clique para ampliarRolou um tempo onde algumas publicações se sustentavam, não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela escassez de concorrentes.

A fragmentação aumentou e ficou mais difícil, mesmo assim, o investimento das grandes editoras e jornais era suficiente para garantir o diferencial.

O jornalismo investigativo, a busca pelo furo ou a preocupação com a qualidade foi se perdendo, sendo substituída por alguns nomes importantes como articulistas.

Com a web, até este diferencial acabou, mas ainda assim, escutava muita gente dizer que assinava determinada revista ou jornal porque era importante “ler o que todo mundo estava lendo”, afinal, ninguém pode ficar por fora dos assuntos que rolavam na salinha do café.

Me parece que agora a fragmentação cresceu tanto, que até isso está acabando. A publicação pode continuar com a mesma quantidade de leitores, mas a informação disponível e consumida pelas pessoas é tamanha, que ninguém mais tem a exclusividade da pauta da salinha do café.

Principalmente porque as grandes publicações, que pararam no tempo e sofreram com cortes de custos. O resultado for perder relevância. As mesmas notícias que todo mundo mostra, com a mesma abordagem superficial e ainda atrasadas em relação a web.

Hoje em dia, parece ser mais interessante a notícia que ninguém leu do que a que todo mundo leu. E ainda, melhor ler a opinião de alguém que gostamos na web do que a versão de alguma revista que, sucesso ou não, é entendida por muitos como desacreditada ou até mesmo mal-intencionada.


6 comentários

  1. 1 Ricardo Amaral (reply)

    O problema ainda a ser resolvido é que 90% da pauta dos blogs e twitters da vida são re-directs da grande mídia. Ou seja, você não compra mais porque ela já sai de graça no blog do lado. Mas ainda não se encontram blogs investigativos, por exemplo.

  2. 2 Ricardo Cavallini (reply)

    discordo, nao é deste conteudo que eu falo.
    estou falando justamente do conteudo que nao sai mais na revista e no jornal

    e mais, nao importa que 99% dos blogs e sites e twitters sejam inuteis ou que copiem os outros, se 1% for bom, já é suficiente pra causar o impacto que descrevo.

    e mais, se falamos de noticia, os portais nacionais e gringos tambem tem a mesma noticia.

    veja bem, nao estou defendendo que os jornais e revistas nao prestam ou que nao precisamos deles. Só acho uma pena esta degradacao, que é minha critica no texto.

  3. 3 José Lucas (reply)

    Cava,

    Todas as teorias críticas da comunicação pressupõem que a opinião pública precede a opinião privada. Porque sempre há alguém manipulando o manche da opinião pública. Esse cenário de fragmentação do poder de noticiar felizmente realiza a fantasia rebelde dos críticos, ao mesmo tempo em que extingue o objeto dessa crítica, o eterno fantasma de Orwell e Huxley.

    Mas o que eu acho mais louco q é que daqui pra frente cada um via ser mais obrigado a procurar “a sua turma”. Eu mesmo já me senti sem assunto numa infinidade de conversas simplesmente pq não julgava o assunto suficientemente interessante ao interlocutor, e/ou o interlocutor suficientemente interessante ao assunto. E a tendência disso é aumentar. Cada vez mais, vai rolar um certo tipo de autismo social. As pautas se multiplicando na mesma medida das redes de interessados.

    E o que eu acho mais foda dessa loucura é que a idéia de cidadania, que normalmente vinha junto com a idéia de uma pauta pública, de interesses todos, vai se perdendo. “Privatização das pautas” = anestesia da cidadania. Mas será isso pior do que a idéia de antes, aquela criticadada pelos críticos, que dizia que quem se prestava a ser cidadão estava de fato defendendo o interesse privado travestido de interesse público?

    O que será pior?

  4. 4 Coca (reply)

    Eh o longtail das conversas fiadas, mto bom!
    Sobre a questao do jornalismo investigativo (comentario do Amaral), acho que existe sim, tanto nos veiculos tradicionais qto em blogs. Mas a ética que obriga um jornalista a citar suas fontes muitas nao prevalece qdo encontra um furo num blog e o publica num portal ou jornal. Vejo isso acontecer direto com o meu amigo e colega Vitor Birner… Eh por isso que ele sempre coloca no final de posts que apresentam um furo de reportagem uma observação sobre isso, mtas vezes em vão.
    Abraço!

  5. 5 TheSoulSurfer (reply)

    A pauta na sala do cafezinho acabou… acabou tambem a pauta na hora do almoço… e isso reduziu minha capacidade de fazer piadas no serviço pois os caras ficam fora do contexto.

    Fulano ce viu isso? nao…
    Ciclano ce leu aquilo? nao…
    Voce ja jogou o game tal? nao…
    Ja ouviu aquela musica do cara tal? nao…

    Nao que eles nao estivessem lendo, assistindo ou jogando. Eles estavam…
    mas cada um na sua, com conteudos e programacoes diferentes…

    micro segmentacao eh uma bosta pois no dia seguinte nao da mais pra comentar o ultimo capitulo da novela.

    a sensacao de coletivo… de que todo mundo viu… tem desaparecido… e isso pra mim eh estranho.

    vai ver o conceito de massa nunca exixtiu realmente.

    Abrass!

    M.

    ###

Comentários em blogs:

  1. 1 Bruno Gonçalves » O futuro dos veículos impressos

    [...] de jornais, alegrem-se, a Crise Acabou!” –, e o Ricardo Cavalini, do Coxa Creme – “Conversa fiada” e “Com quantos toques se faz uma [...]

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