A revista Época Negócios de março saiu com uma extensa matéria sobre os eBooks, com várias entrevistas. Recomendo a leitura.
O que mais me chamou atenção, foi que mesmo tendo o histórico de outros setores, as editoras ainda não entenderam a mudança que está acontecendo em sua própria indústria.
Na cabeça deles, parece que a questão ainda é baseada na entrega, do papel para o eletrônico.
Ainda acredita-se que o formato atual de produção e conteúdo não irá mudar, alterando apenas o formato de entrega.
criado por redações onde múltiplos talentos se somam e se complementam de uma forma harmoniosa
uma pessoa não tem condições de reunir toda a massa de opinião é capaz de configurar um retrato do que aconteceu de relevante no mundo num dado período de tempo
para compor este retrato, é necessário uma equipe ampla e dispersa, atuando coletivamente
produzir jornalismo independente e de qualidade é uma operação cara
Eles estão certos nas afirmações. Se estamos pensando em fazer isso debaixo de uma única bandeira, um grupo editorial, uma empresa ou um CNPJ, ninguém tem mais condições de fazer isso do que os grandes grupos editoriais.
Mas esta visão ignora que o livro eletrônico é apenas parte da mudança e, talvez, a parte menos importante. É um conselho que dou para todos os meus clientes. Olhem para o processo de digitalização como um todo e não apenas parte dele. Uma loja de varejo não pode olhar apenas para o e-commerce. A indústria da música não pode olhar apenas para o MP3. E as editoras não podem olhar apenas para o eBook.
As editoras ainda não entenderam que o poder de fragmentação, da coletividade e das novas ferramentas que estão aparecendo são parte importante deste processo.
A mudança iria acontecer mesmo sem o eBook, que veio apenas para acelerar o processo.
Outro erro grave nesta visão é olhar para o próprio umbigo, acreditando que o conteúdo será o mesmo.
É uma discussão parecida com a discussão sobre televisão que já tivemos aqui no Blog. Será mesmo que o que empurramos para as pessoas é o que elas irão buscar quando puderem escolher?
Não é “o conteúdo que terá que se adaptar aos novos dispositivos de visualização”, mas os produtores de conteúdo que terão que se adaptar ao desejo do consumidor. Parece um jogo de palavras, mas é algo totalmente novo. E diferente.

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25 comentários
A VIV fez um conceito interessante para o iPad, é uma maneira diferente de ver conteúdo em livro e revistas.
VIV Mag Motion Cover – iPad Demo from Alexx Henry on Vimeo.
Bravo.
Exatamente como penso e falo.
A fila andou, e os caras *ainda* não se tocaram.
Difícil, né?
Obrigado por compartilhar!
Clicio
Eu também ando espantado como parece que o problema era só do papel. Que (na cabeça dos caras) o dia que tivermos o conteúdo eletronicamente tudo será resolvido. (shazam!) Ao ponto de algumas editoras americanas cobrarem mais pela edição eletrônica do que pela de papel (provavelmente porque não terão tantos anúncios para fechar a conta).
Tem muita editora aí (no mundo todo) achando que o iPad vai ser a solução mágica para os seus problemas.
Meta-jornalismo em ação…
Forma ganhando mais ênfase do que conteúdo…
Pois é, modelos e paradigmas "vencidos" levam tempo para se dissolverem.
Será que a mídia impressa, de forma geral, não está tentando preparar seu bote salva-vidas high-tech ao mesmo tempo em que prefere ficar no baile e curtir a orquestra até o último minuto? Pois eles teimam em acreditar que o iceberg pode ser apenas um defeito no radar…
Até conteúdos recentes, já pensados para a plataforma online, tiveram que mudar com o tempo.
E cada vez mais rápido.
Os do papel, fita, vinil, e tubo tem que mudar mais radicalmente ainda.
Só não pode, como o Cris Dias disse, cobrar mais pela edição eletrônica.
Se a entrega é mais rápida e simples, porquê cobrar mais por isso ?
Tudo bem que o fator novidade seja um diferencial, mas não acredito que eles se sustentem com um preço alto e uma base pequena.
Como todo mundo, os eBooks e outras plataformas terão que baratear seus custos prá ficarem vivos.
Foi o que o Cava disse aqui no texto. "Olhem para o processo de digitalização como um todo e não apenas parte dele".
As novas plataformas também terão que se adaptar com o tempo, e isso é óbvio.
Voce lembra quando o Flash virou moda? Todos os websites tinham uma Intro… ate que o povo se ligou que Intro era perda de tempo e todos queriam a informacao que realmente importa. Imagino que veremos series de conteudos cheios de animacoes e firulas graficas bombando no comeco… sera o novo trend… e ai depois que a poeira abaixar e todos estiverem mais acostumados, voltaremos a priorizar o conteudo, com animacoes e firulas moderadas. Eu quero ver quem sera o novo Gabo Corp do iPad!
