Saiu mais uma pesquisa que indica a adoção das rádios online, mostrando que os jovens estão preferindo escutar via streaming ao invés de baixar os mp3.
Eu já havia comentado que estes jovens não estão comprando música, mas facilidade.
Mas tem outro comentário que não lembro de ter feito aqui, mas que já discuti várias vezes com amigos. Eu acho que a primeira mudança cultural que o MP3 ajudou a trazer foi parar com a necessidade de posse de algo físico, ou seja, parar de colecionar plástico com capas bregas para ter uma coletânea de arquivos no computador.
Até aí, nada de novo. Meu ponto é que a segunda mudança seria acabar inclusive com a necessidade de posse. Pra que ter se está disponível a todos e de maneira que eu possa organizar meu consumo?
Claro que o assunto é relacionado à música, mas pode ser expandido para qualquer outro segmento onde a proporção custo benefício mude brutalmente com a chegada de novas tecnologias.
A maioria dos meus amigos nunca concordou comigo neste assunto, e você?

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19 comentários
talvez tenha um pouco de sentido.
Ao mesmo tempo em que o sentimento de posse ainda existe; às vezes dá dó de apagar algumas músicas para liberar espaço no HD ou no IPOD… Me incomoda o fato de ter um álbum incompleto… Mas é que eu sou da geração que já está com 3.0… Pode ser isso tb!
Agora a idéia de rádio streaming via net é algo bacana e com grande potencial!
Não acho que as pessoas percam o sentimento de posse. Na verdade o que acontece é que nós nos acostumamos a não ter que comprar coisas físicas por uma mera questão de preguiça. Convenhamos, é muito mais prático você achar a música "inverti darkness" num site do que: pegar o carro, ir até uma loja, procurar o CD, comprar, voltar pra casa, colocar o CD no player e… bom já deu pra dar a ideia.
O problema é que, para muitos, a internet já é parte integral do dia a dia. Eles estão conectados 24 horas por dia e acabam nem percebendo que estão.
Eu senti, na temporada que morei no interior de SP, onde a conexão mais rápida era de um modem 28.8k, uma enorme sensação de perda. Não somente de músicas, vídeos mas de outros serviços em geral como o nosso bom e viciante google.
Basicamente o que estou dizendo é que não perdemos o sentimento de posse, apenas transferimos-o para um objeto intangível como a internet.
Nao ter sentimento de posse nao quer dizer parar de usar, sentir falta é natural.
Mas Bugz, vc descreveu a questao da facilidade e da primeira mudanca (do fisico pro virtual).
Mas citando o Google, talvez tenha dado um bom exemplo. Eu ja nao tenho necessidade de ter alguns livros, dicionarios, softwares, bibliotecas de audio/imagem e outras coisas.
Cava, falei sobre isso no blog mas em relação aos formatos de DVD: no médio prazo BlueRay (vs HD DVD) é o vencedor, porque estará tudo on demand online.
Acho que a mudança tem também outro ponto. Se vc tem toda a coleção do seu artista preferido é inevitável que vc acabe tirando do playlist as músicas "lado B" (ou as que vc considera lado B). O resultado é ouvir apenas aquilo que conheço/gosto. As rádios online sempre tem um mecanismo de sugestão de faixas e artistas que faz o playlist um tanto imprevisível, como era ouvir rádio antigamente.
Concordo! e acredito que essa mudança seja bem mais fácil para os mais jovens, nascidos já no mundo digital. Colecionei cds tá pouco tempo atrás, ainda tenho minha coleção mas raramente compro alguma coisa, somente naquelas super promoções. O próprio conceito de álbum já foi sepultado com o advento dos mp3, antes o álbum era um projeto, com capa e músicas ordenadas geralmente por algum motivo. Já na geração mp3 você pega a musica que quiser e isso não é ruim, é só uma mudança de paradigma. O próprio ultraje a rigor já entendeu o recado e está lançando suas músicas a medida que vão sendo feitas eles disponibilizam para download ou streaming no myspace. Já as radios online são realmente um avanço nesse conceito. Eu entro na rádio de determinado artista ou gênero e ouço as músicas já selecionadas, sabendo inclusive a lista de reprodução delas, diferente de uma rádio FM. Na verdade estamos vivenciando uma revolução e pouca gente sabe o que fazer, meu contato com o Mp3 já tem mais de 10 anos e esse tempo todo fui mudando minha cabeça para o tal sentimento de posse. Largando o cd aos poucos até ele não fazer parte mais da minha vida… sem me desfazer dos antigos, ninguém é de ferro.
Concordo e professo. Esso, esso esso, acesso é melhor q posse.
Venderia tds meus CDs/DVDs se eles tivessem valor. Ocupam um baita espaço e não saem da estante. Falei sobre esse conceito de posse no mercado de vídeo, comentando o ótimo artigo do Kevin Kelly, Better than owning. Com disse o Sant´Iago, o caminho é on demand.
Eu acho que o que aconteceu em relação aos discos e cds foi que ferramentas como o i-tunes e o i-pod acabaram tornando-os inviáveis. De repente, num aparelhinho de poucos centímetros, você tinha como carregar sua discografia completa ou, ainda melhor, as músicas que mais curtia de determinado artista, sem ter que encher uma mala de cds. Criou-se uma espécie de democracia musical e as pessoas tinham poder sobre o que e como ouvir. Então concordo que um dos motores que moveu essa migração pro meio virtual foi, sim, praticidade.
