dois sentimentos ao mesmo tempo. Com todos os riscos da visão filtrada pela ótica de uma única pessoa, é certamente o livro que contará a história com maior precisão e mais próxima da realidade.

Mas voltando ao ponto principal, não quer dizer que você deva ser igual ao Steve Jobs, mas que você deveria refletir e tentar tirar lições de seu legado e da história da Apple.

Não é uma tarefa fácil. Por não ser um livro de vendas, de gestão ou de marketing — que seria escrito por algum guru — ele não está mastigado para gestores. O livro não tem lição de moral, bullet points com aprendizados e muito menos os 10 passos sobre o que fazer e o que não fazer.

Mas não se engane, essa biografia é exatamente isso. Um livro de marketing, um livro de vendas, um livro de inovação, um livro de gestão.

Eu tirei minhas conclusões, ou diria até — como sempre acompanhei a Apple e Jobs e já tenho mais de 20 anos de carreira em corporações — apenas reconfirmei as minhas.

E recomendo fortemente a leitura para que você tire as suas ou que apenas as reconfirme.

HSM ExpoManagement

Convidado pelo Ricardo Longo e pela Nexial, vou participar do debate “Mobilidade e Poder: Criando Estratégias Vencedoras para Aplicativos, Sites Móveis e Games” na HSM ExpoManagement. Trata-se de um dos auditórios paralelos que fazem parte do programa oficial do evento. O debate será dia 09 novembro das 14:50 às 16:00. Se você estiver por lá, compareça.