
Fiquei muito triste quando Jobs saiu da Apple e mais ainda agora, com a notícia de sua morte. Wozniak e Catmul me fizeram aprender a amar tecnologia enquanto Jobs e Lasseter me fizeram ter gosto de misturá-la com artes e comunicação. Comecei minha carreira fazendo computação gráfica e grande parte da minha vida pessoal e profissional acabou sendo pautada por tudo o que esses caras criaram. Jobs nunca foi o único responsável mas foi quem tornou tudo isso viável e grandioso.
Sentia que não precisava falar mais sobre o assunto porque todos já estavam reconhecendo sua importância. Ele passou a ser chamado de CEO do século, foi comparado a Thomas Edison e Henry Ford e ganhou a merecida atenção de todos, virando capa em todos os veículos, inclusive no Brasil.
Mas depois de assistir alguns programas sobre o acontecimento, notei que a maioria dos “especialistas” convidados para falar sobre o assunto acabaram minimizando a importância de Jobs.
E como o blog é sobre comunicação, achei que valia a pena dar minha opinião sobre essa trapalhada.
Um dos programas pode resumir bem o que estou falando.
Mario Jorge, da revista Mac+, falou que o Jobs roubou a Xerox. Pedro Doria, do Jornal O Globo, disse que o Jobs humilhava as pessoas e as fazia chorar. E Luciano Kubrusly, que foi o primeiro um dos primeiros GM da Apple no Brasil (e não sei por qual motivo alguém desenterrou ele), disse que o Jobs tinha a capacidade de fazer as pessoas acreditarem nas ideias dele, mesmo que idiotas (citou o campo de distorção de realidade) e disse que ele tinha a capacidade de juntar o que já estava pronto e fazer parecer dele e melhor (disfarçando uma crítica de elogio).
Isso tudo sem contar a idiotice de alguns posts em blogs querendo chamar atenção, um deles, no blog que eu menos esperava ver isso: o Update or Die.
Acho que a grande maioria não fez por maldade, mas por descuido. Na tentativa de mostrar o quanto conheciam sobre o assunto, acabaram prestando um desserviço.
Não por achar que quem morre vira santo, que o Jobs era perfeito e nem tampouco por achar que, quando uma pessoa morre, não é a hora certa para bater (apesar de achar uma grosseria fazer isso).
Nem estou julgando se o que falaram é verdadeiro ou falso. O ponto é que eu acho que a maioria das pessoas que assiste a estes programas (estamos falando de mídia de massa e não é pouca gente) conhece o Jobs apenas como o cara que criou brinquedos legais ou produtos de sucesso.
Não é totalmente errado. Aliás, este foi o jeito que eu expliquei pra minha filha de 5 anos. Disse que ele foi o cara que inventou um monte de coisa que faz parte da vida dela, como o media center, o iPhone, o iPad, o iPod, os computadores do papai e da mamãe. Enfim, o cara que criou tudo aquilo que tem a maçazinha, não vai mais trabalhar e por isso eu estava triste.
Mas para os adultos, acho que era importante dizer o que ele representou de verdade.
O impacto de Jobs vai muito além do lançamento de produtos de sucesso. Ele criou e transformou várias indústrias. A do cinema, computadores, software, música, telecom, publishing, etc. Algumas destas mudanças nem podem ser mensuradas por estarem apenas começando.
Provou que é possível inovar, crescer e ter lucro tendo o consumidor como centro, excelência como mantra e amor ao que faz como combustível.
E por último mas não menos importante, seu trabalho mudou o comportamento das pessoas e inspirou muitas outras a também mudar o mundo, cada um do seu jeito.
E para pessoas como eu, que a vida inteira estudaram e trabalharam com tecnologia, foi confortador perceber que a tecnologia e inovação que muda o mundo para melhor, também pode vir do entretenimento e de qualquer empresa, e não apenas da indústria bélica.