
Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em
Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se
sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o
problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em
nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar a fome de quem já estava de barriga cheia.
*Uma pequena constatação interessante dos blogs telescÓpica, CoxaCreme, Update or Die e Não Conte para a Mamãe.
update 05/02/09: versão Sean Penn
RSS
42 comentários
É fofo isso, apesar de extremamente simplista. Mas diria que está 60% certo. A diferença é que a grana dos governos é para liquidez (e portanto, volta). A outra grana, para matar a fome, é estanque. E quem ia se ferrar nesta crise eram os pobres, já que banco vive do dinheiro alheio, não do deles. O deles eles sacaram antes.
Primeiro fiquei com raiva. Depois me deu vontade de chorar.
[...] valeu telescÓpica, CoxaCreme, Update or Die, Não Conte para a Mamãe, Verdevelma, [...]
Mto bom o post!
Preocupação justa, comparação pertinente, mas tem uma falha…
Por quanto TEMPO duraria essa verba sugerida para acabar com a fome no mundo?
Sugiro que troquem “acabar com a fome” para “resolver os problemas estruturais que causam a fome, de forma que ela desapareça por falta de condições”. O número resultante será bem diferente – e bem maior, aposto.
Quanto ao número da grana desembolsada para salvar os bancos, não se esqueçam de que é tudo ficção numérica, os números não são lastreados em bens reais. E é exatamente esse o motivo da crise: falta de confiança no significado real dos números.
Amaral, foi o comentário mais ignorante de todos os tempos, fico até com preguiça de responder. Pense melhor sobre qual investimento daria melhor retorno. E pense tb qual investimento iria ferrar menos os pobres.
[...] valeu telescÓpica, CoxaCreme, Verdevelma, Bloggar pelo [...]
Fantástico! Na hora que li aqueles 40 bilhões ali, a minha primeira reação foi “Caralho! E esses putos gastando trilhões pra NÃO-resolver a crise dos ricos”.
Também acho que o esse número esteja subestimado, mas é impressionante como que dependendo dos interesses, o dinheiro pode aparecer rapidamente aos montes, ou então simplesmente não existir.
Amaral, quer fazer um investimento que presta?
http://www.doeumainfancia.org.br
Talvez você possa até ganhar alguma coisa com isso.
Preguiça de começar a discutir.
Duca o texto. Li um no site do Michael Moore que seguia linha de raciocinio parecido. Fala sobre a falência de famílias pobres nos Estados Unidos ficando sem suas casas enquanto Wall Street comemorava a injeção de grana do governo americano em restaurantes luxuosos e brindavam com bebidas das mais caras do mundo. E o povo com medo, a bolsa continua despencando e a desculpa do empresariado vai ser a de sempre… “é a crise”.
[...] Ei, você aí, me dá um dinheiro aí? http://www.coxacreme.com.br/2008/10/15/ei-voce-ai-me-da-um-dinheiro-ai/ [...]
Toda essa hipocrisia é resultado de um povo que não consegue enxergar o outro.
Países emergentes são alvo de críticas no mundo inteiro sobre a distribuição de renda, e enquanto criticam as grandes potências se estabelecem cada vez mais.
Extremamente trágico, realmente comovente.
ótimo post. impossível não parar pra pensar depois dessa constatação. e os especuladores continuam esbanjando por aí.
Amaral, vc não tem coração?
Eu comentaria que já acreditei muito mais no ser humano até ler esta entrevista do Noam Chomsky para a FSP…. apenas um gostinho abaixo:
FOLHA – A onda de intervenção do Estados nas instituições financeiras será revertida no futuro ou haverá um novo cenário no qual mais bancos passarão de maneira perene a ser controlados pelo poder público?
CHOMSKY – A estatização completa é muito improvável pelas razões que eu mencionei. Uma ação nessa direção traria junto uma ameaça de democracia, ou seja, uma ameaça de o público se tornar envolvido nas tomadas de decisões sobre o sistema socioeconômico. O principal filósofo americano do século 20, John Dewey, observou que enquanto o público não ganhar controle efetivo das principais instituições da sociedade -financeiras, industriais, mídia etc.- a política permanecerá como “uma sombra dos negócios sobre a sociedade”. Naturalmente, esse é o tipo de negócio que o mundo prefere. E a sua dominância sobre os sistemas doutrinários e políticos é tão enorme que a tirania privada é chamada de “democracia”.
