Produção de conteúdo


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Fui assistir o teatro da Turma do Cocoricó com a minha família e fiquei muito feliz com a qualidade do espetáculo. Já éramos fãs da série. Das músicas, das histórias, dos personagens, das vozes. Conteúdo brasileiro de primeira? Não. Conteúdo de primeira, e bem brasileiro. Perfeito.

Mas calma, este não é um post estilo diário, e sim para falar sobre produção de conteúdo. Não que o show seja perfeito. Apesar de muito bom, seria possível apontar alguns problemas. O interessante é que, apesar de fã do trabalho, não fui assistir com muita expectativa.

Eu sabia que o roteiro seria bom, os personagens, as músicas, mas tinha receio da produção. Talvez por preconceito, talvez por ignorância. Mas não é comum ver produção de qualidade no Brasil. Claro que é possível fazer algo muito bom com produções simples. Também é verdade que temos ótimos autores, atores e todo sabor de bom profissional, mas poucos.

Pelo menos não com volume e histórico digno para aumentar minha expectativa em uma peça infantil com bonecos. Nem para um filme, um game, um curta ou qualquer outro tipo de conteúdo que precise de uma produção mais elaborada.

Onde estão nossos contadores de história, profissionais de computação gráfica, técnicos de áudio, maquiadores, iluminadores e outros especialistas ligados a produção de conteúdo? Vivendo de mercados pequenos ou pouco tentadores. Pouco por falta de grana, oportunidade e perspectiva. As novelas da Globo, o triste mercado editorial, alguma coisa de moda, alguma coisa de cinema e — a minha, a sua, a nossa — publicidade.

Não acho que precisamos ser gigantes ou ter dinheiro caindo do céu para produzir bom conteúdo. Nem quero entrar na discussão sobre novelas ou publicidade brasileira ter ou não qualidade. A questão é não ter volume para garantir uma massa crítica mínima.

O mercado de comunicação é pequeno e 30% dele trabalha com telemarketing. Mas quando falo de massa crítica, não se trata apenas de número de profissionais, mas de existir um mercado que justifique sua manutenção e fomentem seu crescimento. Coisas como associações fortes e programas de treinamento para formação mais qualificada e manutenção dos melhores profissionais no ramo ou no país.

Fazendo um paralelo, sabe aquela história do Brasil nunca ter investido em infra-estrutura? Que não adianta ter demanda se não tem energia elétrica para montar novas fábricas. Não adianta abrir postos de trabalho se não existem profissionais qualificados para contratar. Não adianta produzir mais se não tem estrada ou portos pra entregar o produto.

Então, com toda esta discussão sobre agências gerando conteúdo — e entendendo que não estamos falando de filmes de 30 segundos — a impressão que tenho é que existe um gargalo grande a nossa volta.

Podemos especular os motivos, razões e porquês disso. Mas na prática, os outros mercados costumam “emprestar” profissionais e estrutura do nosso quando precisam crescer ou tocar algum grande projeto de produção de conteúdo.

Nas frentes digitais fica bem claro que não temos gente nem para suprir a demanda atual. E agora, se vamos “mudar para melhor servir”, produzindo mais conteúdo, pegaremos emprestado de quem?

9 comentários

  1. Na ilustra, primo rico e primo pobre. Loro José e Caco do Cocoricó. E galera, apesar de ter entrado no assunto sobre infra-estrutura (para ilustrar meu ponto), vou cortar comentários políticos, como sempre fiz.

  2. vader says:

    Cava, a tua surpresa foi a mesma que eu tive quando fui assistir o Nuno Mindelis (guitarrista brasileiro) tocar com o Double Trouble (baixista e baterista do Stevie Ray Vaughn) no Centro Cultural Vergueiro.

    Foi simples, porém excelente. Depois do show (que tinha pouquíssima gente) eu fui conversar com so músicos e com o produtor do show. Ele me falou que todo o conteúdo, músicas, vídeos e afins foram pensados em conjunto, do músico com o diretor/produtor.

    Mas, concordo com teu ponto de vista de onde estão nossos storytellers, profissionais de computação gráfica, e outros ligados a produção de conteúdo; tem muita gente boa vivendo desses nichos.

  3. Não vou entrar no mérito do conteúdo da sua postagem, seria só uma blá-blá-blá para concordar com você.

    Agora, a ilustração está genial ! O passado e o presente da nossa TV. Parabéns ao Braga, continue pagando-lhe sobejamente.

  4. esta complicado adiron, o sucesso subiu a cabeça. o dinheiro ja nao é mais suficiente e o safado agora esta cobrando favores sexuais.

    mas fazer oque, os desenhos sao otimos

  5. André Domok says:

    O conteúdo é resultado de trabalho, o problema de tudo isso só tem um nome: comodidade. Pode parecer, mais não é ironia. Porém, a produção simples ou não, quanto menos planejada, torna-se menos complicada.

  6. Madsea says:

    Entao, o Nuno Mindelis não é brasileiro. É angolano.

  7. Laís says:

    Cava, acabei de ver Cocoricó com minha afilhada e reparei em um detalhe – a marca do laptop do Julio é uma pêra mordida! Achei uma sacada boa e quis dividir com você.

    Beijo

  8. Eu nao reparei. Adorei Laís.

  9. dudu says:

    deu ate preguiça de comentar, cava.
    o maior problema eh o profissional viciado em caches de filmes de 30″ – é isso q a colmeia enfrenta ha 3 anos e meio quase.
    Temos que formar gente, néam? Esse é o caminho.

    eh uma discussao pertinente pacas. o bicho ta pegando nessa seara, e vai explodir em breve.

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