Monthly archives: August 2009

O preço que se paga

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Tem uma frase que vem sendo dita com frequência e me incomoda:

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Escória

Graças a democratização que a tecnologia proporcionou, o volume de informações que temos acesso hoje é muito grande. Somos bombardeados por muitas informações de muitas fontes diferentes.

Este volume e a fragmentação das fontes nos obriga a fazer algo que antes delegávamos a poucos terceiros. Agora precisamos fazer nossa própria curadoria. Selecionar melhor nossas fontes é achar vários novos curadores.

Apesar de penoso, só vejo vantagens nesta transição. Nos deixa mais críticos e menos suscetíveis a uma única visão.

A tecnologia deu voz à todos. Blá blá bla, essa parte todo mundo já está cansado de falar.

Mas, como sempre, existe um outro lado. A tecnologia que deu voz a muitos que a mereciam, fez o mesmo com os não mereciam, que não tem nada de interessante para falar. Gente que não tem ética, não tem moral, não tem respeito.

E são tantos, que o desafio passa a ser aprender a abstrair todo este lixo. E neste processo, não vejo nenhum benefício, só frustração por saber que eles existem aos montes.

Anúncio é conteudo?

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Há algum tempo atrás, o Google modificou seu sistema de leilão, passando a levar em conta a qualidade do anúncio.

Como o Google ganha por anúncios clicados, para leigos pode parecer como uma prática comercial para priorizar os anúncios mais clicados, mas a lógica é outra. Para não perder relevância, o Google precisa continuar tendo qualidade em sua resposta, mesmo em seus anúncios.

O pensamento não está de olho no lucro do curto prazo. Não se trata de ganhar mais grana com um anúncio picareta que conquiste muitos cliques, mas em manter a taxa de cliques alta por entregar comerciais que tenham relação real com a pesquisa realizada.

Afinal, pago ou não, os anúncios fazem parte da recomendação de busca do sistema. Usando a mesma lógica, acredito que todos os veículos, digitais ou não, deveriam selecionar seus comerciais.

Você pode até argumentar que não seria viável comercialmente ou que ninguém teria coragem para tomar esta atitude, mas a lógica é a mesma. Comercial ruim atrapalha a experiência do consumidor no veículo.

Não precisa ir longe, quem nunca trocou de canal ou estação de rádio quando percebeu novamente aquele comercial chato? Esta sensação se torna evidente em canais de TV por assinatura, cujos intervalos chegam a levar 5 minutos e muitas vezes recheados com comerciais de resposta direta e os produtos mais vagabundos do mundo.

Ou quem nunca ficou puto quando percebeu que a TV por assinatura passou a mostrar vários intervalos de 5 minutos durante o mesmo filme?

A única dificuldade que eu vejo seria a nota de corte. O Google tem maneiras para medir a relevância do comercial, comparando seu conteúdo com a palavra de busca e a página que ele remete, assim como também tem a resposta imediata dos usuários. Seu sistema é melhor do que qualquer pesquisa de amostragem, mas com toda a tecnologia de hoje, seria viável implementar algum sistema de qualidade em outros veículos, mesmo os tradicionais. Como eu disse, a barreira não é tecnológica, e sim político-econômico-burocrática.