Monthly archives: October 2009

Estratégia é inovação

Não costumo recomendar coisas no blog, mas esta entrevista com Vijay Govindarajan no canal da HSM no YouTube vale a pena.

Quando se trata de riscos ou inovação, ele explica de maneira bastante interessante sobre este tema, que já tratei aqui no blog e no meu terceiro livro.

É bom, principalmente ajudar a entender que a mudança é inevitável e que deve ser perseguida pelas empresas, mesmo que isso afete seu equilíbrio.

Endeavor – mídias sociais

Separei cinco trechos da palestra sobre mídias sociais que aconteceu na Endeavor, quando tive o prazer de moderar meu amigo Marcelo Tas.

O vídeo completo está disponível, apesar de pedir cadastro, do player ser ruim e não funcionar em alguns browsers/sistemas.

Empurra empurra

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Eu já achava a constante presença do logo das emissoras no canto da tela um absurdo.

Você fica assistindo TV e precisa ignorar aquele treco horroroso. Uma marca d’água, mais pra marca do que pra água.

Ai resolveram enfiar propaganda também durante a apresentação do conteúdo. A TV por assinatura virou mestre em fazer isso. Você esta assistindo um filme e aparece um treco no meio da tela avisando sobre algum programa que vai passar em outro horário.

Você tenta ignorar, mas o treco começa a se mover e dar piruetas no meio da tela chegando a ocupar 1/4 dela.

Algumas animações até imitam explosões e outros subterfúgios para se confundir com o filme e chamar ainda mais atenção.

É interromper no pior sentido da palavra.

Como não falta espaço na TV por assinatura – basta ver intervalos de 5 minutos que repetem calhau a dar com pau para perceber isso – só me resta imaginar que é cultural.

Quanto menos a gente presta atenção, mais eles empurram.

Outro bom exemplo desta lógica de empurra empurra são os DVDs, que contém mensagens obrigatórias e trechos que não permitem ser pulados.

A Disney, percebendo isso, inventou o Fast Play. Mas apesar do nome, a opção serve apenas para não passarmos pelos menus, pois nos brinda com pelo menos 3 longos trailers de seus produtos.

Por isso que, quando esse povo usa algum ferramental moderno ou tecnológico, costumam fazer feio. Porque antes de usar a ferramenta, precisam mudar sua maneira de pensar. Senão acabam fazendo o velho com uma roupagem nova.

Homem Referência

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No árduo trabalho de criação, referências sempre foram importantes. Referências de todo tipo. As saudáveis, como estilos, tendências, novos fornecedores e novas tecnologias; e as não tão admiráveis, como as tais “referências de ideias”.

Shots (na época entregue em DVD) e a revista Archive foram referências obrigatórias por décadas.

Não podemos esquecer também, um tipo bem ordinário de referência, a mais braçal de todas. Achar imagens e fotos para compor o layout de diretores de arte.

Para este fim, acreditem ou não, no começo da década de 90 algumas agências criaram um cargo um tanto inusitado. Era chamado de homem referência (HR).

Na cadeia alimentar, o HR vinha logo abaixo do assistente de arte. Uma maneira bonita de dizer que ele ficava abaixo de cu de cachorro.

Se o diretor de arte precisava de um carro velho para seu layout, lá iria o HR folhear milhares de revistas atrás da imagem perfeita.

Tinha até certa lógica na época, pois era um trabalho mecânico e trabalhoso que comia preciosas horas dos diretores de arte e assistentes na época.

O HR sabia tudo, conhecia todas as revistas de cabo a rabo, sabia exatamente o estilo de cada diretor e onde buscar as imagens para agradá-los.

Mas o tempo passou e, gradativamente, Shots e Archive foram substituídos pelo YouTube, Flickr, FWA, FFFFound e outros repositórios pela Internet.

O HR parecia ter desaparecido, quando de repente, o ambiente digital trouxe ele de volta. Voltou na forma de blogueiro, destes que fazem coletânea de tudo que tem de interessante em outros blogs de comunicação. Alguns deles até foram contratados por agências.

