Escória


Graças a democratização que a tecnologia proporcionou, o volume de informações que temos acesso hoje é muito grande. Somos bombardeados por muitas informações de muitas fontes diferentes.

Este volume e a fragmentação das fontes nos obriga a fazer algo que antes delegávamos a poucos terceiros. Agora precisamos fazer nossa própria curadoria. Selecionar melhor nossas fontes é achar vários novos curadores.

Apesar de penoso, só vejo vantagens nesta transição. Nos deixa mais críticos e menos suscetíveis a uma única visão.

A tecnologia deu voz à todos. Blá blá bla, essa parte todo mundo já está cansado de falar.

Mas, como sempre, existe um outro lado. A tecnologia que deu voz a muitos que a mereciam, fez o mesmo com os não mereciam, que não tem nada de interessante para falar. Gente que não tem ética, não tem moral, não tem respeito.

E são tantos, que o desafio passa a ser aprender a abstrair todo este lixo. E neste processo, não vejo nenhum benefício, só frustração por saber que eles existem aos montes.

27 comentários

  1. jean boechat says:

    “… só frustração por saber que eles existem aos montes.”

    e cada vez mais.

  2. Cava,
    Muito bem resumido e explicado, como sempre.
    Sinto esse problema também com relação a musica.
    Onde achar as musicas mais legais ?
    Onde procurar ?
    Qual estilo é o predominante hoje em dia ?
    Quem é “o cara do momento” ?
    São tantas informações desencontradas e fragmentadas, que a gente descobre que cada estilo tem seu “o cara”, cada site tem seu “best of”, e assim por diante.
    Antigamente era bem mais fácil saber o que era sucesso, o que ia estourar. Mas também muito mais limitado e frustrante saber que, por exemplo, o grande sucesso era “breganejo”, e vc não tinha outra alternativa a não ser ouvir o estilo bovinamente.
    Gente ruim, mal-informada, sem ética, moral nem respeito tem aos montes. E agora, como vc mesmo disse, com voz.
    Mas esse povo a gente enxerga de longe. E consegue separar rapidamente.

  3. [...] Procure, encontre ou feche. A tecnologia que deu voz a muitos que a mereciam, fez o mesmo com os não mereciam, que não tem nada de interessante para falar. Gente que não tem ética, não tem moral, não tem respeito. via coxacreme.com.br [...]

  4. “o desafio passa a ser aprender a abstrair todo este lixo”

    Essa é a grande vantagem a ser exaltada.

    Existem meios de abstrair esse lixo. Temos botões “Excluir” e Bloquear” à disposição.

    Vamos a eles!!!

    O que não se pode é dizer que eles “não mereciam”. Não concordo com essa afirmação.

    Eles mereciam, sim, pois se eles não aparecessem por aqui, como seria feito o uso dos botões que citei acima?

  5. mais atual que nunca, separar o joio do trigo…

  6. Mafe Bastos says:

    Comentario acima era meu:

    mais atual que nunca, separar o joio do trigo…

  7. O que muda de fato é que as pessoas podem se mobilizar mais rápido do que no passado – e daí temos que efetivamente contar com os amigos. Eles passam a ser nossos filtros e referências para justamente não termos uma sobrecarga de tanta informação.

    No outro lado, torçamos para que as ‘forças do mal’ não tenham a mesma capacidade cooperativa!

  8. michel lent says:

    o mundo ganhou um megafone e tampar os ouvidos não impede a gente de ouvir.

  9. Luli Sobreira says:

    E alguns a usam para fazer seus “seguidores” de palhaços…

    Se Darwin estiver vendo isso tudo, as novas gerações nascerão com filtros automáticos de conteúdo…

  10. Michel says:

    E a tendência é só aumentar.

    t+

  11. Wans Spiess says:

    Mto boa esta reflexão !
    E haja bom senso para conseguir fazer a separação ! Mas a gente consegue, eu acredito !

  12. Isabel Atherino says:

    Todo mundo merece ter voz.

    Todo mundo merece o direito de filtrar as mensagens que quer receber ou não.

