Rolou um tempo onde algumas publicações se sustentavam, não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela escassez de concorrentes.
A fragmentação aumentou e ficou mais difícil, mesmo assim, o investimento das grandes editoras e jornais era suficiente para garantir o diferencial.
O jornalismo investigativo, a busca pelo furo ou a preocupação com a qualidade foi se perdendo, sendo substituída por alguns nomes importantes como articulistas.
Com a web, até este diferencial acabou, mas ainda assim, escutava muita gente dizer que assinava determinada revista ou jornal porque era importante “ler o que todo mundo estava lendo”, afinal, ninguém pode ficar por fora dos assuntos que rolavam na salinha do café.
Me parece que agora a fragmentação cresceu tanto, que até isso está acabando. A publicação pode continuar com a mesma quantidade de leitores, mas a informação disponível e consumida pelas pessoas é tamanha, que ninguém mais tem a exclusividade da pauta da salinha do café.
Principalmente porque as grandes publicações, que pararam no tempo e sofreram com cortes de custos. O resultado for perder relevância. As mesmas notícias que todo mundo mostra, com a mesma abordagem superficial e ainda atrasadas em relação a web.
Hoje em dia, parece ser mais interessante a notícia que ninguém leu do que a que todo mundo leu. E ainda, melhor ler a opinião de alguém que gostamos na web do que a versão de alguma revista que, sucesso ou não, é entendida por muitos como desacreditada ou até mesmo mal-intencionada.
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6 comentários
O problema ainda a ser resolvido é que 90% da pauta dos blogs e twitters da vida são re-directs da grande mídia. Ou seja, você não compra mais porque ela já sai de graça no blog do lado. Mas ainda não se encontram blogs investigativos, por exemplo.
discordo, nao é deste conteudo que eu falo.
estou falando justamente do conteudo que nao sai mais na revista e no jornal
e mais, nao importa que 99% dos blogs e sites e twitters sejam inuteis ou que copiem os outros, se 1% for bom, já é suficiente pra causar o impacto que descrevo.
e mais, se falamos de noticia, os portais nacionais e gringos tambem tem a mesma noticia.
veja bem, nao estou defendendo que os jornais e revistas nao prestam ou que nao precisamos deles. Só acho uma pena esta degradacao, que é minha critica no texto.
Cava,
Todas as teorias críticas da comunicação pressupõem que a opinião pública precede a opinião privada. Porque sempre há alguém manipulando o manche da opinião pública. Esse cenário de fragmentação do poder de noticiar felizmente realiza a fantasia rebelde dos críticos, ao mesmo tempo em que extingue o objeto dessa crítica, o eterno fantasma de Orwell e Huxley.
Mas o que eu acho mais louco q é que daqui pra frente cada um via ser mais obrigado a procurar “a sua turma”. Eu mesmo já me senti sem assunto numa infinidade de conversas simplesmente pq não julgava o assunto suficientemente interessante ao interlocutor, e/ou o interlocutor suficientemente interessante ao assunto. E a tendência disso é aumentar. Cada vez mais, vai rolar um certo tipo de autismo social. As pautas se multiplicando na mesma medida das redes de interessados.
E o que eu acho mais foda dessa loucura é que a idéia de cidadania, que normalmente vinha junto com a idéia de uma pauta pública, de interesses todos, vai se perdendo. “Privatização das pautas” = anestesia da cidadania. Mas será isso pior do que a idéia de antes, aquela criticadada pelos críticos, que dizia que quem se prestava a ser cidadão estava de fato defendendo o interesse privado travestido de interesse público?
O que será pior?
[...] de jornais, alegrem-se, a Crise Acabou!” –, e o Ricardo Cavalini, do Coxa Creme – “Conversa fiada” e “Com quantos toques se faz uma [...]
Eh o longtail das conversas fiadas, mto bom!
Sobre a questao do jornalismo investigativo (comentario do Amaral), acho que existe sim, tanto nos veiculos tradicionais qto em blogs. Mas a ética que obriga um jornalista a citar suas fontes muitas nao prevalece qdo encontra um furo num blog e o publica num portal ou jornal. Vejo isso acontecer direto com o meu amigo e colega Vitor Birner… Eh por isso que ele sempre coloca no final de posts que apresentam um furo de reportagem uma observação sobre isso, mtas vezes em vão.
Abraço!
A pauta na sala do cafezinho acabou… acabou tambem a pauta na hora do almoço… e isso reduziu minha capacidade de fazer piadas no serviço pois os caras ficam fora do contexto.
Fulano ce viu isso? nao…
Ciclano ce leu aquilo? nao…
Voce ja jogou o game tal? nao…
Ja ouviu aquela musica do cara tal? nao…
Nao que eles nao estivessem lendo, assistindo ou jogando. Eles estavam…
mas cada um na sua, com conteudos e programacoes diferentes…
micro segmentacao eh uma bosta pois no dia seguinte nao da mais pra comentar o ultimo capitulo da novela.
a sensacao de coletivo… de que todo mundo viu… tem desaparecido… e isso pra mim eh estranho.
vai ver o conceito de massa nunca exixtiu realmente.
Abrass!
M.
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