Tem uma frase que vem sendo dita com frequência e me incomoda:
Propaganda é o preço que as empresas pagam por não saberem inovar
Já existem até variações da dita cuja, como por exemplo:
Propaganda é o preço que as empresas pagam por não serem criativas
Procurando na web, vejo que já foi atribuída à ilustres, VPs e sócios de empresas que fazem propaganda.
Também já foi repetida várias vezes por terceiros de menor garbo. Outro dia mesmo, alguém usou a frase em um evento brasileiro — para minha surpresa — destinado aos blogueiros publicitários e dita por um profissional que trabalha em uma agência de propaganda tradicional.
Claro que é uma frase de efeito, bonitinha até, mas que moral estas pessoas que vivem de propaganda têm para dizer isso?
Eu não concordo com a frase. Para começar porque não acredito que propaganda boa salve produto ruim. O consumidor não é mais ingênuo, muito menos idiota. E até podemos discutir mais sobre isso nos comentários, mas o texto é para discutir outro ponto.
Não é falta de ética dizer que são contratados porque seus clientes não têm criatividade ou não sabem inovar?
Não é arrogante? Como se os clientes só fizessem merda para depois serem salvos por tais agências?
E se o trabalho de propaganda destas agências funciona, será que a própria frase não é contraditória, sendo uma apologia a propaganda?
Outro dia alguém disse que os prêmios publicitários são “uma mentirinha que a gente finge que acredita”. Como se prêmio fosse apenas discurso, não consequência de um bom trabalho.
No final, talvez seja esta a tática destas pessoas: bater na propaganda, de mentirinha, no discurso. Todo mundo finge que acredita e é muito mais fácil do que fazer algo diferente da boa (ou da ruim) e velha propaganda.
Discurso faz parte do nosso trabalho, mas precisamos tomar cuidado para não nos distanciarmos tanto da realidade.

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19 comentários
O pior é aguentar as ideias criativas de quem cita essa frase. Acho que esse período da propaganda passou faz tempo, é bem legal pra gente estudar história!
Muito bom o post Cava, como sempre!
A arrogância e a estupidez crescem na razão inversa do bom senso
O que mais vemos são exemplares da geração HSM e suas frases de efeito pagando pinta de superultramegapower executivos que entendem de tudo. Do operacional ao mkt e até de propaganda. Estou cansado dessas personas que tanto falam e nada dizem. O cliente não é burro! Ele sabe melhor do negócio dele (okay, pelo menos 95% deles sabem) que os super atendimentos.
endossado.
ps.: arrogância tem pra dar e vender. ética tem, mas acabou.
A separação dos poderes (marketing X produto) é causa e consequência. Na indústria da moda, por exemplo, o homem de marketing usa fita métrica e o homem do estilo usa power point. É o mesmo cara, aliás. Esse papo de resignificar a função da propaganda, de criar conteúdo e blablabla, para eles, é de uma obviedade medieval.
Peloamor.
Impacto – 1 x 0 Bom senso
Discordo totalmente dessa premissa de uma empresa não ter criatividade e pedir socorro as agências. Pra começar que uma agência que se preze está la para, antes de mais nada, entender o problema da melhor forma, a criatividade ao meu ver só vem depois de uma clara visão da problematica. Eu não sou profissional na área, mas esse statement tambem me encomoda.
Muito bom esse post, vou dar RT.
Peço perdão pelo Português, mas quem pensa assim é quem tem produtos e serviços de merda. Daí realmente nada salva, nem a propaganda. Eu conheço gente pior, Cavallini. Já ouvi empresário dizendo que só se dá bem nesta vida quem tem estrela, por isso de nada adianta anunciar.
Essa questão que você levantou é muito interessante e muito complexa também, infelizmente. Há quem use a propaganda SOMENTE para mentir. Estou trocando meu carro neste momento e tenho percebido que as concessionárias só fazem mentir nos anúncios. Esse é o problema. Muitos partem para a mentira. Eu acabei fechando meu carro, por exemplo, numa concessionária onde o preço no anúncio era quase 3 mil a menos. Mas eles não somavam pintura metálica e assessórios, o que levou o preço final a 100 reais a mais (pouco, mas veja a mentira) que o preço do concorrente, que anunciou o preço correto, já com tudo incluso. Sorte deles é que a avaliação do meu carro atual saiu mil reais mais que o concorrente.
