Meu novo livro passou por um processo comum a sites e softwares, mas incomum a livros e outras obras individuais. Dezenas de pessoas tiveram acesso a ele, antes de ser finalizado, para fazer críticas e apontar o que poderia ser melhorado.
Por que?
O que alguns editores que conversei acreditaram ser pura loucura, eu vejo como conseqüência natural do meu histórico.
Não meu histórico de maluquices, calma, eu explico. Estou no ramo da comunicação há mais de duas décadas e, por sempre ter gostado de tecnologia, foi natural ter trabalhado com interatividade desde o surgimento dos primeiros catálogos eletrônicos, nomenclatura utilizada na época por falta de um nome melhor.
Obviamente, o livro é fruto do meu conhecimento profissional, mas sem a experiência pessoal ele não seria possível. Foi ela que permitiu ter um melhor entendimento sobre a transição do mercado e, mais tarde, explicar isso no livro e abrir seu conteúdo para a crítica.
Acho que consigo explicar esta lógica falando brevemente sobre três sites pessoais. O primeiro deles, com dicas e informações sobre computação gráfica, foi lançado em 1994, quando ainda não existia Internet comercial no Brasil. Dois anos depois, cerca de 3.500 pessoas visitavam o site mensalmente, me mostrando logo cedo, a mudança que a web poderia trazer para o mercado de comunicação. O número era insignificante do ponto de vista de mídia, mas era fantástico saber que, sozinho e a custo zero, estava levando meu conteúdo para tantas pessoas.
Mesmo sem ter idéia de onde tudo isso iria dar, sabia que valia a pena apostar na web. Em 1995, me distanciei da propaganda tradicional e tive o prazer de ser sócio da primeira agência interativa do Brasil, produzindo sites para alguns dos maiores anunciantes do mundo. Acontece que em ações deste porte, o contato com consumidores é sempre indireto, realizado através de pesquisas ou uma grossa camada de burocracia, inerente as grandes corporações.
Em 2002, a pedido da empresa que trabalhava na época, a Globo.com, produzi um site pornô amador para ajudar a alavancar a audiência do portal. Em apenas três meses, o despretencioso site passou a ser, segundo o Ibope, um dos mais visitados do Brasil. Só como comparativo, o Google tinha, na mesma época, uma média mensal de 35 milhões de páginas vistas por brasileiros. O Boa Bronha alcançou 1,8 milhão, em um único dia.
Apesar do número absurdo de visitas, foi com o contato direto e transparente com as pessoas que mais aprendi na época. O grau de interação e proximidade dos fãs eram tão fortes, que mantiveram a marca viva anos depois do fechamento do site. Até hoje, 7 anos depois ainda recebo emails pedindo a sua volta.
E finalmente este aqui, o coxacreme, onde percebi que não são meus textos a parte mais importante, mas as discussões realizadas pelos diversos profissionais que o visitam. Em outras palavras, vocês.
A experiência que ganhei com estes três sites me ajudaram a sentir na pele o que, como comunicador, levaria muito mais tempo para perceber.
Além disso, aproveitar as possibilidades que temos hoje no ambiente digital para melhorar a qualidade do livro me parecia lógico, mesmo sendo incomum e difícil para um autor, abrir seu trabalho para críticas de desconhecidos, principalmente antes de ter sido finalizado.
Valeu a pena?
Entre conhecidos e desconhecidos, profissionais de comunicação, estudantes e pessoas que não eram deste mercado, a versão beta foi enviada para 231 pessoas, dos 281 que se ofereceram.
Com o recesso de final de ano para ler e enviar seus comentários, recebi feedback de 32% destas pessoas. O resultado não poderia ter sido melhor, em quantidade e qualidade, foram centenas de bons comentários para analisar.
Deu bastante trabalho ler com atenção (e sem preconceito) as 75 críticas. Mas valeu a pena, se tivesse limitado o beta para pouca gente, tenho certeza que teria escolhido as pessoas erradas.
Foi bom ter aberto para todo mundo. Meus amigos ajudaram, mas alguns dos melhores comentários vieram de pessoas que eu não conhecia, que não trabalham com comunicação ou ainda nem sairam da faculdade.
Acho fundamental pagar alguém para uma revisão ortográfica final, coisa que estou fazendo, mas percebi que seria possível entregar um livro de boa qualidade sem pagar por isso. No meu caso, deveria ter feito uma primeira revisão antes, pois teria poupado o trabalho de alguns betas que se preocuparam com isso, mesmo eu avisando que não seria necessário.
