Porque estamos passando por um período de transição. E como toda transição, o passado ainda se mostra bem presente.
É como aquela historinha do copo com 50% de água. Seria muito fácil provar que ele está cheio d’água e, ao mesmo tempo, muito fácil provar o contrário, que ele está cheio de ar. Inclusive mostrando números, seja em mililitros ou em porcentagem de espaço ocupado.
Como todo mundo sabe, olhar o copo meio cheio ou meio vazio é apenas uma questão de ponto de vista.
Para fazer uma análise consistente, o correto seria olhar o histórico, que mostraria se a quantidade de água está subindo, descendo ou se mantendo.
Mas olhar o histórico também é complicado, pois só serve para fazer previsões para o futuro. E como estamos todos preocupados com o presente, enquanto tiver água no copo, está tudo bem.
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14 comentários
Outro dia estava eu pensando exatamente sobre isso. Ainda não terminou a onda de mudança, mas a sensação de que “nada será como antes” está cada vez mais presente.
Mudar é um looping ao contrário, acho eu. A gente começa onde está, faz experiências, espera pra ver o que funciona e até chegarmos de novo ao que será haja paciência e experimentação.
Em geral, a tendência é tentar conservar como está. Não mudar é muito mais confortável do que se atirar num futuro incerto… a contradição é inerente, porque o movimento e a mudança são indispensáveis para a vida.
Se ninguém encher o copo, a água vai continuar evaporando numa velocidade constante.
Cava
Toda mudança é assustadora porque desestabiliza as pessoas e isso gera medo e insegurança.
Se ninguém encher o copo, a água vai continuar evaporando numa velocidade constante. [2]
Dá-lhe Schumpeter!
Cava,
Leu esse artigo?
Fala muito bem dessa tensão diante de mudanças, e descreve brilhantemente a situação de veículos de comunicação diante desse novo paradigma, que ninguém sabe direito ainda qual é.
Para fazer uma análise consistente, o coreto seria olhar o presente!
Ou seja, full glass Vs. empty glass no Google Trends.
full glass: 1.00; empty glass: 0.48
O copo está cheio de água!
Talvez o correto seja sempre mesmo olhar o presente. A mudança, por essência, é constante. Já havia um discurso parecido lá nos anos 80, quando troquei meu monitor de fósforo verde por um com matriz de 256 cores todo animadão, ou quando comprei meu 1º cd player. A gente sempre acha que na nossa gestão serão encerrados todas as questões do mundo e tudo então será meio estanque. mas acho que não. Estamos para os do futuro assim como os de 1950 estão hoje pra nós. Nosso intervalo de existência, ou o dos nossos filhos, ou tataranetos sempre será povoado por essa incerteza em relação ao futuro ou sobre o que esperar do mercado e do que tem surgido de novo no horizonte. O conteúdo sempre estará se adaptando à uma embalagem diferente. Ah, e o copo está sempre cheio. De ar e água.
Acredito que não há mais – e não haverá – “períodos de transição”. No tempo presente, as mudanças são constantes em todas as áreas do saber, com maior ou menor intensidade e velocidade. Assim, é muito difícil definir que estamos partindo agora de um determinado ponto na “história” para outro ponto no futuro, muito menos que poderá haver um período de “ressaca” e calmaria. A imprevisibilidade é uma das variáveis mais fortes nesse momento.
Acho que “filosofei” muito. Está meio doido tudo isso que eu escrevi, mas está comentado!
Bom, eu discordo do Bruno Gonçalves e do Guga Barbosa, mas é meio descabido discursar aqui o que eu acho quando meu último livro trata justamente destas duas questoes: a transicao que estamos vivendo e olhar para o passado para entender o presente e o futuro.
Transição constante é um coisa. Revolução é outra. A diferença está no intervalo de tempo em que ambas ocorrem e na intensidade das mudanças que elas causam. Por isso citei Schumpeter lá em cima.
A questão fundamental é: existe mesmo um turning point? E se existe, o estamos vivendo agora, nos dias atuais? Acredito que sim.
Acho que o Onipresente e o artigo do Clay Shirky nos ajudam a responder afirmativamente a essas perguntas.
Cava, estamos numa fase transitoria mesmo? Ou como o Bruno Gonçalves colocou, não existe isso, o ritmo de inovações está acelerando e com isso os comportamentos tambem?
Bom, vc ja falou que nao concordava com isso. Voltando a ilustracao do post, talvez a evolucao nao seja mais avaliar se o copo esta 50% cheio ou vazio, mas se perguntar para que serve o copo? Avaliar se vai valer a pena fabrica-lo, nao do ponto de vista economico, e sim por uma questao de bom senso (meio ambiente por exemplo).
Abraço.
Concordo em 100% com o André sobre as revoluções. Mas, em relação á meu comentário, acredito que existe uma maré de mudanças constantes acompanhando o mundo. Desde sempre. E aqui é msmo importante uma correta interpretação do passado.
Acredito também que, eventualmente, as revoluções e as transformações que as acompanham vêm em grandes ondas, que surgem por cima desta maré e causam o impacto de que estamos tratando aqui. Minha opinião é que toda a evolução por que estamos passando, em todos os níveis, vai permitir cada vez mais que tenhamos uma maré só de grandes ondas, onde cada movimento será importante e mesmo revolucionário. A tecnologia permitirá isso, as ferramentas permitirão isso. A diferença talvez venha no comportamento. Nas relações dentro e fora da internet. No discernimento.
Minha opinião, aprendendo enquanto vou.
Ainda sobre o tema da resistência a inovação.
Pesquisando sobre o tema acabei encontrando um vídeo do Ricardo Semler palestrando para os alunos do MBA do MIT:
http://mitworld.mit.edu/video/308
É um pouco longo, mas vale mt a pena dar uma conferida.
Mindblowing, mesmo!
Por que é tão difícil convencer alguém sobre a mudança?
“Todos sabem que é preciso mudar, mas na prática as pessoas são criaturas de hábitos. Muita inovação é traumático… Se a mudança é necessária, faca-a parecer uma suave melhoria do passado” – do livro “As 48 leis do poder”.
Explica um pouco sobre a resistência que existe em mudar.