Enfim, sei que você não levou a discussão para um lado da propaganda tão varejista, mas é essa percepção geral das pessoas que acaba criando o descrédito com a propaganda. Abraço
São muitos eventos, palcos, “peoples” e pouca consistência. Frase de efeito é escudo de gente surda, que vive no seu mundo, entende apenas seu quadro de referência.
Bom post!
Hummmmmm, a utilidade da propaganda é vender.
Diferenciar seu produto [mesmo que não tenha diferença] da concorrência, atribuindo valor, sentimentos, criando percepção de que ele é melhor.
Propaganda é pra criar demanda de consumo [e não de consumismo].
Serve para direcionar demanda. Mais propaganda, preço menor, praça melhor, potencial de consumo, distribuição efetiva…….
Quem procura outra desculpa para a ferramenta talvez deveria se esconder atrás da própria ignorância. Ou ir estudar, sei lá.
Minha interpretação da frase _ Propaganda é o preço que as empresas pagam por não saberem inovar _ não é negativa assim.
Concordo que quanto mais criatividade e inovação na criação do produto, menos necessidade de propaganda.
Os melhores exemplos são o iPod e o iPhone. Pensados e repensados para arrebentar.
Quem leu a matéria na Wired sobre os bastidores da criação do iPod e o livro a cabeça de steve jobs, percebe que o cara dizia: “não quero MAIS UM mp3 player”. “Não quero MAIS UM telefone celular”. O Seu Jobs soube inovar e, não é a toa, que ambos foram capa de todas as revistas e jornais do mundo em seu lançamento.
Precisa fazer propaganda para vender iPhone? Precisa fazer propaganda para dizer que iPhone é bom? Precisa colocar cachorrinho, criança, piadinha etc no comercial de iPhone? NÃO.
todo mundo quer um iPhone. E a propaganda de iPhone é feita pelas operadoras dizendo que custa R$ X e pode comprar na loja tal. O produto já foi vendido, e muito bem vendido, pela imprensa, pelos blogs e por nós no twitter. Basta dizer quanto custa e onde comprar.
Por isso eu concordo com a frase acima, que não é de minha autoria. Quanto mais tempo e criatividade forem gastos na concepção do produto, menos tempo e dinheiro sao necessários na sua comunicação.
abs, Gfortes
Gfortes, demorou para alguem usar a Apple como exemplo
Alias, voce nao disse isso, mas é muito comum dizerem que a Apple nao faz propaganda pq nao precisa.
Mas a Apple tb faz propaganda, e fez para o iPod e para o iPhone. Alias, um dos melhores comerciais do mundo de todos os tempos é da Apple, veiculado na midia mais cara do mundo, o Super Bowl.
O argumento “quando melhor o produto, menos se precisa de propaganda” é uma falacia. Produtos melhores vendem mais, ponto final. Propaganda bem feita ajuda a melhorar estes numeros.
E propaganda bem feita envolve bom planejamento, boa producao, bom plano de midia, etc.
Boa propaganda nao quer dizer gastar mais, nem menos, quer dizer gastar o que vale a pena para trazer um retorno maior.
Concordo e tem uma fraze do Gfortes que colocou bem um ponto importante: “O produto já foi vendido, e muito bem vendido, pela imprensa, pelos blogs e por nós no twitter”.
Um produto quando é inovador e atinge/contagia as demandas, o buzz depois disso é algo quase que certeza e impossivel de parar, daí o advento das mídias sociais ajudando absurdos na divulgação e aumento de consumo. A imprensa agora tem se mostrado um resultado dos hypes em medias sociais, como uma consequência “Olha cumpadi.. isso saiu no jornal e no Fantástico, então esse negócio de Twitter deve fazer sucesso mesmo”.
Agooora, quando se trata de um produto (independente de ser bom ou não) que não traz tanta inovação divulgação se faz necessária, um dos desafios é saber escolher quais veículos são os mais adequados para aquela demanda. E quem entende melhor disso senão as agências?
