Anúncio é conteudo?


clique para ampliar

Há algum tempo atrás, o Google modificou seu sistema de leilão, passando a levar em conta a qualidade do anúncio.

Como o Google ganha por anúncios clicados, para leigos pode parecer como uma prática comercial para priorizar os anúncios mais clicados, mas a lógica é outra. Para não perder relevância, o Google precisa continuar tendo qualidade em sua resposta, mesmo em seus anúncios.

O pensamento não está de olho no lucro do curto prazo. Não se trata de ganhar mais grana com um anúncio picareta que conquiste muitos cliques, mas em manter a taxa de cliques alta por entregar comerciais que tenham relação real com a pesquisa realizada.

Afinal, pago ou não, os anúncios fazem parte da recomendação de busca do sistema. Usando a mesma lógica, acredito que todos os veículos, digitais ou não, deveriam selecionar seus comerciais.

Você pode até argumentar que não seria viável comercialmente ou que ninguém teria coragem para tomar esta atitude, mas a lógica é a mesma. Comercial ruim atrapalha a experiência do consumidor no veículo.

Não precisa ir longe, quem nunca trocou de canal ou estação de rádio quando percebeu novamente aquele comercial chato? Esta sensação se torna evidente em canais de TV por assinatura, cujos intervalos chegam a levar 5 minutos e muitas vezes recheados com comerciais de resposta direta e os produtos mais vagabundos do mundo.

Ou quem nunca ficou puto quando percebeu que a TV por assinatura passou a mostrar vários intervalos de 5 minutos durante o mesmo filme?

A única dificuldade que eu vejo seria a nota de corte. O Google tem maneiras para medir a relevância do comercial, comparando seu conteúdo com a palavra de busca e a página que ele remete, assim como também tem a resposta imediata dos usuários. Seu sistema é melhor do que qualquer pesquisa de amostragem, mas com toda a tecnologia de hoje, seria viável implementar algum sistema de qualidade em outros veículos, mesmo os tradicionais. Como eu disse, a barreira não é tecnológica, e sim político-econômico-burocrática.

13 comentários

  1. Sandro says:

    Muito pertinente o tema e parabéns pelo post! Realmente o sistema de anúncios do Google dá uma bela lição ao mercado publicitário: é possível obter excelentes resultados para o anunciante prestando um baita serviço ao consumidor, entregando-lhe um resultado de busca relevante e com qualidade. O interessante é que o Google consegue cumprir sua missão de proporcionar a melhor experiência de busca para o usuário usando a publicidade como aliada. Talvez os veículos devessem começar a moldar seu “índice de qualidade” por aí. Buscando cumprir sua missão, seja ela informar ou divertir, mas tendo a publicidade como aliada e alinhada nesse objetivo, não apenas uma mera financiadora.

  2. Vince Vader says:

    Cava, pintou uma dúvida quando li seu post. Até consigo imaginar um filtro no meio digital, mas como esse filtro de qualidade poderia ser feito com TV por exemplo?

    Abração!

  3. Vader, dá pra fazer, tanto da maneira analogica como da maneira digital. Eu adoraria prestar consultoria para um veiculo grande que estivesse disposto a inovar neste sentido, mas acredito que não é dificuldade tecnica o problema.

  4. Thiago K says:

    Se eu não me engano o GNT faz alguma coisa no sentido de seleção. Já os ouvi dizendo que selecionam apenas os anunciantes que agreguem valor a marca. Porém já tem um tempo que não acompanho o GNT, então não sei se essa prática ainda está em vigor.

    Abs.

  5. Wilson says:

    Fala Cava….
    Ótimo post, mas ai vem a dúvida: E os grandes anunciantes como Niely, Dolly entre outros muito cafonas, mas que dão milhões as emissoras? Os anúncios são ruins sob qual perspectiva? Sob a nossa perspectiva? (não ache que eu gosto deles..rsrs).
    O incrível é que Niely comprou cotas de patrocinio do BBB por anos e fez sua marca ali quase atingindo Top of Mind em pesquisa! Quando trabalhei com AmBev era cruel ver nas pesquisas de mercado que os consumidores nao tinham mais vergonha em colocar Dolly no carrinho de compras mesmo odiando os comerciais. Nao é porque o cara é pobre que ele merece ver bagaceira na TV isso concordo 100%.

