Já percebeu que, quando um mídia é contratado, não se pede para ver sua pasta? Não para mostrar peças, mas mostrar planos, seus cases. Seu portfólio. O que ele fez, por que, qual resultado, etc.

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Mas pasta para que, se perguntas operacionais e técnicas são mais práticas e lógicas? Descobrir se o profissional consegue calcular o GRP, se já trabalhou com algum ad server, se lida bem com o A&F, Marplan, Tom Micro, etc.

Imagine que toda uma geração de criativos tenha sido contratada priorizando seus conhecimentos em Photoshop, Trapping e QuarkXpres. Historicamente, foi assim que o perfil de mídia desejado, procurado e contratado pelo nosso mercado, foi de “piloto” da tradicional fórmula de mídia.

<modo defensivo on>

  • eu disse tradicional forma de mídia, não fórmula de mídia tradicional
  • se o intuito fosse ofender o mídia, teria usado a palavra “operador”, não “piloto”
  • na sua agência não é assim? poxa, que legal

<modo defensivo off>

Este formato não foi problema durante anos, mas agora que o perfil desejado para o profissional de mídia mudou, porque será que ninguém fez a pergunta mais básica de todas.

Será que os profissionais atuais são os mais indicados para o cargo?

Não estou falando conhecimento técnico ou de qualquer resistência, seja por interesse, preguiça ou cultura. Estou falando sobre perfil.

Falo daquela parte do job descriptions que fala sobre “habilidades“, onde fica claro que tentar transformar quem nasceu para programador em diretor de arte (ou vice-versa) pode até ser tecnicamente viável, mas não necessariamente o movimento certo.

As habilidades do profissional de mídia atual são as habilidades desejadas neste novo cenário? Você já pensou sobre isso ou sua opinião foi automaticamente defensiva (ou ofensiva)?

Mídia deixou de ser commodity para ser diferencial. Olhar com mais carinho para esta equipe não é luxo, é sobrevivência.


24 comentários

  1. 1 Madsea (reply)

    Post adequado pra hoje, Cava… Dia 11/9 é o dia internacional de fazer amigos…

  2. 2 GuiLima (reply)

    O Pior é que nao se formam mídias em quantidade que se precisa.
    E tb nao se formam mídias com habilidades suficicentes.
    A cada conversa que tenho com meus amigos de agência, sempre me perguntam “Me indica alguem pra mídia online, com experiência bla bla bla”

    E quer saber? Nao existe esse profissional no mercado na mesma quantidade que exsitem DA com portifólios embaixo do braço pedindo emprego.
    Nao é uma área nobre da publicidade, não ganha prêmios conhecidos e por isso não antrai quem se forma na faculdade.

    Qdo um jovem estagiário opta por ser mídia on line, em pouquissimo tempo já se sente um bom mídia e menos de um ano já tem perfil de Gerente experiência (ou pelo menos se acha assim) e é contratado a peso de ouro.

    Tem gente competente pra cacete no mercado, mas ao mesmo tempo tem muito pouca gente sendo formada nas agências para se ter bons profissionais.

  3. 3 Luiz Yassuda (reply)

    Interessante. Mas eu fico pensando: de que adianta pedir um monte de case se por muito tempo o trampo da pessoa será “calcular o GRP, trabalhar com algum ad server, lidar com o A&F, Marplan, Tom Micro, etc.”

    Não frustraria o ser humano?

    Pergunta de beginner mesmo. Abraços,

  4. 4 Ricardo Cavallini (reply)

    Yassuda, diretor de arte cansa de usar Photoshop? Redator cansa de usar Word? Mas tem um ponto no que voce falou. Adianta botar galinha em covil de lobos? A resposta é parecida com: adianta votar em politico honesto?

  5. 5 Fernand (reply)

    Não sei se mostrar cases é suficiente, assim como é pouco dizer q conhece as ferramentas e as pessoas dos veículos.

    Acho q, como para qualquer cargo, o q interessa é o olho no olho, a conversa, as idéias.

    O resto se aprende!

  6. 6 ematoma (reply)

    Acho que seu comentário é válido não apenas ao profissional de mídia nas agências mas também aos seus contatos, os veículos e o cliente. O maior entrave hoje é que as pessoas muitas vezes evoluem, mas as empresas que elas representam (sejam agências, veículos ou empresas anunciantes) não…

  7. 7 r. (reply)

    Na verdade – e isso já foi bem falado aqui – os profissionais de propaganda como um todo estão precisando de uma repaginação.

    Tb me pergunto se um diretor de arte cheio de peças publicadas na Archive e “leões em cannes” é necessariamente um cara antenado com o seu tempo e que vai ajudar a agência a se posicionar no mundo – complexo – da propaganda atual.

    De novo, além do mídia, que eu concordo com o Cava: precisa ser olhado sob um novo prisma – a forma contrataçâo (ou o que se leva em conta para tanto) de todos os profissionais da agencia deveria ser repensada e “referescada”.

