Quando a cadeia de valor muda, não adianta mudar apenas o discurso, é preciso mudar também a prática.

Quer dizer que não adianta mudar marketing e não mudar o call center. Que não adianta mudar o discurso do CEO e não mudar a prática do Mesa de Compras.

E não me refiro apenas a relação com consumidores, mas também a relação entre empresas. No nosso mercado, seria o caso de apontar a relação de anunciantes e agências com produtoras e fornecedores.

A relação de poder era tamanha, que é muito comum ver até hoje agências sem contrato com fornecedores. A relação de dependência (eles dizem confiança) era tanta que a formalidade era menos válida que o poder da contratante.

Mas isso fez surgir um tipo de malandro que quer levar vantagem em cima de todo mundo, até dos chamados “parceiros”.

Mas a parceria “você entra com a bunda e eu com o pau” deixa de funcionar quando o dono da bunda não depende mais (ou nunca dependeu, no caso de novos formatos) do dono do pau para sobreviver.

Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional,
malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato,
com gravata e capital,
que nunca se dá mal.

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9 comentários

  1. 1 Maestro Billy

    Cava,
    Mas você acha que estes ditos “malandros” sobrevivem por muito tempo ?
    Muito fácil passar a perna uma vez, mas na segunda, imagino, o cliente e a agência já estão mais escolados.
    Mesmo que seja mais barato prá agencia, o #chavão “o barato sai caro” geralmente é o fiel da balança neste tipo de negócio.
    Os caras fazem uma vez, mas não tem como atender tudo que o cliente precisa.
    Pronto. Problema na área.
    Não acredito que este modelo de negócio sobreviva por muito tempo.
    Até porque as produtoras não tem estrutura nem nada a mais prá poder segurar uma bucha de um cliente…
    Sei lá.
    Abraços.

  2. 2 Ricardo Cavallini

    Billy, acho que tem malandro que morre e malandro que sobrevive, responder sua pergunta é uma questao de otimismo ou pessimismo.

    A questao nem é tanto passar a perna. O ponto é que tem muita empresa que nao tem mais interesse neste tipo de relacionamento.

    É muito comum escutar nego reclamando da falta de bons fornecedores, mas isso é o mesmo que escutar marido que bate na mulher reclamar que ela nao tem auto confianca.

    A ideia do texto nao era defenter nem agridir nem um nem outro. Nao tem mocinho ou bandido, só tento mostrar que — se o cenario mudou — nao da mais para achar que as relacoes de força sao as mesmas.

    Quer um exemplo simples? Produtoras antigamente tinham margens altissimas, por isso valia a pena fazer muita coisa de graça. Hoje a margem diminuiu e deixou de ser interessante pegar alguns trampos só para manter um bom relacionamento com o “parceiro”.

  3. 3 Maestro Billy

    Entendido, Cava.
    Concordo com você que o tempo das alegrias no orçamento acabou.
    Aliás, já devia ter acabado beeeem lá atrás, quando o cliente percebeu (se é que percebeu) que o que ele tava pagando não se via/ouvia/etc em lugar nenhum.
    Esta inflação foi boa na época, montou e sustentou grandes empresas de produção, mas também acabou por matar as próprias empresas que ganhavam esta puta grana prá fazer algo que valeria 10% do que eles cobravam…
    O que deve ser feito a partir de agora ? Uma boa pergunta, né ?

  4. 4 Ricardo Cavallini

    Billy, perceba que a ciranda nao era exclusiva do mercado de comunicacao. O que fazer? Quem quer viver de ciranda financeira que vire especulador de bolsa (e mesmo la, sabemos que ta bem dificil)

    O resto que entenda que a margem de lucro hoje é outra. Acho otimo que fique no mercado quem faz por lucro E por amor a profissao.

    Tb importante deixar claro que diminuir a margem nao é o unico responsavel pela mudanca que eu cito no texto, pelo contrario.

    Vou dar outro exemplo, é muito comum hoje para o mercado de comunicacao lidar com novos fornecedores. Empresas e pessoas que nunca viveram desse mercado e por isso nao estao acostumados (e nao precisam se acostumar) as particularidades que vivemos.