    “Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito que tem de o dizeres.”

  13. Cava,

    Além de publicitário sou professor de educação física e ex-atleta, e por esse blablabla e absurdos que falam em função da facilidade tecnológica criei meu blog sobre atividade física a fim de melhorar o conteúdo na rede e a cada dia que passa minha audiência tem aumentado. Mesmo que existam milhares de não merecedores, cabe aos merecedores colocarem a boca no trombone!!! Abraço!!!

  14. Concordo com o @lent. Não adianta tampar os ouvidos, o barulho é altíssimo.

    Ao mesmo tempo, estas poucas pessoas que realmente agregam não precisam mais “aparecer na televisão” para mover massas (ignorantes ou não, mas que PRECISAM de uma referencia) a favor de ‘n’ causas nobres ou não.

  15. Isabel Atherino, eu já dei minha opinião no post. O lado bom é ter dado voz para gente de todas as classe sociais, inteligencias, idades, cores, religioes, etc.

    Acredito que Voltaire tambem ficaria muito feliz com isso.

    Mas tb deu voz a quem nao tem moral, etica e respeito. Estes nao merecem ter voz.

    Christian Garcia, nao tem como excluir e bloquear esse ruido. Como eu disse no texto, isso tem o lado bom e o lado ruim.

  16. Adiron says:

    Cava

    A escória sempre existiu. Basta visitar um boa biblioteca para descobrir como se escrevia lixo no passado também.

    Até porque a escória estava não só na criação, mas também nas editorias.

    Filtro de curadoria eu só conheço um que preste, se chama bom senso, mas está em falta no mercado.

  17. Guga Barbosa says:

    A internet, em alguns aspectos, está cada vez mais próxima do mundo real. Com suas deficiências mazelas. Um amigo jornalista me disse há alguns anos que a internet é o maior avanço da humanidade em anos, mas que o homem era o mesmo de sempre e trouxe também pra rede tudo o que era podre. Um espelho.
    Uma vez vi em um especial sobre educação, um professor demonstrar como temos a inclinação em tratar novas tecnologias e ferramentas com a boa e velha maneira obtusa de ver as coisas. Associou a internet ao primeiro automóvel, que tinha o espaço para o condutor do lado de fora do habitáculo. O pobre motorista estava fadado a tomar chuva e poeira unicamente porque o seu antecessor, o condutor de carruagem, tinha que manejar as rédeas. O problema não estava no automóvel. Apenas o raciocínio permaneceu o mesmo.
    Como no mundo real, o problema não é a internet. O problema é gente.

  18. Isabel Atehrino says:

    Cavallini,

    alguns acontecimentos recentes na blogosfera me fizeram questionar se Voltaire tinha mesmo razão em defender até morte o direito incondicional de expressão. Fiquei imaginando se ele vivia cercado de pessoas que, por mais diversificada fossem as opiniões, a ética e o moral eram similares. Fiquei imaginando que isso também acontecia conosco. Nos aproximavamos daqueles que compartilhavamos semelhanças, mas de repente, houve uma aproximação quase que forçada, pelo barulho que fazem, como você disse, daqueles que não tinham nada em comum e aí, uma escória que sempre existiu ficou evidente.
    Se há um lado bom nisso é que acabamos por conhecer uma faceta da humanidade que não nos era familiar, mas que existe e que então não devemos fechar os olhos para ela. Por outro lado, somos ocasionalmente agredidos, sem merecer, por essa parcela.
    Tenho quase a convicção, (ainda!), de que qualquer pessoa mereça expressar o que bem entender, porém, me parece que há um certo dever cidadão de censurarmos com contra-argumentos e rechaço (quando couber) a esse agressores de maneira que essa repressão faça também barulho e contribua para que essas pessoas fiquem em silencio, ou ao menos, passem a utilizar o bom senso.

    O que acha?