Só vejo um problema no processo de beta test para livros. Alguns autores talvez tenham enorme dificuldade para saber o que levar em conta e o que abstrair nos comentários. Seja por ego (de não escutar), preconceito (de achar que a crítica veio de alguém que não sabe nada) ou por insegurança (de escutar demais as críticas). No meu caso, acho que não atrapalhou em nada, pois além de ter uma personalidade muito forte (um eufemismo para adjetivos menos agradáveis), eu já tinha opiniões muito bem formadas sobre os assuntos que tratei no livro. Mas pode ser um problema para alguns escritores, principalmente no caso de livros de ficção.
Os Beta Testers
Abaixo, em ordem alfabética, a lista de todos os Beta Testers que ajudaram a fazer do livro, um produto melhor. A todos vocês, muito obrigado pela colaboração. Seus nomes também estarão no livro, que em breve darei notícias sobre o lançamento.
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Adriana Olacyr Adriano Miyashiro Alberto Bina Monteiro Alexandre Jungermann Alexandre Luna Alon Sochaczewski André Muxagata André Oliveira André Sinkos Andrea Mello Augusto Machado Beto Toledo Brian Barbutti Bruno Bernardo Bruno Buccalon Bruno Duarte Carla Matias Cesar Arashiro Cesar Senatore Daniel Boa Nova Daniel Cabral Daniel Simon Daniel Sollero Danny Botelho Diógenes Pissinati de Oliveira |
Edison Morais Eduardo Baldino Eduardo Pan Elizandro B. R. e Silva Elloá Guedes Fabiano Coura Fabio Betti Fabio Foncati Felipe Morais Felipe Uchôa Frederico Oliva Gian Arena Giovana Marina Guilherme Udo Gustavo Nogueira Helcio Brasileiro Henrique M. dos Santos Jacqueline Lafloufa Jairo César Jonas Felipe José Porto Julia Perissinoto Katia Viola Laís Cursino Lais Kantor |
Leo Carbonell Leonardo Lepre Leonardo Reis Longo Leopoldo Xavier Luciano Goya Billotta Luiz Gustavo Turatti Luiz Morikio Maestro Billy Mafê Bastos Maju Rezende Marcelo Ballona Marcelo Vial Miguel Cavalcanti Natalia Pinheiro Paulo Maia Paulo Milreu Paulo Vitor Bispo Pedro Franco Pedro Thompson Rafael Venturini Ricardo Amaral Filho Salomão Casas Neto Sandro Daniel Vieira Tiago Pereira Vicente Vader |

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27 comentários
Cava, gostei muito de ser beta-tester, e estava já curioso para um retorno seu de como foi a experiência. Fiquei particularmente surpreso com o índice de 32% de retorno, que me parece bem alto.
Uma ponto que você acabou não tocando muito: O seu livro mudou depois da leitura? Se sim, pouco, muito, radicalmente?
E quanto a ignorar críticas, um ex-sogro meu tinha uma frase ótima: "eu posso estar errado, mas eu sei o que estou fazendo".
Abraço!
tenho certeza que essa iniciativa vao inspirar muitas pessoas. parabéns por correr o risco =)
outra coisa, tá uma fofa no desenho
para mim a experiência de ser um "beta tester" de livro foi muito rica e profunda!
Valeu, Cavallini pela oportunidade!
E que venham os próximos!
Boa, Cava !
Precisando estamos aí pro que der AND vier.
Abraços e sucesso no livro e em tudo mais.
Billy.
Que legal que o resultado foi positivo… Fico feliz em ter participado dessa ação inovadora…
Conte comigo sempre que precisar.
Bjôooooo
Muito bem, Cava.
Parabéns pela iniciativa que, com certeza, também foi nova para muita gente.
Precisando, tamos aí.
[ ]
Oi Daniel, alem de um monte de detalhes, adicionei algumas coisinhas que estavam faltando (tipo explicar origens do termo ATL).
Terminei a pesquisa com logos (mudando varios). Adicionei varias referencias (links e notas de rodapé).
Reescrevi o capitulo Transmedia para melhorar o entendimento.
Trabalhei estrutura de alguns capitulos e subcapitulos, para fazer uma transicao mais suave entre um e outro.
Tambem adicionei um ultimo capitulo que é basicamente uma versão quase identica deste post, mas onde também descrevo o que foi alterado depois do beta (mas com mais detalhes do que neste comment).
Para min foi gratificante ser beta test, aprendi muito.
Agora é aguardar o lançamento para ver como ficou finalizado.
