Eduardo e Mônica


Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

10 comentários

  1. Eu concordo plenamente com você. Escrevi um texto praticamente igual ao seu na minha página. Seria plágio? Tô nem aí. Muitas vezes o ego do publicitário atrapalha seu campo de visão periférica. Uma pena

    • cavallini says:

      verdade, bem similar

      por isso que eu nao gosto de falar sobre a polemica da semana, dificilmente minha opiniao sera algo novo que irá contribuir para a discussao.

  2. miranda says:

    Poxa Dr…. Entendi seu ponto. Mas não concordo (muito).
    Mesmo porque os caras não apenas coloram o vídeo no YouTube.

    Mas claro que ele tem um poder viral fudido. Mérito. Bom mesmo.
    Vídeos e conteúdos de marcas que se espalham sozinhos pela net como entretenimento espontâneo é o top da propaganda. Vemos isso lá fora. Admiro marcas que apostam nisso.

    Só acho que um filme tem sim muita relação com o outro. Sei lá… Minha opnião… Se acontecesse uma coincidência dessa comigo – eu ficaria bem inconformado. E pensando ao contrário – se eu fosse me "inspirar" nele para tentar viralizar a parada – eu ficaria incomodado. Acho até que se eu compartilhasse isso com as pessoas elas iriam achar que é gozação (a não ser que eu desse crédito como o Itaú fez com um filme chamado "Crianças" no YT) .
    Internet é internet.

    Sei lá… Errado julgar mesmo. Coincidências existem mesmo (e isso é foda)
    Mas concordo com você que eles acertaram em cheio no formato – e isso faz toda a diferença nessa estratégia mais inteligente. E isso realmente é o principal.

    Abraço

  3. @mpommella says:

    Nao existe razão, nas coisas feitas pelo coracao.

  4. Como foi dito, que existe coincidência, existe!
    Se foi feito de propósito, não sabemos. Mas por ser uma agência grande deveria ter esse conhecimento, mas também como foi dito, são eras diferentes, em 2000 era conexão distada, tipo de veículos diferentes de hoje em dia.
    Mas a grande razão para o "#plagio" ter sido "tuitado", que hoje o pessoal entra no embalo, é legal ser "maneiro", fazer piadinhas, ta falando o que todos falam.
    Mas como você conclui, a maioria gostou do novo (apenas de em 2000 os recursos eram outros).

    E uma coisa que percebi, não pesquisei muito também e não sei se porque minha timeline é mais de profissional da área, mas o pessoal anda falando mais mau da Agência Africa do que a Vivo.

    Apenas opinião!

    • cavallini says:

      discordo que agencia deveria ter esse conhecimento. Deveria sim pesquisar antes de botar algo no ar, mas é inviavel conhecer todos os comerciais de todos os tempos. Ate pq, nao adianta olhar somente na propria categoria (apesar do exemplo em questao ser da mesma categoria).

      Quem defende que existe plagio critica a agencia pq se ele (plagio) aconteceu, a responsabilidade primaria seria da agencia e nao do anunciante.

  5. Ender says:

    Eu entendo o seu ponto no texto.

    O problema que aparentemente ninguém está entendendo é o seguinte: Essa propaganda foi feita pra outros publicitários ou para o público?

    Eu nem discuto sobre ser plágio. Não é. Mas é fortemente influenciada (coincidentemente ou não) pela versão da ATL: É basicamente uma versão muito melhorada. Volto a dizer, coincidentemente ou não. Mas ainda assim pode ser dito que são basicamente, a mesma coisa.

    O que passa despercebido é que para o público em geral não importa se era uma ação de marketing, branding, whatever. O público não conhece nada disso. O que o público conhece é inspiração/plágio. E é sobre isso que vão falar: sobre o que conhecem.

    Eu, se fosse o representante da VIVO junto a agência talvez ficasse feliz: o vídeo repercutiu tanto, criou buzz, provavelmente atingiu o primeiro objetivo: estão falando sobre ele. Agora, se tivessem me mostrado que a ATL havia feito uma propaganda parecida há 10 anos, antes do vídeo atual ter sido veiculado, eu teria vetado. Mesmo o vídeo atual sendo infinitamente superior.

  6. Marcelo Castro says:

    acho que não da para colocar na mesma balança a eficácia com a idéia…o que a vivo fez ficou irado, o público todo gostou e pronto…mas a idéia é muito igual para ser uma simples coincidência…e a ética da profissão onde está?…muitas vezes os fins justificam os meios no nosso mercado…o projeto todo em cima do filme foi muito bem feito, o projeto é realmente muito bom, mas anti-ético

  7. O formato é a mensagem já diria o sábio McCavallini

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