Só que eu acredito que a sensação de posse gerada pela música que você tem no seu i-pod ou computador permanece. A gente baixa a música, copia de um cd, traz num pendrive, mas o fato é que, no final das contas, ela agora é sua, te pertence.O que eu acho que aconteceu foi simplesmente uma transposição de uma coleção física pra uma virtual, mas que os laços afetivos que temos com os discos individuais permanecem. Tanto é verdade isso, que "mascararmos" os arquivos no computador, justamente para que eles não se assemelhem com arquivos, mas com músicas de verdade, com a imagem da capa original do disco no i-tunes, comentários, detalhes sobre a faixa, etc.
Acho que isso acontece porque a gente quer ter nossa coleção de discos sim, como sempre quis, só que não abre mão de toda a comodidade e praticidade que o meio virtual nos oferece.
Vladimir “Charles” Brown, foi o que eu disse, "parar de colecionar plástico com capas bregas para ter uma coletânea de arquivos no computador."
O próximo passo será você parar de ter todo esse cuidado com os seus arquivos. Pra que organizar o que já foi organizado por alguém?
Bem, agora falta as grandes gravadoras disponibilizaram rádios online também né? quem sabe pare um pouco a choradeira de copyright. Eu pagaria um valor x por mês que não fosse abusivo para ter acesso a uma grande rádio de gravadoras. Será que rola?
Cavallini,
Sempre defendi esse ponto de vista aqui em casa, mas perco sempre de 3 x 1. Gostei de ver uma opnião semelhante.
Abraços e sucesso,
Concordo com vc, e acho que isso é algo que está começando a ficar cada vez mais claro, para os mais jovens então, nem se fale. Talvez a questão da posse, que para alguns ainda possa ser tabu, ganhe outro sentido a partir do momento que novas possibilidades onde tudo estará disponível em um click – playlists personalizadas, rádios, playlists compartilhadas e o que mais for, não sei…só um palpite
Não sei se vc já leu este artigo do kevin kelly (provavelmente sim), mas fala sobre o mesmo assunto que vc abordou e acho que vale a leitura!
http://www.kk.org/thetechnium/archives/2009/01/be...
Abraço,
O sentimento de posse, no caso de músicas, é um fato consumado pela indústria fonográfica.
Afinal, se o sistema não tratasse a música como um objeto de consumo e sim como um produto cultural o sentimento passaria de possessão para apreciação. Fato que ficou muito mais eminente com a propagação da web.
Porém, isso assustou a famigerada indústria, que não imagina um mundo onde o compartilhamento fale mais alto do que o sentimento de posse.
Noosaa… eu concordo quando voce diz que o futuro dos mp3 estão nas radios online. Mas o sentimento de posse… acho complicado… um fã de Britney Spears.. não quer nem saber se a radio é online… A moda agora é colecionar discografias e discografias… encher o hd de musicas que nunca foram ouvidas…. é o que eu vejo acontecendo.
Eu acho que até pode ser um nicho, mas não acredito que vá superar o mp3. Não por causa do sentimento de posse, mas sim porque o download é grátis.
Seria mais concorrência para o iTunes Store do que para a "indústria" da pirataria.
não concordo. eu adoro colecionar o PLÁSTICO das capas dos discos, só acho que estão muito CARAS, por isso fico com o mp3 – sem stream.
Cava, concordo contigo. Você, eu e seus amigos, nenhum de nós pertence a essa geração de novos consumidores. Você, eu e seus amigos tivemos, antes das capas de plástico, umas de papelão também
Não só pela questão da facilidade tecnológica mas também pelo crescimento do consumo consciente. Do crescimento da responsabilidade ambiental.
Tudo leva ao desapego.
eu concordo contigo Cava e acho que isso tem haver com o que o Kevin Kelly tem pregado…
tudo esta nas nuvens…
eu mesmo tenho desencanado de mp3 p/ ouvir radio streaming… e quando nao eh radio streaming eh algum tipo de podcast (tambem streaming)…
aqui no Canada eu pago 45 dollares por mes por uma conexao de 7.5 Mbps… tudo vem rapidissimo, quase instantaneo… nao ha mais preocupacao em esperar o conteudo baixar…
O "The One" tem tudo… de musica a conta de luz.
Abracos!
M.
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Este é meu primeiro comentário aqui no Coxa Creme. Como o assunto é rádio online e faço programação pra uma, resolvi me manifestar.
Ouço muita gente falar, e concordo, que rádio via streaming tem possibilidade de ótimo futuro. Mas me parece que essa tendência só é vista pelos ouvintes ou radialistas. Tanto que uma idéia boa como a do Guto – das gravadoras terem rádio online, de repente até do acervo mais antigo que não se encontra mais nem em vinil – dificilmente seria adotada por elas. Não geraria a grande receita pra eles.
Eu, pessoalmente, faço programação musical, principalmente, para esses que tiveram as capas de papelão que o Leo falou, e não sei se essa turma se comporta como os jovens… Acho que esse público prefere o conhecimento do repertório do que a posse dele.
E o que é sensacional na rádio via streaming é atender pequenos nichos e se aprofundar no conteúdo deles, mas comercialmente não é nada fácil.