Abracos
M.
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So um detalhe, antes que alguem responda: Mas o iPad nao roda Flash!
Sim, claro… foi soh usado p/ ilustrar meu ponto de vista anterior…
Tambem esqueci de mencionar que os Publishers vao perceber rapidinho que uma versao animada e interativa vai custar muito mais caro do que a versao estatica e ai vai depender de quanta bala os caras vao ter p/ produzir uma versao incrementada.
Agora… os anuncios…esses eu vou querer ver…
O meu patrão ainda não acordou, ele acha que vai ganhar menos dinheiro…eu acredito que tem muita gente que pensa como ele…
Cava voce merece um Joo Joo (JûJû)! haha!
http://www.engadget.com/2010/04/05/fusion-garage-...
Apesar da interface ser complicada, acho a iniciativa valida bagarai!
M.
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pois é.
postei esses dias no meu blog uma opinião parecida. me meti a falar do meu sonho distante em que os autores e produtores de conteúdo esquecerão do microsoft word e passarão a usar, no mínimo, o html para escrevem livros e qualquer outro conteúdo neste mundo. imagina só quando entenderem que um e-book não é só um livro impresso scaneado.
Ainda precisam voltar ao ano 2000 e ler o Cluetrain…
Por enquanto continuam apenas clueless
Independente das apostas sobre como será o mercado editorial no futuro, as editoras precisam se mover já porque uma das vantagens da web é que os custos de transação são baixos. Isso gera espaço para varios experimentos do tipo 'tentativa e erro'.
Abraços!
Equanto estava lendo essa discussão chegou uma twitada do @biz divulgando uma iniciativa bem interessante criada pelo HuffPost, a qual se encaixa neste contexto.
O HuffPost está testando um modelo de entrega de conteúdo diferente, acho válido vocês lerem a matéria para entenderem, segue link: http://huff.to/bVrsVj
Registrando minha visão do assunto: vendo canais já digitais (alguns inclusive nasceram digitais) remodelando seus formatos de conteúdo e ousando (por seu relativo baixo custo, como disse o Marcelo, aí acima), fica mais que óbvio a necessidade de mudança por parte das editoras.
E como já mencionado por vocês, o problema não é mudar o modelo de entrega, mas mutar o formato do conteúdo conforme aceitação, necessidade, gosto, etc do público que irá consumir.
Abraços,
Namura
Posso ter um pensamento diferente? No mínimo para vocês me ajudarem a pensar igual você(s).
Teoria da conspiração:
Mamãe mandou o rádio digital não evoluir.
Acho que o mercado tem um jogador, as grandes empresas que estão nele. Neste caso as grande editoras, que estão escolhendo não mudar. Essa não mudança pode até matar a inserção dos e-readers no mercado nacional, por que se elas quiserem fazer pressão para que isso aconteça, nossas lideranças políticas (Luis Ignário José Serra da Silva) abrirão o seu caminho para que eles entrem. MESMO com a "conscientização" do poder do consumidor, crescente com a imersão das redes sociais, não teriamos como impor (#forasarney)
Banda Larga:
Assim como smartphone e lalala, a rede 3g brasileira é uma brincadeira, nós precisaríamos estar perto de um ponto wifi? Quebra-se toda genialidade da mobilidade da coisa. Sem contar o valor exclusório tantos dos aparelho quando do acesso a essa porcaria de rede.
Outro ponto a se levar em consideração é a criminalidade dos grandes centros urbanos que não nos permitiria "tirá-lo do bolso" em público, apenas em casa ou no escritório (para isso já temos computadores desktop conectado a um ponto de internet).
Não sei, pode ser apenas conservadorismo meu, mas o mercado brasileiro (classe média e média alta) não tem como espaço para essa evolução.
Ps.: Nossa que pessimista.
joaocaetano, a chance disso acontecer é grande, só discordo da conclusao. A resistencia do mercado nacional é sempre enorme, mas nao é diferente da resistencia la fora. Com internet foi a mesma coisa. Mas como nao vivemos em Cuba, o maximo que os players conseguem é segurar um pouco a mudanca, mas nao muito.
Sobre o medo de ser roubados, eu ja acreditei nisso, mas nao foi barreira para os celulares caros e smartphones, que sao comprados tb pelas classes mais baixas.
Acho que uma burrice e ignorância extrema essa tendenciazinha mainstream de que o livro eletrônico revolucionará alguma coisa.
Primeiro de tudo, as pessoas não deixam de comprar livros por causa do livro eletrõnico, coisa que aconteceu com a música e o mp3, o mercado está tendo uma crise de tpm por que quer enfiar garganta abaixo o livro eletrônico, justamente por que custa muito menos. Neste momento os sebos crescem muito mais do que livrarias, como a siciliano que faliu.