Propaganda boa não salva produto ruim mas gera compra, não recompra. O consumidor não vê a promessa atendida e não volta. Mas acho que esse lance de propaganda convencional e agências, tem que pensar no modelo, é um modelo campeão. Você cria uma campanha e a partir daí tudo o que sai da agência é cartinha de aprovação de mídia em word. E fazem muito dinheiro com isso. Daí me responde, quem quer ser criativo com novas mídias, ter toneladas de trabalho e ganhar 10% do que ganham hoje.
Mas coisa por coisa, mídia de massa funciona muito bem se o produto é popular.
É natural do ser humano desenvolver argumentos para justificar sua existência.
Seus custos.
Suas festas.
Seus prêmios.
Uma vez me falaram que se simplificássemos ao máximo nosso mercado sobrariam poucas vagas, pois nosso trabalho por si só é o fim de um longo caminho que começou lá atrás quando alguém resolveu empreender e lançar um produto.
Esperando um retorno.
Ou seja, é uma aposta, um risco.
E nosso mercado apostou em outras variáveis que não somente a remuneração pelo trabalho desenvolvido, ao vender uma coisa e querer cobrar / ganhar em outra.
E isso todo mundo sabe que não dá certo.
Agora, com os questionamentos, a crise, fica mais díficil [ou a sensibilidade diminui] justificar o vazio, do fazer por fazer.
Mas tem muita gente que consegue mostrar o valor [não o preço] do seu trabalho e a vida segue.
A propaganda é uma ferramenta, e como tal, tem suas características e limitações. Os empresários e profissionais devem pensar em desenvolver uma filosofia de marketing, que atinja toda a empresa e por consequência o seu stakeholder, e não somente procurar soluções milagrosas para suas dificuldades.
Abraços a todos.
Sem dúvida que é falta de ética e arrogância, mas isso não é exatamente uma novidade na propaganda. Agora engraçado mesmo é a imagem do post (eu sei que é apenas para ilustrar o post, ok?) mostrando essa frase justamente num outdoor.
abs
Olha, urgente, mas urgente mesmo é que se inove no varejo. Não dá para aguentar mais comerciais “Casas Bahia-style”, que pululam em nossa televisão e irritam os telespectadores até dizer chega. Esta publicidade é altamente indesejável. E já começo a colocar sua eficácia em cheque porque está ficando tudo igual. E tem mais, quando começa a seção de varejo eu mudo de canal ou desligo a televisão porque acho o conteúdo ofensivo. Imagino não ser o único. Comercial em horário nobre na TV aberta virou camelódromo, feira livre, algo irritante e que todo mundo e qualquer um faz.
Cava, a meu ver, o contexto da frase não está sendo considerado. Ela foi dita pelo Joe Crump, dono da Razor Fish, uma agência Digital.
E tirando os entendimentos dos extremistas que são sempre desequilibrados, a frase é forte, sim mas é boa: produtos e serviços fodásticos dispensam um grande plano de mídia pois sãorecomendados pelas redes pessoais e não pelas midias comerciais = menos $ gasto em midia.
Para refletir: 7 das 10 marcas mais valiosas do mundo fazem pouca ou nenhuma PP (TV Revista e Jornal) e são muito inovadoras.
Abs
MVial
Em tempo: a PP não salva produto ruim? (tenho dúvidas…). Mas certamente ajuda a acelerar a vida útil do produto. Daí a sua importância e valor.
Marcelo Vial, lembrou bem, ela foi dita por um cara de uma agencia digital. Seria mais facil bater no interlocutor para invalidar a frase, mas preferi outro caminho.
Concordo que seria bom tirar os entendimentos dos extremistas. Mas o que a frase de efeito faz é justamente isso, incentivá-los.
Sobre as grandes marcas do mundo, estou confuso, usando o ranking da Interbrand as maiores sao:Coca-Cola, IBM, Microsoft, G&E, Nokia, Mc Donalds, Google, Toyota, Intel.
Tirando o exemplo do Google, as outras todas investem fortunas em propaganda, boa ou ruim, nao importa.