Já a ameaça de haver democracia real é chamada de “ameaça da tirania”.
O texto é bonitinho… como redação de garota de quarta série!
“Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.”
Quem diz isso???? 40 bilhoes NAO resolvem o problema da fome, nem 120, e arrisco dizer que nem 2.2 tri. O próprio autor do texto assume que não sabe de onde sairam estes calculos, o que já invalida o argumento por si.
Mas isso nao tem importancia, o que importa é que o texto está facilzinho de ler e oferece uma comparação simplista (mesmo que falsa), popular e de facil digestao para quem tem PREGUIÇA de pensar e estudar o problema honestamente. Forte candidato portanto a se espalhar em forma de spam e virar meme da Internet, por este lado, tiro o chapéu, bom trabalho.
O problema da fome (e da pobreza em geral) nao é algo que se resolva com uma maleta ou com um container de dólares. Bilhoes e bilhoes JA SÃO GASTOS para acabar com fome e pobreza no mundo, e em boa parte quem investe nestes problemas sao os mesmos ricaços-de-barriga-cheia que o Neto demoniza. Estou com o #1 Ricardo Amaral no que diz respeito ao fato de que o dinheiro nao foi tirado da cartola e de que ele volta, só acho que ele foi bondoso na porcentagem
E o #4 Mario Amaya resume bem onde deveria estar o foco.
O problema não se resolve com dinheiro(apenas), não se resolve com slideshows e muito menos com discursos político ou filosóficos (como este blogpost). A quem interessar, tenho links para doar, aos demais, que precisam de um incentivo para chorar na frente do micro, prometo que vou me retirar e deixar a programacao voltar ao normal, deixarei as maçãs e laranjas em paz.
Cava, você com preguiça também me dá preguiça. Ainda mais um rabugento preguiçoso. E nem vou discutir o que é mais fofo e mais “importante”. Se você concorda com isso, o Bolsa-Família é a maior invenção do século: dinheiro direto no caixa. Não sei como ninguém mais pensou nisso antes.
Ah, o Chomsky pode explicar porque hoje em dia o Estado é muito maior do que nos anos 30, quando a democracia não permitia voto feminino, de negros etc. (como o Demétrio Magnoli mostrou na Folha de hoje). Será que existe hoje muito mais controle estatal (povo) do que antes? E eu sou CONTRA diminuir este controle, o problema é que ele está pervertido por dentro, especialmente por aqueles que acham que devem controlar a vida dos outros.
nao fabricio, o problema da fome nao se resolve com uma maleta de dolares, se resolve com os dirigentes do primeiro mundo acordando de manha e pensando “hoje vou ligar pros meus pares e resolver o problema da fome”
é disso que se trata o texto, miopia de vcs todos que criticaram que ficam se apegando em valores ou na questao da crise, que apenas foi citada no texto para mostrar como é facil se mobilizar e fazer aparecer dinheiro
amaral, este é seu problema, voce ve tudo preto e branco. binario, nerd.
digo isso como amigo (pra quem nao sabe que ja nos conhecemos ha mais de 10 anos)
o neto apenas mostrou no texto que é possivel o mundo se mobilizar para resolver um problema maior
o texto do neto nao tem nada a ver com a bolsa familia, ou com nao investir em resolver os problemas e ficar dando bilhoes todo ano para acabar com a fome e nao resolve-la
ah, deixa chomsky sem comer 3 meses e manda ele filosofar sobre o estado
Também acho que precisaria de muita grana para acabar com a fome mundial,
mas o texto do Neto é perfeito, se houvesse uma mobilização mundial com um
verdadeiro intuito de acabar com a fome, como está havendo para salvar algumas
instituições de crédito, certamente arrecadariamos muito mais do que 2,2 tri.
pessoal, estou deletando comments politicos (ex: a favor ou contra o bolsa familia) por favor evitem para nao terem posts cortados.
[...] Mto, mto phoda… Via Coxa [...]
[...] trilha de:telescÓpica, CoxaCreme, Verdevelma, Bloggar, [...]
Gostei do texto porque ele leva a uma reflexão bem interessante. Tão interessante que eu gostaria de propor um exercício.
