Master de Jornalismo


Convidado por Anderson Hartmann, Coordenador do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS) e da Universidad de Navarra, tive o prazer de lecionar duas aulas para a Master em Jornalismo Digital.

Passei três horas e meia discutindo com os alunos sobre modelo de negócios. Antes de dar respostas, inseri várias perguntas no meio da aula para incentivar a discussão. A figura abaixo é uma delas.

o ipad vai salvar a lavoura ou acelerar nossa morte?

Fiz isso não somente por acreditar que não existem respostas prontas ou fórmulas mágicas, mas também por ter certeza que a discussão nunca foi tão fundamental como agora.

O cenário atual que publicidade e jornalismo enfrentam têm semelhanças não apenas na mudança de comportamento do consumidor (e tudo aquilo que a gente já sabe), mas também pelo fato dos dois grupos sempre terem ignorado a importância de aprender a pescar, ou seja, de discutir modelo de negócio ao invés de ficar discutindo modelo de receita.

Tenho minhas teorias dos porquês, mas isso é assunto para outro texto.

Com problemas e despreparo similares, vejo também semelhanças na maneira como a maioria das empresas (de jornalismo ou de publicidade) têm lidado com o assunto, gerando um ciclo vicioso que considero mortal.

  1. Quanto mais dificuldade, mais difícil fica para manter a margem
  2. Para manter margens, a solução padrão tem sido cortar custos
  3. Para cortar custos, a solução padrão tem sido cortar folha
  4. Cortar folha significa matar o talento
  5. O talento é o que nos diferencia
  6. Sem diferencial, a concorrência fica ainda mais cruel
  7. Concorrência mais cruel, mais difícil ainda manter a margem.

Está criado um ciclo vicioso.

E esse ciclo, me levou a inserir outra pergunta na discussão:

nós viramos commodity?

8 comentários

  1. Simples e objetivo. Show!

  2. Adriana Salles Gomes says:

    Vc faz uma provocação supernecessária, mas tenho duas provocações adicionais: 1) um dos pavores do jornalismo é a proximidade com a publicidade, por um motivo bem razoável – onde é que acaba a já tão difícil isenção em relação a interesses comerciais se eles tiverem de, além de dar as mãos, de repente namorar? 2) O modelo de negócio, conforme esquematizado por um cara da London Business School, o John Mullins, é: Modelo de receita + Modelo de margem bruta + Modelo operacional + Modelo de capital de giro + Modelo de investimento. Que ideias te vêm em mente para estes quatro?

    • cavallini says:

      Sobre o item 1, acho ilusao achar que nunca existiu proximidade. Publicidade sempre foi e continua sendo a fonte de receita mais comum no jornalismo. Acho que nao cabe mais o medo de discutir modelo de negocio ou modelo de receita por achar que isso pode macular o jornalismo.

      Sobre o item 2, assim como o cara citado por vc, existem inumeras outras definicoes e teorias sobre modelos de negocio, muitas inclusive confundindo modelo de negocios com plano de negocios.

      De qualquer forma, meu objetivo nunca foi defender nenhuma bandeira ou teoria, foi gerar discussoes que eu acho que sao necessarias e fazem sentido na transicao que estamos vivendo hoje.

      Acredito que hoje é muito mais importante discutir como criar, entregar e capturar valor.

      Depois, nego vai discutir sobre capital de giro, investimento e tudo mais. Quando a discussao nasce no operacional ou no modelo da receita, a chance de entregar mais do mesmo é gigantesca e isso nao tem funcionado hoje em dia.

  3. danliwe says:

    Tudo esta virando Commodity. Um exemplo com a App Store do iPad, iPhone e iPod touch, é que antes era muito difícil e caro fazer um aplicativo e hoje já surgiu varias plataformas que facilitam o desenvolvimento de um aplicativo, algumas não precisa de nenhum conhecimento técnico.

    • cavallini says:

      uma das discussoes que levei pra aula foi a questao da tecnologia derrubando as barreiras de entrada. Mas discordo que tudo vira commodity. O que vira commodity é o que nao tem diferencial. Se o unico diferencial era ausencia de concorrencia criada por alguma barreira de entrada, ai sim.

      • Fernando says:

        Já discutimos essa questão indiretamente em outro post no ano passado (“da Simbiose ao Parasitismo“), se não me engano, onde esta questão da “commoditização” foi abordada. Concordo com você que onde não há valor real agregado, não existe diferencial. O que, no caso de serviços de publicidade, marketing, ou de comunicação/jornalismo, essencialmente falamos de planejamento, análise e inteligência.

        De uma forma, ou de outra, a questão central é mesmo a falta de coragem, ou talvez visão, de investir em uma gestão baseada na busca da qualidade operacional, como a maioria das empresas busca. Os mercados de publicidade, jornalismo e marketing ainda carecem de bastiões que, de fato, defendam essa bandeira.

  4. Cristiane Lisbôa says:

    Jornalistas morrem de medo de virar publicitários que morrem de medo de virar donos de pousada decorada com toy art em Jurerê Internacional. Em meio a isso, o mundo muda a nossa volta. Convêm perder o medo, manter o respeito e reaprender a dançar. Boa sorte pra nóis tudim.

  5. As inscrições para curso de pós-graduação em Gestão e Produção em Jornalismo vão até 19 de junho.
    Público-Alvo:Profissionais graduados em qualquer área acadêmica.
    Acessem o site para mais informações: http://www.puc-campinas.edu.br/pos/lato/curso.asp...

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