Quem tem kübler, tem medo


clique para ampliarPor uma série de coincidências, nos últimos meses acabei tendo muito contato com meus colegas jornalistas. E obviamente que conversamos sobre o momento que vivemos. Para quem trabalha com comunicação, falar sobre a transição que vivemos é tão padrão quanto falar sobre política, futebol ou o sobre o clima com taxistas.

Tirando a aula na master de jornalismo, cuja discussão foi muito boa e cujos alunos me pareciam bastante conscientes da realidade atual, as conversas que eu tive com donos e gestores de veículos em geral foi bem diferente.

Uma das frases que escutei com certa frequência nestas conversas foi “aqui é diferente”. E como escuto esta frase há 15 anos no mercado publicitário, resolvi escrever sobre isso.

Um destes contatos talvez ilustre bem. Foi para um pedido de palestra vindo de uma associação ligada ao jornalismo. O briefing era bem claro:

  • No Brasil, o jornalismo vive uma situação bem diferente dos países desenvolvidos, que estão em crise.
  • Aqui o mercado continua crescendo, com vários títulos aparecendo nos últimos anos.
  • A circulação cresce fortemente e temos um enorme campo a explorar das classes emergentes. (aliás, este trecho me lembra este post)

Ou seja, tudo são flores na terra brasilis.

Ou eu estou muito errado na minha análise, ou esta e as outras pessoas com que conversei estão passando pelos estágios de um grande trauma.

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross escreveu sobre os 5 estágios do luto. Em outras palavras, os estágios que passamos quando lidamos com a perda ou tragédia.

Os estágios, devidamente copiados da Wikipedia, são:

  1. Negação e Isolamento: “Isso não pode estar acontecendo.”
  2. Cólera (Raiva): “Por que eu? Não é justo.”
  3. Negociação: “Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem.”
  4. Depressão: “Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?”
  5. Aceitação: “Tudo vai acabar bem.”

A tragédia, neste caso, é a revolução que estamos vivendo. Uma transição que derruba barreiras de entrada em uma série de modelos de negócios baseados na revolução industrial.

Uma transição que deixa os líderes mais tradicionais sem chão e sem saber para onde correr para manter faturamento, lucratividade e poder.

Pelas minhas experiências, eu diria que os publicitários estão no estágio 3, 4 ou 5. Nem todo mundo está no mesmo patamar, mas eu diria que a negação e a raiva já passaram para a maioria deles.

Agora, em relação ao jornalismo, visto minhas últimas conversas, diria que ainda estão no primeiro estágio: a negação.

Para estes, #ficaadica que os publicitários já aprenderam: não, o Brasil não é diferente.

E, por favor, fiquem logo com raiva.

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4 comentários

  1. @mpommella says:

    Estamos caminhando para uma sociedade planetaria tipo 1 onde todo o planeta esta concetado. O Brasil precisa parar com esse papo de que aqui eh diferente… bom, os jovens ja sacaram isso.

  2. @rodrideme says:

    Vou dividir ainda mais essa brincadeira. Divido os jornalistas e publicitários em dois grupos:

    - O primeiro grupo é formado por profissionais vitoriosos, e reparem que não estou dizendo competentes.Vitoriosos porque foram bem sucedidos como empresários ou funcionários de grandes grupos de comunicação. Todos estão entre a raiva e a negociação.

    - O segundo grupo são todos que já nasceram em meio as mudanças. É toda essa rapaziada que vive na era dos bilionários aos 30. Eles foram picados por Facebook, Google, Huffingpost, Gizmodo e tantos outros que independente da idade física, mostraram que o que vai dar certo amanhã ainda não foi dito hoje e por isso nunca entraram em luto, nunca perderam nada.

  3. Michel Pereira says:

    Olha o vídeozinho legal para ilustrar o post: http://www.youtube.com/watch?v=Usm9SpnHYJQ

  4. diogenes says:

    Excelente reflexão Cavallini. Já ouvi muita gente dizer isso "aqui é diferente". Para mim isso soa mais como uma desculpa para se manter na zona de conforto (com medo do novo) do que propriamente uma análise da realidade.

    abraços

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