Imaginem a rua de vocês. Só aquele pedaço do quarteirão que passa na frente de onde vocês moram. Imaginem que ali na esquina more um mendigo, daqueles bem maltrapilhos, que todos os dias vaga pela região pedindo esmola pra não morrer de fome. Ele não tem nem um carrinho pra catar lixo e vive da bondade de estranhos.
Você mora num prédio bom, longe de ser “de rico”, mas que possui pelo menos uns 4 moradores que vivem muito bem. O resto mantém uma qualidade de vida legal. O prédio tem 10 andares, dois apartamentos por andar.
Uma dia, na reunião de condomínio, você sugere que todos se juntem para acabar com a fome do mendigo. Todo mundo aceita. Faço duas perguntas:
a) como vocês fariam isso?
b) alguém acha que conseguiriam?
Quero deixar claro que escrevi isso não para provar ponto A ou B, mas apenas pra refletir mas sobre a questão levantada pelo texto. Por isso gostaria que a galiera participasse.
marcelo, é por isso que o neto nao tem paciencia, pq vcs continuam batendo na mesma tecla
vc esta argumentando que acabar com a fome é dificil e ninguem sabe como
resolver a crise tb, é dificil pra caramba e ninguem sabe como
ninguem esta dizendo que é facil, mas ficou provado que SE MOBILIZAR é facil e viavel
Na verdade eu não argumentei nada. Eu li o texto (e acreditem ou não, entendi o ponto), pensei “mas e se tivessem pego essa grana pra resolver a fome?” e queria discutir isso.
Mas reconheço que esse espaço aqui não é o mais apropriado pra isso… me deixei levar pelo calor do momento e dei bola fora. Mal aí, galiera.
Vou aproveitar a deixa e encerrar o expediente. Bom fim de semana pra vocês.
marcelo, eu acho que nao é mesmo, eu nao tenho capacidade para opinar sobre isso e duvido que alguem tenha (mesmo o Amaral achando que tem)
Discussão boa com receita simples, para acabar com a fome basta acabar com os governos. Aliás, com os países e fronteiras. Daí quem sabe se todos se vissem como iguais daria pena de ver alguém passando fome.
Porque hoje do jeito que é: na africa só tem gente morrendo de fome por conta das guerras tribais e dos governos corruptos [detalhe que guerra tribal sempre teve e é natural, mas homem branco não entende da guerra dos outros, somente da dele]. E pior, enquanto tiver pão e batata aqui deixa os argentinos morrerem de fome….
abs e bom fim de semana
cezinha, nosso filosofo ruivo!
Vou apenas comentar sobre o texto e não sobre os demais comentários.
Acredito que o problema da fome, a do estômago, é um debate “velho” e que já provou ao mundo que as “grandes” nações não tem interesse algum em realizar esforços reais para que se possa combatê-la. Para o rico é interessante ter o pobre para que ele possa utilizar sua fragilidade para crescer, subtraindo suas riquezas naturais, promovendo o trabalho escravo e infantil, manipulando – e comprando – seus governantes.
Já na questão da fome econômica, os países ricos estão se mostrando muito vorazes para tentar “driblar” o próprio erro. Na ambição de crescer cada vez mais, deram passos maiores do que as pernas, e estão apreensivos com o resultado que pode ser desastroso. Sabem que, como diz o ditado, quanto maior o gigante, maior o tombo.
Podemos assim constatar que, como sempre, para os países ricos prevalece a defesa dos seus interesses. Não estão dando a mímina para as consequências sociais dos países pobres. Só olham para esses países com o objetivo de explorar e mantê-los como mercados para sustentar as suas economias.
Posso estar falando asneira, mas essa é a minha opinião.
Cava,
Não fui binário desta vez: apenas argumentei que a solução da fome não virá de uma reunião em que líderes queiram resolver o problema dando dinheiro. Estoque x liquidez. Era uma nota econômica, pura e simplesmente. Por isso, comentei do romantismo da proposta. Na verdade, acho até mais simples uma solução para o emprego, mas deixo para fóruns adequados.
Agora, o Marcelo toca um ponto importante que você não viu: a questão local. É no nível local que estão as grandes oportunidades de mudar o seu mundo. Acho que a proposta é essa e com o Kebab Salonu até pudemos fazer uma área decadente e detonada começar a ficar novamente “legal” de se andar. A despeito de alguém tentar pixar (sem sucesso) a fachada frequentemente.
amaral, concordo, nivel local é o que podemos fazer, o problema tb é nosso (apesar de ser deles tb)
mas nao tira a tristeza de ver que os caras conseguem se mobilizar muito facil quando desejam
Cava,
Eu não tenho a menor paciência de discutir.