  5. 5 Maestro Billy

    É realmente o Samba do Crioulo Doido.
    Estamos numa época bem estranha.
    Se bem que nem tão estranha assim, mas mais adaptada para a realidade do que vivíamos anteriormente, concordo.
    Hoje em dia é tudo mais estranho.
    E, como você disse, mais “malandro”.
    Vejo em alguns mercados a seguinte situação (sobre diminuir margem de lucro, etc):
    Existem profissionais bacanas, conceituados, sérios, que tiveram que reduzir absurdamente seus valores (não só o lucro, o valor mesmo cobrado), prá continuar no mercado.
    O que ele cobrava, já barato, 1X, tem gente que “faz igualzinho”, mas cobra X/10.
    O que acontece ? Um nivelamento por baixo. Não só dos preços, mas também da qualidade.
    Voltando ao meu mercado, é só ligar a TV e o rádio e ouvir as últimas “criações” de jingles e spots. Um pior que o outro.
    Nivelou a grana por baixo, o cara bom não consegue fazer até porque não tem como contratar mão de obra boa pelo preço, cai na mão do mediano/ruim, dá no que dá.
    Já recebi pedidos de trilhas e jingles que o valor a ser pago não pagaria o guitarrista prá tocar 2 acordes.
    Aliás, também, nunca ouvi tanta trilha atual quase que 98% copiada das referências que mandam.
    Triste.
    Criação ? Esquece.
    Novidade ? Putz… nunca, né ?
    Só se for novidade “Bizarro-mode-on” (Bizarro aquele Superman ao contrário da Liga da Justiça, lembra ? hehehe. Tosco).
    Abraços.

  6. 6 Mafê Bastos

    O que mais me incomoda nisto tudo é que muitas vezes a parceria se dá apenas pela relação entre os profissionais.
    É muito difícil conseguir uma fatia do mercado, no nosso caso por exemplo é muito difícil entrar para o pool de fornecedores de uma agência ou empresa, qdo a gente entra foi pq que suamos rios, insistimos na tal parceria, doamos tempo, talento e dinheiro para implorar pelo JOB.
    Em contra-partida, vem alguma indicação do céu e somos recebidos com toda pompa.
    E o que mais me intriga, como profissional de bom senso, qualidade e honestidade no trabalho que entrego, é ver que tem muita gente que frequenta as pautas MM, PropMark, etc…que faz um trabalho ruim, sem controle da qualidade e, é nesta hora qdo a verba acabou que eles nos chamam para consertar … vai entender…
    Chega se não vou ficar aqui de mimimi…pq por mais que eu queira, não me acostumo com o sistema…

  7. 7 Ricardo Cavallini

    Mafê, por mais gay que isso pareça, foi a letra da música que me inspirou o texto há umas 3 semanas atrás. Veja: “malandro com retrato na coluna social”

    Normal, isso nao é exclusivo do mercado de comunicacao. É antiga a percepcao que no ,a href=”http://veja.abril.com.br/050400/p_048.html”>Brasil, bandido é popstar. Se bem que acho que isso tb nao é exclusividade brazuca.

    E sobre indicacao, eu gosto muito de indicar e de receber indicacao. Mas é diferente do “faz com o meu amigo” e sim escutar opiniao de quem eu confio. Alias, eu indico a melancia :-D

  8. 8 Mafê Bastos

    Cava,

    Não é exclusividade brazuca, haja visto a srta Amy, mas o povo…o povinho…a massa…a falta de educação e valores sócio-culturais, a falta de EMC nas escolas…isto faz com que este POVO torne estes tumores da sociedade, famosos…

    Malandro com gravata e capital, que nunca se dá mal…

    E no mercado (geral) tem muito cara que se faz por lobby né, talento zero…canalhice mil, eca…

    E obrigada por indicar! ;-)

Comentários em blogs:

  1. 1 Marketing Online » Blog Archive » Muito malandro para pouco otário

    [...] e agências com produtoras e fornecedores. A relação de poder era tamanha, que é muito c… leia mais fonte: [...]

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