É a pergunta que muitas empresas estão se fazendo neste momento. Entre elas, o pessoal que hoje vive de mídia impressa.
Vai parecer punheta de consultor, mas a melhor maneira de responder esta pergunta é fazendo uma pequena alteração na frase, evitando usar a palavra “conteúdo”.
Por exemplo, quando um jornal parar de se perguntar se alguém irá pagar pelo conteúdo, precisará reformular outras perguntas. Estas, mais fáceis de serem respondidas.
O termo conteúdo é muito amplo e acaba colocando tudo no mesmo saco, ficando difícil de pensar ou discutir a respeito. Conteúdo envolve conteúdo bom e ruim, conteúdo com diferencial e sem diferencial, conteúdo que alguém pagaria e também o que ninguém pagaria.
Se não puder perguntar se os leitores pagariam por conteúdo, um jornal teria que passar a se fazer outras perguntas. Seus leitores pagariam por notícias? Claro que não, notícias estão em todo lugar. Eles pagariam por notícias diferenciadas ou exclusivas? Pagariam por curadoria ou por opinião?
Conforme as perguntas forem ficando mais específicas, fica mais fácil dizer sim ou não. Também fica mais fácil articular novas perguntas.
Exclusivas quanto? Opinião de quem?
E quem pagaria por isso, todo mundo ou somente uma parte das pessoas que hoje assinam nosso serviço?
E de brinde, ficaria mais fácil entender quem é seu público e quem seriam seus concorrentes. Nem sempre o concorrente de um jornal seria outro jornal.
Outra vantagem deste exercício, é que a pergunta deixa de ser focada em um cenário onde o culpado é o consumidor (exigente e egoísta, que não quer pagar por nada) para um cenário onde o culpado é o provedor de conteúdo, que não tem algo bom o suficiente para se fazer cobrar por ele.
Quando a culpa é dos outros, é mais fácil ficar reclamando e não fazer nada para melhorar. Quando é nossa, bom, pelo menos temos uma pressão moral para fazer algo.
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10 comentários
Cavalini, desculpe a minha ignorância, mas e as empresas provedoras de conteúdo? Estariam dispostas a suportar o ônus que um exercío como o que vc sugere demanda?
Cava
Tem “conteúdo” que a gente não quer nem de graça, mas tem um monte de gente paga por ele (vide pay-per-view do BBB). Portanto não é uma questão do conteúdo ser bom ou ruim.
Acho que a pergunta de todo provedor de conteúdo deveria ser, onde é que eu encontro o público que pagaria por isso?
E, se eu encontrar esse público, ele tem um tamanho que dê viabilidade econômica ao negócio?
Olá Cavallini,
Acredito também que esse seja o caminho, trazer para si o problema.
Pessoalmente vejo o modelo dos grandes “produtores de conteúdo” ultrapassado, extremamente caro e lento. Mesmo que as pessoas paguem, uma coisa é inevitável: o faturamento na melhor das hipóteses será muito inferior ao que essas empresas já obtiveram no passado. Acredito que a solução da crise dos veículos impressos não está em reformular a distribuição do conteúdo, mas sim reformulação do plano de negócios.
Abs,
Ricardo Saavedra
Ótimo post Cava!
essa é uma questão que sempre me deixa em dúvida, nada contra quem está disposto a cobrar pelo conteúdo que fornece, seja ele impresso ou eletrônico, mas como os meios pensam em medir o quanto vale este ou aquele conteúdo? como eles avaliariam os critérios de qualidade e de importância dessa ou daquela matéria?
Para min um determinado assunto pode ser importantíssimo, para outro pode ser pura bobagem, e ai cada consumidor terá que ser tratado de forma diferenciada.
Acredito que esse tema ainda irá gerar muita discussão, o que é bom, mas nunca chegaremos em uma fórmula ideal e de comum acordo para todos.
abs.
Boa perspectiva Cava. Na minha humilde opinião, tem gente que pagaria por contéudo, como tem gente que paga pra ser sócio do Pinheiros.
Pagar por notícia é burrice. Até porque se você não for buscar, elas chegam, de uma forma ou de outra.
Pagar por entretenimento, me parece justo. Se você gosta dos atores, da música, do escritor ou da história, nada mais natural do que premiar e sustentar quem trabalha com isso. (sim eu sou contra torrents e afins)
Pagar por informação me parece desnecessário. As enciclopédias estão por aí, aliás sempre estiveram, disponíveis em qualquer biblioteca de escola. Nesse sentido, o Google ou as Wikis são só mais atualizados.
Pagar por jornalismo é preciso. A análise das notícias, a profundidade e riqueza da cobertura, a opinião, a isenção, são valores que rss, twitter ou blogueiro nenhum consegue entregar de forma diagonal. Claro que há jornalismo ruim, mal escrito ou tendencioso. Notíca é só a capa (ou a home) do jornal. O melhor do jornalismo é a investigação, é a editoria, o apelo gráfico, a linguagem, o bom uso da fotografia/filme e a escolha dos temas e causas. Uma vez que você encontre a sua fonte editorial ideal, pague por ela. Não só vale a pena, é vital.
Ei eu não usei a palavra conteúdo. Que tal?
As pessoas pagarão se acharem o conteúdo relevante, do mesmo jeito que você assina uma revista para ter a comodidade de ler na poltrona do sofá.
Outro modelo de negócio que devia ser repensado é a TV a Cabo, é duro ter que pagar por canal que você não quer ver. Mesmo que seja de graça.
Ao ler o título achei que você fosse entrar no assunto por outro caminho.
Hoje existem empresas dispostas a pagar para seus usuários pelo conteúdo gerado! A lógica está se invertendo, e o free está ficando tão pesado que modelos de negócios onde o consumidor que receber para estar lá estão surgindo.
Onde há abundância há escassez. A abundância será de graça (hard news), a escassez será cobrada (vide Wall Street Journal).
Ainda não tinha parado pra pensar sobre isto, belo post!