Monthly archives: November 2009

Tem alguém disposto a pagar por conteúdo?

clique para ampliarÉ a pergunta que muitas empresas estão se fazendo neste momento. Entre elas, o pessoal que hoje vive de mídia impressa.

Vai parecer punheta de consultor, mas a melhor maneira de responder esta pergunta é fazendo uma pequena alteração na frase, evitando usar a palavra “conteúdo”.

Por exemplo, quando um jornal parar de se perguntar se alguém irá pagar pelo conteúdo, precisará reformular outras perguntas. Estas, mais fáceis de serem respondidas.

O termo conteúdo é muito amplo e acaba colocando tudo no mesmo saco, ficando difícil de pensar ou discutir a respeito. Conteúdo envolve conteúdo bom e ruim, conteúdo com diferencial e sem diferencial, conteúdo que alguém pagaria e também o que ninguém pagaria.

Se não puder perguntar se os leitores pagariam por conteúdo, um jornal teria que passar a se fazer outras perguntas. Seus leitores pagariam por notícias? Claro que não, notícias estão em todo lugar. Eles pagariam por notícias diferenciadas ou exclusivas? Pagariam por curadoria ou por opinião?

Conforme as perguntas forem ficando mais específicas, fica mais fácil dizer sim ou não. Também fica mais fácil articular novas perguntas.

Exclusivas quanto? Opinião de quem?

E quem pagaria por isso, todo mundo ou somente uma parte das pessoas que hoje assinam nosso serviço?

E de brinde, ficaria mais fácil entender quem é seu público e quem seriam seus concorrentes. Nem sempre o concorrente de um jornal seria outro jornal.

Outra vantagem deste exercício, é que a pergunta deixa de ser focada em um cenário onde o culpado é o consumidor (exigente e egoísta, que não quer pagar por nada) para um cenário onde o culpado é o provedor de conteúdo, que não tem algo bom o suficiente para se fazer cobrar por ele.

Quando a culpa é dos outros, é mais fácil ficar reclamando e não fazer nada para melhorar. Quando é nossa, bom, pelo menos temos uma pressão moral para fazer algo.

ExpoManagement 2009

HSMExpo Inspiring IdeasNa próxima semana, de 30 de novembro a 2 de dezembro no Transamérica Expo Center, em São Paulo, será realizada a ExpoManagement 2009, lugar onde se unem ideias, pensamentos, tendências e os maiores experts mundiais do management. Palestrantes de gabarito como Jack Welch, Rudolph Giuliani, Paul Krugman e Michael Porter.

O maior evento da comunidade executiva brasileira terá espaço especialmente criado para debater temas ligados a novas mídias e sustentabilidade. O Auditório Repensadores, idealizado pela REPENSE e sua rede de parceiros em conexões criativas, é uma das novidades do evento.

Abaixo, a maravilhosa lista de palestrantes que o pessoal da REPENSE conseguiu reunir:

Roberta Rivellino, gerente-geral da The Talent Business
O profissional de comunicação do futuro e seus desafios.

Patty Lago e Paola Canela, sócias-diretoras da Bando de Loucas
A moda e conteúdo construindo marcas e relacionamento.

Denise Hamú, diretora-geral da WWF-Brasil
WWF: uma visão global da instituição sobre preservação da natureza.

Ary Perez, sócio da Tero Design
Design e sustentabilidade: um caminho sem volta.

Ana Carla Fonseca, a Cainha, sócia-fundadora da Garimpo Soluções
Cidades criativas: conexões transformadoras.

Andréa Bisker, diretora do WGSN/Mindset
Meaning, not money: a busca pela relevância: Tendências para 2010

Nany Lopes, sócia-diretora da Behavior e Andréa Mota, diretora nacional de mercado do O Boticário
Essência corporativa – assim começa o branding. Case O Boticário.

Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos
Um novo olhar sobre a ética do desenvolvimento.

Tim Lucas, sócio-fundador da TWR Américas
Nova moral digital: uma visão antropológica. Consumidores, marcas e redes sociais.

Rui Amaral, diretor de criação da artbr e criador do Bicudo (e acreditem ou não, foi meu professor de animação quando eu estava no ginásio)
A nova estética da arte de rua: do grafite às intervenções urbanas.

Terei o prazer de falar sobre um tema que gosto muito: tecnologia. E poderemos discutir sobre como ela está permeando as relações sociais em tempos de onipresença.