Fala Cava… parabéns, de novo, pela iniciativa. Sucesso, sempre!
abração
Olá ricardo, fazendo umas buscas pela internet acabei encontrando seu blog. E confesso, como estudante de publicidade fiquei surpreso com a qualidade do seu blog. Estarei sempre por aqui!
Abço!
Massa Cava!
Bom saber que o retorno foi positivo e que muita gente colaborou!
Pode ter certeza que tanto a ideia dos beta testers quanto o proprio livro serviram de base para muitas boas ideias que surgirão, tanto para você quanto para nós!
Abraços,
Rafael
Bacana, Cava!
Pelo jeito mudou um bom bocado, o que apenas deixa a experiência toda mais interessante. Aguardo para ver o livro final!
Abraço!
Olá Cavallini,
Sem dúvida foi uma experiência muito interessante ser um besta-tester. Ler sabendo que deveria analisar profundamente para uma crítica, para ajudar a melhorar o conteúdo.
Mas comecei a ler e percebi que seria um belo desafio. O livro já estava excelente e se puder contribuir com algo foi apenas com coisas básicas e simples. Todo o conteúdo, fruto de uma profunda experiência e conhecimento já estava ali, prontinho.
Parabéns, e também espero ansioso o livro, para poder distribuir/indicar para muitos amigos e clientes.
Abraço.
Paulo Milreu
parabéns pela iniciativa [que eu adorei by the way]
e que venha o lançamento =]
hahahhahha a ilustração tá linda!! ahahah
Muito legal a iniciativa. Abrir um projeto, seja qual for, para participação inclusive de pessoas que vc não conhece, é muito mais difícil que parece.
Estamos no aguardo do lançamento.
Grande abraço.
Parabéns Cava,
só um cara como você, pra fazer coisas como estas…
Espero pelo próximo beta..
Abs
FG
Foi maravilhoso ser uma beta tester!
A experiência de fazer parte de algo tão íntimo como um livro, foi bom demais.
Muitos escritores não gostam que as pessoas palpitem, fiquem dando idéias, sentem que a história é deles (e com razão) sendo assim, se a pessoa não estiver satisfeita ela que faça o próprio livro. Já o Ricardo não, manteve suas idéias mas abriu espaço pro público , fazer parte dele também.
Parabén pela iniciativa e aguardo outro livro..rs
Parabéns Cava!
Esta sua experiência é um tremendo exemplo.
Abs
Marcelo Vial
Lamento ter perdido essa (apesar de não lamentar em nada as minhas férias)…
De qualquer forma, considerando que grande parte dos livros que saem por aí são escritos por fantasmas, se os "escritores" resolvessem usar a sua metodologia alguns leitores saberiam do conteúdo antes deles….
Abraço
Fábio
valeu galera, eu que agradeço.
"Dezenas de pessoas tiveram acesso a ele, antes de ser finalizado, para fazer críticas e apontar o que poderia ser melhorado."
"O que alguns editores que conversei acreditaram ser pura loucura"
É loucura mesmo, loucura de boa qualidade. Foi assim que Dick Fosbury criou o "Fosbury Flop" (aquele salto de costas para passar sobre a vara) que lhe deu o recorde olímpico em 68 e agora é imitado por todos os outros atletas.
As coisas só evoluem com boas loucuras, o exemplo acima não é um caso isolado e talvez nem tenha sido uma loucura, mas um erro. O que importa no final é que algo de diferente foi feito, e funcionou, se tudo sempre acontece da mesma forma não há evolução.
Façam como o Cava, joguem fora o Gardenal.
Cava.
Foi um prazer poder participar do seu livro.
Assim que ele estiver pronto, me passe um release que eu publico no meu blog.
Aproveito para dizer que o meu livro – Planejamento Estratégico Digital – está em fase final de revisão na Editora e deve sair em Abril.
Conto com a sua presença no lançamento.
Abraços
Eu nao li o livro mas enfim…falando em Beta… Cava voce chegou a a abordar algumas das piracoes no link abaixo?
http://flowingdata.com/2009/03/02/microsofts-visi...
TheSoulSurfer nao vi esse video ainda, mas pelo o que pareceu ser, não falo nao.
O livro novo nao é focado em tecnologia, apesar de ser inevitavel falar muito sobre tecnologia em geral.
O livro que é mais focado em tecnologia (e tem um capitulo só sobre novos displays e outro sobre sensores) é o antigo (o mktg depois de amanha)
Na real, acho que existem 2 ou 3 capitulos do livro antigo que seriam um otimo complemento para este novo.
E, estou feliz de ver meu nome ali.