
Sabe aquela história da Internet dar voz ao consumidor? Então, apesar de ser uma velha ladainha, é disso que se trata o Twitter.
E apenas isso, apesar de não ser pouco. Quer dizer, apesar de importante para caramba, é apenas a evolução do que começou com as Home Pages do Geocities em 95. E que hoje conta com a ajuda não somente da internet, mas toda a evolução tecnológica a nossa volta. De câmeras fotográficas digitais, MP3 players e telefones celulares.
Se não fosse o Twitter, seria outra ferramenta qualquer. E em breve será, aparecendo alguma nova para potencializar o que já vivemos hoje.
E por isso que não vejo a menor graça nas celebridades com centenas de milhares de seguidores no Twitter.
Claro que o número impressiona. O global Luciano Huck tem mais seguidores que os três jornais de maior veiculação do Brasil juntos.
Olhando mais de perto, percebemos que uma boa parte destes seguidores são de mentira. No caso de Luciano Huck, 46%. No caso de Mano Menezes, incríveis 61%.
Mas tudo bem, apesar do corte, os números ainda não são desprezíveis. Huck ou Menezes continuariam tendo mais audiência que o jornal de maior veiculação do Brasil.
Não digo que dou pouca importância para menosprezar o poder destas pessoas, pelo contrário, trata-se de mostrar que o espaço conquistado por eles está apenas se refletindo em outro meio. É mais do mesmo.
E são personalidades que têm acesso a um número muito maior de pessoas em seus programas de TV. Dos gigantes do Twitter, os que não trabalham na TV, sempre que estão trabalhando, aparecem na telinha. É o caso do técnico Mano Menezes e de Rubens Barrichello.
Huck disse que entende o Twitter como “forma autêntica de confirmar ou desmentir um fato”. É um dos exemplos da validade desta ferramenta.
A importância está em dar voz para qualquer um, já que não temos controle sobre a comunicação dos veículos tradicionais que decidem onde, como e o quanto de informação passa por seus filtros. Vale para famosos e não famosos, pois permite uma abertura que não seria viável antigamente.
E por isso que eu digo que é apenas uma evolução, não revolução como bradam alguns. Esta comunicação já era viável em seus sites, blogs e comunidades. Estes sim, junto com o Twitter podem significar uma revolução.
Por isso, os 172 mil “seguidores reais” de Rubens Barrichello me parecem mais interessantes que os 547 mil de Luciano Huck. Acho mais interessante um não famoso que alcance 10 mil seguidores do que um famoso que alcance 100 mil.
Interessantes, não necessariamente mais importantes ou mais relevantes. Para tentar dizer qual o número mais expressivo, precisaríamos entender que o número de seguidores diretos é apenas parte da fórmula, levando em conta também a extensão da conversa e a reverberação de suas mensagens. Olhar seguidores verdadeiros, replys, retuitadas, cliques e tudo mais.
Não basta ter meia dúzia de seguidores, como não basta ser seguido por um bando de antas cegas, mudas ou pouco relevantes.
A importância viria da equalização das duas coisas: audiência e impacto. Por isso o Twitter de Huck pode ser pouco relevante, ou talvez, muito mais importante do que imaginamos a princípio.
Então, como a extração de métricas indiretas é complicada e sempre adoramos os números do Ibope, três vivas para Luciano Huck, nosso primeiro milhão.