Para participar, é necessário se cadastrar. Quem tiver interesse é só deixar um comentário no post ou me enviar um email. Eu enviarei link para cadastro.

Importante, as palestras internacionais maiores não estão incluídas. O convite dá acesso a feira e as palestras paralelas, incluindo o Auditório Repensadores.

Distribuir não é abrir mão

clique para ampliarCom mais um livro disponível na licença Creative Commons, tive uma pequena surpresa com a reação de algumas pessoas, que reclamaram que meu livro não estava aberto.

Aberto nos sentido de não permitir que qualquer um alterasse a obra sem a minha permissão.

Não basta disponibilizar o livro de graça, permitir a cópia e a distribuição. Não basta convidar vários formadores de opinião e professores para criarem suas próprias versões, isentas de censura e disponibilizá-las para download no site do próprio livro.

Foram tão poucos que nem merecem atenção. Uma minoria frente a grande quantidade de pessoas que agradeceu e elogiou a atitude. Mas existem dois pontos que mesmo as pessoas que elogiaram talvez não entendam, e por isso achei que valia a pena escrever sobre isso.

O primeiro é que não disponibilizo o livro na web por ser bonzinho. Faço porque é o que eu acredito que irá me trazer maiores benefícios, como modelo comercial e para o ambiente que vivo. Eu não vivo de vender papel e acredito que fomentar a cultura e a educação sempre trará benefício para todos, eu inclusive. Pode parecer um motivo nobre e piegas, mas é apenas uma visão racional, aderente ao conceito de sustentável que muitos acreditam hoje em dia.

O segundo ponto é que aderir ao Creative Commons não é abrir mão do meu conteúdo. Pelo contrário, uso a licença justamente para protegê-lo.

Quem acha que o Creative Commons é abrir mão do conteúdo tem a mesma mente velha daqueles que defendem as restrições com unhas e dentes.

Negar a cópia não protege nada e, ao mesmo tempo, permití-la não significa abrir mão.

A licença é uma maneira de disponibilizar o livro com regras claras e formais, o que não seria viável usando apenas a proteção padrão do direito autoral, que é castradora e limitada demais para o modelo de negócio desejo usar.

Por tudo isso, pelo menos para mim, esse pessoal que reclama parece apenas uma versão digital daqueles que invadem fazendas produtivas, gritando discursos socialistas, mas no fundo tem apenas uma causa política, a de mostrar pra gente que ainda existem imbecis na face da terra

ESPM sexta

Convidado pelo Prof. Vince, sexta-feira (amanhã), as 14 horas, vou bater um papo com o pessoal do blog Neuronio, iniciativa dos alunos do segundo ao sexto semestre de comunicação na ESPM. Falaremos sobre meu livro Onipresente e outros assuntos que pintarem.

É aberto para alunos, quem quiser participar é só falar com o Prof. Vince.

Como eu aprendo mídias sociais?

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Aprender mídias sociais é como eu emagrecer. É isso!

E tenha paciência pois vou abusar desta metáfora.

A resposta para emagrecer todo mundo conhece. É fazendo exercício e fechando a boca. Em outras palavras, não tem milagre, é preciso fazer esforço, se auto-disciplinar e se reeducar.

Remédio? Não sou contra não. Se você tem pressa ou um problema grave, pode recorrer ao médico e pedir uma medicaçãozinha para agilizar o emagrecimento.

Enfim, é preciso meter a cara.

Voltando as redes sociais, diria que os consultores (eu, por exemplo) seriam, nesta metáfora, o médico. É uma maneira para agilizar o processo. Importante em muitos casos. Mas como sabemos, viver de remédio não resolve.

Acha o Orkut um saco? Acordar cedo pra ir na academia também. Acha o twitter ridículo? Ficar andando na esteira sem sair do lugar também é. Acha o Facebook inútil? Tomar refri diet e encher o briocolé de pudim na sobremesa também.

E qual a melhor maneira de fazer exercícios? Não existe uma resposta única. Cada um tem gosto e facilidade para uma coisa diferente. Alguns preferem correr no parque, outros, bicicleta na academia.

É preciso ter uma presença digital, meter as caras. Começar usando para entender como funciona, o que pode, o que não pode, o que é legal e o que nem tanto.

Não é preciso virar esportista profissional, se bem que, abusando da metáfora, a endorfina das redes sociais pode viciar.