  8. 8 Cesar Senatore (reply)

    O mídia desempenha o papel que lhe é permitido dentro da estrutura, e que exemplifica bem qual o posicionamento da empresa.
    EM alguns casos ele participa desde o planejamento da campanha e definição dos conceitos, e nessa hora o mídia consegue viabilizar ou mesmo nortear a implementação de um conceito ao consumo da mídia.
    E na grande maioria dos casos o papel do mídia é de achar as melhores e mais rentáveis maneiras de comunicar o conceito campanha. E quando isso acontece não se pode esperar nada além de um bom técnico de mídia.

  9. 9 Ricardo Cavallini (reply)

    Cesar, nao ficou clara sua opiniao pra mim. Talvez pq seu comentario esteja parecendo copy/paste de press release do grupo de midia.

  10. 10 Ricardo Cavallini (reply)

    Talvez tenha entendido agora. Vc voltou a critica para a empresa?

    Se for isso, esta de acordo com o texto. Se estou criticando contratacoes, estou criticando quem contrata.

  11. 11 Cesar Senatore (reply)

    Mil desculpas Cava, acho que foi a linguagem.
    Quando se abre uma vaga numa empresa tem alguem no RH que ajuda na definição desta vaga e de quais competências precisa. Se é um perfil mais técnico, se um perfil mais arrojado, se isso ou aquilo. Isso para alinhar a estratégia da empresa e as coisas começarem a fazer sentido.
    Logo se a empresa é quadrada ela busca [dependendo da sua estratégia] profissionais quadrados.

    E agora te respondo com uma pergunta, qual o perfil de mídia que as agências querem e que faça sentido dentro da sua estrutura / estratégia?

  12. 12 Cesar Senatore (reply)

    Só não penso que necessariamente o comentário deva concordar com o texto.

  13. 13 André (reply)

    Putz, concordo muito.
    E esse papo de o profissional de mídia cumpre o papel que lhe é permitido dentro da estrutura é muito blablabla. Planejamento tem que sair da caixa, criação nem se fala. E pq o mídia não? Pq ele tem que ser engessado e se limitar a oeprar a mesma fórmula eternamente?

    Em algumas reuniões fico com a impressão de que alguns mídia vivem dentro de uma bolha bem pequenininha. Lá fora o mundo caindo de inovações, novas métricas, novos resultados e mais mil coisas. E eles repetindo o discurso “classe C não acessa a inernet”.

    Como vc pontuou muito bem, modificar esse cenário não é luxo, é sobrevivência…=)

  14. 14 Helio (reply)

    Essa mudança de mentalidade/atitude em relação ao mídia, deste a contratação até a execução de seu trabalho, faria também com que os outros setores de uma agência tivesse uma visão diferente desse profissional. Ele passaria do cara que “escolhe os melhores horários para veicular uma peça” para alguém que efetivamente faz parte do processo de comunicação, deste o seu início. Claro que em muitos lugares ele já é visto assim e trabalha com esse objetivo, mas em muitos casos, o que aparece é apenas sua participação no final dos processos.

  15. 15 Társis Salvatore (reply)

    Sem ofensas, mas tu acha que todo mundo vai cometer harakiri profissional pelo bem do mercado ?

    Agências são terrenos pantanosos, fétidos, uma distopia onde todos são especialistas seja no que for. Não existe dúvida no coração dos especialistas.

    É comum haver egos (muito) maiores que seus cases e dai não seria possível para o mercado rever o modelo atual de contratações mesmo que fosse para benefício do próprio.

    Quer saber? Tenho a impressão que no fundo o que todo mundo gostaria mesmo (não só na área publicitária) é da revogação da Lei Áurea.

    Ou não.

  16. 16 Ricardo Cavallini (reply)

    Cesar, a questao nao é essa. O que eu discuto é se o perfil que era correto alguns anos atrás ainda é hoje. Não se trata apenas de novas contratações, mas das antigas.

    Sobre sua pergunta, leia o resto do meu blog. Se ainda assim não entender, você tem meu telefone e já conhece meu valor. Pra você eu sou facinho e barato.

    Sobre concordar com o texto? Não deve mesmo, se todo mundo concordar, não tem discussão. Mas se eu não rebater o que discordo, ai a discussão perde a graça.

  17. 17 Ricardo Cavallini (reply)

    Társis,
    acho sua visão muito fechada não?

    Onde nao existem egos maiores que resultado? Não tá cheio de médico assim? Cabeleireiro? Piloto de F1? Músico? Etc.

    A grama do vizinho é sempre mais verde.

  18. 18 Cesar Senatore (reply)

    Ricardo, essa é mais uma das infames para manter a graça: se você não faz idéia para onde vai então qualquer lugar [mesmo o comum] serve.
    E é isso que sinto em muitas empresas da quitanda, não sei o que tenho que fazer nos próximos anos mas peraí que preciso finalizar aquele job pra ontem.

    Em resumo: cada agência tem o mídia que merece.

