No árduo trabalho de criação, referências sempre foram importantes. Referências de todo tipo. As saudáveis, como estilos, tendências, novos fornecedores e novas tecnologias; e as não tão admiráveis, como as tais “referências de ideias”.
Shots (na época entregue em DVD) e a revista Archive foram referências obrigatórias por décadas.
Não podemos esquecer também, um tipo bem ordinário de referência, a mais braçal de todas. Achar imagens e fotos para compor o layout de diretores de arte.
Para este fim, acreditem ou não, no começo da década de 90 algumas agências criaram um cargo um tanto inusitado. Era chamado de homem referência (HR).
Na cadeia alimentar, o HR vinha logo abaixo do assistente de arte. Uma maneira bonita de dizer que ele ficava abaixo de cu de cachorro.
Se o diretor de arte precisava de um carro velho para seu layout, lá iria o HR folhear milhares de revistas atrás da imagem perfeita.
Tinha até certa lógica na época, pois era um trabalho mecânico e trabalhoso que comia preciosas horas dos diretores de arte e assistentes na época.
O HR sabia tudo, conhecia todas as revistas de cabo a rabo, sabia exatamente o estilo de cada diretor e onde buscar as imagens para agradá-los.
Mas o tempo passou e, gradativamente, Shots e Archive foram substituídos pelo YouTube, Flickr, FWA, FFFFound e outros repositórios pela Internet.
O HR parecia ter desaparecido, quando de repente, o ambiente digital trouxe ele de volta. Voltou na forma de blogueiro, destes que fazem coletânea de tudo que tem de interessante em outros blogs de comunicação. Alguns deles até foram contratados por agências.
Muda o cenário, mas não a cena. O criativo quer fazer um viralzinho, uma promoçãozinha, alguma graça e o HR do século 21 está para levantar o que foi feito pelo mundo.
Assim como no passado, o HR continua sendo apenas um intermediário entre o cara que criou de verdade e o cara que criou de mentira.
A diferença está apenas no glamour do nome do cargo, que agora tem nomes pomposos que falam de tendências ou inovações.

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26 comentários
Recorde de carapuças “servidas” por post.. : )
clap clap clap.
o problema é que alguns homens-referências viraram diretores de criação, aí precisaram mudar o nome do cargo para parecer que tiveram uma carreira mais nobre.
a capa do HR é um post-it? subliminar?
Quando eu era assistente de arte eu achava que eu era abaixo de cu de cachorro… nossa, lendo seu post agora me deu uma paz de espirito.
e a ilustra do Braga como sempre matadora!!!!!!!
bjs!
A grande diferença agora é o tempo entre o “original” acontecer e o HR usar.
Vide o que passa na TV atualmente.
Uma propaganda do Governo, por exemplo, tem danças iguais ao lance do Black Eyed Peas na Oprah, e assim por diante.
É só prestar atenção…
Parabéns! Já virou um P.H. (post referência).
hahaha, a ilustração já diz tudo!
Se a tendência de “buscar inspirações” na internet continuar em alta do jeito que está, os HRs têm um longo e rentável caminho pela frente…
Valeu, Maestro! Eu tava tentando lembrar onde eu já tinha visto aquela dancinha do comercial do “Expansão São Paulo”
Eu acho que fui uma M.R., (mulher referência), eu fui assistente de produção de filme publicitário. Isto sim era cargo abaixo do cu do cachorro, abaixo até da merda do mesmo…Buscávamos nossas referências em locadoras de VHS, imagens pra montar um rough e depois o diretor do filme usar exatamente os mesmos takes.
Na verdade quem “criava” o tal comercial era eu né…mas depois quem ganhava Cannes era ele…
Só me fica a dúvida.
A criação é uma verdade ou uma mentira?
O cara que criou uma “mentira de verdade” é diferente de um cara que criou uma “mentira verdadeira”?
Acho bacana a relação publicidade X arte, e gosto da forma como a segunda se assume mentirosa e ganha em sinceridade.
Sei que este comentário foge do contexto de sua matéria, mas não resisti em expressar isso.
O pior é o neo HR se gabar de alguma coisa. Vou te contar.
A versão digital do post-it são os 140 caracteres do Twitter?
[...] Homem Referência, desenhado para o post homônimo no Coxa Creme. O texto fala sobre um antigo cargo nas agências de propaganda, o tal [...]
o HR caiu na midia social……Cava, sua lucidez sempre me anima
bj
Hum.
Lendo o post, fiquei com a impressão de que o HR também se veste de Planejamento nos dias de hoje.
Cava, agora é só aguardar esse texto ser repostado em algum outro blog (sem crédito pra vc, claro!).
Sempre vão existir os “super especialistas mba’s”de plantão, foi assim no second life ( teve até companhia aérea no second life ), no Orkut, no MySpace e agora no “tuitol” o impressionante é que as agências nao desenvolvem as competências, ou tem alguém com a cabeça no mundo digital, prefere pagar uma fortuna ao especialista de plantão daquele momento.
Uma pena.
Maestro Billy,
Fato. A TV tá lotada de referências da web.
alguém reparou que a ilustra tambem usou uma referencia bastante famosa?
Referindo-me a frase de Albert Einstein: “O segredo da criatividade é saber esconder suas fontes.”
Acho que isso é bastante praticado no mercado!
E eu pensei que já tinha visto tudo nessa vida, desconfio que o apelido do homem referência era “Cadê?”.
Apesar de ser um assunto cansado, o post é muito bom e verdadeiro.
Estou ansioso para a hora que as pessoas perderem menos tempo fazendo analise e mais tempo trabalhando (e mostrando bons projetos). Isso tá faltando. Abs!
Temos também o super “UE” ou User Experience, aquele que é pago para navegar e encontrar as “digi-referências” .
Cava,
KCT, obrigado pelo post