Monthly archives: June 2011

Palestra FGV

A convite do Prof. Luis Sá, vou palestrar na FGV Berrini dia 4 de julho às 21:30.

Não fechei o tema ainda, mas estou pensando em tratar de algo mais denso do que normalmente trato em palestras abertas.

Pensei em falar sobre:

  • o que mudou no ambiente digital dentro das agências tradicionais nos últimos 5 anos
  • quais as principais dificuldades para estas agências
  • como a WMcCann está investindo no digital e enfrentando estas mudanças
  • onde já conseguimos chegar, quais serão nossos próximos passos
  • e por último, mas não menos importante, o que os alunos deveriam aprender com isso.

Se você é aluno, espero você por lá. Pode levar um monte de pergunta cabeluda para a discussão ficar mais rica.

Eduardo e Mônica

Eu costumo evitar de falar sobre “a polêmica do momento” neste blog por dois motivos. Primeiro, por achar que se existe tanta gente falando sobre um assunto, um cara a mais não vai fazer diferença. O segundo é menos nobre: eu não quero pára-quedistas por aqui.

Este é um blog sobre comunicação cujo objetivo é fomentar a discussão.

Mas enfim, feita esta abertura, vou falar sobre a polêmica da semana: o filme Eduardo e Mônica.

Decidi escrever sobre o assunto porque muita gente perguntou a minha opinião e foi difícil explicar a minha posição. Talvez escrevendo seja mais fácil de ilustrar o que penso, ou não.

Foi acusado de plágio. Eu não concordo, e minha posição não tem relação com a confiança em quem criou (que eu nem conheço) ou por acreditar que existem coincidências (eu não acredito em coincidências, mas que elas existem, existem).

Esta é minha posição porque eu acho que um filme não tem relação com outro. São coisas diferentes, não tem sentido discutir o plágio.

Os que discordam da minha posição tem muitos argumentos. É a mesma música, é o mesmo segmento (operadora de celular) é a mesma leitura da música (literal).

Mas são coisas diferentes, um deles é um comercial de 30 segundos, o outro é uma ação de comunicação.

Hoje em dia, explicar a diferença entre uma coisa da outra é praticamente impossível para a maior parte dos publicitários pelo simples motivo que a maioria deles só consegue enxergar preto e branco.

A maioria deles não sabe distinguir “ideia” de “comercial de 30 segundos”.

Eu não acho a ação super criativa e também por isso eu acho que discutir plágio de um comercial de 30 segundos é pouco relevante. O mérito não está na criatividade, mas na atitude. Não é super criativa mas é uma das melhores coisas do ano até agora.

A entrega deste trabalho não está na criação em si. O insight poderia ter surgido de qualquer lugar. Da mídia, da criação, do planejamento. E como cansei de ver agências apresentando coisas legais deste tipo para anunciantes, o mérito desta ação também é em grande parte de quem bancou essa história. Quem botou dinheiro em algo que não seria empurrado goela abaixo do consumidor com a muleta da audiência.

Alguns dizem que a diferença está apenas no formato. Neste caso, o formato faz toda a diferença do mundo. A não ser que você seja mãe de publicitário, você não assiste televisão para ver os intervalos.

Talvez a melhor maneira de entender a diferença seja mostrando o filme para alguém que você conheça, mas que não seja publicitário. E, se não for suficiente, pode fazer um teste.

Bote seu comercial de 30 segundos no YouTube que a diferença aparece.

Quem tem kübler, tem medo

clique para ampliarPor uma série de coincidências, nos últimos meses acabei tendo muito contato com meus colegas jornalistas. E obviamente que conversamos sobre o momento que vivemos. Para quem trabalha com comunicação, falar sobre a transição que vivemos é tão padrão quanto falar sobre política, futebol ou o sobre o clima com taxistas.

Tirando a aula na master de jornalismo, cuja discussão foi muito boa e cujos alunos me pareciam bastante conscientes da realidade atual, as conversas que eu tive com donos e gestores de veículos em geral foi bem diferente.

Uma das frases que escutei com certa frequência nestas conversas foi “aqui é diferente”. E como escuto esta frase há 15 anos no mercado publicitário, resolvi escrever sobre isso.

Um destes contatos talvez ilustre bem. Foi para um pedido de palestra vindo de uma associação ligada ao jornalismo. O briefing era bem claro:

  • No Brasil, o jornalismo vive uma situação bem diferente dos países desenvolvidos, que estão em crise.
  • Aqui o mercado continua crescendo, com vários títulos aparecendo nos últimos anos.
  • A circulação cresce fortemente e temos um enorme campo a explorar das classes emergentes. (aliás, este trecho me lembra este post)

Ou seja, tudo são flores na terra brasilis.

Ou eu estou muito errado na minha análise, ou esta e as outras pessoas com que conversei estão passando pelos estágios de um grande trauma.

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross escreveu sobre os 5 estágios do luto. Em outras palavras, os estágios que passamos quando lidamos com a perda ou tragédia.

Os estágios, devidamente copiados da Wikipedia, são:

  1. Negação e Isolamento: “Isso não pode estar acontecendo.”
  2. Cólera (Raiva): “Por que eu? Não é justo.”
  3. Negociação: “Me deixe viver apenas até meus filhos crescerem.”
  4. Depressão: “Estou tão triste. Por que se preocupar com qualquer coisa?”
  5. Aceitação: “Tudo vai acabar bem.”

A tragédia, neste caso, é a revolução que estamos vivendo. Uma transição que derruba barreiras de entrada em uma série de modelos de negócios baseados na revolução industrial.

Uma transição que deixa os líderes mais tradicionais sem chão e sem saber para onde correr para manter faturamento, lucratividade e poder.

Pelas minhas experiências, eu diria que os publicitários estão no estágio 3, 4 ou 5. Nem todo mundo está no mesmo patamar, mas eu diria que a negação e a raiva já passaram para a maioria deles.

Agora, em relação ao jornalismo, visto minhas últimas conversas, diria que ainda estão no primeiro estágio: a negação.

Para estes, #ficaadica que os publicitários já aprenderam: não, o Brasil não é diferente.

E, por favor, fiquem logo com raiva.

Dê sua opinião nas enquetes abaixo:
[poll id="20"]
[poll id="21"]

O assédio dos grandes grupos

Por que os grandes grupos de comunicação tradicional estão comprando como loucos as agências digitais no Brasil nos últimos anos?

A resposta foi dada neste post de 2008.

É quase óbvio, digital é o melhor (e talvez o único) caminho para o crescimento. E como no hemisfério norte, quase todo mundo já foi comprado, restava olhar para os emergentes.

Agora, sobrou pouca gente pra ser comprada.

Seminário Internacional de Comunicação

Convidado pela Mônica Paula, coordenadora de Comunicação do Master em Jornalismo, vou participar do Seminário Internacional de Comunicação 2011, promovido pelo IICS e Universidad de Navarra.

Vou falar sobre o dilema do modelo de negócio sustentável: conteúdo gratuito x conteúdo pago.

O programa está aqui, espero ver vocês lá.