  19. gfortes says:

    é phoda e dessa vez foi mais phoda.

    mas acho que é que nem carro: conheço um monte de gente educada, que nunca deixaria uma senhora abrir a porta do elevador, que quando entra no carro vira um monstro que corta, xinga, persegue e bate na mesma senhora em seu fusca.

    da mesma forma, pessoas educadas e até legais se transformam quando estão por trás do seu avatar. As pessoas sentem uma compulsão por postar uma opinião quando não sabem muito bem do que se trata e alguém reclama e eles não conseguem parar e vira uma coisa enorme e horrível. duvido que ao vivo seria assim.

    eu acho que todos estamos aprendendo e nos educando. porém sempre chegarão novos pilotos de twitter, sem experiência, e a coisa recomeça.

    talvez seja uma idéia exigir exame psicotécnico para ter perfil em determinadas redes sociais. mas acho que não adiantaria, da mesma forma que não adianta com carro.

    vamos conversando, dando exemplo (ou não) e melhorando.

    abs

  20. Acho que muitos não merecem ter voz ativa, mas acho errado criar medidas para calar estas pessoas, pois seria impossível hoje fazer uma nota de corte, criando uma censura ou batendo em minorias, coisas que sou radicalmente contra.

    TALVEZ no futuro, com evolução das redes sociais, inteligências de contexto, semântica e com aplicações de crowdsourcing, seja possível categorizar melhor algumas coisas e assim permitir que a gente possa abstrair este lixo.

    Mas veja que é o caminho oposto da censura. Falo de dar ferramentas para quem não quer escutar este tipo de gente, conseguir abstrair o lixo. É diferente de calar quem achamos que não merece ser ouvido.

    Voltaire continua atual, mas ele tratava de um problema distindo, apesar do meu link ter sido estabelecido no texto.

  21. gfortes, pra ilustrar, um clássico:

  22. Isabel Atehrino says:

    A medida de calar de que estou falando, na verdade, nada mais é que o diálogo. A pessoa que não é reafirmada é naturalmente calada ou estimulada a repensar. E para haver um diálogo acredito que a linguagem entre as partes deve ser a mesma: não há como dialogar com alguem que esta aos berros sem berrar também.

    Tomara que essas evoluções da mídia social se concretizem e que realmente possamos nos proteger do lixo. Mas apesar do “muro alto” nos proteger, ele não contribui para qualquer mudança social. A bagunça continua do lado de fora.Talvez as redes sociais possam, um dia, ser uma ferramenta também educativa para mais pessoas, como tem sido pra mim.

    Até +.

  23. Mario Amaya says:

    Já vi os filhos da puta e sem-noção da Web ganharem várias paradas e desestimularem pessoas de bem a continuarem expondo tanto suas ideias. Não é apenas o lixo que escrevem que incomoda, é a agressividade fanática com que buscam se impor nas redes e gerar atenção incondicional para si mesmos. Pessoalmente, sei que a única linguagem que um idiota desses ouve como resposta é a da humilhação pública. E mesmo assim, vai continuar tentando encher o saco de outros pela vida toda. A desgraça da rede é que ela é neutra demais: provê todas as facilidades de comunicação, mas não filtros adequados, muito menos subsídios para criar filtros novos baseados em nível de conhecimento, ética ou respeito, valores que máquinas talvez nunca entendam. Se me perguntarem, sou um libertário bastante radical, mas afirmo que se a média da humanidade que se expressa na web não passa de um troll mentiroso, bully ignorante, manipulador e abusivo, peço que surjam recursos reais para reprimi-los, reeducá-los e, sim senhor, calá-los. Como já acontece na vida real com leis, advogados e prisões.

  24. [...] à uma grande amiga – Lalai Loaded Apenas mais uma de amor – Blog das 30 Pessoas escória – Coxa Creme Sobre Suicídio – Chá de [...]

  25. ailton filho says:

    É isso, deixar todos falarem, o que convir… porém com receptores amplificados, a sintonia será mais fina.

  26. Mas já está na hora de formarmos uma opinião mais crítica e criteriosa sobre as informações que nos são passadas.

  27. [...] à uma grande amiga – Lalai Loaded Apenas mais uma de amor – Blog das 30 Pessoas escória – Coxa Creme Sobre Suicídio – Chá de [...]

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