Nos anos que antecederam a bolha de Internet, começou a virar coisa de gente grande brincar de Internet. Era difícil manter a equipe, tudo estava super inflacionado e apesar de todo mundo estar envolvido com alguma operação na web, poucos profissionais tinham conhecimento e experiência na área, e mesmo assim, experiência de pouco tempo.
Já próximo da explosão da bolha, estar na web passou a ser questão de vida ou morte e – pelas dificuldades citadas acima — muitas empresas acabaram se associando com produtoras ou agências para montar suas divisões digitais.
Como a web não é apenas mais uma loja, significa que muita empresa pequena virou sócia de empresa grande por muito pouco dinheiro. Apenas produzindo um site com e-commerce era possível ganhar comissão de todas as vendas geradas na web no futuro. Se a bolha não tivesse explodido levando esses contratos e parcerias água a baixo, hoje teria muito CEO sendo motivo de piada ou sendo apedrejado pelo board.
Mas o interessante desta história é que talvez o modelo da Anomaly não seja tão impossível assim na terra Brasilis.
A agência tem um modelo de negócio baseado em variações de sociedade ou divisão de lucros. Criando soluções e produtos, eles dividem o resultado com o anunciante. Se este tipo de acordo ocorreu em diversas escalas na época da bolha, talvez o modelo não seja tão inviável como alguns pensam.
Engraçado é que, quando parei para pensar em quem estaria mais preparado para este modelo de negócio por aqui, não consegui pensar em agências de propaganda ou marketing, mas sim em agências de design como a ?EC, a Rex e a Tátil. Empresas que agregam inteligências de comunicação, são muito próximas da criação de produtos e serviços e ainda teriam liberdade para investir neste modelo, aos poucos, sem risco ou conflito com o modelo atual.

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Você tem toda razão. Elas são o mais próximos de uma Anomaly brasileira. Porém, acho que também há espaço para empresas com perfil de marketing (talvez até de pessoas saídas de empresas com força em marketing, eventualmente até repatriados), que consigam ter entrada via consultoria nesses clientes. Mas ainda é algo mais distante.
O problema é que falta ao Brasil empresas com perfil de inovação em marketing como serviço, como disse o Adrian Ho na conferência de planejamento. Os investimentos em design de embalagens não conversam com a comunicação geral, nem falam sobre o DNA de produto e – quando isso é feito – normalmente se contrata um agência de design ou uma gringa, sem um trabalho mercadológico integrado.
Cava, concordo contigo quanto ao ponto das agências de design levarem mais vantagem numa situação como essa. Tanto pela natureza dos seus negócios e como agregam valor para os seus clientes, quanto pelo própria natureza lenta das agências de propaganda se adaptarem a novos tempos.
Cava
Não somos uma Anomaly ainda, mas já temos com alguns clientes formas diferentes de remuneração. Para a livraria cultura, por exemplo, criamos produtos novos que são vendidos nas lojas deles e temos participação nas vendas. É um caminho interessante, mas que ainda estamos explorando.
Só um detalhe: nós não somos uma agência apenas de design, e sim de comunicação.
Abs,
Foresti – ?EC
Concordo com você Cava. Vejo que agências “tradicionais” tem mais dificuldades com este modelo de negócio por estarem viciadas em um modelo que até hoje tem se mostrado muito vantajoso.
Penso que a adesão a um novo modelo não é uma facilidade das agências de design, mas sim das agências que estão abertas a experimentar o novo e a ousar, independente se é uma agência de design, interativa, marketing, etc…
abraços
Concordo que esse modelo da Anomaly vai demorar para pegar aqui, e não só pelo formato das agências de Propaganda ou Marketing, mas também pelo perfíl das empresas brasileiras.
É preciso que ambas as partes estejam dispostas a crescer e lucrar juntas, e não tirar vantagens da situação.
Um ponto que é importante nessa discussão é que antes falávamos em agências cujo faturamento em mídia suporta um staff de 200, 300 pessoas para literalmente passarmos por um momento onde as receitas serão muito mais limitadas e demandando staffs drasticamente menores e com muitos serviços em rede de especialistas externos.
Existem agências não digitais? Sério?
Não Dirceu, não é seria a sua pergunta.
Lendo seu primeiro parágrafo sobre o pré-bolha, vi uma descrição exata do mercado hoje.