Nossa visão sempre foi centralizada no aparelho. Para produzir, para medir, para tudo.
Tinha lógica, quando existiam poucos meios e a forma de consumo de cada um deles raramente mudava.
Lendo na calçada, no escritório ou na mesa do café da manhã, ninguém precisava reaprender a usar o jornal, a ver TV, a ler a revista. Agora, com interatividade, sempre que entramos pela primeira vez em um hotsite, em um aplicativo de celular, em qualquer coisa interativa, precisamos reaprender tudo de novo.
Tinha lógica quando a fragmentação não era gigante e quando as pessoas não consumiam vários meios ao mesmo tempo.
Com o apogeu da interatividade e proliferação de telas em tudo que é canto, precisamos parar de pensar nelas e nos focar no consumidor.
O Tablet não é apenas um papel eletrônico, não é um celular com tela grande e muito menos um computador mais leve. A TV no celular não é apenas uma TV pequena.
O momento de consumo é diferente.
O que consumimos é diferente.
É outra situação, outra expectativa e — principalmente — outra experiência.
Por isso faz mais sentido pensar em contexto do que em telas.
Vale lembrar a frase do Steve Jobs que todo mundo usa em palestra de usabilidade: “design não é somente como as coisas se parecem. Design é como as coisas funcionam”.
É ir além da arquitetura de informação ou do look and feel que estamos acostumados, passando até pela própria definição de conteúdo.
Um site produzido para ser acessado via celular tem (ou pelo menos deveria ter) conteúdos e destaques diferentes de um site tradicional.
Se já é óbvio nos sites móveis, deveria ser óbvio para toda e qualquer tela.

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6 comentários
"Um site produzido para ser acessado via celular tem (ou pelo menos deveria ter) conteúdos e destaques diferentes de um site tradicional."
Tem só que tomar cuidado que tem muita gente fazendo site mobile totalmente separado do site tradicional, e não fica legal. Um dia vc segue o link do twitter via celular acaba caindo em outra coisa… como já foi explicado nesse comic do xkcd: http://imgs.xkcd.com/comics/server_attention_span...
O que tem que mudar é a apresentação, mas o conteúdo não, como nos exemplos do http://mediaqueri.es/
Ainda é difícil pensar desta forma e conseguir fazer alguma coisa realmente boa. Na maioria das vezes quem decide o andamento e o final da história nem ao menos usa os novos espaços de mídia e, por conclusões de mostragem bem pessoais, concluem que ninguém usa. Interagir ainda significa "clique aqui". Ainda tem muita coisa boa para se fazer, mas pouco espaço (e pouca "fé") para criar e desenvolver.
Bacana !
Interessante notar isso na usabilidade de sites/aplicativos.
O mesmo acontece em softwares e superfícies de controle para música.
Hoje em dia tudo é repensado, não só para tornar a experiência mais completa, mas também para quebrar com o que usávamos e estávamos acostumados.
Exemplo – As novas controladoras para Computer DJ que não usam mais o Jog Shuttle para controlar a música. O Jog Shuttle (aquele círculo emulando um vinil que os CDs profissionais usam até hoje) só era necessário quando migramos do vinil para o CD. A usabilidade era esta. O conceito era esse. Música "girando" como no vinil.
Hoje em dia, com a música dentro do computador vista e percebida de uma forma linear, não existe mais a necessidade do Jog Shuttle. Uma barra de controle é muito mais eficiente prá funcionalidade do equipamento. Até para o entendimento do usuário frente à tecnologia.
Abraços.
É isso aí, Cava.
Outro dia mencionei que se a marca já pensa "preciso de um app iPhone (por exemplo)", já está errado. Quem precisa é seu consumidor. E não de um app, mas de poder acessar seu conteúdo em outros contextos. Que podem ser tão complexos qto estar apertado em um ônibus em dia de greve em SP, acelerando no Corredor. Tem muita gente fazendo conteúdo portátil, que está longe de ser móvel.
E, @dine, o problema é que o pessoal ainda não dá valor aos mobile sites. É preciso um desenvolvimento extra p/ter esta correspondência – já que na maioria das vezes não haverá correspondência entre as URLs.
Isso me lembra a velha mania que alguns clientes e até agências tem, de criar algo com foco em uma plataforma ou mídia e apenas fazer réplicas sem pensar no contexto onde se apresentará. Não sei se é por medo inflacionar o projeto ou se é pura preguiça mesmo.
É necessário que o usuário esteja presente do início ao fim do projeto. Não tem segredo, é levantar os "problemas certos" e resolve-los.
Tecnologia e Design não dá lucro. Resolução de problemas dá lucro.