  19. 19 Eduardo Assunção (reply)

    Estou cursando publicidade agora e cada cadeira de Mídia e Planejamento que tenho descem com um sabor diferente. No bom sentido, pois tinha (ele foi transferida ontem) uma professora espetacular, Graciela Ines Presas Areu, parecia me odiar, mas enfim, a questão é que não sei como iniciar na área de mídia, não sei o que preciso fazer depois da graduação nem como me preparar para um possível estágio. Talvez esse seja o motivo de não ter muitos mídias por aí, já que muitos estão buscando o curso superior, falta uma explicação mais clara de como se tornar um.

  20. 20 Páris Neto (reply)

    Cava, “polêmico e pontual” Cava,

    eu acho que medir o mídia, defensivo ou não, é algo que se aplica a quase todos os profissionais atuais da nossa indústria, do gestor, ao redator, ao atendimento e até mesmo ao esquecido neste artigo CLIENTE.

    uns 2 anos atrás o Michel Lent escreveu no Webinsider sobre uma Prova de Internet, que mandaria supostamente aos clientes, que se tivessem nota baixa, ele aumentava as horas de atendimento e criação na proposta, e obviamente se fosse alta, ele diminuia as horas … nunca me esqueci disso.

    Mas o que eu realmente acho que é todos os profissionais tem que ter a capacidade de evoluir, fazer um morphing para os novos desafios, canais, perfis etc…

    Vi outro dia uma palestra e discussão em uma lista que o perfil de um Analista de Métricas era tipo um Físico-Administrador com MBA em finanças que escreve macro em Excel e expressões regulares em Javascript naturalmente.

    Somando tudo isso, registrei minha opinião sobre o profissional do futuro aqui :

    http://parisneto.wordpress.com/2008/08/13/lavoisier-e-o-profissional-do-futuro/

    Porque acho que de certa forma, o que você fala sobre PERFIL e HABILIDADES é o que caracteriza o profissional do futuro.

    E de certa forma compartilho a dor que no momento atual o mídia é o que mais dói, já temos alguns muito bons, outros se adptando e muita carência no mercado… assim como os outros perfis.

  21. 21 Cesar Senatore (reply)

    Eduardo, já faz tempo que me formei, e desde que me conheço como publicitário essa é uma grande carência do mercado, pois o trabalho do mídia está intimamente ligado as métricas e números fornecidos pelos institutos [IBOPE, MARPLAN......], e caso a universidade não tenha convênio com estes fica difícil chegar numa agência já conhecendo o trabalho prático. O máximo que vc vai saber é a parte teórica [que na hora de contratar um estagiário já faz toda a diferença].
    Enfim, a mídia se aprende no dia dia, mexendo com as ferramentas e as pesquisas, atendendo veículos e vendendo o plano para os interessados.
    Tudo isso com bastante sofrimento e pouca glória.

    PS: o que me chamou a atenção para a mídia foi o fato de você descobrir muitas verdades / tendências apenas olhando para uma planilha cheia de números. Para um mané como eu que sempre odiou matemática foi uma grande surpresa.

  22. 22 Társis Salvatore (reply)

    Társis, acho sua visão muito fechada não?

    – Não sei. Visão fechada significa que você e todo mundo que é batuta tem auto crítica, discernimento e por um mercado justo, cometeria suicídio profissional em nome do bem maior? Ou talvez que pouca gente está disposto a repensar o modelo de trabalho do Midia (ou de outras funções) para modificar e melhorar o sistema, já que as mídias digitais são mutantes, para não dizer “anárquicas” ?

    Onde nao existem egos maiores que resultado? Não tá cheio de médico assim? Cabeleireiro? Piloto de F1? Músico? Etc.

    – Existe em todo lugar, mas no mercado publicitário todo mundo é um SÓ POUQUINHO mais… ;-)

    A grama do vizinho é sempre mais verde.

    – Como jogo há anos na várzea prefiro o terrão. Mas quando joguei na grama, sempre marquei o meu gol, mesmo quando o time perdeu. Tenho porfólio e testemunhas ;-)

    Abração!

    PS: Belo blog o teu.

  23. 23 Ricardo Cavallini (reply)

    Tarsis, eu pensava assim ate comecar a conversar sobre isso com amigos que nao sao publicitarios. É tudo igual. Medico fala mal de medico, puta de puta, publicitario de publicitario.

    Talvez pareca mais no mercado publicitario pq nego saiu do armario. Nao falo de homossexualismo (somente), mas de nao ter vergonha de esconder (nem as qualidades nem os defeitos). Ta cheio de medico drogado, mas se pegam da merda. Na publicidade é chique trincar os dentes.

    Tem uma outra diferenca, em outras profissoes rola um corporativismo fodido. Medico nao massacra medico, juiz nao bate em juiz, etc. Nao sei o que é melhor ou pior, mas eu acho que muito do que reclamamos do nosso mercado tem relacao com a cultura do nosso pais, nao da publicidade.

    Tem dia que eu penso como vc, a gente bate de frente com um desses zebiussets e acha que só tem lixo, mas nao é por estes que balizamos o mercado. Tem muito nego bom, decente, profissa, inteligente. E muito em caixa alta: MUITO.

Comentários em blogs:

  1. 1 “CORAGIII COLEGA!” « Casal 220

    [...] Mede teu mídia 11Sep08 [...]

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