Decadence avec elegance


clique para ampliarPor que não falamos sobre a crise? Por que nenhum veículo especializado no mercado de comunicação, seja ele online ou offline, falou mais profundamente sobre isso? Pensei muito sobre isso e não consegui chegar a nenhuma conclusão. Não sei se é medo, cultural, fuga ou alguma estratégia para proteger o mercado.

Só no começo do ano, foram centenas de profissionais de comunicação para a rua, isso se contarmos apenas as maiores agências.

Não existe crise? Falar sobre isso aumentaria o problema? E não falar sobre isso, garante que passaremos por ela de forma mais suave? Garante pelo menos manter uma imagem de que está tudo bem na terra do rei?

Há muito tempo que eu já dizia, toda essa chinfra não te garante.

Seria fácil sustentar que os seniores que perderam o emprego refletem apenas uma adaptação do mercado à nova realidade, mas como ignorar todos os fatos, vendo que todos os níveis hierárquicos sofreram cortes duros.

Pelas minhas contas burras e informais, em meio semestre, as maiores agências deixaram sem emprego no mínimo 20% de seus profissionais.

Talvez seja um misto das duas coisas. A tal crise com a adaptação a uma nova realidade, mas por que este assunto não vem a tona. Nem sei se deveríamos discutir isso a exaustão, mas este silêncio me incomoda um pouco.

Costumo dizer que alguns veículos de comunicação não são irrelevantes mas já perderam a relevância. Isso vale para alguns veículos do nosso trade. Um jogo de palavras para mostrar que muitos sobrevivem apenas do passado, suportados pela marca.

E nos dias de hoje, com a concorrência da Internet, perder a relevância é o primeiro passo para perder a importância.

Afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo.
E se for… Descanse em paz.

13 comentários

  1. Mauricio Zuardi says:

    Como dizem com frequencia numa dessas mídias a caminho da irrelevância:
    É O TEMPO DA KALI-YUGA!

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kali_Yuga

  2. Grande Cava,
    Na paz!?
    No último MaxiMídia, o Nizan falou sobre a crise que estava por vir e as atitudes que sua agência iria tomar. Bom.. todos viram, deu no que deu rsrs.
    Deixando aquele bafafá de lado, ninguém se aprofundou no assunto; coisas de mercado?

  3. Também não sei o principal motivo. Mas acredito que teve gente grande evitando comentar sobre a crise e as demissões, por ter se aproveitado e se escondido atrás de tal situação para diminuir a carga de altos salários de suas agências. Na minha opinião, isso aconteceu tanto no mercado publicitário quanto em todos os outros. O que não falta é gente lucrando, nem sempre de forma honesta, com crises desse tipo.

  4. Ze Porto says:

    Cava,
    Tbm ja tinha observado esse fenomeno…..
    Acho que mostra um corporativismo do nosso mercado e uma tentativa ingenua de nao chamuscar – o já chamuscado – brilho da profissão publicitaria.
    No começo do ano, um amigo do meu pai, dono de supermercado no interior, perguntou se eu achava q o filho dele que se formava naquele mes em publicidade, tinha uma boa perspectiva pela frente.
    A pergunta é mega complexa, me deu uma mega preguiça de responder mas o que me veio a cabeça na hora foi: NAO.
    bjs
    Ze

  5. Ze Porto, você devia ter feito esta cara:

  6. Adiron says:

    Cava

    Devido às quebras de bancos, queda nas bolsas, cortes no orçamento, crise nos combustíveis e pelo racionamento mundial de energia, informo que a famosa luz no fim do túnel será DESLIGADA

  7. pô, todo mundo pessimista, acho que é por isso que ninguem fala da crise :-D

  8. Ricardo says:

    Bem, os últimos contatos que tive pediam formação e senioridade de diretor/gerente, com trabalho de estagiário (vai ter que fazer tudo) e salário de assistente. É a cara do mercado atual. Que não fala em crise porque, como diz aquela campanha das Havaianas, é coisa de gente baixo-astral.
    Para fazer isso, prefiro continuar com meu negócio.

  9. Ligia says:

    É um setor que vende criatividade, mas continua com o mesmo modelo de negócio desde que surgiu. Por que também não se fala em reinvenção? O glamour da propaganda se foi e uma espécie de alienação ficou no ar.

  10. Daniel Palma Lissoni says:

    Cava,

    É isso ai. Vamos falar dos problemas, das crises e da hipocrisia que ronda o mercado.

    Adorei a foto do Borat. Excelente!!!

    Abraços

  11. [...] Decadence avec elegance – tem algum texto do cavallini que nao mereça ser compartilhado?haja visao. o cara parece o Gérson, fazendo lançamento a 40 meses de distância. [...]

  12. “É um setor que vende criatividade, mas continua com o mesmo modelo de negócio desde que surgiu. Por que também não se fala em reinvenção? O glamour da propaganda se foi e uma espécie de alienação ficou no ar.” [2]

    “Devido às quebras de bancos, queda nas bolsas, cortes no orçamento, crise nos combustíveis e pelo racionamento mundial de energia, informo que a famosa luz no fim do túnel será DESLIGADA” [2]

    Crise? Que crise? E mais , crise para quem?

    As pessoas que estão sendo mais prejudicadas simplesmente não tem o poder e a iniciativa necessários pra resolver os problemas que nos conduziram a este cenário – falta discernimento e mobilização. O comentário da @Ligia acho que expressa muito bem esse dilema ser sermos hoje uma indústria criativa mas muito pouco inovadora.

  13. says:

    Amigo, adorei seu blog. E concordo contigo quanto ao silêncio da mídia a respeito dos efeitos da crise no Brasil. Já era de se esperar a atitude do avestruz: se eu não vejo, não está acontecendo. Beleza. Aqui em Porto Alegre a euforia é total: ninguém fala nos milhares de demitidos das empresas de calçados e do polo petroquímico. Só há manchetes apregoando a milagrosa “recuperação” da economia nacional, após uma crise que não existiu. Os imóveis continuam subindo de preço, mas desocupados aos milhares (há quarenta mil imóveis à venda). As vendas de carros batem todos os recordes (comprados em 60 meses!). Eu concordo com você: é uma estratégia para manter o povaréu comprando e acreditando. Eu me pergunto, até quando?

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