
Há algum tempo atrás, escutei uma teoria daquelas boas para se espalhar e contar em mesa de bar. A teoria é a seguinte:
Antigamente, quando existiam poucas opções, éramos obrigados a consumir o que nos era imposto. Portanto, acabávamos ouvindo outras opiniões e experimentando novos gostos.
Por exemplo, com apenas uma TV em casa e como único centro de entretenimento, a família toda era obrigada a ver uma única programação, que nem sempre era do gosto de todos. Se você não gostava de novela mas sua mãe sim, voilà, você seria “obrigado” a ver novela.
Hoje, com tantas opções, consumimos apenas aquilo que gostamos e que nosso pequeno círculo de amigos nos indica, sendo assim, dificilmente somos expostos a novas opiniões e novas experiências.
É um paradoxo. Temos opções mas ficamos sempre presos no nosso mundinho. A teoria tem impacto e, talvez por isso, já foi golfada por alguns “pensadores” brasileiros do mercado de comunicação.
Eu acho um absurdo tremendo. É falaciosa e enganosa. Para alguém escroto e direto como eu, é muito difícil ficar nos eufemismos e não chamar esta teoria de estupidez tremenda.
Engraçado que as pessoas que escutei falando da tal teoria são justamente as mesmas que gostam de citar a teoria do Long Tail em palestras.

O pior que eu vejo nisso tudo, é que a teoria coloca a transição que vivemos (de ter mais opções) como algo ruim.
Então, só como exercício lúdico, vamos imaginar que a teoria esteja correta. Qual seria a consequência?
Existiria o risco de virarmos pouco aberto as opiniões dos outros?
Então é muito melhor do jeito que estava né? Quando só a opinião do big brother importava e não tinha risco disso acontecer.
Pufffz. Quanta bobagem. Por isso que eu sempre digo: guru é pra jacu.
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10 comentários
Polêmico. Mas não sei o quanto há de verdade e o quanto há de auto-enganação nessa teoria. Fato é que curadoria ainda tem sua importância (e que haviam talvez menos curadores antes do que hoje, em termos de exposição), e é tão falácia dizer que o excesso de opção torna as pessoas mais fechadas quanto dizer que antes só o Big Brother mandava. Big Brother também é pra jacu.
Claro que tem sua importância. Só acho dificil dizer quando foi mais importante. Antes era muito importante pq eram poucos curadores (entao tinham uma responsabilidade enorme). Hoje, como existe muita informacao, curadoria é muito importante para ajudar a filtrar.
De certa forma essa teoria não é tão babaca assim, pq mesmo tendo aquelas pessoas que está sempre em busca de informação e conhecimento, existe aquele outro lado da cegueira, não se aplica a todos, mas é um fato. Não é somente o profissional de comunicação, pode ser o adminitrador, o engenheiro, o (B)Vlogueiro e etc. É quase como quando vc está em um encontro de familia que não é a sua, e acaba sendo exposto à opiniões que jamais achou que existiam. Bom, espero ter entendido o texto e não escrito uma besteira muito grande. Abraço
tem besteira nao Fernando, tem opinião. os comments server pra isso mesmo.
Eu acho que são coisas diferentes. No consumo de conteúdo temos mais opções e consumimos mais opções.
O que eu me pergunto é se, por exemplo, um cara de direita só lê blogs de direita e só segue twitters de direita. Há quem diga (no papo de boteco) que as mídias sociais no Brasil (com voto obrigatório) não mudam o resultado de uma eleição já que não mudam opiniões sobre os candidatos. Quem gosta de X vai usar as redes sociais para falar bem de X e criticar o resto.
Antigamente você era obrigado a conviver com o vizinho com opiniões e credos diferentes e acabava sendo forçado a ver o outro ponto de vista. Hoje em dia eu nem sei o nome do meu vizinho.
Só que no fim das contas prefiro como as coisas são hoje em dia, não tem nem o que discutir.
Ter mais opcoes nao significa que teremos opcoes de "pontos de vista" diferentes. Ao mesmo tempo, o oposto nao é verdadeiro. Tendo mais opcoes, nao significa que só estamos tendo acesso ao nosso ponto de vista. É isso que eu defendo e por isso acho a afirmacao tao errada.
Estamos mais conectados, isso significa que temos sim acesso a opinoes e pontos de vista diferentes do nosso todo dia, a todo instante.
Agora, sobre a questao de redes sociais, eu acho que a analise tem sido muito errada sempre. Esquecem que estamos falando de pessoas e a analise nao pode ignorar isso. Isso vale inclusive para nao ignorar o contexto todo.
Sao brasileiros. Redes sociais no brasil nao derrubam politico pq brasileiros comuns nao derrubam politicos. Redes sociais nao influenciam a imprensa pq a imprensa nao é influenciada por pessoas. Abra uma veja e perceba quantas materias tem influencia de pessoas e nao de fatos e acontecimentos (como politica, futebol, etc.). E mais, como medir essa influencia se ela nem sempre é direta?
Hoje vc nao olha mais pro seu vizinho mas recebe comentario de tudo que é nego no seu blog, falando sem qualquer filtro que seu vizinho teria. Pessoas que podem falar o que quiser pra vc pq sabem que no dia seguinte nao vao te encontrar na porta da frente de casa.
Adorei a frase de encerramento "guru é pra jacu"! Hahaha. Gostaria de somar com o seguinte simples raciocínio:
1. Não falamos mais com o vizinho e nem assistimos à televisão em família, correto;
2. Fazemos novos amigos baseados em preferências peculiares (long tail), como "colecionadores de bulas de remédios";
3. Neste restrito e exótico grupo de amigos, sempre haverá papos sobre outros assuntos e consequentemente debates e exposição/assimilação de diferentes pontos de vista e novidades;
4. Ou seja, mesmo com mais opções e menos passividade na recepção do conteúdo, ainda somos pessoas, mudamos de assunto e debatemos/aprendemos.
Simples, não?
Abraços!
A curadoria agora eh transparente… e tem muita gente que nao tem ideia disso…
http://www.ted.com/talks/eli_pariser_beware_onlin...
um grafico para alimentar a discussão:
ta aqui, mais um argumento:
“People who own Kindles are just reading different books than the people who buy printed books,” the post concludes, adding “2011 may be remembered as the year that hundreds of new voices finally found their audiences!”
http://www.teleread...