Segundo lugar, existe uma diferença CLARA, CLARÍSSIMA, entre conteúdo e forma. A forma pode mudar, sempre, mas o conteúdo vai ser sempre o mesmo, a biblia não mudou por que saiu do rolo para o livro, nós ainda fazemos aventuras à la Odisséia e são em papel, o que nos faz tão arrogantes em achar que só por que achamos uma nova forma mudaremos um conteúdo de mais de 2000 anos. Muita arrogância.
Eu, continuo comprando meus livros, baixando os que não tenho coragem de comprar e não excluo nem um, nem outro.
abraços.
Michel, A Wired também fez
Independentemente de qq “gadget”, o importante é mesmo ler.
Amei este último video. genial…
Com certeza vem muitas mudanças por aí, mas assim como a TV não substituiu o rádio acredito que o novo virá, mas o tradiconal se manterá para os mais tradicionalistas!
O iPad nao vai acabar com o papel, como a TV nao acabou com o radio e como os caminhoes nao acabaram com os burros, que nunca estiveram tão por cima, taí a internet que nao me deixa mentir.
Tou me lixando pras editoras e tambem acredito que o mundo so sera livre quando o ultimo civita for enforcado nas tripas do ultimo marinho. Mas a grande pergunta é: o que vai ser das bancas? O que elas vao vender quando revistas e jornais forem digitais? Onde iremos passar o tempo enquanto a mulher fica olhando vitrine de loja de sapato? Banca é tao legal…
Cavallini, desculpe mas não entendi bem o ponto onde vc quer chegar. Se não está claro nem para os caras da indústria editorial, imagine para mim, um simples mortal leigo… O que vc quis dizer com pensar o processo inteiro e não só a entrega? Quer dizer que os livros vão ter que ser repensados, com recursos multimídia? Mas aí não serão mais livros…serão novelas ilustradas ou sei lá o quê.
As revistas farão o quê, o que é isso, de repensar o todo, por favor nos tangilibize um pouco mais. Parece uma coisa assim: precisa mudar, não sei o quê, mas precisa mudar!
Seria muito útil pelo menos ter uma idéia do que você está falando.
Eu, sinceramente, acho que para substituir o papel, livros e revistas têm que continuar sendo livros e revistas. Só muda o suporte e a entrega.
Não sei quanto aos outros, mas o excesso de informação começa a me cansar, o que torna o papel do editor ainda mais importante, selecionando o que é relevante.
Claro que irão surgir novos formatos com as novas possibilidades, mas vão ser outras coisas, nem livros nem revistas. É como uma pessoa escreveu aí em cima: televisão não acabou com o rádio. Nem o vídeo acabou com o cinema.
Será que livros e revistas tradicionais (independente de seu suporte) se tornarão menos relevantes e consumidos em função desses novos formatos? Quais serão estes novos formatos? Como se estruturará a indústria da informação e entretenimento escritos?
Só gostaria de entender o seu ponto de uma forma mais palpável.
Abraços.
Não só as bancas, as gráficas e seus funcionários serão afetados…Livrarias também diminuirão, distribuidores de livros irão fechar… É uma grande mudança.
Como represento uma editora de livros, coloco-me à disposição para discutir esse assunto com vcs…
Um abraço,
Julio Capano
Edições Rosari Ltda
Márcio, eu ja discuti muitos desses assuntos por aqui, acho que vale a pena ler alguns post do blog para entender meu ponto de vista. Mas para não ficar sem resposta, acho que vale fazer um paralelo com o que mudou na industria da música. Nao foi apenas a passagem do vinil para o cd ou do cd para o mp3.
Acho que abre espaco para multimidias e novelas ilustradas tb, mas nao é sobre isso que estou me referindo. A musica continua sendo musica, mas a industria ja mudou muito e vai continuar mudando gracas a forca da digitalizacao (e isso vai alem da digitalizacao do arquivo de audio que escutamos).
A analise de revistas e jornais é ainda mais complexo, pois o que elas entregam de verdade é bem diferente do que um livro entrega.
abs
Curiosamente, vou apresentar um painel amanha sobre o tema para uma associacao de revisteiros. Acho que o post do cava é bem claro quando diz que nao basta fazer uma edicao em pdf da revista que vira a folhinha quando passa o dedo para ter uma revista digital. Ninguem vai querer pagar por isso. Uma revista em papel nao é só um monte de folhas bem impressas e bem diagramadas. Existe um componente psicosocial que as editoras nao enxergam, mas que é a essencia de uma revista. Revista boa tem que ter alma, nao basta ter conteudo. Isso é que é preciso levar para o ipad, aproveitando tudo de bom que a midia digital tem a oferrecer.