Muda o cenário, mas não a cena. O criativo quer fazer um viralzinho, uma promoçãozinha, alguma graça e o HR do século 21 está para levantar o que foi feito pelo mundo.

Assim como no passado, o HR continua sendo apenas um intermediário entre o cara que criou de verdade e o cara que criou de mentira.

A diferença está apenas no glamour do nome do cargo, que agora tem nomes pomposos que falam de tendências ou inovações.

Nosso primeiro milhão

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Sabe aquela história da Internet dar voz ao consumidor? Então, apesar de ser uma velha ladainha, é disso que se trata o Twitter.

E apenas isso, apesar de não ser pouco. Quer dizer, apesar de importante para caramba, é apenas a evolução do que começou com as Home Pages do Geocities em 95. E que hoje conta com a ajuda não somente da internet, mas toda a evolução tecnológica a nossa volta. De câmeras fotográficas digitais, MP3 players e telefones celulares.

Se não fosse o Twitter, seria outra ferramenta qualquer. E em breve será, aparecendo alguma nova para potencializar o que já vivemos hoje.

E por isso que não vejo a menor graça nas celebridades com centenas de milhares de seguidores no Twitter.

Claro que o número impressiona. O global Luciano Huck tem mais seguidores que os três jornais de maior veiculação do Brasil juntos.

Olhando mais de perto, percebemos que uma boa parte destes seguidores são de mentira. No caso de Luciano Huck, 46%. No caso de Mano Menezes, incríveis 61%.

Mas tudo bem, apesar do corte, os números ainda não são desprezíveis. Huck ou Menezes continuariam tendo mais audiência que o jornal de maior veiculação do Brasil.

Não digo que dou pouca importância para menosprezar o poder destas pessoas, pelo contrário, trata-se de mostrar que o espaço conquistado por eles está apenas se refletindo em outro meio. É mais do mesmo.

E são personalidades que têm acesso a um número muito maior de pessoas em seus programas de TV. Dos gigantes do Twitter, os que não trabalham na TV, sempre que estão trabalhando, aparecem na telinha. É o caso do técnico Mano Menezes e de Rubens Barrichello.

Huck disse que entende o Twitter como “forma autêntica de confirmar ou desmentir um fato”. É um dos exemplos da validade desta ferramenta.

A importância está em dar voz para qualquer um, já que não temos controle sobre a comunicação dos veículos tradicionais que decidem onde, como e o quanto de informação passa por seus filtros. Vale para famosos e não famosos, pois permite uma abertura que não seria viável antigamente.

E por isso que eu digo que é apenas uma evolução, não revolução como bradam alguns. Esta comunicação já era viável em seus sites, blogs e comunidades. Estes sim, junto com o Twitter podem significar uma revolução.

Por isso, os 172 mil “seguidores reais” de Rubens Barrichello me parecem mais interessantes que os 547 mil de Luciano Huck. Acho mais interessante um não famoso que alcance 10 mil seguidores do que um famoso que alcance 100 mil.

Interessantes, não necessariamente mais importantes ou mais relevantes. Para tentar dizer qual o número mais expressivo, precisaríamos entender que o número de seguidores diretos é apenas parte da fórmula, levando em conta também a extensão da conversa e a reverberação de suas mensagens. Olhar seguidores verdadeiros, replys, retuitadas, cliques e tudo mais.

Não basta ter meia dúzia de seguidores, como não basta ser seguido por um bando de antas cegas, mudas ou pouco relevantes.

A importância viria da equalização das duas coisas: audiência e impacto. Por isso o Twitter de Huck pode ser pouco relevante, ou talvez, muito mais importante do que imaginamos a princípio.

Então, como a extração de métricas indiretas é complicada e sempre adoramos os números do Ibope, três vivas para Luciano Huck, nosso primeiro milhão.