    Sinceramente nao sabia que era possivel esse filtro em TV, mas seria o dilema do dilema você nao acha?

    Abraço!
    Wilson

  6. Wilson, a discussao do filtro é muito complexa. Os principais riscos são censura e preconceito.

  7. Ricardo Cavallini, eu acho que o buraco é um pouquinho mais embaixo.

    Acredito que a iniciativa do Google em valorizar a qualidade do anúncio funciona muito bem, mas não poderia ser aplicada p/ tds as outras mídias (como a TV a cabo, por exemplo) por um simples motivo:

    Está implícito que ao utilizarmos qq serviço de busca para pesquisar sobre determinado assunto que o conteúdo que esperamos encontrar possa (talvez, quem sabe) estar entre entre os anúncios de link patrocinado. O sistema de busca deveria nos retornar um anúncio que satisfaça de alguma maneira a EXPECTATIVA daquele usuário, naquele momento e praquele assunto, certo?

    Ou seja, o input pela informação (in)desejada parte da pessoa, surgindo num ambiente de forma contextual.

    Então, a pergunta que eu faço é a seguinte:

    Essa mecânica é reproduzível em mídias que ainda se valem de marketing de interrupção? De que vale estabelecer critérios para qualificar aquilo que ninguém realmente quer ver? Isso realmente vale a pena?

    São questões que me pergunto. “Sony Balls” e “Dolly Guaraná Dolly” mesmo com um abismo de diferença entre eles no fim das contas não são apenas propaganda que interrompem a minha programação?

    Enfim, mais belíssimo post :D

  8. André Chapetta, a solucao deve variar de meio e de veiculo para veiculo, alem do mais, existe um grayscale entre a solucao perfeita e nenhum criterio. Hoje, todo veiculo ja tem criterios, mas eles sao estabelecidos de acordo com o direcionamento politico/economico/moral de cada lugar, quando deveriam tambem ter um componente pensando na experiencia do visitante. E a solucao nao é somente no criterio de “aprovacao” de comerciais, passa tambem pela melhor elaboracao de regras de veiculacao (como frequencia), assim como pensar em novos formatos.

  9. [...] Cavallini diz tudo sobre anúncios. Empresas: [...]

  10. [...] Anúncio é conteudo? – anúncio nao é conteúdo. anúncio é relevância. [...]

  11. Alon says:

    Ontem foi aniversario do Sr. Coxa. Todo mundo dando os parabens aeeeeeeee.

  12. Karin says:

    Olá, Sr. Cavallini!
    Como vai? Recém descobri o seu blog, muito bom. Está no meu “favoritos”, vou acompanhá-lo (descobri-o como indicação do “bem legaus”, outro dos meus favoritos).
    Mas, me identifiquei muito com este post – quase não assisto mais tv aberta, e os comerciais na tv a cabo são uma aberração, por sua chatice e constante veiculação (rimou, mas estou com preguiça de pegar meu dicionário de sinônimos e antônimos).
    Enfim, me identifiquei com a parte sobre os comerciais porque, de tão irritantes, criei um blog com o principal objetivo de criticá-los. Comento também sobre os comerciais de que gosto, que infelizmente são a esmagadora minoria (uma minoria pode ser esmagadora?).
    Será que você poderia dar uma olhadinha, e me dar sua opinião? Afinal, minha mãe, pai, irmãs e amigos gostam, mas seria interessante saber o ponto de vista de um especialista em comunicação.
    Se quiser ver, o endereço é: http://sobreotudo.zip.net
    Abraços!

Deixe seu comentário

Spam Protection by WP-SpamFree

Para receber email sobre novos comentários sem precisar comentar: