Os velhos não entendem o que esta acontecendo. Como algo que era controlado por poucos agora está na mão de todos? Produzir, divulgar e consumir o conteúdo como, quando e onde quisermos.
Não é apenas um discurso bonito de palestra de guru, basta usar o Youtube como exemplo. Com dez horas de vídeo sendo enviada a cada minuto, o site tem mais conteúdo do que a soma do histórico de qualquer emissora nacional. Basta isso, não precisamos recorrer ao Flickr, blogs ou qualquer outro representante da categoria.
Incomoda a velha guarda ver esse povo todo conectado. E o sucesso do Orkut, como pode atrair tanta gente e tamanha atenção? Como pode a Internet ganhar penetração das classes mais baixas mesmo sem computador em casa? Se não acreditava que o brasileiro aprenderia a usar SMS, imagine computador na Internet. São tantas as verdades absolutas e preconceitos que fica realmente difícil acreditar na mudança.
A maior parte dos vídeos do Youtube são amadores, que lixo! Por qual motivo o povo iria querer consumir esta porcaria? Quando o parâmetro de qualidade é o horário nobre, complicado entender que sem produção, sem famosos, sem técnicos, sem dinheiro, sem pesquisa, seja possível criar algo que mereça atenção.
Mas sem preconceito seria relativamente fácil entender. Ninguém melhor que uma adolescente para falar sobre a angústia do final de namoro para outra adolescente. Nenhum redator ou jornalista poderia realizar tal tarefa com tamanha precisão.
E na web, se pelo menos uma das milhões de adolescentes brasileiras acordar inspirada para produzir um vídeo interessante, ela irá concorrer pelo tempo de seus pares na mesma altura que qualquer indústria com seus milhões de investimento. Sem produção, sem fama, sem roteiro nem suporte.
Não quer dizer que a novela tem o mesmo valor ou qualidade do vídeo amador. Mas se encararmos o tempo como moeda, a novela, Orkut, videogame, celular com as amigas, etc. são concorrentes.
E um ótimo exemplo de conteúdo são os vídeos do professor de inglês Arthur.
Para muitos, ainda é difícil entender. Como isso pode ser bom? Amador, sem produção profissional e tendo o Youtube como destino. Se fosse bom, estaria no Fantástico.
Este é aliás, um ótimo exercício. Imagine Arthur no Fantástico, bem produzido e chancelado com a pomba que o programa permite. Um quadro do programa ensinando inglês correto para a população. Aposto que seria amplamente elogiado e sucesso de crítica e público.
Apesar de sério, Arthur faz todo mundo rir. Mas o humor serve a dois propósitos. Divulgar o conteúdo e conseguir sucesso no objetivo principal, ensinar inglês. Falando com palavras e sons que todos entendemos, Arthur vende seu trabalho e divulga seu nome.
Comparar palavras comuns e muito usadas em português é um método usado por muitos professores. Não é ridículo durante uma aula particular, só é ridículo em público se formos velhos. Se não entendermos que as coisas mudaram.
Não me refiro a idade, mas aqueles presos em velhos hábitos e preconceitos. Velhos como a Marimoon, que disse em seu programa da MTV que Arthur não tem noção de ridículo.
É o típico entendimento dos velhos. Ironicamente, o mesmo pensamento velho de quem critica a própria Marimoon. Quem acha que ela pinta o cabelo de pink para aparecer. Ou que inventou um nome miguxo por não ter saído da adolescência. Ou que suas roupas parecem saídas de um concurso de cospobre (versão favela do cosplay).
Ou tirar sarro dizendo que ela era uma meninas da Xuxa para Baixinhos que cresceu.
Quem diz isso é velho! Velho por não entender que Marimoon pode ser diferente, mas que tudo isso é normal hoje em dia. Pintar o cabelo de pink ou usar aquelas roupas não quer dizer que ela não tenha senso de ridículo, mas que o mundo mudou.
Eu não conheço a Marimoon, muito menos o seu trabalho. Mas acho é difícil achar coisa tão boa quando o trabalho do Arthur, seja na TV, na revista ou na web.
Há três anos, escrevi em meu livro que a TV ainda era o único referencial de entretenimento, educação e – infelizmente – cultura para a grande maioria dos cidadãos.
Isso está mudando. Se Marimoon não perceber isso, será rapidamente trocada por outra menina que pinta o cabelo e faz bicos para tirar foto, assim como o Bozo teve vários atores.
Arthur é digno de nota. E deveria ser usado como exemplo em apresentações de comunicação. O Fat 5 dá palestra daqui a pouco. E terá a honra de contar com os vídeos que Arthur colocou na web.
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17 comentários
o bozo teve varios atores e todos tinham algo em comum… néam? o gosto pela neve… passou de geração em geração esse apreço pela "branca que cega".
seria muita irresponsabilidade comparar a gestão de publicidade e conteúdo brasileiras, nossa "curatorship culture", com esse "apego" do Bozo? Boni, Chateaubriand, (nota mental: não citar líderes de publicidade pq não precisa)… é uma escola de mestres… o apego é o mesmo, o que muda é o objeto do apego
conteúdo é contexto. e é isso que a globo vai demorar pra entender. crowdsourcing, long tail, reputation culture, branded media, curatorship media, social equity – tá tudo na wikipedia.
não tem segredo. e financiamento não é problema também. a conta é fácil.
o problema é o apego.
Tenho dito para os empresários que é possivel investir com low-budghet em uma mídia acertiva e pontual – a web. São diversas as ferramentas aproveitadas por crianças, adolescentes, mas os aunucianste ficam um pouco acanhados com nossa querida Internet.
Parabéns pelo Post e pelo movimento Fat5. Falei para Ken que quero divulgar isto por aqui. Um abraço
Ótimo post Cava. Muito bom mesmo.
Abs,
Marcelo
Se o Prof Arthur aparecesse no Fantastico bem produzido, talvez ganhasse a chancela de vendido, infelizmente.
Que nada, ninguem vai achar isso. Ele tem que aparecer em todo lugar. Esse cara nasceu pra ser famoso.
Ele é um clone do Silvio Santos. Mais jovem.
O Arthur foi meu professor de inglês do 1° ao 3° ano no colégio Anglo em Araçatuba, quando vi ele no painel do Fat5 não acreditei!
No dia seguinte procurei os vídeos dele no Youtube, achei sensacional, nada como fazer algo super engraçado mas com conteúdo, afinal você ri e aprende inglês.
E para acrescentar, as aulas do Arthur são divertidíssimas, o cara é engraçado e ensina brincando, como ele mostro um pouco no youtube.
Chega a ser estranho até o modo como a Mariana construiu sua popularidade. Jovem universitária gerando o próprio conteúdo como fotos, poemas e textos com relevância num contexto somente até então virtual. Consumido por uma massa jovem que vivencia esses meios (msn, fotolog, orkut, myspace). Fotos ok, poemas ok, e textos ok e mesmo assim conteúdo altamente relevante para determinado público. Mesmo assim ela subiu, sua popularidade foi crescendo, tanto que de fã de animes se tornou uma celebridade cultuada na TV. Relexo da nova geração? Dos adolecentes atuais? Sei lá, sei que é por isso que as empresas enfrentam tanta dificuldade em se comunicar com esse público. Descobrir o que eles gostam é um desafio e tanto, principalmente vendo que seus "formadores críticos" formam críticas tão questionáveis.
Ben, esse é o ponto, a Marimoon é justamente um exemplo vivo do que ela critica.
Parabéns, Cavallini. Um dos melhores posts que li nos últimos tempos…
Valeu Wallace, em breve vamos postar uns vídeos do Arthur produzidos pro Fat5, sao sensacionais.
Oi Ricardo, muito bom o texto, as idéias e a argumentação. Quando crescer quero escrever tão bem quanto você
Parabéns mesmo, como disse o Wallace, um dos melhores post dos últimos tempos.
pô, comecando a desconfiar dos elogios, o texto nao é tao bom assim :-S
[...] Veja o texto completo aqui. [...]
Cava, meu comentário para este post é: Espera 5 anos.
Hoje quem tem 16 anos daqui 5 terá 21 e estará no mercado de trabalho, consumindo a sua maneira o que tantos teimam em manter como patrimônio. E da mesma maneira que hoje, o que os profissionais do nosso mercado descobrirão sobre será deveras chocante.
Isso mesmo, o óbvio de que o poder não mais está em suas mãos.
Pois bem, eu vi algumas vezes a Mari Moon e li seu blog. Acho que ela se "corporatizou" quando entrou na MTV. Agora ela se preocupa mais com a imagem, ela se vê mais. No blog acho que não se "via" tanto.
Creio eu que o youtube não tem como ir para um horario nobre ou aparecer na Tv, muitos sucessos do mesmo, tem que ter baixa produção para atingir a linguagem desejada.
Porem isso não é lei, como não é lei uma pessoa assistir o youtube, senso do ridiculo ou bom senso, acho que afeta diretamente o conteúdo que o video passa.
Uma boa produção pode maximizar o alcance do video, porem não faz o milagre de algo ser interessante ou não.
Acho que youtube está aí para comprovar isso, e o que importa no fim é algo ter conteúdo ou não, diferente de ser bem produzido para "sair do ridiculo", coisa que em muitos programas de TV faltam.