Sabe por que?
Porque o que escrevi é indiscutível.
Não é uma sugestão, ou uma opinião.
É só uma constatação.
Primária até.
Assim: fazer A conseguem, mas fazer B, não têm vontade.
Só isso.
Mas tem neguinho que não sabe ler.
Ou que lê além do que está escrito, só para polemizar.
Tem uns que entenderam que eu sugeri que a solução da fome desqualifica a dos bancos.
Não disse isso.
Não sou comunista, nem prego o caos do capitalismo.
Disse apenas que quando se quer, se resolve.
Só precisa vontade.
Tem quem quer questionar os números e diz que meu texto é primário.
Primário é discutir valores.
Isso não tem a menor importância para o argumento.
Teve até um que disse que o dinheiro para acabar com a fome, um dia acabaria.
Meu deus. Não entendeu nada.
Enfim, Cava.
Não tenho paciência.
To velho pra discutir bobagem.
[...] Dias deu a dica, depois ví no telescÓpica, CoxaCreme, Update or Die, Não Conte para a Mamãe, Verdevelma, [...]
É tudo culpa da raça humana, principalmente da espécie branca e dita “civilizada”, que louva uma m%#$% de pedaço de papel dizendo que ele “vale muito”…vejo sempre “a mesma meia dúzia” de pessoas gastando milhões com isso e com aquilo…bilhões com crises…e vão embora por ano…e enquanto isso o planeta e a própria raça se destruindo…por que não resolver tentar resolver isso em 1 ano ou 2 anos?
Algumas “personalidades” tentaram advinhar quando será o fim do mundo, mas o problema dos cálculos deles foi um só: não previram a criação do Capitalismo! Se tivessem previsto isso, eles acertariam na mosca!
Às vezes eu tenho vergonha de participar deste tempo mesquinho e egocentrista de nossa sociedade!
Mas aí q tá… O texto ta certinho, mas ao mesmo tempo os lideres se reuniram, e a crise vai continuar, ou seja, conseguiram se mobilizar, mas não fazem idéia de como resolver o problema. Eu acho q mesmo q eles conseguissem se mobilizar pra resolver o problema da fome, não saberiam nem por onde começar.
klug, o conceito é justamente esse. A questao é termos uma prova que a mobilizacao é viavel (quando interessa)
Conseguir botar todo mundo pra conversar e colaborar de verdade (dinheiro, neste caso, seria a prova disso).
No caso da fome, a colaboracao nao necessariamente precisaria vir como grana (diretamente), poderia ser uma mudanca na politica de subsidios, por exemplo.
Independente de numeros, e verdades absolutas o texto nos leva a refletir que quando nacoes se unem p/ resolver um problema sim, isso eh possivel. Portanto sim, se a humanidade quiser resolver o problema da fome seja la qual for a forma correta de se fazer isso, sim, eh possivel.
Mas somos falhos, e a vaidade e a ganancia imperam no mundo.
Mas ainda tenho fé que um dia nossa civilizacao T0 ira evoluir p/ uma civilizacao planetaria T1 como Coruscant em Star Wars onde todo o planeta eh uma grande cidade.
Claro, se a gente nao se destruir antes, na transicao.
Um abraço na boca.
M.
###
Não acho que os 2 tri de dólares serviram para quem está de barriga cheia. Se houver um crash econômico mundial, o número de pessoas em situação de pobreza iria aumentar sensivelmente. Imagine milhões de empresas quebrando, bilhões de pessoas perdendo o emprego. Não acho que esse dinheiro foi tirado da cartola com satisfação pelos líderes mundiais. Acho que foi algo emergencial e uma demonstração de senso de responsabilidade pelas pessoas de todo o mundo.
ACHO.
Gostei do blog, parabéns.
[...] financeira e o problema da fome no mundo. Esse texto já foi reproduzido em diversos blogs, como o CoxaCreme, e tem dado o que falar. O texto foi escrito por Neto, vice-presidente de criação da Bullet. [...]
fiz um update e botei a versão Sean Penn